Coruja-das-torres

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Tyto alba close up.jpg

Estado de conservação
Status iucn3.1 LC pt.svg
Pouco preocupante
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Strigiformes
Família: Tytonidae
Género: Tyto
Espécie: T. alba
Nome binomial
Tyto alba
(Scopoli, 1769)
Distribuição geográfica
Schleiereule-Tyto alba-World.png

Coruja-das-torres é uma espécie que pertence a família dos titonídeos, também conhecida pelos nomes de coruja-da-igreja, coruja-branca, coruja-católica e rasga-mortalha. Habitam em diversos lugares do mundo, em geral, em todos os continentes exceto a Antártica, gostam de lugares abertos e de climas que variam de temperados aos tropicais. Também conhecida como coruja pele neutra pois ela a cada ano , troca as suas penas ficando colorida a cada ano.

Descrição[editar | editar código-fonte]

Um adulto T. a. alba em voo, Pirenéus, (França).
Uma ninhada.
Subspécie Australiana (T. a. delicatula dando o chamado shree; SE Queensland.

Mede cerca 20 a 36 cm de comprimento, com uma envergadura de cerca de 75-110 centímetros. A forma da cauda é uma maneira de distinguir a coruja-das-torres de verdade quando vista em voo, como os movimentos são oscilantes e abrir das pernas balançando as penas. O rosto com a sua forma peculiar e os olhos negros dão à ave voando uma aparência estranha e surpreendente, a crista de penas acima do bico se assemelha a um nariz.[1]

Seu peso varia de 250 a 700 g, sendo as fêmeas geralmente 25% maiores que os machos. Podem viver até 10 anos em ambiente selvagem, e a coruja-das-torres mais velha conhecida vivia em cativeiro na Inglaterra e já havia completado 25 anos quando deixou de por ovos. É uma ave de médio porte, com cores castanho-claro e manchas pretas nas costas e parte de trás da cabeça, além de pequenas e finas manchas pretas ou marrom escuras espalhadas por todo o corpo exceto na parte interna das asas (parte "de baixo"). Seu peito, e toda parte inferior do corpo, tal como a área interna das asas são de cor branca, podendo também apresentar-se na cor branco-acinzentado ou branco amarelado. A plumagem é suave e densa, com delicadas extremidades nas asas para abafar o som produzido pelas mesmas ao se moverem. As asas são redondas nas bordas e tem curvatura bastante suave, medem em média 107 cm em membros adultos. As linhas lacrimais seguem dos olhos até o bico. Bico tem forma de gancho para dilacerar carne. O pescoço tem área de "giro" de 270° para compensar o fato de seus olhos serem imóveis, elas costumam balançar a cabeça da esquerda para a direita quando estão curiosas ou analisando o ambiente, pois assim elas aumentam a área que visualizam e podem visualizar as imagens tridimensionalmente. A cauda é utilizada como estabilizador durante o bote. As pernas longas e poderosas amortecem o impacto das aterrisagens e estão cobertas de penas brancas até o tarso, onde geralmente não há abundância de penas. Os ouvidos assimétricos permitem localizar as presas no escuro pois sua capacidade auditiva lhe permite diferenciar o tempo que o som chega em cada ouvido, os grandes discos faciais atuam como uma antena nesse complexo sistema auditivo, recolhendo sons o canalizando-os para os ouvidos.

Tem excelente visão noturna. Possui a capacidade de distinguir na escuridão a uma altura de 10 metros qualquer coisa que se movimente no solo. Possui a visão cem vezes melhor que a dos homens e necessita de apenas 10 por cento da luz que o olho humano usa para distinguir alguma coisa. Isso pode ser explicado por ela ter olhos enormes em relação ao seu tamanho, e a forma alongada (ao contrário do esférico sistema ótico humano) se alarga em direção à retina, abrindo espaço entre a pupila e o cristalino.[2]

Hábitos[editar | editar código-fonte]

É uma ave naturalmente noturna[2] e, frequentemente, apresenta alguma atividade crepuscular. Tyto albas encontrados em atividade durante o dia estão geralmente famintos ou buscando alimento para sua ninhada. Permanecem durante o dia em fendas em árvores, cavidades de rochedos, forros ou sótão de casas, torres de igreja etc. Costumam banhar-se em poças de água e pequenos córregos. Seu voo extremamente silencioso dá-se devido à sua adaptação a caças noturnas: sua aproximação não é identificada pela presa, que é facilmente capturada. São encontradas solitárias ou aos pares. Geralmente são sedentárias, não saindo de uma região depois de instaladas. O seu território possui um raio de 7400 m, em média.

Voz[editar | editar código-fonte]

A sua vocalização é um grito rouco, que se assemelha ao ruído de tecido sendo rasgado[3] . Apresenta um piar agudo quando se fere ou machuca, que também é vocalizado repetidas vezes para o acasalamento[4] . Se surpreendida no seu esconderijo ou empoleirada, começa então a repetidas vezes reproduzir um som de estalar, chocando sua língua ao bico. As crias emitem um som de pedido como de um ressonar ruidoso[5] .

