Críticas à doutrina da Trindade

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Críticas à doutrina da Trindade são formuladas por várias denominações cristãs, denominações pseudo-cristãs e religiões monoteísta, como o Islamismo e o Judaísmo. Elas discordam da doutrina da Trindade, isto é, da afirmação de que um único Deus revela-se em três pessoas divinas distintas, ou simplesmente, do conceito de um Deus formado por três pessoas distintas: o Pai (Deus), Filho (Jesus Cristo) e o Espírito Santo.

Entre as denominações de igrejas cristãs não-trinitárias que rejeitam esta doutrina incluem-se os unicistas ou sabelianismo, os Unitaristas Bíblicos (arianismo),[1] os Unitaristas Universalistas (arianismo),[2] os Cristadelfianos e vários movimentos que não são protestantes, mas se originaram de tais grupos.

Conceitos cristãos antitrinitários[editar | editar código-fonte]

A visão unicista de Deus entende haver apenas "Um Único Deus", a pessoa Divina de Jesus Cristo, que se teria manifestado como "Deus Pai" na Criação, "Deus Filho" na Redenção e o Divino Espírito Santo nos dias atuais. Ou seja, um Deus Único em três distintas manifestações temporais.

Outro ramo entende haver "um Deus e um Senhor", nas figuras de Jesus Cristo como "Senhor dos Exércitos" e de "Deus", o Pai Criador e sustentador do Universo. Segundo os defensores desta ideia, há vários textos bíblicos indicando a existência de apenas um único Deus, tais como Êxodo 20:2-3, I Coríntios 8:6 e João 4:21, 23. Este ramo defende ainda que os textos bíblicos referidos pelos trinitarianos, não tratam diretamente da adoração a uma Trindade ou a "um Deus triúno", pelo que esta deveria ser dirigida somente a um Deus único.

Para os Cristadelfianos nem a palavra "Trindade" e nem o conceito da Trindade aparecem na Bíblia. Os cristadelfianos ensinam que Deus é uma só pessoa (o Pai), Deus é maior do que o Filho, e que o Filho é subordinado ao Pai.

Conceitos das Testemunhas de Jeová[editar | editar código-fonte]

As Testemunhas de Jeová rejeitam o dogma da Trindade. Argumentam que existe apenas um só Deus verdadeiro que se chama Jeová. Ele é considerado o Deus Todo-poderoso. Segundo as Testemunhas de Jeová o trecho em Deuteronómio 6:4 (NM) reafirma claramente o monoteísmo e a ideia de unicidade da pessoa de Deus. "Jeová [YHVH], nosso Deus [em língua hebraica "Elohím"], é um só Jeová [YHVH]." As Testemunhas de Jeová argumentam que a nação de Israel, a quem isto foi dito, não acreditava na Trindade. Os babilônios e os egípcios adoravam tríades de deuses, mas se esclareceu a Israel que Jeová é diferente.

Para as Testemunhas de Jeová, o plural aqui do nome em hebraico "Elohím" é o plural majestático ou de excelência. Não dá a ideia de pluralidade de pessoas numa deidade. Afirmam que, quando em Juízes 16:23 se faz referência ao deus Dagom, emprega-se uma forma do título ’elo·hím; o verbo acompanhante está no singular, o que indica que se refere a apenas um deus. Citam também Gênesis 42:30, que diz que José é "senhor" (’adho·néh, o plural majestático) do Egito.[3] [4]

As Testemunhas explicam que a língua grega antiga não possui "plural majestático ou de excelência". Portanto, em Gênesis 1:1, os tradutores da versão Septuaginta, uma tradução do hebraico para o grego, teriam empregado "ho The·ós" (Deus, no singular) como equivalente a ’Elo·hím. Afirmam que, em Marcos 12:29, onde se reproduz uma resposta de Jesus em que ele citou Deuteronômio 6:4, emprega-se similarmente o singular ho The·ós, em grego.

O Filho de Deus é encarado como "[um] ser Divino" poderoso ou "[um] Deus". Não o consideram como sendo o Deus Todo-poderoso, mas uma pessoa distinta Dele. (João 1:1,14,18 NM) Foi o "Primogênito de toda a Criação" (Colossenses 1:15).

