Crise da República Romana

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A crise da República Romana se refere a um longo período, entre 134 a.C. e 27 a.C.,[1] [2] [3] de instabilidade política e social que culminou com a transformação da República Romana no Império Romano.

As datas exatas das ocorrências destas crises não são totalmente claras porque, "Roma oscilava entre a normalidade e a crise" por muitas décadas.[4]

Da mesma forma, as causas e atributos das crises mudaram ao longo das décadas, incluindo as formas de escravidão, bandidagem, guerras internas e externas, reformas agrárias, a invenção de novas formas de punição literalmente cruéis,[5] a expansão da cidadania romana, e até mesmo as mudanças na composição do exército romano.[6]

Os estudiosos modernos (Nic Fields,[7] Harriet I. Flower e Jurgen Von Ungern-Sternberg[8] e Barry Strauss[9] ), discordam sobre a natureza destas crises. Tradicionalmente, a expansão da cidadania (com todos os direitos, privilégios e deveres), foi encarada de forma negativa por Salústio, Gibbon e outros de suas escolas, pois causou divergências internas, disputas com os aliados de Roma, revoltas de escravos e tumultos.[10] No entanto, os estudiosos de hoje apontam que todo o propósito da república deveria ser res publica – o essencial para o povo – e, assim, as pessoas mais pobres não poderiam ser culpadas por exigirem soluções para as suas queixas utilizando as leis legítimas e legais de Roma.[10]

Início da crise[editar | editar código-fonte]

Durante séculos, os historiadores têm discutido sobre o início das crises e a data final para estas, legitimando o fim da República Romana. Florence Dupont e Christopher Woodall escreveram: "não são feitas distinções entre períodos diferentes".[11] Entretanto, sem dúvida, os romanos perderam a liberdade por meio de saques e pelas consequências de seus atos "moralmente baixos".[12]

Argumentos para uma data de início precoce (ca. 134 a 73 a.C.)[editar | editar código-fonte]

Harriet I. Flower e Jurgen Von Ungern-Sternberg argumentam a favor de uma data de início exata partindo de 10 de dezembro de 134 a.C., com a inauguração dos irmãos Gracos como tribunos,[8] ou alternativamente quando a primeira proposta de reforma agrária foi emitida pela primeira vez em 133 a.C.[13] Apiano de Alexandria escreveu que estas crises foram o "prefácio para as guerras civis romanas".[14] Veleio comenta que a reeleição sem precedentes do Gracos como tribunos em 132 a.C., os motins e as controvérsias ajudaram para o início de uma crise:

"Este foi o início do derramamento de sangue civil e do reino livre [sic] pelas espadas na cidade de Roma. A partir de então, a justiça foi derrubada pela força e o mais forte era proeminente."

Marco Veleio Patérculo, Vell. Pat. 2.3.3-4, traduzido e citado por Harriet I. Flower.[15]

Em qualquer caso, o assassinato de Tibério Graco, em 133 a.C. marcou "um momento decisivo na história romana e do início da crise da República Romana."[16]

Barbette S. Spaeth refere-se especificamente como "a crise de Gracos como uma das principais causas da queda da república."[17]

Nic Fields, em sua história popular sobre Espártaco, defende uma data de início a partir de 135 a.C., com o início da Primeira Guerra Servil na Sicília.[7] Fields argumenta:

"A rebelião dos escravos na Sicília sob a liderança de Espártaco poderia ter sido melhor organizada, mas não foi a primeira de seu tipo. Houve outras rebeliões de escravos que afligiam Roma, e podemos supor que Espártaco foi sábio o suficiente para lucrar com os seus erros."

Nic Fields[18]

O início da Guerra Social, quando Roma lutou contra seus vizinhos itálicos, pode ser considerada como o começo do fim da república.[19] [20] Fields também sugere que as coisas ficaram piores com as Guerras Samnitas por cerca de 82 a.C.[21]

Barry Strauss opina que a crise realmente começou com a Guerra de Espártaco em 73 a.C., acrescentando que os perigos eram desvalorizados, "Roma enfrentou a crise com mediocridades." [9]

Argumentos para uma data de início tardia (69 a 44 a.C.)[editar | editar código-fonte]

Thornton Wilder em seu romance, Os Idos de Março, concentra-se no período de 69 - 44 a.C. durante a crise. Pólio e Ronald Syme datam a crise somente durante a época de Júlio César em 60 a.C.[22] A travessia do Rubicão por César em 49 a.C. se tornou um clichê e um "ponto sem retorno para a República Romana", como observado em muitos livros, incluindo o de Tom Holland: Rubicon: The Last Years of the Roman Republic.[23]

Argumentos para uma data final (49 a 27 a.C.)[editar | editar código-fonte]

O fim da crise pode ser também reivindicada a partir do assassinato de Júlio César em 15 de março de 44 a.C., depois que Lúcio Cornélio Sula se esforçou "para desmantelar o governo de Roma",[24] ou quando Otaviano assumiu o nome de Augusto (que tornou-se depois um título de todos os imperadores romanos) e fundou o Império Romano em 27 a.C.[25] O final poderia ser datado "antes", na época das reformas constitucionais de Júlio César em 49 a.C..

