Culto de personalidade
O Culto de Personalidade ou Culto à personalidade é uma estratégia de propaganda política baseada na exaltação das virtudes - reais e/ou supostas - do governante, bem como da divulgação positivista de sua figura. Cultos de personalidade são freqüentemente encontrados em ditaduras, embora também existam em democracias.[1] O termo culto à personalidade foi utilizado pela primeira vez por Nikita Khrushchov no "Discurso secreto" para denunciar Josef Stalin, Khrushchov citou uma carta de Karl Marx, que critica o "culto do indivíduo". Um culto da personalidade é semelhante ao apoteose, exceto que ele é criado especificamente para os líderes políticos.
O culto inclui cartazes gigantescos com a imagem do líder, constante bajulação do mesmo por parte de meios de comunicação e muitas vezes perseguição aos dissidentes do mesmo. Além de Stálin, pode-se dizer de outros ditadores, anteriores ao discurso de Khrushchov, como Adolf Hitler, Mao Tsé-Tung e Getúlio Vargas tomaram medidas que levaram ao culto de sua personalidade, assim como Saddam Hussein, Nicolae Ceauşescu, Benito Mussolini, Rafael Trujillo, Kim Il-sung, Kim Jong-il e Lula da Silva.
Índice |
[editar] Antecedentes
Na história, monarcas sempre procuraram ser cultuados, de diversas maneiras. Os reis europeus afirmavam governar por vontade de Deus, exercendo o direito divino dos reis, principalmente no Absolutismo, onde os reis tinham que justificar porque deveriam ter poderes totais.
Na China Imperial (por meio do Mandato do Céu), Antigo Egito, Japão, os incas, astecas, o Tibete, e o Império Romano os monarcas eram considerados deuses-reis.
Com o posterior desenvolvimento da fotografia, a gravação sonora, o cinema e Comunicação de massa, bem como da educação pública e das técnicas da publicidade, os líderes políticos puderam projetar uma imagem positiva de si próprios, como nunca antes fora possível. Nessas circunstâncias, no século XX, surgiram os recentes cultos à personalidade.
[editar] Exemplos em regimes totalitários
Regimes totalitários que praticaram culto à personalidade de seus líderes incluem Stalin, Hitler, Franco, Mussolini, Mao, Ceauşescu, Kim Il-Sung, e Kim Jong-Il.
Um dos maiores cultos à personalidade de todos os tempos foi à Josef Stalin na União Soviética, retratos de Stalin eram sempre colocados ao lado de outros símbolos comunistas, por exemplo, na parada esportiva anual de Moscou, retratos enormes de Stalin e outros líderes soviéticos eram usados.[2] Stalin era chamado pelo Pravda de Vozhd (em russo: Вождь, Líder), e deveria ser admirado pelo povo.
Na Alemanha nazista houve um fortíssimo culto à personalidade de Hitler, a saudação de Hitler que consistia em levantar-se o braço e dizer Heil Hitler (em português Salve Hitler) era comum, especialmente por oficiais do exército, que a usavam como continência. Muitas vezes ao atender ao telefone em vez de dizer de Alô, dizia-se Heil Hitler. Hitler era considerado o "übermensch" (super-homem) e chamado de Führer (Líder).[3]
Na República Popular da China ocorreu um forte culto ao Presidente Mao Tsé-Tung que permanece até a atualidade. Dizia-se "Viva o Presidente Mao", em 1949 o retrato de Mao foi exposto na entrada da Cidade Proibida, na Praça da Paz Celestial e permanece lá até a atualidade. As Citações do Presidente Mao Tsé-Tung, um livro que expunha as idéias de Mao, o "Maoísmo",[4] era uma exigência não oficial para todo cidadão chinês conhece-lo e possuí-lo, especialmente durante a Revolução Cultural, tornando-se o segundo livro mais vendido na história, atrás apenas da Bíblia Sagrada, teve aproximadamente 900 milhões de cópias imprimidas.
O Jornalista Bradley Martin documentou o cultos à personalidade dos líderes da Coréia do Norte, Kim Il-sung (chamado de "Eterno (ou Antigo, ou ainda Grande) Líder" e "Grande (ou Querido ou ainda Caro) Líder" Kim Jong-il.[5] Quando visitou a Coreia do Norte em 1979, observou que diversos aspectos culturais, tal como a música, arte e escultura glorificava o "Grande Líder" Kim Il-sung, culto à personalidade que foi estendido para o seu filho, o "Querido Líder" Kim Jong-il. Kim Il-Sung negou que que ele tinha criado um culto em torno de si próprio. Um pesquisa nos Estados Unidos confirmou que na Coréia do Norte nas escolas os alunos aprenderam à agradecer a Kim Il-sung por todas as bênçãos que possuem, de uma forma quase religiosa.[6]
Na Argentina, Juan Perón impôs o "culto à personalidade" para si e para sua esposa Eva Perón[7] O antigo presidente filipino Ferdinand Marcos também instituiu, em seu regime, o culto à sua personalidade, e muitos dos seus partidários continuam esse "culto" de até a hoje.[8]
[editar] Exemplos em uma sociedade democrática
Também nas sociedades democráticas há exemplos de figuras políticas que provocaram no povo um culto espontâneo, ou por efeito de uma política populista, de sua personalidade. Exemplos incluem os Presidentes dos Estados Unidos John F. Kennedy,[9] Ronald Reagan, e o atual presidente Barack Obama[10], bem como o francês Charles de Gaulle e o brasileiro Luís Inácio Lula da Silva.
[editar] Visão Psicológica
Existem outras formas de culto à personalidade que não são os estabelecidos por um Estado, mas pelo indivíduo. A forma mais usual de culto à personalidade pode ser observada no comportamento das pessoas comuns diante de celebridades, sejam estas do mundo da arte ou política (por exemplo: Tupac Shakur, Elvis Presley, John Lennon, Renato Russo).
Referências
- ↑ THE CORREGIDOR MASSACRE - 1968.
- ↑ Colour of War (As Cores da Guerra). Documentário com vídeos em cores sobre a Segunda Guerra Mundial. Apresentado pela TV Escola. 2009
- ↑ Ascensão e queda do Terceiro Reich - Triunfo e Consolidação 1933-1939. Volume I. William L. Shirer. Tradução de Pedro Pomar. Agir Editora Ldta., 2008. ISBN 978-85-220-0913-8
- ↑ Mao: A história desconhecida. Jon Halliday e Jung Chang. Tradução de Pedro Maio Soares. Editora Companhia Das Letras. ISBN 85-359-0873-0
- ↑ Bradley K. Martin. Under the Loving Care of the Fatherly Leader: North Korea and the Kim Dynasty. ISBN 0-312-32322-0
- ↑ Thank You Father Kim-Il-Sung (PDF). Página visitada em 2007-12-09.
- ↑ Martinez, Tomas Eloy. The Woman Behind the Fantasy. Time Magazine: "Peron had been elected President twice in clean elections, and his regimes were, at least formally, democratic."
- ↑ BBC News: Philippines cult idolises Marcos.
- ↑ Wall Street Journal - "Where's the Aura? - Forty years later, the JFK cult has faded. It's about time.".
- ↑ The Herald News - "Obama invokes memories of original 'cult of personality'"..