Aquele que mais tarde se tornou verdadeiramente homem, Jesus de Nazaré, chamado de Cristo (Messias), teria uma existência pré-humana como filho Unigénito [por ter sido único criado directamente] de Jeová Deus e o Seu porta-voz. Na sua existência pré-humana, crêem que ele era o Arcanjo Miguel, o principal ou líder dos anjos de Deus. Crêem que ele teve um papel importante na Criação, como Mestre-de-obras de Deus. (Provérbios 8:30) Enquanto humano, nunca deu consideração à ideia de ser igual a Seu pai, o Deus Todo-poderoso. O próprio Jesus Cristo terá deixado bem claro a ideia de que "o Pai é maior do que eu" (João 14:28). Após a sua ressurreição e ascensão ao Céu, continuou lealmente sujeito a Seu Pai e Deus Todo-poderoso, pois "a cabeça de todo homem é o Cristo; por sua vez, a cabeça da mulher é o homem; por sua vez, a cabeça do Cristo é Deus" (I Coríntios 11:3). No fins dos tempos, ele seria designado juíz e o governante do Reino Messiânico. E, no término do seu reinado, "quando todas as coisas lhe tiverem sido sujeitas, então o próprio Filho também se sujeitará Àquele que lhe sujeitou todas as coisas, para que Deus seja todas as coisas para com todos." (I Coríntios 15:25-28)

Entendem que o Espírito Santo não é uma pessoa Divina. É apenas a força ativa que procede de Deus. Crêem que a personificação do Espírito Santo, encontrada em alguns versículos bíblicos, não provam que seja uma divindade, mas apenas figuras de linguagem. Argumentam que em parte alguma das Escrituras se dá um nome pessoal ao espírito santo; dá-se tão-somente ao nome pessoal do Pai — Jeová, e ao do Filho - Jesus Cristo. Citam Atos 7:55, 56, que relata que Estêvão recebeu uma visão do céu, onde viu "Jesus em pé à direita de Deus", mas não diz ter visto o Espírito Santo (Apocalipse 7:10; 22:1, 3.).

Entendem também que a doutrina da trindade, historicamente provém de crenças pagãs.

A obra "Deve-se crer na trindade?", publicada e distribuída pelas Testemunhas de Jeová, afirma:

"Por muitos anos havia muita oposição, por motivos bíblicos, contra a emergente ideia de que Jesus era Deus. Para tentar resolver a disputa, o imperador romano Constantino convocou todos os bispos a Nicéia. Cerca de 300, uma fração do total, realmente compareceram.
Constantino não era cristão. Supostamente, mais tarde na vida ele se converteu, mas só foi batizado quando estava para morrer. Sobre ele, Henry Chadwick diz em The Early Church (A Igreja Primitiva): “Constantino, como seu pai, adorava o Sol Invicto;… a sua conversão não deve ser interpretada como tendo sido uma íntima experiência de graça… Era uma questão militar. A sua compreensão da doutrina cristã nunca foi muito clara, mas ele estava certo de que a vitória nas batalhas dependia da dádiva do Deus dos cristãos.”
Que papel desempenhou esse imperador não batizado no Concílio de Nicéia? A Enciclopédia Britânica diz: “O próprio Constantino presidiu, ativamente orientando as discussões, e pessoalmente propôs… o preceito crucial, que expressa a relação de Cristo para com Deus no credo instituído pelo concílio, ‘de uma só substância com o Pai’ Intimidados diante do imperador, os bispos, com apenas duas exceções, assinaram o credo, muitos dos quais bem contra à sua inclinação pessoal.”
Assim, o papel de Constantino foi decisivo. Depois de dois meses de furiosos debates religiosos, esse político pagão interveio e decidiu em favor dos que diziam que Jesus era Deus. Mas, por quê? Certamente não por causa de alguma convicção bíblica. “Constantino basicamente não tinha entendimento algum das perguntas que se faziam em teologia grega”, diz Breve História da Doutrina Cristã. Mas, o que ele deveras entendia era que a divisão religiosa representava uma ameaça ao seu império, e o seu desejo era solidificar o seu domínio.
Nenhum dos bispos em Nicéia promoveu uma Trindade, porém. Eles decidiram apenas a natureza de Jesus, mas não o papel do espírito santo. Se a Trindade fosse uma clara verdade bíblica, não a teriam proposto naquele tempo?

