Líbia

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دولة ليبيا
Dawlat Lībiyyā

Estado da Líbia
Bandeira da Líbia
Brasão da Líbia
Bandeira Brasão de armas
Hino nacional: Líbia, Líbia, Líbia
Gentílico: Líbio;
líbico[1]

Localização da Líbia

Capital Trípoli
32°54′N 13°11′E
Cidade mais populosa Trípoli
Língua oficial Árabe
Governo Governo provisório
 - Presidente da Câmara dos Representantes Aguila Salah Issa
 - Primeiro-ministro Abdullah al-Thanay
Independência da Itália 
 - Data 10 de fevereiro de 1947 
Área  
 - Total 1 759 540 km² (16.º)
 Fronteira Egito, Sudão, Chade, Níger, Argélia e Tunísia
População  
 - Estimativa de 2008 6 173 579 hab. (104.º)
 - Censo 2006 5 673 000 hab. 
 - Densidade 4 hab./km² (211.º)
PIB (base PPC) Estimativa de 2012
 - Total US$ 95,941 bilhões*[2]  (74.º)
 - Per capita US$ 18 129[2]  (54.º)
PIB (nominal) Estimativa de 2012
 - Total US$ 90,691 bilhões*[2]  (64.º)
 - Per capita US$ 14 500[2]  (50.º)
IDH (2013) 0,784 (55.º) – elevado[3]
Moeda Dinar líbio (LYD)
Fuso horário EET (UTC+2)
Cód. Internet .ly
Cód. telef. +218

Líbia (em árabe: ليبيا; transl.: Lībiyā; em berbere: ⵍⵉⴱⵢⴰ), oficialmente Estado da Líbia,[4] [5] é um país na região do Magrebe, no Norte da África, banhada pelo Mar Mediterrâneo ao norte. O país tem fronteiras com o Egito a leste, Sudão a sudeste, Chade e Níger ao sul e Argélia e Tunísia ao oeste. As três partes tradicionais do país são Tripolitânia, Fezã e Cirenaica. Com uma área de quase 1,8 milhões de quilômetros quadrados, a Líbia é o 17º maior país do mundo.[6]

A maior cidade e capital, Trípoli, é o lar de 1,7 milhão dos 6,4 milhões de habitantes da Líbia. Em 2012 o país tinha o segundo melhor índice de desenvolvimento humano (IDH) da África e o quinto maior PIB (PPC) per capita do continente (em 2009), atrás de Guiné Equatorial, Seychelles, Gabão e Botswana. A Líbia tem a 10ª maior reservas comprovada de petróleo do mundo e a 17ª maior produção de petróleo.[7]

Em 2011, após uma guerra civil e uma intervenção militar internacional liderada pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), houve a derrubada e a morte do ex-líder do país, Muammar Gaddafi, e o colapso de seu governo de mais de quatro décadas de duração. Como resultado, a Líbia está passando por um processo de reconstrução política e é regida sob uma constituição provisória elaborada pelo Conselho Nacional de Transição (CNT).[8] [9] Eleições para o Congresso Geral Nacional foram realizadas em 7 de julho de 2012 e o CNT entregou o poder à assembleia recém-eleita em 8 de agosto.[10] A assembleia nacional tem a responsabilidade de formar uma assembleia constituinte para redigir uma constituição permanente para a Líbia, que será, então, submetida a um referendo.[11]

História[editar | editar código-fonte]

Antiguidade[editar | editar código-fonte]

Templo de Zeus na antiga colônia grega de Cirene

Antigo assentamento de povos tão díspares quanto os fenícios, os romanos e os turcos, a Líbia recebeu seu nome dos colonos gregos, no século II a.C..

Durante grande parte de sua história, a Líbia foi povoada por árabes e nômades berberes, e somente na costa e nos oásis estabeleceram-se colônias. Fenícios e gregos chegaram ao país no século VII a.C. e estabeleceram colônias e cidades. Os fenícios fixaram-se na Tripolitânia e os gregos na Cirenaica. Os cartagineses, herdeiros das colônias fenícias, fundaram na Tripolitânia uma província, e no século I a.C. o Império Romano se impôs em toda a região, deixando monumentos admiráveis (Léptis Magna).

