Cryptococcus neoformans

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Como ler uma caixa taxonómicaCryptococcus neoformans
Cryptococcus neoformans

Cryptococcus neoformans
Classificação científica
Reino: Fungi
Filo: Basidiomycota
Classe: Tremellomycetes
Ordem: Tremellales
Família: Tremellaceae
Género: Cryptococcus
Espécie: C. neoformans
Nome binomial
Cryptococcus neoformans
(San Felice) Vuill.
Sinónimos

Cryptococcus neoformans é uma levedura encapsulada que pode viver tanto em plantas como em animais. O seu teleomorfo é Filobasidiella neoformans, um fungo filamentoso da classe Tremellomycetes.

Classificação[editar | editar código-fonte]

Cryptococcus neoformans inclui duas variedades (v.): C. neoformans v. neoformans e v. grubii. Uma terceira variedade, C. neoformans v. gattii, é agora considerada uma espécie distinta, Cryptococcus gattii. C. neoformans v. grubii e v. neoformans têm distribuição mundial e são frequentemente encontrados em solo contaminado com excremento de aves. O genoma de C. neoformans v. neoformans foi sequenciado e publicado em 2005.[1] Estudos recentes sugerem que as colónias de Cryptococcus neoformans e fungos relacionados que se desenvolvem nas ruínas do reactor derretido da Central Nuclear de Chernobyl podem ser capazes de utilizar a energia de radiação (radiação beta primária) para crescimento radiotrófico.[2]

Características[editar | editar código-fonte]

Cryptococcus neoformans cresce geralmente na forma de levedura (unicelular) e reproduz-se por gemulação. Sob certas condições, tanto na natureza como no laboratório, C. neoformans pode desenvolver-se como um fungo filamentoso.[carece de fontes?] Quando cultivado como levedura, C. neoformans possui uma cápsula proeminente composta sobretudo por polissacarídeos. Microscopicamente, é utilizada tinta da China para mais fácil visualização da cápsula. As partículas do pigmento da tinta não entram na cápsula que rodeia a célula esférica da levedura, resultando um "halo" em redor das células. Tal permite a identificação facil e rápida de C. neoformans.

Cryptococcus neoformans visto no pulmão de um paciente com SIDA. A cápsula interior do organismo tem coloração vermelha nesta microfotografia.

Patologia[editar | editar código-fonte]

A infecção por C. neoformans é designada criptococose. A maioria das infecções por C. neoformans ocorrem nos pulmões.[carece de fontes?] Contudo, a meniginte fúngica, especialmente como infecção secundária em pacientes com SIDA, é frequentemente causada por C. neoformans tornando-o um fungo particularmente perigoso. As infecções causadas por este fungo são raras em pessoas com sistemas imunitários totalmente funcionais.[carece de fontes?] Por esta razão, C. neoformans é por vezes descrito como um fungo oportunista.

Tratamento[editar | editar código-fonte]

A criptococose que não afecta o sistema nervoso central pode ser tratada exclusivamente com fluconazol.

A meningite criptocócica deve ser tratada durante duas semanas com anfotericina B intravenosa( 0.7–1.0 (mg/kg)/dia) e flucitosina oral 100 (mg/kg)/dia (ou flucitosina intravenosa 75 (mg/kg)/dia se o paciente não puder engolir). Este tratamento deve ser seguido da administração oral de 200 mg de fluconazol diariamente durante dez semanas[3] e depois 200 mg diariamente até a contagem de CD4 do paciente ser superior a 100 durante três meses e, se infectado, se a sua carga viral for indetectável.[4] [5]

Ambisome intravenoso (4 (mg/kg)/dia) pode ser usado mas não se revela superior: o seu uso está reservado para pacientes que não toleram a anfotericina B. A dose de 200 (mg/kg)/dia de flucitosina não é mais eficaz, e está associada com maiores efeitos secundários, não devendo ser usada.

Na África, é usado fluconazol via oral a 200 mg/dia. Contudo, tal não resulta na cura do paciente, porque apenas suprime o fungo, não o matando; fungos viáveis podem ser cultivados a partir do líquido cefalorraquidiano de pacientes que tomaram fluconazol durante muitos meses. Um aumento da dose para 400 mg/dia não melhora o resultado,[6] mas dados preliminares do Uganda mostram que doses muito elevadas da ordem dos 1200 mg ou mais diariamente podem ser eficazes. A duração deste tratamento e a dose de manutenção pós-tratamento não é conhecida.

Referências

  1. Loftus BJ, et al.. (2005). "The genome of the basidiomycetous yeast and human pathogen Cryptococcus neoformans". Science 307 (5713): 1321–24. DOI:10.1126/science.1103773. PMID 15653466.
  2. Dadachova E, et al.. (2007). "Ionizing Radiation Changes the Electronic Properties of Melanin and Enhances the Growth of Melanized Fungi". PLoS One 2(5) (5): e457. DOI:10.1371/journal.pone.0000457. PMID 17520016.
  3. Saag MS, Graybill RJ, Larsen RA, et al.. (2000). "Practice guidelines for the management of cryptococcal disease. Infectious Diseases Society of America". Clin Infect Dis 30 (4): 710–8. DOI:10.1086/313757. PMID 10770733.
  4. Martínez E, García-Viejo MA, Marcos MA, et al.. (2000). "Discontinuation of secondary prophylaxis for cryptococcal meningitis in HIV-infected patients responding to highly active antiretroviral therapy". AIDS 14 (16): 2615–26. DOI:10.1097/00002030-200011100-00029. PMID 11101078.
  5. Vibhagool A, Sungkanuparph S, Mootsikapun P, et al.. (2003). "Discontinuation of secondary prophylaxis for Cryptococcal meningitis in Human Immunodeficiency Virus-infected patients treated with highly active antiretroviral therapy: a prospective, multicenter, randomized study". Clin Infect Dis 36 (10): 1329–31. DOI:10.1086/374849. PMID 12746781.
  6. CF Schaars, Meintjes GA, Morroni C, et al.. (2006). "Outcome of AIDS-associated cryptococcal meningitis initially treated with 200 mg/day or 400 mg/day of fluconazole". BMC Infect Dis 6: 118. DOI:10.1186/1471-2334-6-118. PMID 16846523.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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