Tibério e Caio Graco[editar | editar código-fonte]

Tibério Graco, retratado no Promptuarii Iconum Insigniorum de Guillaume Rouillé.

Tibério Graco tomou posse como tribuno da plebe em 134 a.C., enquanto "tudo na República Romana parecia estar funcionando bem."[26] Houve alguns problemas, aparentemente menores, como o "incômodo de uma revolta de escravos na Sicília."[27]

Ao mesmo tempo, a sociedade romana era um sistema de classe altamente estratificada, cujas divisões foram borbulhando por debaixo da superfície. Este sistema consistia de famílias nobres da categoria senatorial, cavalheiresca ou cidadãos (agrupados em duas ou três classes, dependendo do período de tempo – onde eram aliados e semi-independentes de Roma, proprietários de terras e homens livres da plebe), os não-cidadãos que viviam fora do sudoeste da Itália, eram somente escravos. Por lei, apenas os homens que eram cidadãos podiam votar em certas assembleias e somente alguns homens que possuíam uma certa quantidade de bens e imóveis podiam servir nas forças armadas, onde ganhariam prestígio social e benefícios adicionais de cidadania.[28] O governo repartia grandes extensões de propriedades de terra de fazendas que havia conquistado através de invasões ou confisco e alugava para os grandes proprietários de terras, cujos escravos cultivavam a terra, ou sub-arrendavam a agricultores de pequeno porte.[29] Houve alguma mobilidade social, e o direito de voto foi limitado.[30] A plebe era uma classe social, mas seus membros tinham suas próprias origens, como um grupo étnico com seu próprio deus, e, finalmente se era subordinado a um partido político durante a maior parte do período republicano.[31]

Normalmente, o senado possuía um poder exclusivo para passar alguma legislação, e apenas os membros das classes superiores, como ex-magistrados, eram elegíveis para concorrerem e servirem no senado.

A partir de 133 a.C., Graco tentou aliviar o sofrimento dos pequenos agricultores deslocados. Ele ignorou o senado romano e aprovou uma lei limitando a quantidade de terras pertencentes ao Estado que qualquer indivíduo poderia cultivar.[32] Isso teria resultado no rompimento das grandes plantações mantidas pelos ricos em terras públicas e cultivadas por escravos.[32]

O plano moderado de reforma agrária de Graco foi concebido "para aumentar o número de cidadãos romanos que possuíam terras e, consequentemente, o número dos quais potencialmente poderiam qualificar-se como soldados de acordo com sua classificação no censo."[32] O plano incluía um método para se adquirir um "título fácil", e teve o objetivo de aumentar a eficiência das terras agrícolas, enquanto distribuía pequenas parcelas de terra para agricultores arrendatários, seu eleitorado populista.[32] Graco sabia de um obstáculo, a lex Hortensia de 287 a.C., que permitia a plebe ignorar as decisões do senado.[32] No entanto, a tribuna de Marco Otávio usou seu veto para impedir o plano.[32]

A escalada na crise aconteceu quando Graco reuniu sua tribuna para promover um impeachment e remover Marco Otávio, mas o senado negou possuir fundos necessários para uma reforma agrária. Graco, em seguida, tentou usar o dinheiro de um fundo de confiança deixado por Átalo III de Pérgamo, mas que o senado havia bloqueado.[33] Em um ponto, Graco tinha como objetivo "arrastar Otávio da plataforma de orador."[34] Este ataque violou a Lex sacrata, que proibia as pessoas de menor nível agredir uma pessoa de classe superior.[34] Uma nova constituição escrita de Roma não foi prejudicada. Assim, Graco buscou a reeleição para o mandato de um ano, o que era sem precedentes em uma era de estritos limites de mandatos.[35] Os nobres oligárquicos responderam assassinando Graco,[36] [37] e distúrbios em massa eclodiram na cidade, em reação ao assassinato.[38]

Os irmãos Graco na infância: Tibério e Caio com sua mãe Cornélia Africana.

Em vez de tentar usar o assassinato, o senado usou uma missão do templo de Ceres em Enna (Sicília), para justificar sua execução. As reformas agrárias foram implementadas apenas parcialmente pela comissão; seguidores de Graco se uniram tanto na Itália quanto em Cartago.[39]

Cerca de nove anos mais tarde, o irmão de Tibério Graco, Caio, aprovou reformas mais radicais. Além de liquidar as divídas dos pobres nas colônias de terras conquistadas por Roma, passou a lei Frumentária (lex frumentaria), o que deu aos pobres o direito de comprarem grãos a preços subsidiados.[40]

No passado, o senado havia eliminado seus rivais políticos, quer através de comissões especiais ou judiciais ou por meio do senatus consultum ultimum ("último decreto do senado").[41] [42] Ambos os dispositivos permitiram ao senado contornar os direitos ordinários devido ao processo que todos os cidadãos possuíam.[43]

