Anexo:Cronologia bíblica do Novo Testamento

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

A cronologia (do termo grego khronología, de khrónos, "tempo", e logos, "estudo", "ciência") é uma ciência auxiliar da História, que têm como objectivo situar os factos históricos na sua sequência temporal e atribuir datas exatas a acontecimentos específicos.

Neste caso concreto, a cronologia bíblica pretende harmonizar os eventos ou factos históricos mencionados no texto bíblico, por compará-los com fontes exteriores à Bíblia. Os historiadores tentam assim estabelecer datações absolutas, minimizando a margem de erro, por fixar uma data-chave e, a partir dela, datar e ordenar temporalmente a sucessão dos eventos relatados na Bíblia, procurando sincronizá-los com as cronologias dos povos vizinhos.

Sua data-chave[editar | editar código-fonte]

O Evangelho de Lucas informa-nos que João Batista, filho do sacerdote Zacarias, apareceu para fazer baptismos no 15.° ano do reinado de Tibério César.1 Sabemos que Octávio César Augusto faleceu em 17 de Agosto de 14 d.C. Tibério foi indigitado pelo Senado Romano como imperador a 15 de Setembro. Como os romanos não usavam o sistema de "ano de ascensão", seu 15.° ano seria em 28/29 d.C..

O nascimento de Jesus[editar | editar código-fonte]

Segundo o Evangelho de Mateus, Jesus nasceu pouco antes da morte do rei Herodes, o Grande. Antes de morrer, Herodes mandou matar os meninos de Belém até aos 2 anos, de acordo com o tempo que apareceu a estrela aos magos.2 . Nessa ocasião, o menino Jesus teria cerca de 2 anos.

Flávio Josefo menciona um eclipse lunar no dia em que um líder de uma revolta contra Herodes, chamado Matias, era queimado vivo.3 Este eclipse, o único mencionado por Flávio Josefo, não é mencionado nos Evangelhos. Esse eclipse tem sido identificado pelos historiadores como tendo ocorrido a 13 de março de 4 a.C.

Segundo a opinião da grande maioria dos historiadores, o rei Herodes terá morrido entre 13 de março (o dia do eclipse lunar) e 11 de abril (o dia de Páscoa judaica) do ano 4 a.C. (ou seja, antes da Era Cristã). Mas esta identificação do eclipse tem vindo a ser questionada. Actualmente, têm aumentado o número dos investigadores que argumentam que o rei Herodes poderá ter morrido no ano 1 a.C. Era uma tradição entre os Padres da Igreja de que Jesus teria nascido no ano 3 ou 2 a.C. [carece de fontes?].

Sobre ano 1 a.C.[editar | editar código-fonte]

Ao datar quando o Senado Romano nomeou Herodes como "Rei da Judeia", Flávio Josefo situa o evento como ocorrido durante o governo de certos cônsules romanos. Segundo esta lista, a nomeação de Herodes como rei terá ocorrido no ano 40 a.C.. Segundo outro historiador, Apiano, coloca o evento no ano 39 a.C.. Visto que o judeus usavam o sistema do ano de acessão, podemos considerar que o seu 1.º ano de reinado foi de 39 a 38 a.C..

Pelo mesmo método, Josefo situa a conquista de Jerusalém por Herodes, 27 anos depois da conquista de Jerusalém pelo cônsul Pompeu, que ocorreu em 63 a.C.. Isto nos dá com exactidão o ano de 36 a.C..4 Também nos diz que Herodes faleceu 37 anos depois de ter sido designado rei e 34 anos depois de conquistar Jerusalém.5 Isto coloca a sua morte no ano 2 a.C.. Josefo diz-nos ainda que Herodes tinha cerca de 70 anos quando morreu, e que a sua nomeação como governador da Galileia, deu-se quando tinha 25 anos de idade.6 Josefo na realidade escreveu 15 anos, mas se trata dum erro evidente; ele estaria querendo dizer 25 anos.

Sabemos ainda que o dia que Herodes morreu foi pouco depois dum eclipse lunar e antes da festividade da Páscoa (14 de Nisã, isto é, Março/Abril). Diz ainda a tradição judaica, que a sua morte foi no dia 2 de Sebate (Janeiro/Fevereiro).7 Ocorreu um eclipse lunar total em 8 de Janeiro de 1 a.C., uns 3 meses antes da Páscoa e 18 dias antes do dia tradicional da morte do rei Herodes. Registou-se ainda um outro eclipse lunar parcial, a 27 de Dezembro de 2 a.C.

Na Era Apostólica[editar | editar código-fonte]

Entre 33 d.C. e 48 d.C.[editar | editar código-fonte]

Herodes Agripa I reinou durante 3 anos após da ascensão de Imperador Cláudio (em 24 de Janeiro de 41 d.C.).8 As evidências históricas indicam que morreu no ano 44 d.C.. De acordo com o registro bíblico, pouco antes da morte de Herodes Agripa, o profeta cristão Ágabo predisse uma grande escassez de alimentos na Judeia, a execução pela espada do apóstolo apóstolo Tiago, e a prisão do apóstolo Pedro - na época da Páscoa - e inesperadamente solto. Todos estes eventos podem ser datados seguramente no ano 44 d.C.9 .

