Culinária do Paraná

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Embora os principais pratos da cozinha paranaense sejam originários da interação entre portugueses e indígenas, esta possui influência posterior de imigrantes franceses, alemães, italianos, ucranianos, polonesês, austríacos, árabes, sírio-libaneses e japoneses. No século XVII, portugueses e paulistas começaram a ocupar a região a partir da descoberta do ouro em Minas e permaneceu até o século XIX com sua economia baseada na pecuária.

Carne[editar | editar código-fonte]

Como a pecuária foi por muitos anos a base da economia, há muitos pratos tradicionais preparados com carne. O Porco no tacho, a Costela ao Fogo de Chão, a Costela do Ferra Mula e o mais famoso de todos, o Carneiro no Buraco e um bem típico das cidades do interior que é o Cachorro quente prensado. O costume de cozinhar a carne no buraco era um método muito utilizado pelos índios da região de Campo Mourão, como forma de evitar queimadas e conservar a carne por mais tempo. É servido com pirão, arroz branco e salada.

Barreado[editar | editar código-fonte]

Já preparado pelos índios carijóss que fabricavam a panela de barro, o barreado tornou-se um prato típico Paranaense, em especial da culinária litorânea. Os caboclos e mestiços ao irem almoçar na casa de seus patrões, levavam produtos da lavoura e tapiocas e lhes era servido uma espécie de guisado. Era um prato feito de carne bovina gorda e toucinho, preparados com muitos temperos durante várias horas em uma panela de barro.

A panela era "barreada", ou seja, era vedada com uma massa de farinha de mandioca e água e/ou cinzas do fogão para o vapor não escapar. Essa comida podia ser guardada por dias e requentada várias vezes, sem perder o sabor e ficando cada vez mais gostosa. Assim, o prato passou a participar dos hábitos alimentares do Entrudo, o precursor do Carnaval. Durante os dias de carnaval litorâneo não se comia outra coisa que não o barreado. Geralmente é servido com ou sem arroz, farinha de mandioca, banana e como aperitivo, cachaça do litoral.

Charque[editar | editar código-fonte]

O charque é uma carne salgada que tornou-se no século XIX o principal produto da economia do Rio Grande do Sul. Pela ausência de tecnologias de refrigeração da carne à época, o animal vacum abatido para retirada do couro, de bom valor de mercado, não tinha sua carne aproveitada adequadamente.

O charque também está presente na culinária paranaense, sendo trazida pelos tropeiros. Em 1870, a Estrada das Missões estava aberta ao tráfego e, apesar de mais perigosa devido ao ataque de índios, foi a preferida pelos tropeiros, porque encurtava o trajeto até Sorocaba, passando por Guarapuava e seus antigos distritos de Palmas, Pinhão, Candói e outros. Além disso, o terreno era mais seco, com grandes extensões de campos e menos rios correntosos que teriam que ser atravessados a nado.

Aumentando o tropeirismo, quase todos os fazendeiros guarapuavanos tornaram-se tropeiros, abastados comerciantes de gado vacum, muar e cavalar, transformando suas fazendas em invernadas. No final do século XIX, o tropeirismo tornou-se antieconômico em consequência do transporte do gado por linhas férreas e veículos motorizados. Mas o tropeirismo guarapuavano, com animais criados na região, continuou até 1930.

Caracteristicas[editar | editar código-fonte]

A carne é salgada e exposta em galpões ventilados . Além de não ser exposta ao sol, difere da carne de sol ou jabá pela grande quantidade de sal que necessita , em virtude do clima úmido das regiões produtoras. Ainda difere do frescal, produzido na região da cidade catarinense de Lages e São Joaquim, mais elaborado, pois a carne salgada só é exposta à noite.

O charque passa por um processo demorado. O boi todo é desossado e a carne fica em torno de dez dias de molho no sal grosso, e quase uma semana no sereno, costume herdado dos tropeiros. O charque também tem como variante a carne-seca produzida no nordeste brasileiro, a diferença está no modo de preparo e quantidade de sal necessária conforme a umidade da região

Festa Nacional do Charque[editar | editar código-fonte]

Anualmente, o município de Candói revive as tradições de seus antepassados durante a Festa Nacional do Charque. O evento acontence desde 1998, sempre com o objetivo de resgatar a tradição e o tropeirismo existente na região.

A Cavalgada é um dos atrativos que antecede a festa. Cavaleiros vindos de várias regiões percorrem o interior do município de Candói, não deixando morrer a tradição deixada pelos colonizadores.

Além da Cavalgada, que é um dos atravivos da festa, são servidos mais de 15 pratos típicos a base de charque, entre eles charque na maçã, arroz carreteiro, filé à parmegiana de charque, churrasco de charque, bolinho de charque, charque na moranga, charque tipo frescal e consomê de charque.

Boi no rolete[editar | editar código-fonte]

Consiste no preparo do boi praticamente inteiro, que espetado e colocado em fornos preparados para isso, ficam assando por mais de 12 horas. É muito saboroso. As tradicionais festas do Boi-no-Rolete acontecem por todo o Estado.

Porco no rolete[editar | editar código-fonte]

Porco no rolete é um prato típico brasileiro. Seu preparo consiste em um porco assado inteiro sobre fogo ou brasas, porém sempre girando em estacas (daí o nome), o que dá uniformidade no ponto. O município de Toledo é que realiza a mais tradicional e conhecida festa do porco no rolete.

Leitão maturado[editar | editar código-fonte]

Anualmente, o município de Goioerê realiza a Festa do Leitão Maturado, umas das maiores festas gastronômicas do estado e o maior evento com carne suína do Brasil, servindo em torno de 15 mil pratos por ano. A festa é sempre realizada no mês de Junho no parque de exposições da cidade e conta com dois palcos principais onde são realizados shows de artistas renomados além do tradicional campeonato do leitão na lama. Toda renda gerada pela festa é destinada a entidades beneficentes da cidade.

O prato principal consiste na carne suína que recebe o preparo de maturação, processo que antecede a defumação desse tipo de carne, mas no caso deste prato típico a carne após ser maturada, é assada em grelhas sobre a brasa. Acompanhamentos: arroz branco, creme de milho, farofa, salada de repolho com abacaxi, salada de vagem e cenoura.

Pinhão[editar | editar código-fonte]

O pinhão é a semente da araucária, árvore símbolo do Paraná. Tem alto valor nutritivo e pode ser saboreado de várias maneiras. É saboroso com açúcar, melado, mel, sal ou simplesmente cozido em água. O pinhão foi inserido na culinária paranaense ao longo dos anos e muitos pratos são feitos a base desse ingrediente, como por exemplo o entrevero de pinhão comum na região dos campos gerais e sul do Paraná.

Soja[editar | editar código-fonte]

O Paraná é um dos maiores produtores de soja do Brasil. Contribui com cerca de 90% para a fabricação de óleo de cozinha.

Kutiá[editar | editar código-fonte]

Prato típico da colonização ucraniana. É um dos 12 pratos que integra a ceia de Natal ucraniana, onde cada prato simboliza um apóstolo, sendo que o kutiá é um dos principais deles. Cada ingrediente que integra o kutiá é simbólico. O kutiá é servido antes dos outros alimentos como entrada.

Pierogi[editar | editar código-fonte]

Pierogi é um tipo de pastel cozido originário da Polônia e oeste da Ucrânia, onde é chamado perohê.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Culinária Típica Paranaense - Sesc Paraná

Referências