Cristianismo não-denominacional

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Lakewood Church, uma das maiores igrejas não-denominacionais do mundo.

O cristianismo não denominacional se refere à prática da fé cristã por uma ou mais pessoas, sem ser rotulado com o nome de qualquer denominação cristã específica. Foi realizada por muitos cristãos no passado, no início do cristianismo até os tempos posteriores; por vários reformadores, e por muitas igrejas cristãs.

Cristãos que compartilham este ponto de vista, muitas vezes tendem a definir-se simplesmente como "cristãos" ou "cristão"; no entanto, por entender que não pertencem a nenhuma denominação doutrinária específica, muitas vezes são reconhecidos em diversas áreas como "cristão não-denominacional" (em inglês: "non-denominational Christians")

Um argumento utilizado por cristãos não-denominacionais, é de que os ensinamentos do Novo Testamento, os apóstolos e discípulos de Cristo não são rotulados com o nome de uma denominação específica, mas simplesmente foram chamados de "cristãos.[1]

Também é importante mencionar que este tipo de cristianismo se opõe ao ecumenismo, já que o último considera a diversidade denominacional como aceitável, enquanto que para o Cristianismo não-denominacional, a multiplicidade de denominações cristãs é algo inadequado.

História[editar | editar código-fonte]

A ideia do Cristianismo não-denominacional tem sido presente desde os tempos bíblicos, tendo como um dos seus principais objetivos a vida espiritual e a fé cristã puramente centrada em Cristo, essencialmente, com base nos ensinamentos de Jesus Cristo. Os defensores acreditam que isso ajuda a não fazer divisões entre os seguidores de Jesus, e que por sua vez contribui para a abstenção da apostasia. Argumenta-se que a Bíblia fala de "seitas" judias, mas nunca se menciona a palavra "denominação". menciona-se também é registrado em Atos 11:26 que os discípulos foram chamados pela primeira vez apenas "cristão". [2]

"E sucedeu que todo um ano se reuniram naquela igreja, e ensinaram muita gente; e em Antioquia foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos."
Atos 11:26

Atualmente, muitas pessoas não sabem que muitos personagens na história do Cristianismo se consideravam não-denominacionais e acreditavam que seria desnecessário seguir regras fora da doutrina cristã de origem.

Martinho Lutero, fundador da "Reforma Protestante" e cuja pregação mais tarde foi inspirada pela Igreja Luterana, expressou pessoalmente e em suas próprias palavras, o seu desejo de que não surgisse uma denominação cristã que levasse seu nome, quando ele disse:

"Peço que os homens não façam qualquer referência ao meu nome, e não se chamem de luteranos, e sim de cristãos. O que é Lutero? Minha doutrina, tenho certeza, não é minha, nem fui crucificado por ninguém. Paulo, em 1 Coríntios 3 não permitiu que os cristãos se chamassem de paulinos ou petrinos mas simplesmente de cristãos. Como é então que eu, pobre carcaça fétida que sou, poderia dar aos filhos de Cristo um nome derivado do meu nome insignificante? Não, não, meus caros amigos; vamos abolir todos os nomes sectários, e chamemo-nos simplesmente de cristãos, levando o nome daquele cuja doutrina temos." [3] - Martinho Lutero (Século 16)

João Calvino também expressou a esperança de que os apoiantes das suas interpretações não fossem chamados de calvinistas mas que fosse chamados apenas de cristãos. No entanto, muitos dos que concordaram com as interpretações de Lutero ou Calvino (e outros personagens), foram chamados de "luteranos" ou "calvinistas" no início, principalmente por seus inimigos ou adversários, incluindo a Igreja Católica, que popularizou o termo "protestante", desdenhosamente para chamar aqueles que não concordavam com os ritos católicos e interpretações e "protestassem" contra eles. Portanto, o termo "protestante" (cristãos não-católicos), inicialmente não se chamava assim.[4] [5]

Da mesma forma, John Wesley, que estava relacionado com a origem do movimento e da denominação Metodista, deixou claro que seus motivos foram focados na construção e amadurecimento da fé cristã; e de nenhuma maneira fundar uma nova denominação cristã, que, contra a sua vontade, estava acontecendo. Wesley disse sobre isso:

"Eu queria que o nome Metodista nunca fosse mencionado novamente, mas que se perdesse no esquecimento eterno."

Charles Spurgeon, cujos sermões foram rotulados com o nome "Batista", disse:

"Digo do nome "batista": ainda que pareça, mais do que o próprio nome de Cristo dure para sempre. Estou ansioso para o dia em que não haja mais vida 'batista'."

Henry Ward Beecher, expressou sua recusa em chamar de "congregacionais" outros cristãos quando disse:

"Deixe-me falar com você na língua do céu e chamá-los de "cristão".