A Líbia permaneceu sob domínio romano - organizada nas províncias de Tripolitânia e Cirenaica - até ser conquistada pelos vândalos em 455 d.C. e só foi reconquistada pelo Império Bizantino, continuador do romano, em 533-534.

Domínio islâmico e otomano[editar | editar código-fonte]

O cerco de Trípoli pelos otomanos em 1551.

Durante pouco mais de três séculos, o Califado Almóada manteve o domínio sobre a região tripolitana, enquanto a Cirenaica esteve sob o controle egípcio.

Em 1551, Solimão I, o Magnífico, incorporou a região ao Império Otomano[12] , estabelecendo o poder central em Trípoli. A autoridade turca, entretanto, mal passava da região para além da costa.

Dois séculos mais tarde, o reinado da dinastia Karamanli, que dominou Trípoli durante 120 anos, contribuiu para assentar mais solidamente as regiões de Fezã, Cirenaica e Tripolitânia, e conquistou maior autonomia, sendo apenas nominalmente pertencente ao Império Otomano, a região servia de base para corsários, o que motivou intervenção norte-americana, a primeira Guerra Berbere ocorreu entre 1801 e 1805.

Em 1835, o Império Otomano restabeleceu o controle sobre a Líbia, embora a confraria muçulmana dos sanusis tenha conseguido, em meados do século, dominar os territórios da Cirenaica e de Fezã (interior do país).

Domínio italiano[editar | editar código-fonte]

O rei Vítor Emanuel III da Itália na cidade líbia de Bengasi.

Em 1911, sob o pretexto de defender seus colonos estabelecidos na Tripolitânia, a Itália declarou guerra ao Império Otomano e invadiu o país. Fato que iniciou a Guerra Ítalo-Turca. A seita puritana islâmica dos sanusis liderou a resistência, dificultando a penetração do Exército italiano no interior. A Turquia renunciou a seus direitos sobre a Líbia em favor da Itália no Tratado de Lausanne ou Tratado de Ouchy (1912). Em 1914 todo o país estava ocupado pelos italianos que, no entanto, como os turcos antes deles, nunca conseguiram afirmar sua autoridade plena sobre as tribos sanusi do interior do deserto.

Durante a Primeira Guerra Mundial, os líbios recuperaram o controle de quase todo o território, à exceção de alguns portos. Terminada a guerra, os italianos empreenderam a reconquista do país. Em 1939 a Líbia foi incorporada ao reino da Itália. A colonização não alterou a estrutura econômica do país, mas contribuiu para melhorar a infraestrutura, como a rede de estradas e o fornecimento de água às cidades.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o território líbio foi cenário de combates decisivos. Entre 1940 e 1943 houve a campanha da Líbia entre o Afrikakorps do general alemão Rommel e as tropas inglesas. Findas as hostilidades, o Reino Unido encarregou-se do governo da Cirenaica e da Tripolitânia, e a França passou a administrar Fezã. Essa nações mantiveram a Líbia sob forte governo militar sob o país.

Independência e Era Khadafi[editar | editar código-fonte]

O rei Idris I levou o país à independência e foi o seu primeiro líder.

Em 1 de janeiro de 1952 a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou a independência do Líbia, data a partir da qual foi adotado o nome Reino Unido da Líbia. O líder religioso dos sanusis, o emir Sayyid Idris al-Sanusi, foi coroado rei com o nome de Idris I (1951-1969).

Depois de sua admissão na Liga Árabe, em 1953, a Líbia firmou acordos para a implantação de bases estrangeiras em seu território. Em 1954, houve a concessão de bases militares e aéreas aos norte-americanos. A influência econômica dos Estados Unidos e do Reino Unido, autorizados a manter tropas no país, tornou-se cada vez mais poderosa. A descoberta de jazidas de petróleo em 1959 constituiu no entanto fator decisivo para que o governo líbio exigisse a retirada das forças estrangeiras, o que provocou graves conflitos políticos com aquelas duas potências e com o Egito. Em 1961 tem início a exploração do petróleo.