Alguns dos seguidores de Caio "causaram a morte de um homem que permitiu que seu rival, Lúcio Opimio suspendesse a constituição de novo usando o senatus consultum ultimum."[44]

Caio fugiu, mas ele também provavelmente foi assassinado pelos oligarcas. De acordo com uma fonte antiga, Caio não foi morto diretamente por eles, mas ordenou que seu escravo Filocrates escrevesse em seu testamento, um "assassinato seguido de suicídio".[45]

Caio Mário e Sula[editar | editar código-fonte]

O próximo grande reformador da época foi Caio Mário que, como os irmãos Graco, era um populista.[10] Ao contrário deles, ele era também um general.[10] [46] Ele aboliu a exigência de possuir uma propriedade para se tornar um soldado.[10] [46] Os pobres recorreram em grande número. Esta abertura das fileiras do exército para os capite censii, emancipados da plebe, criou assim um espirit de corps no exército expandido.[10] [47] Algumas elites queixaram-se que o exército havia se tornado incontrolável devido aos plebeus em suas fileiras, mas foi sem justa causa:[10] [47]

"Mário é acusado de pavimentar o caminho sem lei, soldados gananciosos, cujas as atividades foram pensadas para terem contribuído em grande parte para o declínio e a queda da república anos mais tarde. No entanto, não devemos perder de vista o fato de que Mário não foi o primeiro a envolver o capite censi. Roma era governada por uma oligarquia aristocrática que estava incorporada ao senado. Assim, em tempos de crise extrema no passado, o senado havia impressionado-os, junto com os presos e escravos, a servirem como legionários."

Nic Fields[10]

Mário empregou seus soldados para derrotarem uma invasão pelos cimbros germânicos e teutões.[46] Sua influência política e liderança militar lhe permitiu obter seis mandatos como cônsul em 107, e 103 a 109 a.C.[46] Em 99 a.C., o senado usou a violência para renovar e declarar outro senatus consultum ultimum.[46]

Lúcio Cornélio Sula, um dos subordinados de Mário, contestou para ele o poder supremo. Depois de o senado conceder a ele o lucrativo posto de poderoso comandante na guerra contra Mitríades IV, a politicagem de Mário resultou em ele ser apontado comandante no lugar de Sula. Sula tomou o poder e marchou para leste com seus soldados. Mário lançou um golpe de Estado na ausência de Sula e condenou à morte alguns de seus inimigos. Ele instituiu um regime populista, mas morreu logo depois.

Quando Sula voltou da guerra, seu exército vitorioso derrotou as forças de Cina, sucessor populista de Mário. Assim, ele começou uma ditadura e purgou o Estado de muitos populistas. Um reinado de terror se seguiu, em que alguns inocentes foram denunciados apenas pelo que sua propriedade poderia ser aproveitada para os benefícios dos seguidores de Sula. O golpe de Sula resultou em uma grande vitória para os oligarcas. Ele inverteu as reformas dos irmãos Graco e outros populistas, despojando os tribunos do povo, e muito do seu poder voltou a autoridade sobre os tribunais para os senadores.

Pompeu[editar | editar código-fonte]

Busto de Pompeu, o Grande, no Residenz de Munique.

Pompeu, o seguinte grande líder a agravar a crise, tomou o cognome de Magnus ("o Grande").[48] Pompeu, quando jovem, aliou-se a Lúcio Cornélio Sula, mas nas eleições de 78 a.C., apoiou Lépido contra a vontade de Sula. Quando Sula morreu mais tarde naquele ano, Lépido se revoltou, e Pompeu suprimiu sua vontade em nome do senado romano.

A carreira de Pompeu parece ter sido impulsionada pelo desejo de glória militar e desprezo para as tradicionais restrições políticas.[49] A aristocracia romana desmentiu que estava começando a temer o jovem general, popular e bem sucedido, mas Pompeu recusou-se a desmantelar suas legiões até seu pedido ser atendido. O senado concordou relutantemente, concedeu-lhe o título de procônsul, poderes iguais aos de Quinto Cecílio Metelo Pio, e enviaram-no para a província da Hispânia.[50]

Pompeu dizimou o que restava das tropas de Espártaco em 71 a.C., que haviam sido derrotadas por Marco Licínio Crasso.[51] Ele recebeu a maior honraria de Roma, o triunfo, enquanto Crasso só recebeu a menção honrosa de uma ovação, o que prejudicou seu orgulho.[52]

Em 69 a.C., conquistou a província da Síria, derrotou o rei Tigram do Reino da Armênia, e o substituiu por um rei fantoche, Seleuco VII. Quatro anos depois, ele depôs a monarquia, substituindo-o por um governador. Isso não acabou com os selêucidas,[53] mas trouxe milhares de escravos e povos estranhos, incluindo judeus para Roma, criando assim uma diáspora judaica. Estes enxames de refugiados, criaram problemas e discórdias, entre o povo e a aristocracia romana em realocar muitas destas pessoas em regiões segregadas da república, sem ter que se responsabilizar formalmente por seu destino.

