Cruz
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Nota: Para outros significados, veja Cruz (desambiguação).
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Uma cruz grega (reta, todos os braços de mesmo tamanho) seria um sautor se estiver girada 45 graus.
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A cruz (†), do latim cruce, é uma figura geométrica formada por duas linhas ou barras que se cruzam em um ângulo de 90°, dividindo uma das linhas, ou ambas, ao meio. As linhas normalmente se apresentam na horizontal e na vertical; se estiverem na diagonal, a figura é chamada de sautor, ou aspa.
A cruz é um dos símbolos humanos mais antigos e é usada por diversas religiões, principalmente a cristã, embora nem todos os cristãos a usem como símbolo, pois consideram que Jesus Cristo foi pregado em uma cruz.
Na subcultura gótica, este símbolo geralmente é a representação do sofrimento, dor ou angústia.
Provavelmente esta definição tenha o sentido original, já que em Roma antes mesmo da morte de Cristo, era usado para esta finalidade. Uma das formas de condenação à morte consistia em atar ou pregar condenados em uma cruz, fazendo os mesmos padecer terrivelmente.
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Ver também: crucificação
Índice |
[editar] História
Algumas das imagens mais antigas de cruzes foram encontradas nas estepes da Ásia Central e algumas em Altai. A cruz na velha religião altaica chamada Tengriismo simboliza o deus Tengri; ela não era uma cruz alongada, lembrava mais um sinal de adição (+). [carece de fontes]
Os primeiros livros cristãos da Armênia e da Síria traziam evidências de que a cruz se originou com povos nômades do leste, possivelmente uma referência aos primeiros povos turcos. Em velhos templos armênios, algumas influências de estilo turco são encontradas nas cruzes. [carece de fontes]
[editar] No cristianismo
Um dos símbolos mais utilizados na religião é a cruz. A Encyclopædia Britannica chama a cruz de “o principal símbolo da religião cristã”. Num julgamento em tribunal na Grécia, a Igreja Ortodoxa Grega chegou a afirmar que aqueles que rejeitam a "Santa Cruz" não são cristãos.
O instrumento da morte de Jesus é mencionado em textos bíblicos como Mateus 27:32 e 40. Ali, a palavra grega stau·rós é traduzida por “cruz” em várias Bíblias em português, e o costume dos Romanos era a crucificação.
“Encontraram-se diversos objetos, datando de longos períodos anteriores à Era Cristã, marcados com cruzes de feitios diferentes, em quase cada parte do mundo antigo. A Índia, a Síria, a Pérsia e o Egito produziram todos inúmeros exemplos, ao passo que em quase toda a parte da Europa se encontraram numerosos casos, datando desde a parte posterior da Idade da Pedra até os tempos cristãos. O uso da cruz como símbolo religioso em tempos pré-cristãos e entre povos não-cristãos provavelmente pode ser considerado como quase universal, e em muitíssimos casos ligava-se a alguma forma de culto da natureza.” — The Encyclopœdia Britannica, 1946, Vol. 6, página 753.
A palavra grega traduzida por cruz na tradução Bíblica das Testemunhas de Jeová[[[Tradução do novo mundo das escrituras sagradas]]] é "estaca de tortura" (extraído de σταυρός "stau-rós"). No grego "estaca reta", "poste" ou "madeiro". Alguns condenados levavam um "madeiro" nas costas até o local do seu suplício, este madeiro era a parte horizontal e seria suspendida na parte vertical que já estaria fixado no local, formando a cruz do suplício.
Também a Bíblia Judaica Completa do teólogo judeu David H. Stern usa o termo estaca e estaca de Execução toda vez em que aparece a palavra grega σταυρός(staurós)(como exemplo se pode ler na Bíblia Completa Judaica a palavra estaca em Mattiyahu[Mateus]27:40,e estaca de execução em Mattiyahu[Mateus] 10:38)
The imperial Bible-Divtionary reconhece isso dizendo: "A palavra grega para cruz, [stau.rós], devidamente significa uma estaca, um poste reto, ou pedaço de ripa, em que algo podia ser pendurado, ou que poderia ser usado para estaquear [cercar] um pedaço de terreno.... Até mesmo entre os romanos a crux(da qual se deriva nossa cruz) parece ter sido originalmente um poste reto" - Editado por P.Fairbairn, (londres,1874),Vol.I,p. 376.