A atual história da Líbia teve início em 1969, quando um grupo de oficiais nacionalistas, de forte alinhamento político-ideológico com o pan-arabismo, derrubou a monarquia e criou a Jamairia (República) Árabe Popular e Socialista da Líbia, muçulmana militarizada e de organização socialista. O Conselho da Revolução (órgão governamental do novo regime) era presidido pelo coronel Muammar al-Khadafi. O regime de Muammar Khadafi, chefe de Estado a partir de 1970, expulsou os efetivos militares estrangeiros e decretou a nacionalização das empresas, dos bancos e dos recursos petrolíferos do país.

Em 1972, a Líbia e o Egito uniram-se numa Confederação de Repúblicas Árabes, que se dissolveu em 1979. Em 1984, a Líbia e o Marrocos tentaram uma união formal, extinta em 1986.

Khadafi procurou desencadear uma revolução cultural, social e econômica que provocou graves tensões políticas com os Estados Unidos, Reino Unido e países árabes moderados (Egito, Sudão). Apoiado pelo partido único, a União Socialista Árabe, aproveitou-se da riqueza gerada pela exploração das grandes reservas de petróleo do país para construir seu poderio militar e interferir nos assuntos dos países vizinhos, como o Sudão e o Chade (Tchad). O Chade foi invadido pela Líbia em 1980.

Muammar al-Gaddafi tomou o controle do país em 1969 e o governou até a guerra civil de 2011, quando foi morto.

Depois da Guerra do Yom Kippur, a Líbia levou seus parceiros árabes a não exportar petróleo para os Estados que apoiaram Israel. Opôs-se à iniciativa do presidente egípcio Anwar al-Sadat, de restabelecer a paz com Israel, e participou ativamente, junto com a Síria, da chamada "frente de resistência" em 1978. Seu apoio à Organização para a Libertação da Palestina (OLP) se intensificou, e a cooperação com os palestinos se estendeu a outros grupos revolucionários de países não árabes, que receberam ajuda econômica líbia.

A rejeição a Israel, as manifestações antiamericanas e a aproximação com a União Soviética, por parte da Líbia, geraram sérios conflitos na década de 1980. As relações da Líbia com os Estados Unidos se deterioraram quando, em 1982, os Estados Unidos impuseram um embargo às importações de petróleo líbio. Em resposta a vários atentados contra soldados americanos na Europa e às acusações de que o governo líbio patrocinava ou estimulava o terrorismo internacional, o presidente Ronald Reagan ordenou, em abril de 1986, um bombardeio da aviação americana a vários alvos militares em Trípoli e Bengazi, em que pereceram 130 pessoas. Kadhafi, que perdeu uma filha adotiva quando sua casa foi atingida, manteve-se como chefe político, mas sua imagem internacional deteriorou-se rapidamente.

Para tirar o país do isolamento diplomático, no início da década de 1990 o chefe líbio dispôs-se a melhorar o relacionamento com as potências ocidentais e com as nações vizinhas. Em 1989, a Líbia associou-se à União de Magreb, um acordo comercial dos Estados do norte da África. Em 1991, durante a Guerra do Golfo Pérsico, a Líbia adotou uma posição moderada, opondo-se tanto à invasão do Kuwait quanto ao posterior uso da força contra o Iraque. Apesar de sua neutralidade no conflito, a Líbia se manteve sob crescente isolamento internacional até meados da década. Em 1992 os Estados Unidos, o Reino Unido e a França, com a aprovação do Conselho de Segurança das Nações Unidas, impuseram pesados embargos ao comércio e ao tráfego aéreo líbio, porque o governo se negava a extraditar os dois líbios suspeitos de terem colocado uma bomba num avião de passageiros norte-americano que explodiu sobre Lockerbie, na Escócia, em 1988, e matou 270 pessoas (Atentado de Lockerbie). Este tipo de sanção repetiu-se nos anos seguintes, mas Khadafi desrespeitou o bloqueio aéreo militar viajando para Nigéria e Níger, bem como enviando peregrinos a Meca em aviões de bandeira líbia.

Em 1993 a Líbia rompeu relações com o Irão, reagindo contra o crescimento do fundamentalismo islâmico. Em 1994, os líbios retiram-se do Chade. As relações de Khadafi com os palestinianos se deterioraram, à medida que estes se mostraram dispostos a negociar uma paz com Israel, e em setembro de 1995 o dirigente líbio anunciou a expulsão de 30 mil palestinianos que trabalhavam na Líbia. A medida foi suspensa depois da deportação de 1500 pessoas, e em outubro de 1996 Khadafi anunciou que estas seriam indenizadas. O regime líbio tem enfrentado uma crescente resistência de parte de grupos religiosos islâmicos, e em 1997 seis oficiais do exército foram fuzilados, acusados de espionagem. Tentando melhorar sua imagem internacional, Khadafi admitiu a possibilidade de conceder a extradição dos dois agentes acusados do atentado de Lockerbie, desde que não sejam julgados nos Estados Unidos ou no Reino Unido.

