Crueldade para com os animais

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Mary, uma elefanta de circo executada em 1916 no Tennessee, em frente a uma multidão de milhares de pessoas, após reagir a maus tratos e matar um assistente de treino. A morte de Mary tem sido interpretada como símbolo da repressão e abuso contra animais em circos.

A crueldade para com os animais é um tratamento que causa sofrimento ou dano a animais.[1] [2] [3] [4] A definição de sofrimento inaceitável é variável. Alguns consideram só o sofrimento por simples crueldade aos animais, enquanto que outros incluem o sofrimento infligido por outras razões, como a produção de carne, a obtenção de pele, os experimentos científicos com animais e as indústrias de ovos. Muitas pessoas consideram a crueldade para com os animais como um assunto de grande importância moral.

Pensadores de várias épocas vêm afirmando que a crueldade para com animais e a crueldade contra humanos estão inter-relacionadas.

“Nossas obrigações com os animais são apenas obrigações indiretas com a humanidade. A natureza animal possui analogias com a natureza humana, e ao cumprir com nossas obrigações para com os animais em relação às manifestações da natureza humana, nós indiretamente estamos cumprindo nossas obrigações com a humanidade... Podemos julgar o coração de um homem pelo seu tratamento com os animais.” (Immanuel Kant).

"A compaixão pelos animais está intimamente ligada a bondade de caráter, e pode ser seguramente afirmado que quem é cruel com os animais não pode ser um bom homem." (Arthur Schopenhauer)

"Matar animais gradualmente destrói nosso senso de compaixão, que é o sentimento mais nobre do qual nossa natureza humana é capaz." (Thomas More)

Atualmente, estudos científicos têm corroborado com essas constatações. Observa-se, por exemplo, que no processo de abate massivo de animais, trabalhadores de abatedouros passam por transformações psicológicas semelhantes àquelas sofridas por combatentes de guerra, executores e nazistas.

Um trabalhador de abatedouro de Sioux (Iowa-EUA) relata: “A pior coisa, pior do que o perigo físico, é o impacto emocional. Se você trabalha, por qualquer período de tempo, onde os porcos são mortos, você desenvolve uma atitude que deixa você matar coisas mas que não deixa você ter piedade. Você pode olhar nos olhos de um porco que está perambulando pelo chão ensangüentado e você pensa: Deus, esse é um belo animal. Você quer acariciá-lo. Porcos no chão da morte vieram em minha direção e se abrigaram debaixo das minhas pernas como cachorrinhos. Dois minutos depois eu os tinha matado - bati com uma barra até que morressem. Eu não posso ter piedade."

Esse mesmo mecanismo psicológico, conhecido como “duplicação” (inglês “doubling”) está presente em nazistas. A personalidade natural do trabalhador se identifica com o porco e reconhece nele um animal digno de afeição e cuidado, mas sua outra personalidade – aquela transformada pelo trabalho no abatedouro – mata os porcos, literalmente incapaz de sentir piedade para com os animais.

Analisando as conseqüências dessas transformações psicológicas, constata-se que indivíduos que cometem crueldade contra animais estão mais propensos ao uso de drogas, roubos, estupros e assassinatos, principalmente contra mulheres e crianças.

“A Slaughterhouse Nightmare: Psychological Harm Suffered by Slaughterhouse Employees and the Possibility of Redress through Legal Reform” -Jennifer Dillard - Georgetown University Law Center - http://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=1016401

Casos de crueldade[editar | editar código-fonte]

No Brasil, averigua-se um grande descaso quanto a proteção dos animais por parte de todos poderes, nomeadamente, do judiciário. A Constituição de 88, é clara em seu artigo 225, VII: "proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade". Mesmo assim, em 2011, observa-se uma falha da justiça quanto ao dispositivo constitucional. Camilla Corrêa Alves de Moura Araújo dos Santos, uma enfermeira, casada com um médico, executa atrozmente um Yorkshire em Formosa,Goiás. O máximo que o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) pode fazer foi multa-lá em R$ 3 mil reais, o que, claramente, não terá peso em seu patrimônio. Por outro lado, fica patente a falta de estabilidade mental de Camila, ensejando,talvez, até mesmo um caso de psicopatia, como demonstrado em sua defesa onde a ignóbil ré afirma não ter feito nada fora do normal. Matar a pacandas seu cachorro, parece-me, bem anormal. Além disso o COREN-Go não cassou seu registro, afirmando que tal situação não afetava sua carreira profissional. Aparentemente, a psicopatia - um desvio de caráter onde há ausência de sentimentos genuínos, frieza, insensibilidade aos sentimentos alheios e falta de remorso e culpa para atos cruéis - não tem relação com uma carreira que é caracterizada exatamente por pessoas que cuidam carinhosamente de doentes, a enfermagem. Em suma, o descumprimento do dispositivo da Constituição é generalizado. Mas a população não ficou parada: como reação, os habitantes de Formosa pararam de marcar consultas com seu marido, Dr. Adelino Araujo dos Santos, em Goiás.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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