Depois de Nicéia, os debates sobre o assunto continuaram por décadas. Os que criam que Jesus não era igual a Deus até mesmo recuperaram temporariamente o favor. Mais tarde, porém, o Imperador Teodósio decidiu contra eles. Ele estabeleceu o credo do Concílio de Nicéia como padrão para o seu domínio e convocou o Concílio de Constantinopla, em 381 EC, para esclarecer os preceitos.[carece de fontes?]

Esse concílio concordou em colocar o Espírito Santo no mesmo nível que Deus e Cristo. Pela primeira vez, a Trindade da cristandade passou a ser enfocada.[carece de fontes?]

Todavia, mesmo após o Concílio de Constantinopla, a Trindade não se tornou um credo amplamente aceito. Muitos se lhe opuseram e, assim, trouxeram sobre si violenta perseguição.[carece de fontes?] Foi apenas em séculos posteriores que a Trindade foi formulada em credos específicos. A Enciclopédia Americana diz: "O pleno desenvolvimento do trinitarismo ocorreu no Ocidente, no escolasticismo da Idade Média, quando se adotou uma explicação em termos de filosofia e psicologia."[carece de fontes?]

Para as Testemunhas de Jeová, as suas crenças devem basear-se somente na Bíblia, portanto, visto que o desenvolvimento Trinitariano só se deu dois séculos após a escrita da Bíblia não pode ser aceito como verdade.[carece de fontes?]

As Testemunhas de Jeová, utilizam-se ainda de outros textos e argumentos na sua refutação desta doutrina, por exemplo:

Jesus é submisso a Deus
“Não pode o Filho fazer nada por si mesmo se não vir o Pai fazê-lo.; porque tudo o que ele fizer, o faz também semelhantemente o Filho.” (João 5:19, Missionários Capuchinhos [MC])
“Desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.” (João 6:38)
“O que eu ensino não é meu, mas pertence àquele que me enviou.” (João 7:16)
O Conhecimento de Jesus Era Limitado

Ao proferir a sua profecia a respeito do fim deste sistema de coisas, Jesus declarou: "Quanto ao dia e à hora, ninguém sabe, nem os anjos do céu nem o Filho mas somente o Pai." (Marcos 13:32, BV) Tivesse Jesus sido a parte igual do Filho numa Divindade, teria sabido o que o Pai sabia. Mas Jesus não sabia, pois não era igual a Deus.

Similarmente, em Hebreus 5:8 lemos que Jesus “aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu”. Podemos imaginar Deus precisar aprender algo? Não, mas Jesus precisava, pois ele não sabia tudo o que Deus sabia.[carece de fontes?] E ele tinha de aprender algo que Deus jamais precisaria aprender — a obediência. Deus jamais precisa obedecer a alguém.[carece de fontes?]

Uma diferença entre o que Deus sabe e o que Cristo sabe também existia quando Jesus foi ressuscitado para o céu a fim de estar com Deus. Note as primeiras palavras no último livro da Bíblia: “Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu.” (Apocalipse 1:1) Se o próprio Jesus fosse parte duma Divindade, teria sido necessário dar-lhe uma revelação oriunda de outra parte da Divindade — Deus? Por certo ele teria sabido tudo a respeito dessa revelação, pois Deus sabia. Mas Jesus não sabia, pois não era Deus.[carece de fontes?]

Conceito judaico[editar | editar código-fonte]

YHWH é o único Deus, tendo manifestado seu poder, Shekinah como forma de poder não segunda pessoa.

