Crise de alimentos de 2007-2008
A Crise de alimentos de 2007-2008 é uma crise na produção e no nível dos estoques que, consequentemente, gerou uma alta nos preços de diversos alimentos, dentre eles o trigo e o milho, levando uma série de países a levantarem possíveis restrições no consumo, subsídio[1] e exportação[2] de determinados bens a fim de solucionar o problema. As causas da crise ainda não estão claramente compreendidas, mas os últimos estudos e discussões destacam as seguintes possibilidades:
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[editar] Possíveis causas
A "crise mundial dos alimentos" é um fato que vem ocorrendo anualmente, mas que, torna-se grave e ganha destaque na mídia de tempos em tempos. Este fenômeno pode estar relacionado à falta de alguns produtos agropecuários e minerais considerados como fundamentais para a alimentação da população mundial, como por exemplo, os grãos - arroz, trigo, soja, milho e cereais - e outros como carnes, laticínios, importantes por serem grandes fontes de nutrientes e carboidratos. A falta de alimentos que servem como matéria-prima para a produção de outras mercadorias do ramo da indústria de alimentos, hoje é provocada possivelmente por diversos fatores. São eles:
- Elevação no preço do Petróleo e consequente elevação no preço dos insumos agrícolas;
- Uso de grandes áreas de terra agricultável, especialmente nos Estados unidos, para produção de milho destinados à servirem como matéria-prima para a produção de etanol;
- O crescimento do consumo de alimentos pelas diferentes classes sociais, principalmente em países com grandes populações como consequencia do crescimento econômico decorrente de países como China, Índia e Brasil;
- Os fatores naturais como as mudanças climáticas, que entre vários outros impactos, promovem o aumento das áreas desérticas e o desequilíbrio das épocas de chuvas em importantes áreas agrícolas como Argentina, Austrália e Região Sul do Brasil.
[editar] Outras causas relevantes
Cabe ressaltar que existem outros motivos que merecem ser destacado. Um deles é a tendência neoliberal de negociações das "commodities" que negociam as produções agropecuárias e extrativistas (essencialmente de matérias-primas) antes mesmo delas começarem a ser produzidas o que afeta a lei da oferta e da procura por produtos que serão ou são usados para a fabricação de outros. Outra linha de discussão, refere-se à questão das barreiras protecionistas impostas entre os blocos econômicos ou entre os países com alta e baixa produtividade qualidade da produção agropecuária e extrativista.
As barreiras são referentes à alta cobrança de impostos e a rigidez das leis ambientais sobre o processo de produção, circulação e consumo dos produtos alimentícios e de outros muitos importantes para a fabricação dos mesmos. Esta tendência é o que ocorre entre a produção agrária dos países emergentes, com industrialização tardia baseada nos modelos de Plataforma de Exportações e Substituição das Importações - os subdesenvolvidos industrializados e os subdesenvolvidos - agropecuários e extrativistas, em relação à entrada dos seus produtos no espaço geográfico da União Européia, dos Estados Unidos e Canadá, por exemplo.
Pode-se considerar tais entraves para o aumento da produção em países que apresentam melhores condições naturais para a fabricação de alimentos, mas que não detém tecnologias, pesquisas científicas, mão-de-obra qualificada, redes multimodais de transportes, telecomunicações e oferta de energia. Produzir e transportar as mercadorias e as matérias-primas para tal, pode ter um grande custo-benefício. Longe da Teoria de Thomas Malthus, o que vem ocorrendo é um jogo de interesses capitalistas centrado na produção, circulação e consumo de alimentos versos onde, como, para quem, quando e quanto produzir.
A valorização da moeda interna frente às principais moedas internacionais - euro, dólar, ien -de países ou consideradas como grandes importadores de alimentos pode estimular a produção para a exportação. Ao mesmo tempo o inverso pode resultar na redução da produção e da exportação, reduzindo a oferta e aumentando a procura.
[editar] Consequências
- Aumento das taxas de inflação em todo o mundo;
- Intensificação das consequencias da crise econômica mundial;
- Aumento dos índices de fome, subnutrição, miséria;
- Aumento ou intensificação do número de conflitos sociais, especialmentes em países subdesenvolvidos.
Portanto, não cabe discutir a atual crise mundial de produção e consumo de alimentos sem considerar vários fatores que se interagem no tempo e no espaço. O estímulo para o aumento da produção nos países da África-Central pode estar relacionado com mudanças políticas na União Européia ou nos Estados Unidos que podem acontecer em qualquer tempo, mas que podem afetar a produção em outros espaços geográficos do mundo.
O fato é que o início do século XXI pode permitir espaço de tempo para que os grandes cartéis e trustes de cooperativas agropecuárias e extrativistas revejam o planejamento para aumentar e distribuir comida em todo o planeta considerando os problemas socioambientais e, o mais importante, o baixo poder aquisitivo da maioria da população mundial principalmente dos países do Sul. A questão é complexa, merece muitos estudos, o fato é que a humanidade produz comida suficiente para abastecer os mercados, jogam-se muitos alimentos fora, enfim, precisa-se rediscutir políticas públicas em escala global.
[editar] Referência
Revista Veja: A crise mundial dos alimentos: 2008, Abril. Autor:Alfredo Henrique