O livro The Non-Christian Cross (A Cruz Não-Cristã), de John Denham Parsons, declara: “Não existe uma única sentença em qualquer dos inúmeros escritos que formam o Novo Testamento que, no grego original, forneça sequer evidência indireta no sentido de que o stauros usado no caso de Jesus fosse diferente do stauros comum; muito menos no sentido de que consistisse, não em um só pedaço de madeira, mas em dois pedaços pregados juntos em forma de uma cruz. . . . É um tanto desencaminhante, da parte de nossos mestres, traduzirem a palavra stauros por ‘cruz’ ao verterem os documentos gregos da Igreja para a nossa língua nativa, e apoiarem tal medida por incluírem ‘cruz’ em nossos léxicos como sendo o significado de stauros, sem explicarem cuidadosamente que esse, de qualquer modo, não era o significado primário dessa palavra nos dias dos Apóstolos, que não se tornou seu significado primário senão muito depois disso, e só se tornou tal, se é que se tornou, porque, apesar da falta de evidência corroborativa, presumiu-se, por uma razão ou outra, que o stauros específico em que Jesus foi executado tinha esse determinado formato.” — Londres, 1896, pp. 23, 24.
Concernente aos cristãos do primeiro século, a obra History of the Christian Church diz: "Não se usava o crucifixio e nenhuma representação material da cruz."-(Nova Iorque,1897).J.F.Hurst,Vol.I,P.366. Durante o primeiro século do cristianismo, a cruz era raramente usada na iconografia cristã, uma vez que representa propositadamente um doloroso método de execução pública. O Ichthys, ou símbolo do peixe, era mais utilizado pelos primeiros cristãos.
No entanto, o símbolo da cruz já foi associado aos cristãos no segundo século, como é indicado nos argumentos anticristãos citados por Octavius [1], capítulos IX e XXIX, escrito no final do mesmo século ou no início do próximo[2], até o início do terceiro século a cruz tinha-se tornado tão estreitamente associada a Cristo que Clemente de Alexandria, que morreu entre 211 e 216, usou a ambiguidade da frase τὸ κυριακὸν σημεῖον (o sinal do Senhor) para significar cruz, pois a epístola apócrifa de Barnabé, tem o número 318 (em grego numerais, ΤΙΗ) em Gênesis 14:14 foi interpretada como uma numerologia para cruz (T, na posição vertical) e de Jesus (ΙΗ, as primeiras duas letras do seu nome ΙΗΣΟΥΣ, a posição dos 18),[3] e seu contemporâneo Tertuliano designou os crentes cristãos como crucis religiosi, ou seja "devotos da Cruz."[4] Em seu livro De Corona, escrito em 204, diz Tertuliano diz que já era uma tradição para os cristãos fazer em sua testa o sinal da cruz.[5] Muitos estudiosos consideram que a cruz teria sido adotada pelo cristianismo por seus próprios méritos, devido às suas conotações metafísicas, porém alguns historiadores sugerem que a cruz surgiu originalmente de um símbolo pagão:
A forma da [cruz de duas vigas] teve sua origem na antiga Caldéia e foi usada como símbolo do deus Tamuz (tendo a forma do Tau místico, a letra inicial de seu nome)naquele país e em terras adjacentes no Egito. Por volta dos meados do 3ºséc. A.D, as igrejas ou se haviam apartado ou tinham arrematado certas doutrinas da fé cristã. A fim de aumentar o prestígio do sistema eclesiástico apóstata, aceitavam-se pagãos nas igrejas, à parte de uma regeneração pela fé, e permitia-se-lhes em grande parte reter seus sinais e símbolos pagãos. Assim se adotou o Tau ou T, na sua forma mais frequente, com a peça transversal abaixada um pouco, para representar a cruz de Cristo.—An Expository Dictionary of New Testament Words(Londres,1962),W.E.Vine,p.256
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A Enciclopédia Judaica diz:
A cruz como um símbolo cristão (...) entrou em uso pelo menos no segundo século (ver "apost. Const." Iii. 17; epístola de Barnabé, XI.-xii.; Justin, "Apologia", i . 55-60; "Dial. cum Tryph". 85-97) e à marcação de uma cruz sobre a testa e do tórax foi considerado como um talismã contra os poderes dos demônios (Tertuliano, "De Corona", iii.; Cipriano, "Testemunhos", xi. 21-22; Lactantius, "Divinae Institutiones," iv. 27, e outros). (...)