Revolução[editar | editar código-fonte]

Manifestações contra Muammar al-Gaddafi em Bayda, 22 de julho de 2011.

Em fevereiro de 2011, manifestações (influenciada pela chamada "Primavera Árabe") contra o governo de Muammar Khaddafi (em português, e Muammar al-Gaddafi em Libio - Árabe) provocaram a morte de dezenas de civis. Os protestos tomaram conta de boa parte do país, incluindo a capital Trípoli.[13] Em 27 de fevereiro, as diferentes facções da oposição líbia formaram o Conselho Nacional de Transição para administrar as áreas do país controladas por opositores e também para iniciar uma luta formal para derrubar o então regime líbio. Em março, a França se tornou o primeiro país a reconhecer a legitimidade da organização. Outros países logo também o fizeram.[14] [15]

Utilizando de sua superioridade militar, as forças pró-Gaddafi empurraram os rebeldes até a região leste da Líbia e cercaram a cidade de Bengazi, que havia se tornado o centro da rebelião.[16] Os soldados de Gaddafi foram acusados de cometerem diversos crimes contra a humanidade neste meio tempo.[17] A ONU e diversas nações do mundo condenaram a violência na Líbia e exigiram uma solução pacífica.[18] [19]

No dia 17 de março de 2011, o conselho de segurança das Nações Unidas aprovou a Resolução 1973. Esta resolução dava autoridade a seus países membros de estabelecer uma zona de exclusão aérea sobre a Líbia e garantia o uso de "toda a força necessária para proteger os civis".[20] Dois dias depois, aeronaves de combate francesas, apoiados por aviões e navios americanos, bombardearam alvos militares na Líbia.[21]

Em julho de 2011, o Conselho Nacional de Transição foi reconhecido pela ONU como o novo governo líbio.[22]

Em agosto, forças rebeldes, apoiadas pela OTAN, avançaram sobre a capital Trípoli.[23] A cidade caiu após 8 dias de violentos combates.[24] Militantes da oposição continuaram avançando em direção ao oeste do país, tomando várias cidades, incluindo Bani Walid. Em Sirte, onde Muammar Gaddafi e suas tropas remanescentes estavam entricheirados, os rebeldes travaram uma das últimas batalhas da guerra. Depois de quase um mês de combates, a cidade caiu e o ditador acabou sendo morto.[25]

A "libertação" da Líbia foi oficialmente proclamada em 23 de outubro de 2011 (apesar de lutas sectárias ainda estavam sendo reportadas). Ao menos 30 mil pessoas foram mortas no conflito.[26]

Com a derrocada de Muammar Gaddafi do poder, após 40 anos de governo, e com o fim da guerra civil, o país passou a ser oficialmente uma república parlamentarista.[27]

Pós-guerra civil[editar | editar código-fonte]

Em 7 de julho de 2012, os líbios votaram em suas primeiras eleições parlamentares desde o fim do regime de Gaddafi. Em 8 de agosto de 2012, o Conselho Nacional de Transição entregou oficialmente o poder ao eleito Geral Congresso Nacional, que foi encarregado da formação de um governo interino e a elaboração de uma nova constituição, a ser aprovada em um referendo em geral[10]

Em 25 de agosto de 2012, no que "parece ser o ataque sectário mais flagrante " desde o fim da guerra civil, homens não identificados demoliram uma mesquita sufista com sepulturas, em plena luz do dia e no centro da capital líbia, Trípoli. Este foi a segunda destruição de um local sufista em dois dias.[28] Em 11 de setembro de 2012, o ataque de Benghazi ocorreu, quando militantes islâmicos foram capazes de atacar com sucesso o consulado estadunidense na cidade para matar o embaixador estadunidense no país, J. Christopher Stevens. Em 7 de outubro de 2012, o primeiro-ministro eleito da Líbia, Mustafa A. G. Abushagur saiu do poder[29] depois de falhar uma segunda vez em conseguir a aprovação parlamentar para um novo gabinete.[30] [31] Em 14 de outubro de 2012, o Congresso Nacional Geral elegeu o advogado de direitos humanos Ali Zeidan como seu primeiro-ministro designado.[32] Zeidan foi empossado após seu gabinete ser aprovado pelo CNG.[33] [34]

