Cristina de Pisano

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Cristina de Pisano

Cristina de Pisano (em francês Christine de Pizan ou Christine de Pisan, Veneza, 1364Poissy, c. 1430) foi uma poetisa e filósofa italiana que vivia na França na primeira metade do século XIV, conhecida por criticar a misoginia presente no meio literário da época, predominantemente masculino, e defender o papel vital das mulheres na sociedade. Considerada precursora do feminismo. Foi a primeira mulher de letras francesa a viver do seu trabalho.

Vida[editar | editar código-fonte]

O seu pai, Tommaso di Benvenuto Pisano, médico e astrólogo, era também conselheiro da República de Veneza. Em 1368, Carlos V, rei de França, nomeou-o astrólogo, alquimista e físico da corte. Cristina foi educada num ambiente favorável aos seus interesses intelectuais - aprendendo várias línguas, lendo os redescobertos clássicos e os inúmeros manuscritos do arquivo real, tudo dentro do espírito humanista do início do Renascimento.

Em 1379, com 15 anos, casa-se com Etiénne du Castel, secretário e notário real. Desta união resultam três filhos: uma menina (que a partir de 1397 passa a viver no mosteiro de Poissy como companheira da filha do rei Carlos VI de França, Marie de Valois), um rapaz (Jean) e uma criança que morreu na infância.

A morte do marido em 1390 deixa Cristina numa delicada situação financeira, devido às dívidas contraídas por ele. Decide, então, dedicar-se às letras, numa tentativa de se sustentar a si e aos filhos. As suas primeiras baladas, compiladas em Le livre de cent balladés, chamam a atenção da corte e de alguns ricos mecenas, como João de Berry e o Duque de Orléans.

No entanto, é a disputa com Jean de Meung sobre o seu poema Roman de la Rose ("Romance da Rosa") que estabelece o seu estatuto como escritora. O Roman de la Rose era um dos livros mais populares na França e resto da Europa no século XIII; representava as mulheres como nada mais que sedutoras, numa mordaz sátira às convenções do amor cortês. Cristina, nos seus poemas Epistre au dieu d'Amours ("Epístola ao Deus e Dit de la Rose (publicados em 1401 e 1402), põs em causa o mérito literário do poema, criticando os termos vulgares usados para descrever as mulheres, objectando que tal linguagem não era usada por damas nobres e servia apenas para denegrir a função natural e própria da sexualidade feminina. O debate foi extenso e, devido à participação da escritora, centrado na representação e tratamento das mulheres nos textos literários, ao invés de no talento literário de Meung. Estabeleceu a reputação de Christine como intelectual capaz de apoiar a sua causa com argumentos lógicos e bem fundamentados. A sua obstinação e coragem conquistaram a admiração e apoio de alguns dos grandes pensadores da época, como Jean de Gerson e Eustache Deschamps.

Nos seus restantes trabalhos nunca deixou de defender a importância das mulheres e das suas contribuições para a sociedade ou a igualdade dos sexos e a necessidade de dar uma educação igual tanto a rapazes como a raparigas. Tenta ainda mostrar às mulheres como cultivar qualidades que as ajudem a lutar contra a crescente misoginia.

A sua última obra, Ditié de Jeanne d'Arc, foi escrita no mosteiro de Poissy, para onde se retirou no fim da vida. Nela, celebra o aparecimento de uma líder militar feminina, Joana d'Arc, que recompensa todos os esforços das mulheres na defesa do seu sexo.

Desconhece-se a data exacta da sua morte. Ao contrário do que se poderia supôr, esta não ditou o seu esquecimento, mas o interesse pelos seus livro e ideias apenas aumentou.

Ver também[editar | editar código-fonte]

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