Crise política na Bélgica em 2010-2011
A Crise política na Bélgica em 2010-2011 começou logo após as eleições legislativas de 13 de junho de 2010 nesse país.
No dia 5 de dezembro de 2011, após 541 dias sem governo, a Bélgica formou, finalmente, um governo de coligação, tendo sido nomeado Elio Di Rupo para o cargo de primeiro-ministro1 - pondo fim a uma crise política belga recorde.2 3
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Resumo da situação[editar]
Desde a sua criação, a Bélgica vive numa assimetria económica, ideológica e política entre o Norte (neerlandófono) e o Sul (francófono) do país. A crise política belga é o resultado de vários acontecimentos políticos que se sucederam nestes últimos anos. As eleições legislativas belgas de 13 de junho de 2010 aumentaram ainda mais o fosso entre os diferentes partidos: o Partido Socialista belga, que ganhou a maioria na Valónia, opõe-se a nível ideológico à Nova Aliança Flamenga, partido nacionalista flamengo de direita. Desde 4 de setembro de 2010 que os partidos políticos francófonos já não hesitam em falar de uma possível cisão do país, enquanto as negociações para a formação de um novo governo, em curso desde o mês de junho, foram bloqueadas.4 5 Entretanto, o governo demissionário de Yves Leterme continuou a gerir os Assuntos Correntes.6
Nos meses que se seguiram, os partidos continuaram com dificuldades em formar governo. Em 25 de dezembro de 2010, esta crise tornou-se a mais longa na história política belga, com 195 dias sem governo7 nota 1
No dia 2 de fevereiro de 2011, enquanto as negociações para a formação de um novo governo falhavam, o rei Alberto II solicitava a Yves Leterme, ainda primeiro-ministro do Governo dos Assuntos Correntes, para estabelecer um orçamento para 2011. Ainda que a margem de manobra deste governo fosse, em teoria, reduzida desde as eleições de junho de 2010, Alberto II encorajou-o a tomar mais medidas nos domínios económico, social, financeiro e estrutural.8
Em 17 de fevereiro de 2011, a Bélgica bateu o recorde mundial da mais longa crise política, com 249 dias de impasse político, ultrapassando o Iraque.9
No dia 16 de maio de 2011, o monarca belga nomeou Elio Di Rupo "formador", convidando-o a fazer tudo o que estiver ao seu alcance para formar um novo governo.10 No entanto, vários jornais flamengos e valões expressaram o seu ceticismo no sucesso desta missão.10 Di Rupo quer encontrar primeiramente um ponto de entendimento entre os diferentes partidos a nível socioeconómico e institucional. Esta nota vai então formar uma base de negociação sobre a qual cada partido vai poder se alinhar.11
Em 11 de outubro de 2011, o acordo final para a reforma institucional foi apresentado à imprensa. O Governo de coligação foi nomeado a 5 de dezembro de 2011,1 tendo tomado posse no dia seguinte (6 de dezembro) — 541 dias depois das legislativas de julho de 2010 —, com Elio Di Rupo nomeado primeiro-ministro.2 Di Rupo é o primeiro francófono nomeado como chefe de governo em 37 anos, ou seja, desde 1974.12
Referências
- ↑ a b Diogo Pombo (5 de dezembro de 2011). Um ano e meio depois, Bélgica terá governo (em português). Sol. Página visitada em 8 de dezembro de 2011.
- ↑ a b Novo governo belga presta sermão depois de crise recorde (em português). Euronews (6 de dezembro de 2011). Página visitada em 8 de dezembro de 2011.
- ↑ Rei Albert 2º, da Bélgica, empossa o novo governo do país (em português). Folha de S. Paulo (6 de dezembro de 2011). Página visitada em 8 de dezembro de 2011.
- ↑ L’épouvantail de la fin du pays (em francês). rtbf.be (7 de setembro de 2010).
- ↑ Le scénario d’une Belgique coupée en deux gagne du terrain (em francês). france-info.com (6 de setembro de 2010).
- ↑ Separatistas flamengos põem fim a diálogo para formar governo belga (em português). G1 Mundo (4 de outubro de 2010).
- ↑ Francis Van de Woestyne (23 de dezembro de 2010). La crise politique la plus longue (em francês). La Libre Belgique.
- ↑ M. Co., V.d.W. e M. Bu. (3 de fevereiro de 2011). Reynders reçoit carte blanche. La Libre Belgique.
- ↑ Béatrice Delvaux, David Coppi (17 de fevereiro de 2011). Record du monde pour la crise belge (em francês). Le Soir.
- ↑ a b Véronique Lamquin (17 de maio de 2011). Di Rupo formateur, le scepticisme règne (em francês). Le Soir.
- ↑ "Opdracht van de laatste kans" (em neerlandês). DeMorgen (17 de maio de 2011).
- ↑ Bélgica deverá ter governo em funções para a semana (em português). Público (2 de dezembro de 2011). Página visitada em 8 de dezembro de 2011.
Ver também[editar]
Notas[editar]
- ↑ Nas eleições de 1987, o Governo Martens VIII (fr) foi formado 148 dias após negociações. E em 2007, o Governo Verhofstadt II (fr) prestou juramento 194 dias depois das eleições (eleições: 10 de junho de 2007; juramento: 21 de dezembro de 2007) (A Bélgica nunca viveu tanto tempo sem governo, Pierre Bouillon, Le Soir en Ligne, 24 de dezembro de 2010; A Equipa Verhofstadt-Reynders, V.d.W. et M. Bu., site La Libre Belgique, 20 de dezembro 2007.)