Cratera de Darvaz

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O depósito como visto à noite, 2010

A Cratera de Darvasa, também chamada de Porta para o Inferno é um campo de gás natural localizado em Derweze (também escrito Darvaza, que significa "porta"), na província de Ahal, no Turcomenistão. A cratera é conhecida pela sua chama que vem queimando continuamente desde 1971, alimentada pelos ricos depósitos de gás natural na área. Ela exala um forte cheiro de enxofre que pode ser sentido à distância.

Geografia[editar | editar código-fonte]

A aldeia de Darvaz , também conhecida como Darvaza, ou Derweze (que significa "O Portão", em turcomano), com 350 habitantes, está localizada a cerca de 260km ao norte de Ashgabat, no meio do deserto de Karakum, que ocupa mais de 70% da área do país e é rico em petróleo, enxofre e gás natural. A reserva de gás encontrada alí é uma das maiores do mundo. O nome "Porta para o Inferno" foi dado pela população local referindo-se ao fogo, lama fervente e as chamas alaranjadas na cratera que tem um diâmetro de 70m[1] propiciando um cenário que faz lembrar a descrição popular do acesso principal ao mitológico Reino de Hades[2] . Seus habitantes são principalmente turcomanos da tribo Teke, que conservam um estilo de vida semi-nômade[2] [3] .

História[editar | editar código-fonte]

O local foi identificado em 1971 por cientistas da então União Soviética pensando que este poderia ser um campo de petróleo [4] . A partir dessa premissa, eles montaram um acampamento com uma plataforma de perfuração para avaliar a quantidade de gás e petróleo disponíveis no local. Como os soviéticos estavam satisfeitos com o sucesso em encontrar esses recursos, eles começaram a armazenar o gás. Porém, durante as escavações foi descoberta uma caverna subterrânea de grande profundidade, repleta de gás tóxico. Num certo momento dos trabalhos, o chão sob a plataforma de perfuração cedeu abrindo uma grande cratera que engoliu os equipamentos. Nenhuma vida foi perdida no incidente, mas grandes quantidades de gás metano foram lançadas na atmosfera criando enormes problemas ambientais e imenso dano ao povo das aldeias, resultando em algumas mortes.

Temendo a liberação de mais gases nocivos da cratera, os cientistas decidiram queimá-los. Eles consideraram que seria mais seguro queimá-lo do que extraí-lo do subsolo, pois isso exigiria processos caros. Em termos ambientais, a queima do gás é a solução mais coerente quando as circunstâncias são tais que ele não pode ser extraído para uso. O gás metano lançado na atmosfera também é um perigoso gás de efeito estufa. Naquele tempo, as expectativas eram de que o gás iria queimar por alguns dias, mas ainda está queimando décadas depois de ter sido incendiado. Não há nenhuma previsão de quando as labaredas vão finalmente cessar, já que ninguém tem noção da quantidade de gás que ainda existe nas profundezas da cratera.[2]

Efeitos sobre o desenvolvimento futuro do gás[editar | editar código-fonte]

Poço de Darvaza, a Porta do Inferno.

Em abril de 2010 o presidente do Turcomenistão, Gurbanguly Berdimuhamedow, visitou o local e ordenou que o buraco fosse fechado [5] ou que fossem tomadas medidas para limitar a sua influência sobre o desenvolvimento de outros campos de gás natural na área. O Turcomenistão planejava aumentar sua produção de gás natural, com a intenção de aumentar sua exportação de gás para China, Índia, Irão, Rússia e Europa Ocidental.

Referências

  1. O que é o inferno (14 setembro 2012).
  2. a b c Renan Dissenha Fagundes (16 de julho de 2009). Turcomenistão tem "Porta para o Inferno" Revista Época. Visitado em 12 de maio de 2010.
  3. Karakum Desert (em inglês) Encyclopedia Britannica. Visitado em 12 de maio de 2010.
  4. Livros sobre o assunto (janeiro de 2010).
  5. Marat Gurt. Presidente do Turcomenistão quer fechar "Portão do Inferno".