Anexo:Cronologia bíblica do Velho Testamento

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A palavra portuguesa cronologia é uma derivação do termo grego khronología, de khrónos, que significa "tempo", e logos, que significa "estudo", "ciência". A cronologia é uma ciência auxiliar da História, que têm como objectivo situar os factos históricos na sua sequência temporal e atribuir datas exatas a acontecimentos específicos.

Neste caso concreto, a Cronologia Bíblica pretende harmonizar os eventos ou factos históricos mencionados no texto bíblico, por compará-los com fontes exteriores à Bíblia. Os historiadores tentam assim estabelecer datações absolutas, minimizando a margem de erro, por fixar uma data-chave e, a partir dela, datar e ordenar temporalmente a sucessão dos eventos relatados na Bíblia, procurando sincronizá-los com as cronologias dos povos vizinhos.

Este artigo debruça-se apenas sobre os acontecimentos narrados no Velho Testamento.

Data-chave[editar | editar código-fonte]

A data-chave do Velho Testamento é a data da conquista de Babilónia por Ciro II, tendo ocorrido em 5 de Outubro de 539 a.C. (no Calendário Gregoriano); ou 11 de Outubro, (no Calendário Juliano). Esta data-chave está firmemente estabelecida pela arqueologia. É considerado o fim do Cativeiro Babilónico. É durante seu primeiro ano reinado após a conquista da Babilônia, ou seja, entre 538/537 a.C. que Ciro II emite o decreto permitindo que os judeus deixem a região. O livro bíblico de Esdras 3:1 relata que o povo de Israel regressou a Jerusalém pelo 7.º mês, ou seja, Tishri, que corresponde a partes de Setembro/Outubro. Nessa ocasião, é restaurado o culto do Deus de Israel em Jerusalém.

Determinar o ano da conquista de Babilónia[editar | editar código-fonte]

A data-chave da cronologia do Antigo Testamento como não é determinada na Crónica de Nabonido ou no Cilindro de Ciro, recorremos às tabuinhas astronómicas e comerciais. A Bíblia fornece um sincronismo direto entre o reinado de Nabucodonosor II e a destruição de Jerusalém e seu Templo. Em II Reis 25:8 declara explicitamente que esta desolação ocorreu no "19.º ano [de reinado] do Rei Nabucodonosor". ( Neste tempo, o Reino de Judá já não aplicava o sistema judaico do "ano de Ascensão". Em vez disso, usava o "ano de Ascensão" como sendo o primeiro ano de reinado. ) Em contraste com isso, a Bíblia não nos dá um sincronismo direto desse tipo com a conquista de Babilónia.

  • BM 21946, Museu Britânico. Este documento cuneiforme data da conquista de Babilónia no "16.º dia" do "mês [babilónico] de Tashritu" (ou Tisri, no calendário hebraico, correspondente a partes de Setembro/Outubro) no 17.º ano de Nabonido.
  • VAT 4956, Museu de Berlim. É um chamado "diário" astronómico, um registo de cerca de 30 observações astronómicas datado do 37.º ano de Nabucodonosor II. Esta tabuinha estabelece astronomicamente o ano de 568/567 a.C. como sendo a data absoluta para o 37.º ano de Nabucodonosor. Esta data obviamente implica que o seu 18.º ano, durante o qual foi destruído Jerusalém e seu Templo, corresponde a 587/586 a.C.. Embora também seja uma cópia posterior, os peritos concordam que é uma reprodução fiel do original. VAT 4956 é um dos diários astronómicos melhor preservados.
  • Cânone de Ptolomeu. A soma total da duração dos reinados Neo-babilónicos elaborados por Cláudio Ptolomeu para os reinados anteriores a Ciro II, aponta para 587 a.C. como o 18.º ano do reinado de Nabucodonosor II (Ano Não-ascensão).