Conceito islâmico[editar | editar código-fonte]

Também os muçulmanos (o Islão) criticam com grande vigor a Trindade que segundo o profeta Maomé seria concebida pelos cristãos como sendo constituída por Deus-Pai, Jesus e Maria.[5] Segundo a sua leitura do dogma da Trindade, consideram que se trata de uma clara e inequívoca afirmação politeísta que atenta contra a unicidade de Alá. (Al Corão 5:73)

Conceito bahá'í[editar | editar código-fonte]

Para os bahá'ís, as sagradas escrituras registram abundantes referências à Unidade e Unicidade de Deus, ou seja, que Deus-Pai é Uno e Único. Os bahá'ís compreendem que Deus é incognoscível em Sua Essência: "O que imaginamos não é a Realidade de Deus; Ele, o Incognoscível, o Inconcebível, está muito além da mais avançada concepção do homem."

São muito comuns na literatura sagrada bahá'í expressões sobre Alá no qual está "santificado acima de toda especulação humana', "acima das noções e imaginações do homem","acima de todas as suas descrições", "santificado das concepções dos seus servos", que "Sua essência está santificada acima de todos os nomes e elevado além dos mais excelsos atributos", está "santificado além de qualquer semelhança com Tuas criaturas", "acima da criação inteira', "santificado acima de qualquer semelhança, similitude ou comparação", etc.

Bahá'u'lláh, profeta-fundador da Fé Bahá'í, em sua Epístola ao Filho do Lobo, diz:

"...sabe tu que damos testemunho daquilo de que Deus Mesmo deu testemunho antes da criação dos céus e da terra, a saber que não há outro Deus senão Ele, o Onipotente, o Todo-Generoso. Testificamos que Ele é Uno em Seus atributos. Nenhum igual tem Ele no universo inteiro, nem associado em toda a criação. Ele tem enviado Seus Mensageiros e feito descerem Seus Livros, a fim de que anunciassem às Suas criaturas o Caminho reto." [6] .

‘Abdu’l-Bahá filho primogênito de Bahá'u'lláh e líder da Fé Bahá'í após a ascensão deste, discursou algumas vezes sobre o tema, durante as suas viagens para ensino da Fé no ocidente. Em outras ocasiões realizou palestras, compiladas na época, das quais algumas fez referência a questão de trindade.

Ao público cristão, como uma ilustração, costumava dizer que em cada era ou ciclo em que Deus-Pai se revela por meio de Seu Manifestante "há necessariamente três coisas, o doador da graça, a graça e o destinatário da Graça; A fonte do esplendor, o esplendor e o destinatário da refulgência; o Iluminador, a Iluminação, e o Iluminado."

Outra referência mais relevante está num dos seus livros "Esplendor da Verdade", do qual faz a seguinte explanação:

