Cura pela fé

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Cura pela Fé é um alegado uso de meios unicamente espirituais no tratamento de doenças, algumas vezes acompanhada de recusa de técnicas modernas de medicina. Outro termo para isto é Cura Espiritual. A Cura pela fé não é uma forma de medicina alternativa pois nestes casos a cura dar-se pela crença numa determinada religião ou entidade divina, ou ainda por auto-sugestão.

Cura pela fé cristã[editar | editar código-fonte]

O termo é por vezes usado em referência à crença de alguns cristãos que acreditam que Deus cura as pessoas por meio do poder do Espírito Santo, frequentemente envolvendo a "imposição de mãos". Aqueles que mantêm essa crença não usam o termo "cura pela fé" em referência a essa prática; essa expressão é usada com mais frequência como forma descritiva por comentaristas que estão fora do contexto dessa forma de fé referente à crença e à prática. No entanto a cura pela fé não é exclusiva desses movimentos religiosos cristãos, mas ocorre também em varias outras crenças religiosas.

Os fiéis cristãos de tendencia pentecostal e carismáticos (incluindo a Renovação Carismática Católica) que acreditam em curas sobrenaturais geralmente não condenam a prática de retenção de tratamentos médicos nos casos em que psicólogos determinam que reter esse tipo de tratamento seria prejudicial à saúde do paciente.

O termo "cura pela fé" é ocasionalmente usado em conexão com milagre.

Proposta de base sociobiológica[editar | editar código-fonte]

Alguns discutem[quem?] que a "cura pela fé" tem uma base em sociobiologia onde a evolução conferiu vantagem de sobrevivência aos humanos pré-históricos que viviam em tribos que tinham xamãs que possuíam poderes de cura em virtude de terem se submetido a uma transformação neurológica cujos sintomas são similares aos do kundalini[carece de fontes?].

Críticas[editar | editar código-fonte]

Céticos apontam que a "cura pela fé" não tem prova cientificamente efetiva, desde que seus praticantes apenas podem citar evidências anedóticas de casos onde ela foi bem sucedida, sem qualquer documentação adequada. Relatos de curas espirituais poderiam ainda significar melhora de sintomas ou doenças psicossomáticas, remissão espontânea de doenças ou ainda diagnóstico incorreto da doença prévia ou da cura posterior. Céticos ainda apontam que proponentes de "cura pela fé" ignoram o grande número de casos em que o paciente morre na tentativa de se curar somente pela fé ou os que se consideram erroneamente curados e abandonam os tratamentos adequados.

Não há nenhum estudo cientificamente adequado demonstrando que a cura pela fé religiosa, independente de qual for (cristã, xamânica, espírita, simpatias, etc) tenha eficácia diferente da cura pela fé no tratamento inócuo (efeito placebo). Esses dados também são apoiados por estudos mostrando que orações intercessórias, quando de desconhecimento do doente, não mudam em nada o curso da doença.

Muitas pessoas recorrem à "cura pela fé" em caso de doenças incuráveis.

Questões éticas em casos de recusa do tratamento convencional[editar | editar código-fonte]

"Cura pela fé" pode acarretar em sérios problemas éticos para profissionais de medicina quando os pais não aceitam ou recusam cuidados médicos tradicionais para os filhos. Em alguns países, pais discutem que as garantias constitucionais de liberdade religiosa incluem o direito de manter curas alternativas para exclusão de cuidados médicos.

Advogados de medicina convencional discutem estudos que mostram que "cura pela fé" é tão efetiva quanto placebo, fazendo com que essa prática seja antiética de se manter quando há risco de morte ou quando há tratamentos com eficácia superior ao placebo.

Em geral, os médicos são responsáveis pelo tratamento oferecido a um paciente sob os seus cuidados. Em consequência, se julgam que o tratamento médico é necessário para salvar a vida ou a saúde de um indivíduo, balanceando esse julgamento com questões legais e privadas, podem agir contrariamente aos desejos do paciente (se este não tiver em condições de uma decisão consciente) ou de seus pais.

No caso de crianças, considera-se legalmente que são de responsabilidade do Estado e estão sob a tutela dos pais até atingirem a maioridade, quando são consideradas legalmente aptas a fazer uma decisão consciente sobre as suas convicções religiosas. Enquanto isso, os pais não podem impor sua crença aos filhos se as mesmas levarem a risco de morte. Nessas situações, se houver denúncia para as autoridades competentes, a tutela da criança é transferida para o Estado até que o risco seja eliminado e depois é reavaliada.

Em 2000, na Inglaterra, uma ordem do governo permitiu que uma criança, contra muito protesto de seus pais, fosse tratada pelos médicos. O mesmo ocorre no Brasil, mas não tão raramente.[carece de fontes?]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  • Herbert Benson, MD; Jeffery A. Dusek, PhD et al. Study of the Therapeutic Effects of Intercessory Prayer (STEP) in Cardiac Bypass Patients: A Multicenter Randomized Trial of Uncertainty and Certainty of Receiving Intercessory Prayer. Am Heart J. 2006;151(4):934-942
  • J M Aviles, S E Whelan, D A Hernke, et. al. Intercessory prayer and cardiovascular disease progression in a coronary care unit population: a randomized controlled trial. Mayo Clin Proc - Dec 2001
  • Kevin S Masters, Glen I Spielmans. Are there demonstrable effects of distant intercessory prayer? A meta-analytic review. Ann Behav Med - Aug 2006
  • Michael Shermer. Flying carpets and scientific prayers. Scientific experiments claiming that distant intercessory prayer produces salubrious effects are deeply flawed. Sci Am - Nov 2004
  • James Randi. The Faith Healers. Prometheus Books, 1989
  • Robert L. Park. Voodoo Science: The Road from Foolishness to Fraud. Oxford University Press, 2001
  • irmão José. A Cura pela Fé. Editora AMCGuedes, 2012