Enquanto muitas das ações imprudentes de Pompeu finalmente aumentaram a discórdia em Roma, a sua aliança infeliz com Marco Licínio Crasso e Júlio César são citados como sendo especialmente perigosos para a república.

O triunvirato e a guerra civil de César[editar | editar código-fonte]

O primeiro triunvirato[editar | editar código-fonte]

O primeiro triunvirato foi a aliança política entre Júlio César, Marco Crasso e Pompeu.[54] Ao contrário do segundo triunvirato, o primeiro não tinha nenhum status oficial; seu esmagador poder na República Romana foi estritamente uma influência não-oficial, e foi de fato mantida em segredo por algum tempo como parte da politicagem e maquinações dos triunviratos. O primeiro triunvirato foi formado em 60 a.C. e durou até a morte de Crasso em 53 a.C.

Crasso e Pompeu haviam sido colegas no consulado desde 70 a.C., quando legislaram a restauração completa do tribunato do povo (o ditador Lúcio Cornélio Sula havia retirado todos os direitos dos tribunos do povo, exceto o ius auxiliandi, o direito de resgatar um plebeu das garras do magistrado patrício). No entanto, desde então, os dois tinham entretido uma antipatia considerável um para com o outro, cada um acreditando que o outro deveria sair do seu caminho para aumentar a sua própria reputação à custa de seu colega.

César, artificialmente conciliou os dois amigos, para combinar sua influência para que resultasse em ele ser eleito cônsul em 59 a.C. Crasso e César já eram amigos, assim, solidificou sua aliança com Pompeu, lhe dando a sua própria filha Júlia em casamento. A aliança combinada deu enorme popularidade a César, uma reputação legal para com a influência e riqueza fantásticas de Crasso dentro da plutocrática Ordem Equestre Romana e igualmente para com a riqueza e reputação militar de Pompeu.

O triunvirato foi mantido em segredo até que o senado obstruiu a proposta de lei agrária de César, estabelecendo colônias de cidadãos romanos e distribuindo porções de terras públicas (ager publicus). Ele prontamente trouxe a lei perante os tribunos do povo, em um discurso que havia sido ladeado por Crasso e Pompeu, revelando assim a aliança. A lei agrária de César foi aprovada e o triunvirato passou a permitir a eleição do demagogo Públio Clódio Pulcro como tribuno do povo, livrando-se tanto de Cícero e Catão, o Jovem, ambos adversários inflexíveis do triunvirato.

O triunvirato passou a fazer novos acordos entre si. O senado premiou Júlio César, como uma afronta aos negócios do triunvirato, "as madeiras e os caminhos da Itália", como seu território procônsul. César aprovou, através de sua própria tribuna, sua decisão sobre o assunto, e tornou-se procônsul de ambas as Gálias (Cisalpina e Transalpina) e de Ilírico, com o comando de quatro legiões por cinco anos; o novo "pai por lei" de César, Lúcio Calpúrnio Pisão Cesonino foi feito cônsul em 58 a.C.

Em 56 a.C., os laços entre os três amigos foram se desgastando.[55] César, primeiro convidou Crasso e depois Pompeu para uma reunião secreta, a "Conferência de Lucca", para repensar suas estratégias conjuntas. A reunião renovou a aliança política. Eles concordaram que Pompeu e Crasso voltariam para o consulado em 55 a.C. Uma vez eleitos, eles estenderiam o comando de César na Gália por cinco anos. No final de seu ano consular conjunto, Crasso teria a influente e lucrativa governança da província da Síria e usaria isto como uma base para conquistar a Pártia. Pompeu manteve a Hispânia sob sua tutela.[56] [57]

A aliança permitiu que o triunvirato dominasse completamente a política romana, mas não iria durar indefinitivamente devido às ambições, egos e ciúmes dos três; César e Crasso ficaram cada vez mais invejosos um para com o outro, após os sucessos de César na guerra contra Gália, em que anexou toda a região para Roma.

A travessia do Rubicão por Júlio César[editar | editar código-fonte]

O Assassinato de César, uma interpretação do século XIX do evento por Karl Theodor von Piloty.

Em 50 a.C., o senado liderado por Pompeu, ordenou a César desmantelar suas legiões e retornar a Roma porque seu mandato como governador da Gália havia terminado.[58] Júlio César pensou que ele poderia ser processado se entrasse em Roma sem uma imunidade concedida por um magistrado. Pompeu acusou César de insubordinação e traição.

