Cristina de Bolsena

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Santa Cristina
Santa Cristina.
ca. 1638. Por Francesco Cairo, atualmente no Castello Sforzesco, em Milão.
Virgem e Grande Mártir
Nascimento c.278 d.C. em Pérsia (atual Irã) ou Tiro, no Líbano
Morte c.300 d.C. em Bolsena, Toscana, Itália
Veneração por Igreja Católica
Festa litúrgica 24 de julho
Padroeira Tendais, Portugal; Bolsena, Itália
Gloriole.svg Portal dos Santos

Cristina de Bolsena, também conhecida como Cristina de Tiro ou, na Igreja Ortodoxa como Cristina, a Grande Mártir[1] é uma cristã do século III venerada como mártir.

Escavações arqueológicas de um cemitério subterrâneo construído sob o seu túmulo mostraram que ela já era venerada em Bolsena no século IV.

Lenda de Santa Cristina[editar | editar código-fonte]

Nada se sabe sobre a sua vida. Porém, já pelo século IX, um relato de seu martírio foi composto e diversas variações apareceram. De acordo com elas, ela teria nascido ou em Tiro, no Líbano (histórias orientais) ou na Pérsia (nas ocidentais) durante o século III ou V.

Ainda que os relatos variem enormemente entre si, eles concordam em alguns detalhes: Cristina era filha de um rico comerciante pagão chamado Urbano que a teria mandado torturar por conta de sua fé, mas que não teve sucesso por diversas vezes por causa de uma intervenção de Deus. A natureza da tortura varia com a versão da história, mas aparecem ganchos de metal, grelha sobre o fogo, a fornalha, a roda, cobras venenosas, flechas, afogamento com uma pedra amarrada aos pés e diversos outros métodos, sendo que todos fracassam. Após a morte de seu pai, seu sucessor, Dion, continuou a torturá-la. Em todas as versões da lenda, Cristina eventualmente morre, mas não antes que Deus derrame a sua fúria sobre os seus torturadores.

Alguns acadêmicos concluíram que a lenda de Santa Cristina é resultado da ficção piedosa sendo tomada como se fosse história. O tema de sua lenda (uma bela donzela cristã é torturada até a morte por homens pagãos que, como castigo, sofrem a fúria de Deus) aparece repetidamente em muitas hagiografias antigas e medievais, sendo particularmente notável a semelhança com a história de Santa Bárbara.

Devoção católica[editar | editar código-fonte]

O verbete sobre ela no Martirológio Romano é bem curto: "Em Bolsena, na Toscana, Santa Cristina, Virgem e Mártir". Esta santa esteve incluída no passado no Calendário dos santos para ser comemorada universalmente onde quer que o rito romano fosse celebrado, mas, ainda que a sua devoção continue aprovada, ela foi retirada da lista em 1969 "por que nada se sabe sobre esta virgem e mártir, com exceção de seu nome e o local onde está enterrada em Bolsena"[2] . O calendário tridentino deu-lhe uma comemoração dentro da Missa da Vigília de São Tiago. Quando, em 1955, o papa Pio XII suprimiu essa vigília[3] , a celebração de Santa Cristina se tornou um "Simples" e, em 1962, uma "comemoração"[4] . De acordo com as regras nas edições posteriores do missal romano, Santa Cristina pode agora ser celebrada co um "memorial" em toda parte no dia de sua festa, exceto no caso de haver alguma celebração obrigatória designada para este dia no local[5] . Na versão oficial da Igreja Católica (enunciada nos programas religiosos em rede nacional de rádio), dá conta do fato de ter sido Cristina de Bolsena acusada bruxaria por pessoas pagãs (em negação do fato de terem sido os padres da Santa Inquisição). Ainda, menciona o fato de que um desses acusadores, tentou impor a Cristina o castigo por meio de uma serpente que voltou-se contra si, ferindo-o mortalmente.

Relíquias[editar | editar código-fonte]

Toffia, na Província de Rieti, guarda as relíquias da santa e as mantém em exposição numa urna transparente. Palermo, uma cidade da qual Cristina é uma das quatro padroeiras, também alega ter as relíquias.

A Catedral de São João Evangelista em Cleveland (Ohio) alega que "na capela da Ressurreição, abaixo do altar, está o relicário de Santa Cristina, incluindo seu esqueleto completo e um pequeno frasco com seu sangue. As relíquias foram presenteadas ao arcebispo Schrembs em 1928 pelo papa Pio XI. A tradição diz que Cristina era uma garota de 13 ou 14 anos que morrera por sua fé por volta do ano 300 d.C."[6] .

Referências

  1. Αποστολική Διακονία
  2. "Calendarium Romanum" (Libreria Editrice Vaticana, 1969), p. 131
  3. Calendário Geral Romano do Papa Pio XII
  4. Calendário Geral Romano de 1962
  5. General Instruction of the Roman Missal, 355 c
  6. Bulletin of The Cathedral of Saint John the Evangelist, 25 de julho de 2010

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

  • Passio di Santa Cristina (em italiano) Basílica de Santa Cristina. Página visitada em 23/06/2012.
  • Santa Cristina (em espanhol) Archidiocesis de Madrid. Página visitada em 23/06/2012.
  • St. Christina (em inglês) Catholic Online-Saints & Angels. Página visitada em 23/06/2012.
  • Martyr Christina of Tyre (em inglês) Orthodox Church in America. Página visitada em 23/06/2012.
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