Em 25 de março de 2014, o governo líbio abriu o debate sobre a restauração da monarquia no país. "A restauração da monarquia é a solução que irá garantir o retorno à segurança e estabilidade. Contatos já foram feitos e estamos em contato com dignitários e chefes tribais na Líbia e também com o neto do rei Al-Senussi, o Príncipe Mohamed , que mora no exterior " , disse o ministro das Relações Exteriores da Líbia , Mohamed Abdelaziz, durante a reunião.[35] A partir de janeiro de 2014, a ilegalidade, as questões de segurança e o partidarismo regional permanecem como importante e aparentemente cada vez maior problemas para o governo interino atual do país.[36]

Em 16 de maio de 2014, o general líbio aposentado Khalifa Haftar lançou um ataque aéreo e terrestre em Benghazi, visando grupos militantes islâmicos entrincheirados dentro da cidade. Este ataque foi feito sem qualquer autorização do governo central. Em 18 de maio de 2014, em Trípoli, o edifício do parlamento foi invadido por tropas leais a Haftar,[37] no governo líbio descreveu como uma tentativa de golpe de Estado.[38]

Com a esperança de sufocar a violência e desarmar a luta pelo poder com o general Haftar, a comissão eleitoral anunciou, em 20 de maio de 2014. que eleições parlamentares seriam realizadas em 25 de junho de 2014.[39] Haftar afirma estar limpando a Líbia de elementos militantes islâmicos e terrorista que ele descreve como tendo "infectados o país". Ele proclamou a dissolução do Conselho Nacional Geral e afirma apontar para o estabelecimento de um governo eleito, sem qualquer ligação com milícias islâmicas. O movimento de Haftar foi recebido com passeatas e manifestações de apoio por milhares de cidadãos líbios em Trípoli, Benghazi e em outras cidades líbias.[40]

Geografia[editar | editar código-fonte]

Imagem de satélite do território líbio.

A Líbia situa-se no Norte de África, banhada pelo mar da Líbia, uma parte (reentrância) do mar Mediterrâneo e ladeado pelo Egito a leste e pela Tunísia e Argélia a oeste. Ao sul limita-se com o Níger e Chade e, a sudeste, um pequeno trecho com o Sudão. Divide-se em três regiões geográficas: a Cirenaica, a Tripolitânia e a Fazânia. Ao longo da costa, o clima é mediterrânico, mas o interior é o deserto muito seco do Saara, de onde por vezes sopra um siroco quente, seco e carregado de poeira (conhecido no país como ghibli). No deserto também são comuns tempestades de poeira de areia. Os recursos naturais principais do país são o petróleo, gás natural e gesso.

Mas, além disso, a Líbia - assim como o Egito, o Chade e o Sudão, na parte oriental do deserto do Saara - repousa sobre o Sistema Aquífero Arenito da Núbia, a maior reserva de água subterrânea existente no mundo, que abrange uma enorme área, que, segundo as estimativas,contém 150 000 km³ de água. A maior parte do suprimento de água da Líbia provinha de dispendiosas usinas de dessalinização, situadas no litoral, de modo que havia pouca água para destinar à irrigação. O aquífero historicamente usado em Trípoli estava contaminado, e seu grau de salinidade estava aumentando. Em 1983, um grande projeto de engenharia, conhecido como Grande Rio Artificial, foi criado para o abastecimento da região costeira do país e para expandir a agricultura através da irrigação, com aproveitamento da água desses aquíferos do deserto.[41]

Demografia[editar | editar código-fonte]

