Crise financeira asiática de 1997

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Países mais atingidos pela crise.
Bolsa de Tóquio, a economia do Japão foi uma das mais atingidas pela crise

A Crise financeira asiática foi um período de crise financeira que atingiu grande parte da Ásia, tendo começado no verão de 1997 gerando temor de uma crise em escala mundial e contágio financeiro. Essa crise é comumente conhecida como Crise monetária do sudeste asiático.

A crise começou na Tailândia com o colapso financeiro do Thai baht causado pela decisão do governo tailandês de tornar o câmbio flutuante, desatrelando o baht do dólar, após exaustivos esforços para evitar a massiva fuga de capitais em parte devido ao estado. Na época, a Tailândia adquiriu uma enorme dívida externa que acabou por deixar o país falido logo após esse colapso monetário. A drástica redução das importações resultante da desvalorização tornou a reabilitação das reservas cambiais impossíveis a longo e médio prazo sem uma audaciosa intervenção internacional. Após o agravamento da situação, a crise se espalhou para o Sudeste Asiático e o Japão, afundando cotações monetárias, desvalorizando mercados de ações, e precipitando a dívida privada[1]

O que parecia ser uma crise regional com o tempo se converteu no que se denominou "a primeira grande crise dos mercados globalizados", de cujos efeitos existe uma grande incerteza sobre a verdadeira magnitude de seu impacto na economia mundial.

Causas[editar | editar código-fonte]

Duas características comuns às experiências nacionais da crise financeira das economias emergentes asiáticas (Tailândia, Malásia, Indonésia, Filipinas e Coréia do Sul) foram a acentuada desvalorização de suas moedas, em relação ao dólar, e a queda substancial nos preços de ativos em seus mercados acionários. Ambas refletiram fortes saídas de capital, com correspondente redução das reservas externas daqueles países.

Os fluxos de capital para a Ásia mudaram de um ingresso de US$ 93 bilhões em 1996 para uma saída de US$ 12 bilhões em 1997, com a virada se concentrando na segunda metade deste ano. O montante de US$ 105 bilhões de alteração nos fluxos foi equivalente a cerca de 11% do PIB da região (RADELET & SACHS, 1998). A retração nos fluxos correspondeu principalmente a desinvestimentos em carteira e a fechamentos de créditos bancários externos.

A crise cambial e a saída de capital se desdobraram em arrochos de crédito nas cinco economias. Por outro lado, todas elas transitaram de déficit para superávit em conta-corrente em seus balanços de pagamentos, em 1998.

O evento que se tornou o gatilho da crise foi o anúncio, em 2 de julho de 1997, de que o baht (moeda tailandesa), passaria a flutuar, ao que se seguiu sua desvalorização imediata em 15%. Problemas em instituições financeiras domésticas haviam já iniciado uma crise de confiança. Em menos de dois meses, Filipinas, Malásia e Indonésia desistiram da defesa de suas moedas, também sofrendo depreciações substantivas. A despeito da aprovação de pacotes emergenciais de empréstimos pelo FMI à Tailândia, em agosto, e posteriormente à Indonésia e à Coréia, a crise continuou se aprofundando.

A crise financeira traduziu-se em crise econômica, conforme expresso no declínio dos PIBs. O PIB tailandês, depois de atingir um pico em meados de 1997, diminuiu em mais de 10%, até alcançar um piso na segunda metade do ano seguinte. Na Malásia, a queda do PIB foi também próxima de 10% entre os terceiros trimestres de 1997 e 1998. As Filipinas enfrentaram uma redução mais modesta, de 3%, enquanto a Coréia, a última grande economia asiática a entrar na crise, teve seu PIB reduzido em 8% entre o final de 1997 e a primeira metade de 1998. A Indonésia foi a mais intensamente afetada, com um declínio acima de 15% no PIB do período. [1]

No dia 23 de outubro de 1997, a Bolsa de Valores de Hong Kong – a segunda maior em movimentação de papéis – caiu 10,4% e derrubou todos os mercados, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) apresentou queda de 8,15%, a segunda maior em todo o planeta naquele dia. [2].

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Kaufman: pp. 195-6
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