Entre 49 d.C. a 59 d.C.[editar | editar código-fonte]

Na antiga Delfos, apareceu uma missiva do imperador Cláudio na qual se deduz que Lúcio Junio Gálio esteve em Corinto do ano 51 a 52 d.C. (veja Inscrição de Gálio). Gálio, como procônsul da Acaia, terá chegado a Corinto em julho de 51 d.C.. Sabemos que o apóstolo Paulo compareceu perante Gálio.10 Tudo isto parece confirmar a primavera de 52 d.C. como a conclusão da 18 meses de permanência de Paulo na cidade. O apóstolo terá chegado a Corinto no começo de 50 d.C..

Outra referência adicional é encontrada na declaração de chegada de Paulo a Corínto. Paulo encontrou-se "um certo judeu nomeou Áquila, um nativo de Ponto (província romana, que pouco antes tinha chegado da Itália, e [[Priscila, a esposa dele, por causa do facto que Cláudio tinha ordenado que todos os judeus partissem de Roma."11 De acordo com o historiador Paulo Orósio, do século V, esta ordem de expulsão ocorreu no 9.º ano do imperador Cláudio, isto é, no ano de 49 d.C..

No fim da terceira viagem missionária de Paulo, ao chegar a Jerusalém, o apóstolo foi detido. Compareceu perante o Sumo Sacerdote Ananias, filho de Nadebeu (47 a 59 d.C.), e do Sinédrio. Ele foi levado para Cesareia e lá permaneceu em custódia durante dois anos, até que António Félix (52 a 59 d.C.) foi substituído por Pórcio Festo (59 a 62 d.C.) como governador da Judeia.12 A data da chegada de Festo e da partida subsequente de Paulo para Roma terá sido no Outono de 59 d.C.

Entre 60 d.C. a 100 d.C.[editar | editar código-fonte]

A história secular dá 18 de julho de 64 d.C. como a data do grande incêndio em Roma, seguindo que estourou a perseguição aos cristãos ordenada por Nero. O encarceramento final de Paulo e sua execução subsequente ajusta-se logicamente neste período.13

Céstio Galo, legado da província da Síria, cerca Jerusalém com uma legião (isto é, seis mil soldados), mas é rechaçado com pesadas perdas. Assim como aconteceu com último procurador romano, Géssio Floro (64 - 66 d.C.), Céstio Galo teve que se retirar para Cesareia. É o início da Rebelião Judaica, fartos das muitas arbitrariedades, da corrupção e de repressão por parte dos anteriores procuradores romanos.

O imperador Nero envia para Judeia um experiente general, Vespasiano. Em companhia de seu filho Tito, Vespasiano invade a Galiléia na primavera de 67 com 10 legiões (isto é, 60 mil soldados). No outono, a Galiléia está definitivamente ocupada pelos romanos. Na primavera de 68, Vespasiano ocupa sucessivamente a Peréia, as planíces costeiras, a região montanhosa da Judéia e de Samaria e a Idumeia. Quando está preparado para atacar Jerusalém, o Imperador Nero se suicida. Isto sucede em 9 de Junho de 69 d.C. Vespasiano espera se definir a situação em Roma.

Vespasiano é aclamado imperador no dia 1 de Julho de 69 e marcha para Roma, deixando a guerra sob o comando do general Tito, seu filho. Tito cerca Jerusalém pouco antes da Páscoa (14 de Nisã) de 70, com quatro legiões (isto é, 24 mil soldados). Em julho de 70, toma a Fortaleza Antónia, a norte do Templo de Jerusalém, um dos redutos rebeldes. Tito manda incendeiar o Templo, em agosto. No mês seguinte, é ocupado o Palácio de Herodes. A dia exacto da destruição do Templo de Jerusalém é controversa; a tradição rabínica diz que foi no dia 9 do mês de Ab (29 de Agosto de 70), enquanto Flávio Josefo diz que foi no dia 10 de Ab.

Em resultado da perseguição contra os cristãos ordenada pelo imperador Domiciano (entre 14 de Setembro de 81 d.C. a 16 de Setembro de 96 d.C.), o apóstolo João é exilado na Ilha de Patmos. Foi na Ilha de Patmos que escreveu o livro do Apocalipse, aproximadamente no ano 96 d.C..14 O evangelho e três cartas (epístolas) foram escritas de Éfeso (na Ásia Menor) ou na sua vizinhança, logo depois de ter sido solto. O último dos 12 apóstolos terá morrido por volta no ano 100 d.C., findando a Era Apostólica.

Referências

  1. Lucas 3:1-3
  2. Mateus 2:1 e Atos 2:16-19
  3. Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas, Livro 17, Cap. 6 § 4; Guerra dos Judeus, Livro 1, Cap. 33 § 2-4
  4. Antiguidades Judaicas, Vol. 14, pág. 487-8
  5. Antiguidades Judaicas, Vol. 17, pág. 190-1
  6. Antiguidades Judaicas, Vol. 17, pág. 148 § 1; Vol. 14, pág. 158 § 2
  7. Antiguidades Judaicas, Vol. 17, pág. 167 § 4 e pág. 213 § 3
  8. Antiquidades Judaicas, Cap. 19, pag. 351 [8, 2]
  9. Atos 11:27-28, Atos 12:1-11 e Atos 12:20-23
  10. Em Atos 18:11-18
  11. Atos 18:2
  12. Atos 21:33; Atos 23:23-35; Atos 24:27
  13. II Timóteo 1:16; 4:6,7
  14. Apocalipse 1:1

Veja também[editar | editar código-fonte]