Mapa dos grupos étnicos da Líbia

A Líbia é um país grande, com uma população relativamente pequena, concentrada principalmente ao longo da costa.[42] A densidade populacional é de cerca de 50 pessoas por km² nas duas regiões do norte (Tripolitânia e Cirenaica), mas essa taxa cai para menos de uma pessoa por km² em outras regiões. Noventa por cento das pessoas vivem em menos de 10% da área do país, principalmente ao longo do litoral. Cerca de 88% da população é urbana, principalmente concentrada nas três maiores cidades, Tripoli, Benghazi e Misrata. A Líbia tem uma população de cerca de 6,5 milhões de habitantes, 27,7% dos quais têm 15 anos de idade. Em 1984, a população era de 3,6 milhões, um aumento em relação ao 1,54 milhão relatado em 1964.[43]

Existem cerca de 140 tribos e clãs na Líbia.[44] A vida em família é importante para os líbios, a maioria dos quais vivem em blocos de apartamentos e outras unidades habitacionais independentes, com modos precisos de habitação em função da sua renda e riqueza. Embora na Líbia os árabes tradicionalmente tenham vivido em estilos de vida nômade, eles já se estabeleceram em várias vilas e cidades. Devido a isso, seus antigos modos de vida estão gradualmente desaparecendo. Um pequeno número desconhecido de líbios continuam a viver no deserto como suas famílias têm feito por séculos. A maior parte da população tem trabalho na indústria e nos serviços, e uma pequena porcentagem na agricultura.[45]

Segundo a Pesquisa Mundial de Refugiados de 2008, publicado pelo Comitê para Refugiados e Imigrantes dos Estados Unidos, a Líbia acolheu uma população de refugiados e requerentes de asilo que somavam aproximadamente 16 mil em 2007. Deste grupo, cerca de nove mil pessoas eram da Palestina, 3 200 do Sudão, 2 500 da Somália e 1 100 do Iraque. A Líbia teria deportado milhares de imigrantes ilegais em 2007, sem dar-lhes a oportunidade de requerer asilo. Os refugiados enfrentaram discriminação de funcionários líbios quando se deslocam no país e quando procuram emprego.[46]

Cidades mais populosas[editar | editar código-fonte]

Subdivisões[editar | editar código-fonte]

A Líbia se subdivide em 32 municipalidades (em árabe Sha'biyah, plural Sha'biyat).

As 32 municipalidades são:

Libya New Municipalities.png

1 Ajdabiya 17 Ghat
2 Al Butnan 18 Gadamés
3 Al Hizam al Akhdar 19 Gharyan
4 Al Jabal al Akhdar (Al Bayda) 20 Murzuq
5 Al Jifarah 21 Mizdah
6 Al Jufrah 22 Misratah
7 Al Kufrah 23 Nalut
8 Al Marj 24 Tajura Wa Al Nawahi AlArba'
9 Al Murgub 25 Tarhuna Wa Msalata
10 An Nuqat al Khams 26 Tarabulus (Tripoli)
11 Al Qubbah 27 Sabha
12 Al Wahat 28 Surt
13 Az Zawiyah 29 Sabratha Wa Surman
14 Banghazi 30 Wadi Al Hayaa
15 Bani Walid 31 Wadi Al Shatii
16 Darnah 32 Yafran

Economia[editar | editar código-fonte]

A economia da Líbia depende basicamente do setor petrolífero, preenchendo cerca de 30% do Produto Interno Bruto, além de ser responsável por 95% das exportações[47] . Os rendimentos proporcionados pelo petróleo, e o fato de a população ser reduzida, faz com que este país tenha um dos maiores rendimentos per capita da África. Contudo, há uma deficiente distribuição desses rendimentos, e as classes mais baixas chegam a apresentar dificuldades na obtenção de alimentos, devido, também, a restrições nas importações.

Cultura[editar | editar código-fonte]

Cuscuz, uma refeição tradicional líbia popular e originária do norte da África

Gastronomia[editar | editar código-fonte]

A cozinha líbia é uma mistura de árabe e Mediterrâneo, com uma forte influência italiana. O legado da Itália, da época em que a Líbia era uma colônia italiana, pode ser visto na popularidade das massas nos seus cardápios, particularmente macarrão.