Em janeiro de 49 a.C., César cruzou o rio Rubicão (o limite da fronteira da província da Itália), com apenas uma legião e inflamou uma guerra civil. Após cruzar o Rubicão, César, de acordo com Plutarco e Suetônio, supostamente citou a frase do dramaturgo grego Menandro, Alea jacta est ("A sorte está lançada").[59] Pompeu e grande parte do senado fugiram para o sul, tendo pouca confiança em seus soldados recém-chamados. Apesar de Pompeu superar o número de soldados para com César, que só levara sua décima terceira legião, Pompeu não tinha a intenção de lutar. César perseguiu Pompeu, na esperança de capturá-lo antes que suas legiões pudessem escapar.[60] Pompeu conseguiu escapar antes de que César pudesse capturá-lo. Colocando sua atenção na província da Hispânia, César deixou a Itália sob o controle de Marco Antônio. Depois de uma surpreendente marcha de 27 dias, César derrotou os tenentes de Pompeu e, em seguida, retornou para o leste, para desafiá-lo na Grécia, onde, em julho de 48 a.C., em Dirráquio, César não conseguiu evitar uma derrota catastrófica para Pompeu. Em um engajamento mais curto mais tarde naquele ano, César derrotou decisivamente Pompeu em Farsalos.[61]

Em Roma, César foi nomeado ditador,[62] com Marco Antônio como seu magister equitum (o segundo em comando); César presidiu a sua própria eleição para um segundo consulado e, depois de 11 dias, se demitiu como ditador.[62] [63] César então perseguiu Pompeu até a província do Egito, chegando logo após o assassinato do general. Foi apresentada a César a cabeça decepada de Pompeu e seu anel, recebendo-os com lágrimas. Assim, César condenou os assassinos de Pompeu com a decapitação.[64]

Júlio César então se envolveu em uma guerra civil egípcia entre o garoto faraó (Ptolemeu XIII) e sua irmã, mulher e rainha co-regente, Cleópatra. Talvez como resultado do papel do faraó no assassinato de Pompeu, César ficara do lado de Cleópatra. Ele resistiu ao cerco de Alexandria e mais tarde derrotou as forças do faraó na Batalha do Nilo em 47 a.C. e instalou Cleópatra como governante do Egito. Assim, César e Cleópatra celebraram sua vitória com uma procissão triunfal sobre o rio Nilo no mesmo ano. Apesar do relacionamento de Cleópatra com César resultar em um filho, eles nunca se casaram.[65]

No final de 48 a.C., César novamente foi nomeado ditador, com o prazo de um ano.[63] Depois de passar os primeiros meses de 47 a.C. no Egito, César foi para o Oriente Médio, onde derrotou o rei de Ponto. Sua vitória havia sido tão rápida e efetiva que César zombou das vitórias anteriores de Pompeu sobre fracos e pobres inimigos.[66] No caminho para Ponto, César visitou entre 27 e 29 de maio de 47 a.C. (25-27 de maiogreg), Tarso, que havia dado seu apoio entusiástico, para Cícero e Cássio que planejavam matar César naquele momento.[67] [68] [69] Daí, César foi para a África lidar com o resto dos apoiadores senatoriais de Pompeu. Ele ganhou rapidamente uma vitória significativa em 46 a.C. sobre Catão, o Jovem, que depois cometeu suicídio.[70]

Após esta vitória, César foi nomeado ditador por dez anos.[71] Os filhos de Pompeu fugiram para a Hispânia. César os perseguiu e derrotou os últimos remanescentes da oposição na Batalha de Munda em março de 45 a.C.[72] Durante este tempo, César foi eleito para o seu terceiro e quarto mandato como cônsul em 46 a.C. e 45 a.C. (neste último sem um colega).

Quando César voltou a Roma em 44 a.C., o senado lhe concedeu triunfos por suas vitórias, na Gália, no Egito, sobre Fárnaces II do Ponto e Juba I em vez de seus adversários romanos. Jogos e comemorações foram realizadas envolvendo gladiadores e prisioneiros de guerra para a diversão do público romano.[73] César então foi declarado ditador perpétuo, esta declaração fez com que muitos senadores temessem de que César derrubasse o senado a favor da tirania.[74] Assim, nos Idos de Março de 44 a.C., César foi chamado para uma sessão do senado junto com Marco Antônio, os senadores cercaram César pedindo sua opinião sobre uma petição de Tillius Cimber sobre o exílio de seu irmão, enquanto César tentava afastá-los, recebeu 23 facadas de alguns dos 60 senadores envolvidos, acabando morrendo pelas feridas letais desferidas a ele.[75] [76]

O segundo triunvirato[editar | editar código-fonte]

Busto em perfil de Marco Antônio.

O segundo triunvirato foi a política oficial de aliança entre Otaviano, Lépido e Marco Antônio, formada em 26 de novembro de 43 a.C., com a promulgação da Lei Títia, a adoção que marcou o fim da República Romana. O triunvirato exerceu dois mandatos de cinco anos, cobrindo o período entre 43-33 a.C.[3] [77]

Diferente do primeiro triunvirato, o segundo foi oficial, uma instituição legalmente constituída, cujo o poder esmagador no Estado romano foi dada a sanção jurídica integral e cujo imperium maius superava o de todos os outros magistrados, incluindo os cônsules.

Otaviano, apesar de sua juventude, foi retirado do senado como cônsul sufecto (consul suffectus), em 43 a.C. Ele havia estado em guerra com Marco Antônio e Lépido no norte da Itália. Em outubro de 43 a.C., concordaram em se unir e tomar o poder; eles se encontraram perto de Bonônia (atualmente Bolonha).