No período Persa[editar | editar código-fonte]

No 1.º ano de Ciro II após a conquista de Babilónia (entre 538 a.C. a 587 a.C.), é proferido o Decreto de Ciro. Veja Cilindro de Ciro. No Outono de 537 a.C., Zorobabel (ou Sesbazar) como Governador [do distrito juridiscional] de Judá, e o Sumo Sacerdote Josué, chegam a Jerusalém. A conclusão do Segundo Templo de Jerusalém deu-se no 6.º ano de reinado de Dario I, ente 516/5 a.C.. (Esdras 3:8-10; 6:14,15)

No 7.º ano de Artaxerxes I, entre 458/457 a.C., o sacerdote e copista Esdras chega a Jerusalém. (Esdras 7:7-9) No seu 20.º ano, entre 445/4 a.C., Neemias chegou a Jerusalém, como Governador de Judá. (Neemias 2:1,5-8) Neemias ordena a reconstrução das muralhas de Jerusalém e colocação de seus portões. A ordem para a reconstrução das muralhas de Jerusalém constituem o ponto de partida da profecia das "70 semanas [de anos]" de Daniel 9:24-27, também servindo de início para a profecia maior de Daniel 8:14 - "até duas mil e trezentas tardes e manhãs e o santuário será purificado" (do ano 457 a.C. até 1844 a.D.) . De Neemias até aos Macabeus decorre um período do qual temos muitas poucas informações bíblicas. W. F. Albright defendeu a tese que Esdras terá chegado depois de Neemias, ou seja, no 7.º ano de Artaxerxes II.

No período Selêucida[editar | editar código-fonte]

A luta dos Macabeus contra Rei Antíoco IV Epifânio, é descrita com indicações cronológicas. O livro de I Macabeus, abrange o período de 175 a.C. a 135 a.C., e II Macabeus, abrange o período de 177 a.C. a 161 a.C.. Às guerras fratricidas da Judeia, entre Aristóbulo II e Hircano II, segue-se a intervenção militar de Roma. O Reino da Judeia é anexado à Província Imperial da Síria por Ceneu Pompeu, em 63 a.C..

Duração dos reinos de Judá e Israel[editar | editar código-fonte]

O cálculo para este período, contado para trás desde da destruição de Jerusalém e seu Templo até a morte do Rei Salomão, apresenta muitas dificuldades. A dificuldade de caracter histórico deste período, reside na exatidão dos números fornecidos para a duração dos reinados, nos sincronismos estabelecidos entre o Reino de Israel e o Reino de Judá e nos sincronismos com as cronologias dos povos vizinhos (egípcia, assíria e neo-babilónica).

Uma comparação da duração dos reinados dos reis de Reino de Judá e de Reino de Israel (conforme registrados nos livros bíblicos de I e II Reis, I e II Crónicas) sugere que este período corresponda a 390 anos literais. Outra evidência adicional pode ser encontrada em Ezequiel 4:1-13. O escritor afirma que a duração do "erro da casa de Israel" seria de 390 anos, e que este período terminava na destruição de Jerusalém e seu Templo. Considerando que o "erro da casa de Israel" terminou em Outubro de 587 a.C., contando para atrás desta data, o período de 390 anos teria lógicamente seu início em Outubro de 977 a.C..

O sincronísmo feito entre a Cronologia Bíblica e a Cronologia Assíria, gera dificuldades em estabelecer a duração dos reinados tal como consta no texto bíblico. A explicação para estas divergências é apontada como se devendo à introdução acidental de erros em algumas transcrições dos números feitos pelos copistas., ou então, o copista teria adoptado algum critério particular. Acresce-se a isso, o uso da contagem do "ano de Ascensão" ou "ano Não-ascensão", que nem sempre fica claro.

Divisão do Reino 930 a.C.[editar | editar código-fonte]

O historiador judeu Flávio Josefo afirma que construção do Templo de Jerusalém, ocorreu 143 anos e 8 meses antes da fundação de Cartago e 240 depois da fundação de Tiro. (Ref.ª: Contra Apião, Livro 1, Cap. 17 e Antiguidades Judaicas, Livro 8, Cap. 31) Para o historiador romano Pompeu Trogo, Cartago foi fundada uns 72 anos antes da cidade de Roma (em 825 a.C.; ou seja, 753 a.C. mais 72 anos) e Tiro, fundada 1 ano antes de Troia. Segundo um mármore de Paros, a cidade de Troia teria sido fundada em 1208 a.C.. A data da fundação de Roma que prevaleceu foi a fixada por Terêncio Varrão, em 753 a.C.. Ela também é citada por Plínio e Cícero. É necessário salientar que a data mencionada acima para fundação de Roma, é uma data convencionada universalmente aceite como referência.