[editar] Na heráldica
Tais cruzes são empregadas exclusiva ou principalmente em heráldica. Seguem alguns exemplos de cruzes heráldicas.
| Tipo de cruz | Descrição | Imagem |
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| Cruz heráldica |
A cruz heráldica simples apresenta braços de mesmo comprimento, acompanhando as proporções do escudo. |
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| Cruz em trevo |
Com as extremidades dos braços em forma de trevo. |
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| Cruz recruzada |
Cada um dos braços da cruz é barrado. |
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| Cruz de Jerusalém |
Foi a insígnia do Reino Latino de Jerusalém, que existiu por cerca de duzentos anos após a Primeira Cruzada. As quatro cruzetas nos cantos simbolizariam ou os quatro Evangelhos ou as quatro direções nas quais a Palavra de Cristo se espalhou, a partir de Jerusalém. Ou as cinco cruzes podem simbolizar as cinco chagas de Cristo durante a Paixão. |
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| Cruz florenciada |
As extremidades dos braços têm forma semelhante à flor-de-lis. |
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| Cruz bifurcada (fourchée) |
Com as extremidades em forma de garfo. |
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| Cruz de Malta |
Seus braços estreitam na direção do centro e são chanfrados nas extremidades. Também conhecida como Cruz de São João. |
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| Cruz ancorada (moline) |
Suas extremidades são divididas e as pontas resultantes são curvadas. |
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| Cruz patonce |
Intermediária entre a cruz pátea e a florenciada. Algumas fontes a chamam de Cruz floreada. |
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| Cruz Pátea |
Seus braços estreitam na direção do centro, mas não apresentam extremidades chanfradas. |
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| Cruz bordonada (pommée) |
Com as extremidades em forma de bordão. |
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| Cruz potenteia |
Suas extremidades são barradas. |
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| Quadrática |
Uma cruz com um quadrado no ponto de intercessão. |
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| Cruz românica de consagração |
Tripla e entrelaçada. |
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| Cruz oca |
Também conhecida como Gammadia, é uma Cruz Grega com a parte central dos braços removida. “Gamadia” vem da aparência de quatro letras gregas gama agrupadas. |
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| Cruz de Santo André (decussata) |
A cruz decussata, conhecida também pelos nomes de sautor ou cruz de Santo André, é um símbolo heráldico na forma de cruz diagonal ou na letra X. Segundo a tradição cristã, o apóstolo André foi martirizado em uma cruz desta forma. Este símbolo também está presente em várias bandeiras, brasões e selos como nas bandeiras da Escócia e Jamaica. |
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| Ankh |
Também conhecida como cruz ansata, era na escrita hieroglífica egípcia o símbolo da vida. Conhecido também como símbolo da vida eterna. Os egípcios a usavam para indicar a vida após a morte. |
Há diversas outras variações da cruz em heráldica.
[editar] Em bandeiras
Diversas bandeiras nacionais apresentam cruzes, inclusive as de todas as nações escandinavas. Vários países do Hemisfério Sul têm o Cruzeiro do Sul representado em suas bandeiras.
- Bandeira da Austrália ("Union Jack" e o Cruzeiro do Sul)
- Bandeira do Brasil (Cruzeiro do Sul)
- Bandeira da Dinamarca (a Danebrogen)
- Bandeira da Escócia
- Bandeira da Finlândia
- Bandeira da Grécia
- Bandeira da Geórgia
- Bandeira da Inglaterra
- Bandeira da Islândia
- Bandeira de Malta
- Bandeira da Noruega
- Bandeira da Nova Zelândia ("Union Jack" e o Cruzeiro do Sul)
- Bandeira da Papua Nova Guiné (Cruzeiro do Sul)
- Bandeira de Portugal
- Bandeira do Reino Unido (a Union Jack)
- Bandeira da República Dominicana
- Bandeira de Samoa (Cruzeiro do Sul)
- Bandeira da Suécia
- Bandeira da Suíça
- Bandeira de Tonga
- Bandeira de Wallis e Futuna (bandeira da França)
[editar] Outras cruzes
O Cruzeiro do Sul (Crux) é uma constelação em forma de cruz no Hemisfério Sul.
A cruz mais alta, de 152,4 metros de altura, faz parte do Monumento Nacional de Santa Cruz del Valle de los Caidos, na Espanha.
Cruz Alta - município brasileiro do Rio Grande do Sul, Brasil.
[editar] Ver também
Referências
- ↑ Octavius
- ↑ The Worship of the Dead (London, 1904), by Colonel J. Garnier, p. 226.
- ↑ Stromata, book VI, chapter XI
- ↑ Apology., chapter xvi. Nesse texto Tertuliano diferencia Cruz de Estaca.
- ↑ De Corona, capítulo 3
- Koch, Rudolf (1955). The Book of Signs. Dover, NY. ISBN 0-486-20162-7.