Couço

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 Portugal Couço  
—  Freguesia  —
Vista da Vila de Couço
Vista da Vila de Couço
Brasão de armas de Couço
Brasão de armas
Couço está localizado em: Portugal Continental
Couço
Localização de Couço em Portugal
38° 59' N 08° 17' O
País  Portugal
Concelho CCH.png Coruche
Fundação Segunda metade do século XVI
 - Tipo Junta de freguesia
Área
 - Total 346,58 km²
População (2011)
 - Total 2 765
    • Densidade 8/km2 
Gentílico: Coucense, batateiro(popular)
Código postal 2100
Orago Santo António do Couço
A Vila do Couço é Membro Honorário da Ordem da Liberdade[1]

Couço MHL é uma freguesia e uma vila portuguesa pertencente ao concelho de Coruche. A freguesia tem 346,58 km² de área (nona maior do país)[2] e 2765 habitantes (2011)[carece de fontes?], o que resulta numa densidade populacional de 8 hab./km². Fazem parte desta freguesia a Vila do Couço, a aldeia de Santa-Justa e os lugares Volta do Vale, Varejola, Courelinhas e Sol Posto. A Vila do Couço foi feita Membro-Honorário[1] da Ordem da Liberdade em 9 de junho de 2000.

A freguesia confina com os concelhos de Mora, Montemor-o-Novo e Ponte de Sôr, estabelecendo a transição entre o Ribatejo e o Alentejo.

É na freguesia do Couço que "nasce" o Rio Sorraia, formando-se na junção da Ribeira de Sor com a Ribeira de Raia, recebendo o seu nome, "Sorraia", pela também junção dos nomes das duas ribeiras: "Sor" e "Raia".

História[editar | editar código-fonte]

Não se conhece a data exacta da criação da freguesia do Couço mas o mais antigo documento a referir um topónimo da freguesia data de 1222[3] e dá-nos conta da venda da herdade de Águas Belinhas.

A freguesia não consta do Cadastro da população do Reino de 1527 sendo que, pertencendo à comenda de Coruche, estaria subordinada à Ordem de Avis e não se teria constituído freguesia antes da segunda metade do século XVI.

Em 1758 o pároco da freguesia ao responder, aos inquéritos ordenados por Marquês de Pombal no âmbito do projecto coordenado pelo Pe. Luís Cardoso, Dicionário Geográfico de Portugal, escreveu sobre a paróquia do Couço:

"Esta igreja de S. António do Couço he parochia está na Provincia do Alentejo e no Arcebispado de Evora na Comarca de Aviz termo de vila de Coruche; He DelRei; Tem 193 fogos e pessoas 656; Está cituada em planice. So dela se ve a freguezia de Sanata Justa termo da vila nova da Erra; (Couço) não tem lugares e só a aldea junto a igreja."[4]

Final do Séc. XIX[editar | editar código-fonte]

Segundo Diniz Caiado (1923)[5] ouvira contar ao "velhinho Dimas Monteiro" a freguesia do Couço, até praticamente ao final do século XIX, resumia-se a um pequeno aglomerado de casas em torno de uma pequena e pobre igreja. Nessa altura toda a região estava envolta por matagais e, segundo o autor supracitado, acobertava ladrões. Conclui ainda, Diniz Caiado, que o Couço "apareceu com a cortiça", ou seja com o início da extração de cortiça enquanto actividade económica predominante nos meses quentes, e com ela o dinheiro e as pessoas que povoaram a zona.

Os proprietários locais, existentes no final do século XIX na freguesia, descendiam de antigos rendeiros que se tornaram donos de terras em consequência, segundo Godinho, P.(2001),[6] do "decreto de Mouzinho da Silveira, de 13 de Agosto de 1832" que permitiu a alienação da propriedade em hasta pública ou expropriação. Os proprietários locais iniciais seriam, segundo descrição de Garcia, A.(1958)[7] "os Aleixos do Gato, os Falcões da Amoreira, os Ribeiros do Sol Posto, os Durões dos Lagoíços, e os Garcias do Engal".