Sendo certas estas informações, é apontado 969 a.C. como o ano do início da construção do Templo de Jerusalém. De acordo com isto, a Divisão do Reino teria acontecido em 929 a.C., ou por arredondamento, no ano de 930 a.C., como habitualmente se aceita. (Ref.ª Enciclopédia Verbo Século XXI, Vol. 8, col. 612-7) W. F. Albrigth calcula que a Divisão do Reino terá ocorrido por volta de 929 a.C., por sua vez, Thiele e Galil crêem que terá ocorrido em 931 a.C..

Divisão do Reino até ao Êxodo[editar | editar código-fonte]

As datas que vão desde da construção do Templo de Jerusalém até o Êxodo de Israel, são pouco exactas. Os historiadores procuraram sincronizar a acontecimentos citados na Bíblia com as cronologias egípcias e assírias. As listas dos reinos de Judá e de Israel [Setentrional] contam os anos pela duração dos seus reinados (I e II Reis e de I e II Crónicas) ou por algum acontecimento particular. Nem sempre é evidente qual o sistema de datação dos reinados usado; o sistema de "ano Não-ascensão", como na Assíria e Babilónia, o sistema do "ano de Ascensão", como no caso do Reino de Judá, ou se o mesmo ano é atribuído aos dois.

No 5.º ano de Roboão, filho do Rei Salomão, Sheshonq I (na Bíblia, chamado de Sisaque), o fundador da XXII Dinastia, invadiu a Palestina. (I Reis 14:21) O sincronísmo directo com Sheshonq I e sua campanha militar, é de extrema importância por causa do elo textual directo com a cronologia egípcia. Ainda segundo a Bíblia, Sheshonq I já reinava do Egipto pouco antes da morte do Rei Salomão. (I Reis 11:40) Temos como importantes fontes extra-bíblicas deste período a inscrição mural no Templo de Carnac e a Estela de Megido.

I Reis 6:1, diz que no 480.º ano (ou seja, 479 anos e alguns meses) após o Êxodo do Egipto, teve ao início da construção do Templo de Jerusalém. Os 480.º ano é um número ordinal e representam 479 anos completos. Diz-nos ainda que isso foi no 2.º mês judaico (que corresponde a Abril/Maio) do 4.º ano de Salomão. Isto significa 3 anos completos e 1 mês completo do seu reinado tinham decorrido.

Considerando que os 40 anos de reinado de Salomão terminaram em 978 a.C., o seu 1.º ano de reinado, teria começado no ano de 1017 a.C.. (I Reis 11:42) Considerando 1013/1012 a.C. como o 4.º ano de Salomão, para o início da construção do Templo, isto faz com que o Êxodo do Egipto tivesse ocorrido 479 anos antes, no mês de Abibe (Nisã) de 1493 a.C. e o início da conquista e ocupação de Canaã, exactamente 40 anos depois, no ano de 1453 a.C..

Sincronismo Cronologia Assíria[editar | editar código-fonte]

O Monolítico de Salmanssar III, encontrado em Kurk pelo assiriólogo J. E. Taylor, parece mencionar participação do exército de Acabe, Rei de Israel, na Batalha de Carcar. A inscrição reza "dois mil carros e dez mil soldados de infantaria". É opinião geral este "Ahabu (Hahabu), o sírio" [transliterado de A-ha-ab-bu mat Sir-í-la-a-a] seja o Rei Acabe. Outros acham que se trate de Ben-Hadade II (em assírio Adad-idir), Rei da Síria. Esta batalha terá ocorrido no 6.º ano de Salmanssar III. (Ref.ª Textos Antigos do Médio Oriente, James B. Pritchard, pág. 278-9) Como determina-se a data? É baseado na informação de que Bur (Ishdi) Sagale, era Governador da Província de Guzana no reinado de Assur-Dan III (reinou aproximadamente entre 772 a.C. a 755 a.C.) quando "no Monte Simânú deu-se um eclipse do Sol". Segundo os historiadores, este eclipse é identificado como o ocorrido em 15 do Junho de 763 a.C. (no Calendário Juliano). O ano da Batalha de Carcar aconteceu 90 anos antes (segundo as Listas dos Epónimo do ano), em 853 a.C.. ( Por outro lado, se a data do eclipse, fosse deslocada para um outro ano, isso obviamente causaria imensas dificuldades cronológicas. )

O Obelisco Negro de Salmanasar III, no Museu Britânico, encontrado em Nimrud (na Bíblia, a cidade é chamada de Calá; Kalhu nos textos cuneiformes assírios), menciona o nome de Jeú, Rei de Israel, pagando tributo - por intermédio de um emissário. A inscrição reza que no 18.º ano de Salmanssar III, o rei recebeu "tributos dos habitantes de Tiro, Sídon, e de Jeú, filho [ou seja, sucessor dinástico] de Omri [transliterado de Ia-ú-a mâr Hu-um-ri-í]". (Ref.ª Textos Antigos do Medio Oriente, James B. Pritchard, pág. 280) Compare com as condições sócio-políticas no reinado de Jeú mencionadas em II Reis 10:31-33.