O triunvirato foi constituído legalmente em 43 a.C., como Triunviros para a Organização do Povo (Triumviri Rei Publicae Constituendae Consulari Potestate). Possuía autoridade política suprema. O único governo que foi legitimado como "para confirmar a república", foi a ditadura de Lúcio Cornélio Sula. A única limitação aos poderes do triunvirato foi a fixação legal do limite de tempo de cinco anos.

Uma raridade histórica do triunvirato foi, com efeito, a direção de três homens com poderes ditatoriais que incluiam Marco Antônio que, como cônsul em 44 a.C., obteve a lex Antonia que havia suprimido a ditadura de César e expurgado a constituição da república. Como foi o caso das ditaduras de Sula e César, os membros do triunvirato não viram nenhuma contradição entre manter o escritório supraconsular e o consulado simultaneamente (Lépido foi cônsul em 42 a.C., Marco Antônio em 34 a.C. e Otaviano em 33 a.C.).[78]

Após a primeira guerra civil pós-César, seus assassinos Marco Júnio Bruto e Caio Cássio Longino haviam usurpado o controle da maioria das províncias orientais, incluindo a Macedônia, Ásia Menor e Síria. Em 42 a.C., Otaviano e Antônio partiram para a guerra, derrotando Bruto e Cássio, em duas batalhas travadas em Filipos.

Depois da batalha, os triúnviros concordaram em dividir as províncias da república em esferas de influência. Otaviano — que havia começado a se chamar de Divi filius ("filho da divindade"), após a deificação de Júlio César como Divus lulius ("o Divino Júlio"), que após havia se denominado simplesmente como "imperador César" — assumiu o controle do Oeste, Antônio do Oriente e Lépido da Hispânia e da África. Este pacto foi promulgado pelo Tratado de Brundísio, em setembro de 40 a.C.

Enquanto Antônio consolidou seu poder no Oriente e reformou a administração provincial (como as reformas provinciais de Sula, que César tinha ignorado silenciosamente após sua morte), Otaviano se fixou no Oeste e nominalmente fiscalizou uma campanha contra o comandante pirata Sexto Pompeu (a campanha foi comandada pelo tenente de Otaviano, Marco Vipsânio Agripa), que culminou com sua vitória em 36 a.C. Agripa havia sido cônsul em 37 a.C. e tinha garantido a renovação do Triunvirato para um segundo mandato de cinco anos.[79]

Como o primeiro triunvirato, o segundo acabou instável e não podia suportar os ciúmes internos e ambições. Antônio detestava Otaviano e passou a maior parte de seu tempo no Oriente, enquanto Lépido favoreceu Antônio, mas sentiu-se obscurecido por ambos os seus colegas, apesar de ter sucedido César como pontifex maximus em 43 a.C. Consequentemente, Lépido colaborou na campanha de Otaviano contra Sexto Pompeu (filho de Cneu Pompeu), mas tentaram tomar o controle das legiões vitoriosas de Otaviano. Otaviano unilateralmente expulsou Lépido do triunvirato, mas permitiu a ele manter seu pontificado.

Fim da República[editar | editar código-fonte]

Guerra entre Otaviano e Antônio[editar | editar código-fonte]

A Morte de Cleópatra, por Reginald Arthur.

Apesar de ter se casado com Otávia, irmã de Otaviano, em 40 a.C. (Otaviano havia se casado com a enteada de Antônio, Clódia Pulcra três anos antes), Antônio viveu abertamente em Alexandria com Cleópatra VII do Egito, até mesmo tendo filhos com ela. Como um mestre da propaganda, Otaviano virou a opinião pública contra seu colega. Quando o segundo mandato do triunvirato expirou em 33 a.C., Antônio continuou a usar o seu título de triúnviro; Otaviano optou por se distanciar de Antônio e absteve-se de usar o título.

Otaviano obteve ilegalmente os planos de Antônio, em julho de 32 a.C. e expôs isso para o público romano: ele prometeu legados substanciais para seus filhos com Cleópatra e instruções para o envio do corpo de Otaviano para seu enterro em Alexandria. Esta foi a oportunidade de ganhar o sentimento do povo e incentivar os rumores que se seguiram. Se as pessoas acreditassem que Antônio tinha a intenção de fazer Cleópatra a rainha de Roma, na virtude de transferir o senado para Alexandria, então os argumentos estariam a favor de Otaviano.[80] Roma ficou indignada, e o senado declarou guerra contra Cleópatra, uma distinção importante, porque Otaviano não queria que o povo romano considerasse esta guerra uma guerra civil. A população de toda a península Itálica e do resto das províncias ocidentais declararam lealdade diretamente a Otaviano, e não à República Romana. Embora este fato tenha sido provavelmente uma manobra política orquestrada por Otaviano, um político brilhante, teve o efeito desejado, ao lhe dar a opinião pública que ele precisava para levar ao país a uma guerra civil.[80]