Alimentação[editar | editar código-fonte]

Chouette crâne (2).jpg

As corujas-das-torres são animais noturnos altamente dotados para caçar pequenas aves, invertebrados, roedores, pequenos lagartos e anfíbios. A sua principal ferramenta de caça é a sua aguçada audição que lhes permite ouvir sons e definir a posição da presa na escuridão total. Voam baixo, assim elas escutam os movimentos de suas presas e identificar facilmente obstáculos próximos pelo eco de seu quase inaudivel bater de asas. A coruja posiciona as pernas para a frente e esticando as suas garras afiadas, posicionando 3 garras para frente e uma para trás para apanhar a sua presa, invertebrados elas costumam comer vivos e inteiros, enquanto que pequenos vertebrados são mortos por asfixia, apertando forte as garras contra o peito deles. Suas presas são geralmente engolidas inteiras, presas muito grandes são desmembradas ou então arrancando pequenos pedaços e comendo-os, também não é raro encontrar Tyto albas que normalmente comam presas pequenas por partes ou arrancando pequenos pedaços antes de engolir o resto da presa de uma única vez, acredita-se que façam isso para saborear a carne e o sangue, aparentemente a bílis não lhe é desagradável apesar do forte odor, esse raro hábito alimentar já foi identificado em alguns Tyto Alba em cativeiro possuídas por falcoeiros brasileiros. Cerca de 8 a 10 horas mais tarde elas regurgitam uma única pelota de material que não conseguiu digerir, essa pelota úmida e preta (chamada de cast ou pellet em inglês) geralmente contém coisas como ossos, dentes, restos de carapaça de invertebrados, penas e pelos. Também é comum a Tyto albas nunca beberem água, retirando todo o líquido de que necessitam da carne que consomem.

Reprodução[editar | editar código-fonte]

Quando as corujas-das-torres acasalam, tornam-se parceiros para a vida toda. Se reproduzem pelo menos 1 vez ao ano em qualquer época, definido apenas pela quantidade de comida disponível em seu território. O macho inicia a corte chamando a fêmea, ele faz um voo de exibição, incluindo fortes batidas de asas. O par usa como ninho geralmente os mesmos locais que ja usavam anteriormente. A fêmea põe os ovos em uma cavidade escura e incuba-os. Cada ovo é posto com 2 ou 3 dias de diferença para que choquem em tempos diferentes. Os progenitores estão sempre caçando em turnos, evitando deixar a prole sozinha, quando isso ocorre a chance de que seus filhotes sejam atacados por corvos ou outros predadores é grande. As crias mais velhas são alimentadas primeiro e por vezes as mais novas morrem de fome, as mais velhas comem então as suas irmãs já mortas, assegurando a sua sobrevivência. As Tyto Albas ganham peso até o quinto ou sexto mês de vida, quando começam a gradualmente perder peso e reduzir seu apetite, chegando então à fase adulta.

Habitat[editar | editar código-fonte]

A espécie está associada a lugares abertos, como pastagens e terrenos agrícolas ou semi-abertos.[6] Habita em cavernas, telhados de celeiros, prédios e em torres de igrejas, de onde leva um de seus nomes mais populares.

É uma das aves com maior distribuição no planeta. Habita todos os continentes com exceção da Antártida.

Nidifica em quintas, montes, moinhos, celeiros, ruínas e igrejas, e mesmo em grandes povoações. Evitando normalmente florestas, particularmente resinosas.[6]

Subespécies[editar | editar código-fonte]

Figuram 35 subespécies no complexo T. alba:

  • T. a. alba
  • T. a. guttata
  • T. a. ernesti
  • T. a. affinis
  • T. a. schmitzi
  • T. a. gracilirostris
  • T. a. detorta
  • T. a. thomensis
  • T. a. hypermetra
  • T. a. erlangeri
  • T. a. stertens
  • T. a. javanica
  • T. a. sumbaensis
  • T. a. delicatula
  • T. a. meeki
  • T. a. crassirostris
  • T. a. interposita
  • T. a. lulu
  • T. a. pratincola
  • T. a. lucayana
  • T. a. furcata
  • T. a. glaucops
  • T. a. nigrescens
  • T. a. insularis
  • T. a. guatemalae
  • T. a. contempta
  • T. a. subandeana
  • T. a. hellmayri
  • T. a. bargei
  • T. a. tuidara
  • T. a. punctatissima
  • T. a. poensis
  • T. a. bondi
  • T. a. niveicauda
  • T. a. hauchecorni

Referências

  1. Bruce (1999), Svensson et al. (1999): pp.212-213>Bruce (1999), Svensson et al. (1999): pp.212-213, OwlPages (2006)
  2. a b Entre sapos e cobras: A vida noturna dos Animais - Superinteressante (shtml) (em português) Revista Superinteressante. Visitado em 23 de janeiro de 2010.
  3. Chamamento típico
  4. Chamamento de acasalamento
  5. Som de pedido de crias
  6. a b Tyto alba Coruja-das-torres (pdf) (em português) Icn.pt. Visitado em 23 de janeiro de 2010.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Bruce, M.D. (1999): Family Tytonidae (Barn-owls). In: del Hoyo, J.; Elliott, A. & Sargatal, J. (eds): Handbook of Birds of the World (Vol.5: Barn-owls to Hummingbirds): 34-75, plates 1-3. Lynx Edicions, Barcelona. ISBN 84-87334-25-3
  • Svensson, Lars; Zetterström, Dan; Mullarney, Killian & Grant, Peter J. (1999): Collins Bird Guide. Harper & Collins, London. ISBN 0-00-219728-6

Ligações externas[editar | editar código-fonte]