Em 1867 foi criada a Escola Primária e o primeiro professor foi F. M. Banha que leccionou de 1870 a 1883.

Lenda do Janeiro[editar | editar código-fonte]

A Lenda do Janeiro, inscrita na tradição oral autóctone, tal como é contada na “Monografia de Santo António do Cousso” de Alberto Garcia.[8]

“Escrevo o conto tal qual, por via do povo, chegou aos meus ouvidos, já cansados com a repetição, tão variada como o impressionismo popular fantasia nas suas lentas aumentativas e se apaixona pelo crime, que, desta vez e neste caso, só ele é autêntico.(…)
Depois das lutas liberais, ficaram por todo o País várias quadrilhas de malfeitores. Nas Beiras o João Brandão; no Algarve, o Remexido; no concelho de Coruche, o Janeiro.
O famigerado criminoso, certamente soldado do senhor D. Pedro IV, veio dos lados da Chamusca, Pego da Curva, sito em plena charneca, quartel general de Lobos e javalis (…) o bandido assentou arraias no vale Quaresmo.”O que todos os coucenses ouviram contar aos seus avós passa-se entretanto: aterrorizar, roubar, violar, matar e escarnecer pelos diversos lugares da freguesia e em especial no lugar das Courelinhas. Uma noite de terror para o Filipe de Verdugos e para a sua mulher: “Vê como se faz!",terá o bandido dito a Filipe de Verdugos enquanto violava a sua esposa. Ida ao paço real e lá D. Maria II oferece a Filipe oportunidade de vingança por escrito.
Um dia, pouco antes do nascer do sol, viu descer a encosta, seguir pela vereda das Courelas para a Courelinha o Janeiro com três companheiros montados em cavalos desferrados.
Seguros, sem reparos, sem cautelas, tranquilos como bois mansos em pastagens fartas após muito charruarem, iam buscar as espingardas deixadas para consertar na forja da Courelinha. Antecipadamente o Filipe combinara com o ferreiro destemperar os fuzis (…) o Janeiro cai numa armadilha e vê-se rodeado de homens, mulheres e até crianças, com o Vingador Filipe “à cabeça”.
O Janeiro viu o inimigo. Tranquilizou-se. Conheceu a hoste, gente maltrapilha, timorata, cheia de crendice nas bruxas e lobisomens, que fugia toda com o seu primeiro grito Ah! Seus pandilhas; p’ra vocês chego eu só; mato sete por cada tiro.”
Traído pelo arcabuz ineficiente o Janeiro tombou às mãos do Filipe. Assim mesmo, o Filipe num salto de tigre, de navalha aberta tirada da cinta, rasga-lhe o fato, corta-lhe a carne, procura-lhe os membros, decepa-os e enche-lhe a boca com os órgãos da sua ferida eterna. A malta, sem chefe, fugiu desatinadamente, cada um deles procurou escapar-se ao castigo do Filipe, que foi matar o último na várzea de Benavente, obrigando-o a abrir a cova onde para sempre esperará o dia de Juízo final.”

Evolução demográfica[editar | editar código-fonte]

Couço: Praça da República
Couço: casario
População da Freguesia de Couço (1864 – 2011)
1864 1878 1890 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011
1861 1936 2174 2422 2901 3260 4252 5267 5551 5492 4630 4383 3725 3180 2765

Fonte: Censos, INE.

Geografia[editar | editar código-fonte]

A freguesia do Couço localiza-se numa planície arenosa, ocupando cerca de 32 000 hectares de solos de diferentes composições: terras de várzea (as melhores da região), montados e arneiros. Dos 32 000 hectares da freguesia, a grande propriedade latifundiária absorve 83% da superfície total, a propriedade média ocupa 14,4% e a pequena propriedade (courela) limita-se a 2,5% dos terrenos.