As forças de Otaviano derrotaram decisivamente as de Antônio e Cleópatra na Batalha de Ácio na Grécia, em setembro de 31 a.C., perseguindo-os até o Egito em 30 a.C. Tanto Antônio quanto Cleópatra se suicidaram em Alexandria (a cronologia egípcia trata Otaviano como o faraó sucessor de Cleópatra).[1] [2] Em um mês, Otaviano foi nomeado faraó, e o Egito se tornou seu território pessoal. Enquanto Otaviano se estabelecia como a única força inequívoca no mundo romano, ainda havia alguns assuntos inacabados para cuidar. Embora as execuções dos partidários de Antônio fossem limitadas, realizadas com o argumento de trazerem 20 anos de guerra ao Estado romano, algumas figuras importantes foram executadas. Entre os executados estava Cesarion, filho mais velho de Cleópatra e Júlio César, que foi executado pela necessidade de evitar quaisquer reivindicações hereditárias ou potenciais conflitos de interesse.[81] Os filhos de Cleópatra com Marco Antônio eram jovens demais para serem de muita preocupação, e acabariam por desfilar em Roma como parte do triunfo e dos espólios de Otaviano, entretanto suas vidas foram poupadas.[81]

Apoiado pelo nome de César e a lealdade das tropas de seu pai adotivo, Otaviano conseguiu terminar o que César havia começado, mas não pôde concluir: a unificação total dos domínios de Roma sob a autoridade de um único homem. Após a vitória de Otaviano, a República Romana finalmente estava pronta para sucumbir à autoridade imperial. Embora ainda havia trabalho a ser feito, a oposição simplesmente não existia em nenhuma forma significativa. Anos de guerras civis e décadas de conflitos sociais haviam quebrado a vontade de resistência.[81]

Otaviano se torna Augusto[editar | editar código-fonte]

Após assegurar sua vitória na guerra civil, Otaviano se estabeleceu como imperador do novo Império Romano.

Depois do Ácio e da derrota de Marco Antônio e Cleópatra, entre os anos de 30 a 27 a.C., Otaviano estava em posição de governar a república inteira sob um principado não oficial,[82] mas teria que conseguir isso por meio de ganhos incrementais de energia, cortejando o senado e o povo romano, sem deixar de preservar as tradições republicanas de Roma, para que todos notassem que Otaviano não estava aspirando uma ditadura ou monarquia.[82] Marchando de volta para Roma, Otaviano e seu melhor amigo, Marco Agripa foram eleitos como cônsules pelo senado.

Anos de guerra civil haviam deixado Roma em um estado próximo da anarquia, mas a república ainda não estava pronta para aceitar o controle de Otaviano como um déspota. Ao mesmo tempo, Otaviano não poderia simplesmente desistir de sua autoridade sem o risco de novas guerras civis entre os generais romanos, e mesmo que ele não desejasse uma posição de autoridade, sua posição exigia que ele olhasse para o bem-estar da cidade de Roma e suas províncias. Os objetivos de Otaviano a partir deste ponto em diante foram para que Roma retornasse a um Estado de legalidade, estabilidade, levantando a pressão política ostensiva imposta pelos tribunais de justiça e a garantia de eleições livres pelo menos no nome.[82]

Em 27 a.C., Otaviano fez um espetáculo retornando o poder de volta para o senado e abrindo mão do seu controle sob as províncias e seus exércitos.[83] Sob o seu consulado, no entanto, o senado tinha pouco a perder iniciando a introdução de um novo debate. Embora Otaviano não possuísse mais o controle direto das províncias e os seus exércitos, ele manteve a lealdade dos soldados ativos e veteranos.[84] As carreiras de muitos clientes e adeptos dependiam de seu patrocínio, como o poder financeiro de Otaviano na República Romana era inigualável.

O senado propôs a Otaviano, o vencedor das guerras civis romanas, que ele assumisse o controle e o comando das províncias. A proposta do senado foi a ratificação de um poder extra-constitucional para Otaviano. Através do senado, Otaviano foi capaz de dar continuidade ao aparecimento de uma constituição ainda funcional. Fingindo relutância, ele aceitou a responsabilidade de supervisionar as províncias que eram consideradas instáveis.[85]

O controle do senado sob algumas províncias ajudou a manter uma fachada republicana para o autocrático principado. Além disso, o controle com punho de ferro por Otaviano das províncias tinha como objetivo assegurar a paz e criar uma estabilidade nunca antes vista durante o regime republicano, quando generais proeminentes como Pompeu, conseguiram poderes militares em tempos de crise e instabilidade.

Em 16 de janeiro de 27 a.C., o senado entregou dois novos títulos, o de Augusto ("Majestade") e Princeps ("Primeiro Cidadão").[86] Eram títulos de religiosos em vez de autoridade política.