"Pergunta – Que significa a Trindade – as Três Pessoas em Uma?
Resposta – A Realidade Divina, pura e santificada, está muito além da compreensão dos seres humanos, e jamais poderá ser imaginada, nem pelos mais inteligentes e sábios; ultrapassa qualquer conceito. Esta Realidade Sublime não admite a divisão, pois a divisão e a multiplicidade são propriedades das criaturas, que são existências contingentes; tais acidentes não podem atingir Àquele que existe por si próprio.
A Realidade Divina está isenta da singularidade e, muito mais ainda, da pluralidade. A descida desta Realidade Divina para condições e graus outros, seria contrária à perfeição – seria absoluta imperfeição e, portanto, inteiramente impossível. Sempre esteve essa Realidade, como ainda está, no mais elevado grau da santidade. Tudo o que se diz das Alvoradas – os Manifestantes de Deus – refere-se ao reflexo divino, e não a uma descida às condições terrenas.
Deus é pura perfeição, e as criaturas simples imperfeições. Para Ele, o descer às condições terrenas constituiria a maior das imperfeições; Sua manifestação, Seu aparecimento, ou Sua alvorada, é como o reflexo do sol num espelho cristalino, puro e polido. Todas as criaturas são sinais evidentes de Deus, semelhantes às coisas terrestres sobre as quais brilham os raios do sol, mas sobre as planícies, as montanhas, as árvores e os frutos brilha apenas uma parte da luz, pela qual todas estas coisas se tornam visíveis e se desenvolvem, atingindo assim o objetivo de sua existência, ao passo que o Homem Perfeito (1) é semelhante a um espelho puro no qual o Sol da Realidade se reflete plena e visivelmente, manifestando-se em todas as suas qualidades e perfeições. A Realidade de Cristo era um espelho límpido e polido, sumamente puro e fino, e assim o Sol da Realidade, a Essência Divina, refletiu-se nesse espelho, nele manifestou luz e calor. Não desceu, porém, de Seu elevado grau de santidade, de Seu sagrado céu, para entrar no espelho e nele habitar; ao contrário, continua a subsistir em Sua glória e sublimidade, enquanto se reflete no espelho e nele manifesta Sua beleza e Sua perfeição.
Se dissermos, pois, que vimos o sol em dois espelhos, sendo um destes espelhos Cristo, e o outro o Espírito Santo, isto é, que vimos três sóis, estando um no céu e os outros dois na terra, diremos a verdade. E se dissermos que há somente um sol, que é único, sem companheiro ou igual, estaremos ainda dizendo a verdade.
Em resumo: a Realidade de Cristo foi um espelho puro, e o Sol da Realidade, ou seja a Essência da Unidade, com Seus infinitos atributos e perfeições, tornou-se visível no espelho. Não queremos dizer com isso que o sol, a Divina Essência, se tivesse dividido ou multiplicado, pois o sol é um e único; apenas se reflete no espelho. Eis porque disse Cristo: “O Pai está no Filho”, isto é: o sol está visível, manifesto, neste espelho.
O Espírito Santo significa as Graças de Deus, as quais se tornam visíveis e evidentes na Realidade de Cristo. A condição de Filho é o coração de Cristo, e o Espírito Santo é a condição do espírito de Cristo. Assim provamos, fora da menor dúvida, ser a Divina Essência absolutamente única, sem igual ou semelhante.
Eis o que se entende por Três Pessoas da Santíssima Trindade. De outro modo, a Religião de Deus basear-se-ia numa proposição ilógica, inconcebível – podemos acreditar numa coisa que nem nos é possível conceber? Nada se pode abranger com a inteligência que não seja apresentado de forma inteligível, pois seria apenas fantasia.
Está claro agora, pela exposição acima, o sentido de Três Pessoas da Santíssima Trindade. A Unidade de Deus também está provada." [7] .

Conceitos da Doutrina Espírita[editar | editar código-fonte]

A Doutrina Espírita, codificada por Allan Kardec, também não aceita o dogma da Trindade, haja visto que, segundo O Livro dos Espíritos, Deus "é a inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas" (Livro dos Espíritos, questão 1) e que sua essência é insondável para os humanos nesse estágio de progresso moral. Allan Kardec propõe, então, atributos não-reducionistas a Deus como: eterno, imutável, imaterial, único, onipotente e soberanamente justo e bom (Livro dos Espíritos, questão 13). Quanto a Jesus, (Livro dos Espíritos, questão 625), os Espíritos dizem que ele é o tipo mais perfeito que Deus ofereceu à humanidade para lhe servir de modelo e guia. Jesus é um Espírito como qualquer outro (criado simples e ignorante) mas que já sublimou-se, tornando-se um Espírito puro, segundo a classificação de Kardec, através das sucessivas reencarnações nos diversos mundos do universo (a pluralidade dos mundos habitados também é um dos princípios da Doutrina Espírita).[8] .

Conceito dos movimentos gnósticos[editar | editar código-fonte]

Movimentos neo-gnósticos contemporâneos que se auto-denominam cristãos afirmam, por sua vez, que Jesus Cristo não é Deus como o é YHVH, pois YHVH surge ao longo do Antigo Testamento como sendo um Deus "vingativo", "cruel" e "sedento de sangue" e Jesus como rosto de um "falso Deus" que é "amor", "misericórdia" e "perdão". Entendem que o Espírito Santo é na realidade o "Verdadeiro Deus" que salvou a Humanidade ao ser entregue por Jesus a YHVH aquando da sua morte.[9]

Conceito dos pioneiros Adventistas[editar | editar código-fonte]

Eles escreveram a esse respeito em um dos principais veículos adventistas da época a The Review and Herald:[10] .