Esporte[editar | editar código-fonte]

Embora sempre tenha existido grande paixão do povo local pelas tradições árabes, naturalmente, tem crescido no país um movimento de inclusão e difusão de diversos esportes pela população nativa. Exemplos são a Liga da Líbia, de basquete, que embora com pouca projeção vem crescendo, e a Supertaça Líbia de Futebol, principal fonte de atletas para a seleção de futebol.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Portal da Língua Portuguesa - Dicionário de Gentílicos e Topónimos
  2. a b c d Libya Fundo Monetário Internacional (FMI). Página visitada em 17 de abril de 2012.
  3. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD): Human Development Report 2014 (em inglês) (24 de julho de 2014). Página visitada em 2 de agosto de 2014.
  4. Zaptia, Sami. "GNC officially renames Libya the "State of Libya" – until the new constitution.", 9 de janeiro de 2013. Página visitada em 9 de janeiro de 2013.
  5. المؤتمر العام يقر "دولة ليبيا" اسما للبلاد عربي (em árabe) الأخبار (Al Jazeera).
  6. Demographic Yearbook (3) Pop., Rate of Pop. Increase, Surface Area & Density (PDF) United Nations Statistics Division. Página visitada em 5 de fevereiro de 2013.
  7. World proven crude oil reserves by country, 1980–2004 Opec.org. Página visitada em 5 de fevereiro de 2013.
  8. NTC Announces Constitutional Declaration Tunisia-live.net. Página visitada em 5 de fevereiro de 2013.
  9. Introducing the Council The Libyan Interim National Council. Página visitada em 23 de outubro de 2011.
  10. a b Esam Mohamed. "Libya's transitional rulers hand over power", Boston.com, 8 de agosto de 2012. Página visitada em 8 de agosto de 2012.
  11. Libya's NTC hands power to newly elected assembly BBC News. Página visitada em 9 de agosto de 2012.
  12. Enciclopédia do Mundo Contemporâneo 3ª Ed., 2002, Publifolha, Editora do Terceiro Milênio, p. 384 ou http://www.guiadelmundo.org.uy/cd/
  13. Live Blog - Libya Al Jazeera.. Página visitada em 23 de fevereiro de 2011.
  14. The Council»International Recognition National Transitional Council (Libya) (1 de março de 2011). Página visitada em 23 de outubro de 2011.
  15. "Libya: France recognises rebels as government", BBC News, 10 de março de 2011. Página visitada em 23 de outubro de 2011.
  16. "Qaddafi Forces Batter Rebels in Strategic Refinery Town", New York Times. Página visitada em 9 de março de 2011.
  17. The Independent, 9 March 2011 P.4
  18. "Some backbone at the U.N.", The Los Angeles Times. Página visitada em 26 de fevereiro de 2011.
  19. "Libya Expelled from UN Human Rights Council", Sofia News Agency. Página visitada em 2 de março de 2011.
  20. Security Council authorizes ‘all necessary measures’ to protect civilians in Libya United Nations News Service (17 March 2011). Página visitada em 30 March 2011.
  21. Jonathan Marcus. "French military jets open fire in Libya", BBC News, 19 March 2011. Página visitada em 20 August 2011.
  22. "Excerpts from Libya Contact Group Chair's Statement", Reuters. Página visitada em 25 de julho de 2011.
  23. "Libyan rebels in 'final push' for capital". Página acessada em 18 de junho de 2013.
  24. "Rebels claim capture of last army base in Tripoli". Página acessada em 18 de junho de 2013.
  25. "Forças líbias anunciam 'ao mundo' que Khadafi 'está morto'". Página acessada em 18 de junho de 2013.
  26. Karin Laub. "Libyan estimate: At least 30,000 died in the war", The Guardian, 8 de setembro de 2011. Página visitada em 25 de novembro de 2011.
  27. Lederer, Edith. "UN approves Libya seat for former rebels", San Jose Mercury News. Página visitada em 16 de setembro de 2011.
  28. Zargoun, Taha. "Fighters bulldoze Sufi mosque in central Tripoli", 25 de agosto de 2012.
  29. Grant, George. "Congress dismisses Abushagur", Libya Herald, 7 de outubro de 2012. Página visitada em 7 de outubro de 2012.
  30. Zaptia, Sami. "Abushagur announces a smaller emergency cabinet", Libya Herald, 7 de outubro de 2012. Página visitada em 7 de outubro de 2012.
  31. "Libyan Prime Minister Mustafa Abu Shagur to stand down", BBC News, 7 October 2012. Página visitada em 7 de outubro de 2012.
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