Crioulo Português de Java

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O Crioulo Português de Java era um crioulo com base no Português extinto falado em Jacarta. Foi introduzido com a colônia holandesa de Batávia, quando os holandeses trouxeram escravos das colônias que tinham recentemente adquiridas de Portugal, e o crioulo português dos escravos tornou-se a língua franca da nova cidade. Este crioulo ficou conhecido por Mardijker, o nome significa "homem livre", em holandês, como os escravos foram libertados logo após a sua liquidação. A linguagem foi substituída pelo crioulo malaio de Batávia, o Betawi, no final do século XVIII, os Mardijker perderam a sua identidade distinta. No entanto, por volta de 1670 um grupo de 150 pessoas foram transferidos para o que é hoje a aldeia e subúrbio de Tugu, onde eles mantiveram sua língua, lá conhecido como Papia, até os anos 1940. O último orador fluente, Joseph Quiko, morreu em 1978, e a linguagem sobrevive apenas nas letras das músicas antigas do gênero Keroncong Moresco (Keroncong Tugu).

Também na cidade de Batávia (atual Jacarta), capital da antiga Holanda Oriental, o português foi à língua falada nos séculos XVII e XVIII. As missões religiosas contribuíram para esta grande expansão da língua portuguesa. Isto porque desde que as comunidades se convertiam ao catolicismo, elas adotavam o português como língua materna. Também as missões protestantes (holandeses, dinamarqueses, ingleses...) que atuavam na Índia foram obrigados a usar o português como a língua de evangelização.[1]

A comunidade de Tugu[editar | editar código-fonte]

A cidade Tugu fica a poucos quilômetros da antiga Batávia, atual Jacarta, na Indonésia, mais precisamente na ilha de Java.

Apesar destas regiões nunca terem sido colonizadas pelos portugueses, estas populações foram levadas para aquela região pelos holandeses, como escravos para trabalhar nas suas plantações, ou ainda, mais frequentemente como escravos para trabalhar nas casa.

Quando os holandeses conquistaram Malaca, Cochim, Ceilão, etc, os portugueses foram feitos escravos e transportados em grande número para outras possessões holandesas, como a Indonésia e até para a África do sul.

Dos casamentos com mulheres portuguesas, os holandeses viram-se forçados a ter que aprender o chamado português corrupto, tanto para a vida domestica como no trato com os povos locais.

Na Batávia, como em Tanquebar (possessão dinamarquesa na costa oriental indiana, Costa de Coromandel), o português não corrupto foi utilizado como língua litúrgica e foi até construído escolas. Existem inúmeras publicações, tais como textos litúrgicos, dicionários...

A comunidade de Tugu (Tugo ou Toegoe) tem sido reportada desde o seculo XVIII. A grande particularidade desta comunidade era o seu português. Segundo dados recentes, o ultimo falante de um crioulo indo-português do tipo próximo dos crioulos de Ceilão e do sino-malaio) morreu em 1978, no entanto a comunidade continua a manter vivas muitas particularidades típicas da indo-portugalidade: gastronomia, religião (catolicismo), musica dia a dia.[2]

História[editar | editar código-fonte]

Durante os anos de 1510, quando os portugueses chegaram ao maior arquipélago do mundo, a atual Indonésia. Estabeleceram ao longo do arquipélago diversas feitorias.

Foram fundadas colônias prósperas nas ilhas de Sumatra (Samatra) e Java. Em Java chegou-se a desenvolver um crioulo (língua resultante da fusão entre o português e as línguas nativas).[3]

Até no início do século XX em Jacarta-Batavia-Tugu, Indonésia: (um subúrbio de Jacarta). uma espécie de português corrompido ainda era usado pela população cristã em Tugu. O último habitante que falava o crioulo morreu em 1978. Esta região nunca esteve sob domínio de Portugal.

Essa comunidade holandesa de Batávia na Ilha de Java, Indonésia, ficou conhecida por Mardijkers. Os Mardijkers são os descendentes dos antigos escravos de Malaca, Bengal, Coromandel, Malabar, que foram convertidos ao Protestantismo quando libertados. Eles falavam uma espécie de crioulo português e eram o ramo principal da comunidade portuguesa de Batávia. Depois da conquista holandesa de Malaca e do Ceilão eles cresceram consideravelmente. Em 1673, foi construída uma igreja protestante, para a comunidade portuguesa na Batávia e depois, no século XVII, uma segunda igreja foi construída. Em 1713, esta comunidade tinha cerca de 4.000 membros. Até 1750, o português foi à primeira língua na Batávia, porém, depois o malaio passou a dominar. Em 1808, o reverendo Engelbrecht celebrou a última missa em português. Em 1816, a comunidade portuguesa foi incorporada pela comunidade malaia. Também entre as famílias holandesas de Batávia, a língua portuguesa foi intensamente usada até 1750, apesar dos esforços do Governo holandês contra o seu uso.[1]

Referências

  1. a b A Herança da Língua Portuguesa no Oriente (Ásia) (em português). Visitado em 16 de fevereiro de 2014.
  2. Tugu: Uma antiga aldeia portuguesa em Java (em português). Visitado em 16 de fevereiro de 2014.
  3. Uma Viagem pelo Mundo em Português (em português) Lusotopia. Visitado em 16 de fevereiro de 2014.