De acordo com as crenças romanas, estes títulos simbolizam um selo de autoridade sobre a humanidade e, de fato, sobre a natureza, que foi além de qualquer definição constitucional de seu status. Após os métodos severos empregados na consolidação do controle de Otaviano, a mudança de nome também serviria para demarcar seu repentino reinado como Augusto do seu reinado de punho de ferro como Otaviano. Seu novo título de Augusto foi mais favorável do que Rômulo, um título estilizado em referências aos fundadores de Roma, que simboliza uma "segunda fundação" de Roma.[87]

Com este título, Otaviano não só impulsionou sua ligação familiar com o deificado Júlio César, mas também o uso do Imperator significava um vínculo permanente com a tradição romana de vitória.[86] A palavra César era apenas um cognome para a dinastia júlio-claudiana, mesmo com Augusto transformado em César, ele começou uma nova linhagem familiar.[86] Com isso, para manter a estabilidade, Augusto teve que limitar o poder do senado na área militar e da legislação, detendo estes poderes para si mesmo, para que no futuro não houvesse atentados de golpe ou focos de instabilidade provocados pelo senado. Assim, ele transformou o Império Romano em uma autocracia.[86]

Os imperadores romanos posteriores, em geral, seriam limitados a estes poderes e títulos, originalmente concedidos por Augusto, embora muitas vezes, para exibir humildade, os imperadores recém-nomeados poderiam rejeitar uma ou duas honrarias dadas por Augusto. Assim como, muitas das vezes, quando seu reinado progredia, os imperadores iam apropriando-se de todos os títulos, independentemente de terem sido concedidos ou não pelo senado.[88]

Legado e conclusão[editar | editar código-fonte]

A extensão do Império Romano sob Augusto. Em amarelo, a extensão da República Romana em 31 a.C.; em verde, a conquista de territórios sob o reinado de Augusto, e as áreas em rosa no mapa representam os estados clientes. A política interna de Augusto se baseou na unificação do governo romano e nas reformas econômicas e sociais. Enquanto na política externa, Augusto defendeu uma política de expansionismo, enquanto mantinha relações diplomáticas com os inimigos de Roma. Consequentemente, criando estados tampões que foram anexados algum tempo depois.

A crise e posterior queda da República Romana envolveu mais do que eventos ou homens que participaram deles. Foi o resultado de várias ações individuais, juntamente com as condições sociais que pesavam sob a sociedade romana. Além disso, a massiva e rápida expansão de Roma como uma simples aldeia para uma cidade-Estado 700 anos antes da crise, criou buracos monumentais na capacidade política do senado romano. Os períodos de estabilidade foram misturados com os períodos de total anarquia e colapso, enquanto poderosos generais ou agitadores brigavam entre si pelo controle de Roma.[89]

Começando com as Guerras Púnicas e a conquista romana da Itália, seguida pela importação massiva de escravos, a situação da vida romana estava mudando muito mais rapidamente do que suas instituições poderiam lidar. A luta política foi e sempre será um traço comum em qualquer sistema de governo, mas até mesmo as grandes figuras romanas foram vítimas de seus caprichos políticos. A instabilidade social que resultou nas desigualdades no sistema de classes deu lugar aos demagogos, como os irmãos Tibério e Caio Graco. O uso das assembleias dos cidadãos para assuntos de interesse popular rasgaram a própria estrutura do poder senatorial.[89]

Figuras como Caio Mário e Lúcio Cornélio Sula, com seus próprios interesses e rivalidades causaram estragos em uma estrutura política já debilitada. A política partidária dos senadores optimates que tentavam manter o poder com a elite, em conjunto com as táticas dos populares que olhavam para as classes mais baixas de apoio, dividiram o povo romano e transformaram as classes em facções. Por quase um século, o clima político e social da República Romana era o mais imprevisível possível, e brutalmente sangrento na maioria das hipóteses.[89]

Até o momento da ascensão de Júlio César, o palco estava montado para um único homem assumir o poder e estabilizar a república. César não foi o único responsável pela queda da República Romana, nem o único homem que poderia detê-la, mas seu papel político em seus dias finais foi inegável. Ele não começou a queda nem a terminou, mas continuou um ciclo de eventos que fizeram o colapso irreversível.[89]

Apesar do curto governo ditatorial de César e de suas reformas políticas realizadas para criar uma atmosfera de estabilidade, a força de seu caráter e personalidade foi o que se sobressaiu. Seu assassinato e as guerras civis contínuas que se seguiram, seriam necessárias para trazer energia suficiente para um único governante de uma única nação: o Império Romano. A eventual ascensão e adoção do herdeiro de César, Otaviano, para o cargo anos mais tarde de Augusto marcaram o fim real da República Romana. Otaviano, ao contrário de seus antecessores, se impôs em um momento em que a vontade de manter um sistema republicano estava praticamente morta.[89]

Enquanto a tradição e alguma aparência de poder ficariam, a base de governo sob uma única figura era uma exigência para continuar o avanço de Roma. Foi Augusto que provou ser um homem capaz o suficiente para controlar e limitar o senado romano, o povo e as legiões. Augusto se sobressaiu acima de todas as grandes figuras romanas antes dele para durar mais que seus adversários políticos, bem como, capaz de reformar um governo corrupto e de estabilizar um sistema em desordem. A crise e queda da República Romana era inevitável, mas felizmente para Roma, o homem certo na hora certa estava lá para intervir como o primeiro imperador romano.[89]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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Ligações externas[editar | editar código-fonte]