  • J. N. Loughborough disse que a doutrina da Trindade foi trazida para a Igreja Católica ao mesmo tempo que a adoração de imagens, e que a celebração da guarda do Domingo não é mais do que a doutrina dos persas remodelada. [11]
  • J. B. Frisbie seguiu o mesmo pensamento de Lougborough dizendo que a Trindade era um louvor à guarda do domingo. [12]
  • James White disse que a doutrina da Trindade acaba com a personalidade de Deus e de seu Filho, Jesus Cristo. (The Advent Review de 11 de dezembro de 1855) Disse ainda que os grandes reformadores, se tivessem continuado, não teriam deixado nenhum vestígio das falsas doutrinas, inclusive a Trindade. [13]
  • J. N. Andrews incluiu a crença na Trindade entre as doutrinas espúrias que compunham o vinho de Babilônia. (Adventist Review de 6 março de 1855)
  • D. W. Hull disse que essa doutrina foi invenção do "homem do pecado" em referência a II Tessalonicenses Capítulo 2. [14]
  • Uriah Smith, outro pioneiro que atuou na presidência da Conferência Geral dos Adventistas do Sétimo Dia e também como editor chefe da Review and Herald por mais de cinquenta anos disse: "O Espírito Santo é o Espírito de Deus e o Espírito de Cristo, sendo o Espírito o mesmo quando se fala de Deus ou de Cristo. Mas com relação a este Espírito, a Bíblia emprega expressões que não podem harmonizar-se com a idéia de que seja uma pessoa, tal como o Pai e o Filho." [15]
  • William White, filho de Ellen Gould White, era contrário a essa doutrina e dizia que muitas pessoas se utilizavam dos escritos de sua mãe com interpretações errôneas.[16] .

A Criação - Segundo Ellen G. White[editar | editar código-fonte]

"Pai e Filho empenharam-Se na grandiosa, poderosa obra que tinham planejado - a criação do mundo. A Terra saiu das mãos de seu Criador extraordinariamente bela. Depois que a Terra foi criada, com sua vida animal, o Pai e o Filho levaram a cabo Seu propósito, planejado antes da queda de Satanás, de fazer o Homem à Sua própria imagem. Eles tinham operado juntos na criação da Terra e de cada ser vivente sobre ela. E agora, disse Deus a Seu Filho: "Façamos o Homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança. (Gênesis 1:26)" [17]

Comma Johanneum[editar | editar código-fonte]

Em algumas versões da Bíblia (KJV, AV, Almeida Revista e Corrigida, Tradução brasileira, etc.), encontra-se a seguinte passagem acrescentada a 1 João 5:7,8: …"no céu: o Pai, a Palavra e o Espírito Santo, e esses três são um. E três são os que dão testemunho na terra". Alguns estudiosos e estudantes bíblicos sustentam que a antemencionada passagem, o Comma Johanneum, não aparecia (nem o faz em cópias posteriores até o século XII A.D.) nos manuscritos originais da Bíblia. É a razão de muitas versões modernas da Bíblia não incluírem essas palavras no contexto entre os v.v. 7-8 de 1 João; pode se tratar duma interpolação ao texto original.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Inicial. Unitarismo Bíblico.
  2. Our Unitarian Universalist Principles (em inglês). Unitarian Universalist Association of Congregations.
  3. Dicionário Bíblico da NAB, Edição de St. Joseph, p. 330, em inglês
  4. New Catholic Encyclopedia, de 1967, Vol. V, p. 287.
  5. "História das Religiões", Chantepie de la Saussaye, Vol. 2, 1979
  6. Respostas a Algumas Perguntas. EBB.
  7. Respostas a Algumas Perguntas. EBB.
  8. O que é?. FEB.
  9. The Gnostic Religion, Hans Jonas, 2001
  10. Advent Review. adventistas.ws.
  11. Adventist Review de 5 de novembro de 1861
  12. The Advent Review de 4 abril de 1854
  13. Advent Review 7 de Fevereiro 1856
  14. Adventist Review de 10 de novembro de 1859
  15. Review and Herald, 1890
  16. Carta de Willian em 1935. adventistas.ws.
  17. História da Redenção, Ellen G. White, pág. 20