Albert Barnes, cujos sermões foram rotulados com o título de "presbiterianismo" escreveu:

essas divisões devem ser reunidas sob o santo nome "cristão".[6] [1] [7]

Da mesma forma, George Arthur Buttrick disse:

"Não é o meu trabalho fazer do mundo 'Presbiteriano', nem 'Metodista." Nosso trabalho em conjunto, abaixo de Deus, é fazer que o mundo seja "cristão".[8]

George Whitefield também deu um sermão na Pensilvânia, onde se opôs ao denominacionalismo, afirmando que no céu não há nomes, apenas os "cristãos". Da mesma forma, sabe-se que George Fox não tinha a intenção de fundar uma nova denominação, mas ele e seus amigos simplesmente desejavam compartilhar os princípios puros e verdadeiros do cristianismo na sua simplicidade original, no qual faziam se unindo para pregar às pessoas, orar ou adorar a Deus em encontros fraternos. No entanto, um juiz chamou de uma forma pejorativa, Fox e seus amigos de "Quakers" e assim foram chamando simpatizantes até que foi considerada uma denominação.[9] [10]

Enquanto isso, Alexander e Thomas Campbell também iniciarão um movimento para retornar aos fundamentos do cristianismo primitivo e acabar com o denominacionalismo, no entanto, ao longo do tempo, o movimento foi interpretado como uma denominação agora conhecida como "Discípulos de Cristo". Estes e muitos outros personagens da história do cristianismo viu o denominacionais claramente um problema, e também não haviam planejado que novas seitas fossem formadas.

Algumas pessoas têm se confundido sobre isso, e acham que ao pertencerem a uma denominação cristã em particular, podem ser salvas, mas o Novo Testamento afirma que:

Não há salvação em nenhum outro, pois, debaixo do céu não há nenhum outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos".

O apóstolo Pedro também escreveu:

Contudo, se sofre como cristão, não se envergonhe, mas glorifique a Deus por meio desse nome.

Congregações não-denominacionais[editar | editar código-fonte]

Brooklyn Tabernacle, uma das igrejas mais grandes em Nova York, é uma congregação não denominacional.
Bread of Life Ministries, uma das Igrejas das Filipinas sem denominação Cristã.

Estas congregações não possuem doutrinas litúrgicas estabelecidas ou tradiç ões teológicas, em particular, ao contrário da católica, ortodoxa, luterana e muitos outros grupos, no entanto, algumas congregações deste tipo podem ter semelhanças com outras congregações, como semelhanças administrativas (seguindo a forma de funcionalidade interna) ou teológica (semelhança doutrinária a alguns aspectos).[11] [12]

Congregações deste tipo são independentes, ou seja, eles não estão submetidas a qualquer instituição religiosa "superior", pois se recusam a tomar como modelo as outras congregações denominacionais ou imitar todas as suas funcionalidades administrativas ou doutrinárias.

De acordo com um censo decenal de religiões dos EUA, feito pela Associação de Estatísticas de Órgãos Religiosos, (ASARB), as igrejas não-denominacionais e independentes formam o maior grupo de crentes, com mais de 12 milhões de membros, de acordo com o informe.[13] [14]

Considera-se que as igrejas não-denominacionais não são motivadas por doutrinas derivadas de rotinas estabelecidas em tradições denominacionais, em particular, muitas igrejas surgiram deixando rituais ou formalidades excessivas estipulados por organizações ou instituições religiosas, no entanto, isso não significa que eles são desorganizados ou que não defendem ou utilizam qualquer doutrina ou comportamento cristão, geralmente defendem os ensinamentos cristãos específicos com base na fé cristã, e com base nos ensinamentos de Jesus Cristo e os ensinamentos bíblicos.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas e referências[editar | editar código-fonte]

  1. a b Why All Christians are Actually Non-Denominational
  2. Nondenominational Christianity by Keith Sharp
  3. Algumas Reflexões Sobre o Nome "Cristão"
  4. [http://www.wels.net/what-we-believe/questions-answers/religions/christian Questions & Answers
  5. [http://www.goodshepherdcollinsville.org/index.php/bible-studies/bible-studies/133 Similarities and Differences Between The Lutheran and Roman Catholic Churches
  6. Knowles, Victor (2006), "Together in Christ: More Than a Dream", College Press, Mar 1, pág 83.
  7. David C. Cook (2001), "God's Little Lessons for Leaders", Honor Books, Aug 1, pág 213
  8. Alger Morton Fitch (1990), "One Father, One Family", College Press Publishing Company, Nov 1, pág 109
  9. Knowles, Victor (2006), "Together in Christ: More Than a Dream", College Press, Mar 1, pág 84.
  10. George Fox
  11. Richard T. Hughes (2001), "The Churches of Christ: Student Edition", Greenwood Publishing, 20 de mayo, pág. 65
  12. Richard Thomas Hughes (1996), "Reviving the Ancient Faith: The Story of Churches of Christ in America", Wm. B. Eerdmans Publishing, págs 98-99
  13. Censoc revela crecimiento en la comunidad religiosa
  14. CBN.com