Em 2012, esta era a quinta maior freguesia de Portugal com 34 657,82 hectares (350 km²). Couço só era superada em termos de área pela salaciense Santa Maria do Castelo, com 435 km², pela albicastrense Penamacor com 373 km², pela também salaciense Torrão, com 372 km², e pela também sadina Grândola, com 364 km².[9]

Já em 2013, devido à reforma administrativa nacional,[10] Couço manteve os seus limites e passou a ser, em termos de área, a nona maior freguesia do país.[2]

Festas e Romarias[editar | editar código-fonte]

  • Semana de Arte, Cultura e Desporto da Vila do Couço
  • Fim de Semana da Juventude
  • Festa das Colheitas (Santa-Justa)

Coucenses Ilustres[editar | editar código-fonte]

Batateiros[editar | editar código-fonte]

No opúsculo In Memoriam Couço o professor Diniz Caiado[5] lembra:

António Ramalho Durão, homem bastante inteligente e dos poucos que sabia ler (…) Conhecia a entrada da batata na cultura do Couço e contava que o produto da primeira plantação tinha sido devorado mesmo cru pelos soldados de Schwalbac quando das guerras liberais. Não sabiam que tubérculo era aquele levantado pelas patas dos cavalos mas acabaram por não deixar um único.

Tendo a este propósito Labaredas(1999)[11] afirmado:

"Ora bem, era este oficial que o prof. Caiado refere, o capitão João Pedro Schwalbac, que deixa o Alentejo em 1846, após nesse ano ter ali comandado acções de pacificação no rescaldo das guerras civis.
Temos pois, como seguro, que a cultura daquela solanácea se verificou pela primeira vez nesse ano de 1846 por estas bandas.(…) tudo leva a crer que, além de pioneira, a cultura se popularizou e vulgarizou nesta terra do Couço pois os seus habitantes, ágeis agricultores, ficaram conhecidos no concelho e nos circundantes por batateiros (epíteto que nada tem a ver com intuitos caceteiros ou de má vizinhança, pois sempre o povo da região foi pacífico, não se deixando, soçobrar a um jugo servil)."

Referências

  1. a b Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas Presidência da República Portuguesa. Visitado em 2014-06-01. "Resultado da busca de "Vila do Couço"."
  2. a b Instituto Geográfico Português. Carta Administrativa Oficial de Portugal 2013 (Áreas das freguesias, municípios e distritos da CAOP2013) Direção-Geral do Território. Visitado em 28 de Março de 2014. Cópia arquivada em 4 de Dezembro de 2013.
  3. Godinho, P.(2001), "Memórias da Resistência Rural no Sul - Couço (1958-1962), Oeiras, Celta Editora, p.46
  4. [1] Cm-coruche.pt.
  5. a b Caiado,J.(1923),In Memoriam Couço,Lisboa, s/ed.(p.2)
  6. Godinho, P.(2001), "Memórias da Resistência Rural no Sul - Couço(1958-1962), Oeiras, Celta Editora, p.47
  7. Garcia, A. (1948), Monografia de Santo António do Cousso, Lisboa, Edições Gama, p.164
  8. Garcia, A. (1948), Monografia de Santo António do Cousso, Lisboa, Edições Gama, pp. 16-19.
  9. Instituto Geográfico Português. Carta Administrativa Oficial de Portugal (Áreas das freguesias, municípios e distritos da CAOP2012.1). Visitado em 28 de Março de 2014. Cópia arquivada em 25 de Agosto de de 2012.
  10. Lei n.º 11-A/2013 de 28 de janeiro (Reorganização administrativa do território das freguesias) (pdf) Diário da República, 1.ª Série, n.º 19, Diário da República Electrónico (2013-01-28). Visitado em 2014-03-28.
  11. Labaredas,J.(1999) Coruche à Mesa e outros manjares. Assírio e Alvim. (pp.44-45)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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