Duração da Monarquia Unida[editar | editar código-fonte]

Sabemos que os reinados de Saul, David e Salomão, duraram cada um 40 anos. Ao todo, são 120 anos. O ano de 930 a.C. é apontado pelos historiadores como ano em que terá ocorrido o Cisma das Tribos e Divisão do Reino!

Se tomarmos o ano de 977 a.C. como base de cálculo, a fundação da monarquia remontaria ao ano de 1097 a.C.. A duração dos reinados indicada abaixo em esquema, seria da seguinte forma:

  • Saul ( 1097 a.C. a 1058 a.C. ) 40 anos
  • David ( 1057 a.C. a 1018 a.C. ) 40 anos (7 anos e 6 meses + 33 anos)
  • Salomão ( 1017 a.C. a 978 a.C. ) 40 anos

Ocupação de Canaã e os Juízes[editar | editar código-fonte]

Quarenta anos após do Êxodo do Egipto, os israelitas liderados por Josué, invadem a Transjordânia e Canaã. A primeira cidade de Canaã a ser conquistada foi Jericó, e depois, foi Ai (ficava junto de Betel, a cananéia Luz). Quatro destacados arqueólogos que escavaram o sítio da antiga Jericó: Carl Watzinger (1907 a 1909), John Garstang (fins da década de 1930), Kathleen Kenyon (1952 a 1958) e Bryant Wood (1990).

Apesar de os arqueólogos estarem de acordo que as muralhas de Jericó foram destruídas violentamente de dentro para fora (Josué 6:20 - "as muralhas da cidade desabaram") possivelmente por um sismo, não concordam quanto à data da conquista. Garstang calcula que a sua conquista terá ocorrido por volta de 1440 a.C., por sua vez, Watzinger e K. Kenyon crêem que a destruição terá ocorrido em 1550 a.C.. (Ref.ª "Quando os Israelitas Conquistaram Jericó?" na Biblical Archaeological Review, Dr. Bryant Wood, Março/Abril, 1990, pág. 57)

A duração total do período pré-monárquico, chamado "período dos Juízes", não é conhecido em rigor. Sabemos que teve início após a morte de Josué e terminou quando Saul se tornou rei. (Josué 24:31; Juízes 2:7,10) Em Juízes 3:31, encontramos a primeira referência a um confornto entre Sangar e 400 filísteus. A expressão "filisteus" este texto, pode referir-se aos cananeus habitantes da planíce costeira onde, mais tarde, se fixaram os filísteus.

Até ao momento, a primeira referência egipcia à existência de Israel que se conhece é uma inscrição na Estela de Merneptat. A inscrição é datada por volta 1230 a.C.. Ela diz que "Israel está destruído, a sua semente [literalmente, descendência] não existe mais." Além disso, muitos historiadores relacionam Israel (também chamados de hebreus) com o nome habirú, que aparece nos textos nas cartas de Tell-Amarna, referindo-se a um povo hóstil que perâmbulava na orla do deserto; mas esta associação é igualmente controversa.

Juízes 6:1-6 parece lançar uma luz sobre este assunto. Menciona que Midiã (Arábia) oprimiu o povo de Israel por 7 anos. Sempre que os israelitas semeavam, subiam um numeroso acampamento de midianitas, juntamente com amalequitas e outros orientais, com seu numeroso gado, com o fim de arruinavam a produção da terra, por toda a extensão até Gaza. Não deixavam restar nem sustento, nem ovídeo, nem touro, nem jumento em Israel. Em resultado disso, o povo de Israel ficou muito empobrecido por causa de Midiã. Remonta a esta altura o início do uso de "depósitos subterrâneos que estavam nos montes, e as cavernas e os lugares de difícil acesso."

A inscrição da Estela de Merneptat parece confirmar Juízes 6:1-6 quando diz que Israel está destruído, a sua semente não existe mais. A expressão sua semente, literalmente pode ser vertida por "descendência", poderá significar tão sómente "as sementeiras de Israel" destruídas.

Do Êxodo até Abraão[editar | editar código-fonte]

Êxodo 12:40,41 diz-nos que "a habitação dos filhos de Israel que teve na terra do Egipto era 430 anos". Este período de tempo não se refere ao total de anos que foram residentes no Egipto, na terra de Gosén. Na realidade, refere-se à duração total de anos que residiram sob o domínio do Egipto. Este período de tempo teria começado quando Abraão cruzou o Rio Eufrates e entrou em Canaã e termina com o Êxodo do Egipto, sob a liderança de Moisés.

Abraão (Abrão), filho de Tera, morava em Ur, na Baixa Mesopotâmia. Tera e sua família, retornam para Harã (em acadiano Haranu). Após a morte de Tera, Abraão e sua família, saem de Harã, atravessam o Rio Eufrates e entram em Canaã. Nessa ocasião, Abraão tinha 75 anos. (Génesis 11:31,32; 12:1-5) A sua entrada em Canaã e a curta permanência no Egipto, parece ajustar-se exactamente com o período do Médio Império. Se adicionarmos 430 anos à data do Êxodo do Egipto, obtemos o ano em que Abraão entrou em Canaã. Se adicionarmos 215 anos à data do Êxodo do Egipto, obtemos o ano da mudança de Jacó e sua família para o Egipto.

Segundo o relato de Génesis 11:10 a 12:4, diz que desde da entrada de Abraão em Canaã até ao início do Dilúvio, decorreram 427 anos.

Período antediluviano[editar | editar código-fonte]

A narrativa das origens da Humanidade é apresentada numa linguagem popular e sem pretensões cronológicas. (Génesis 1 e 2) Génesis 1:1 afirma que o Universo teve um princípio e esse princípio foi Deus. Quanto à duração dos "dias criativos", nada afirmam quanto a uma data para a formação da Terra ou sobre o aparecimento da Humanidade. A preparação da Terra para Vida Humana é explicada como tenho ocorrida em 6 fases. O escritor visa transmitir ensinamentos religiosos. A linguagem empregue é simples e figurada. Para transmitir esses ensinos, os seus autores teriam usado as narrações e mitos da cultura mesopotâmica e o uso de teofonias.

A sociedade humana antediluviana, para além agricultura e da pastorícia, é descrita como conhecedora da metalurgia de cobre e do ferro. Também fazia uso de instrumentos musicais. (4:19-22) Segundo o relato de Génesis 5:3-29 e 7:6,11, desde do início do Dilúvio até à criação do Adão, terá decorrido 1 656 anos. Este período é esquematizado na tabela que segue:

  • Desde a criação de Adão (ano 1) até o nascimento de Sete 130 anos (ano 130)
  • Daí até o nascimento de Enos (ano 235) 105 anos
  • Até o nascimento de Quenã (ano 325) 90 anos
  • Até o nascimento de Malalel (ano 395) 70 anos
  • Até o nascimento de Jarede (ano 460) 65 anos
  • Até o nascimento de Enoque(ano 622) 162 anos
  • Até o nascimento de Metusalém (ano 687) 65 anos
  • Até o nascimento de Lameque (ano 874) 187 anos
  • Até o nascimento de Noé (ano 1056) 182 anos
  • Até o Dilúvio Bíblico (ano 1656) 600 anos

De acordo com as evidências arqueológicas, os historiadores e exegêtas bíblicos concordam que a longa longevidade anterior ao Dilúvio Bíblico citada no Génesis, não têm valor cronológico, mas apenas um valor simbólico.

Os dados apresentados acima para o período antediluviano são encontrados no texto massorético, em que se baseiam algumas traduções dos Antigo Testamento, do século VI d.C., mas estes dados diferem dos encontrados na Septuaginta, a Bíblia Grega, por vezes representa por LXX, que é do século II a.C.[1]

Algumas denominações cristãs entendem a narrativa cronológica antediluviana como literal, o que pode ser visto no Criacionismo. A justificação para rebater os argumentos dos arqueólogos sobre aparecimento dos humanos há milhares de anos, resume-se no seguinte: os métodos de datação têm definitivamente limitações (estas originadas pelas mudanças climáticas e geológicas causadas por um Dilúvio global) e baseiam-se apenas em conjecturas ou teorias não comprovadas.

Veja também[editar | editar código-fonte]

Referências