Curare

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Strychnos toxifera, planta de onde se extrai o curare. Ilustração do livro Plantas Medicinais de Köhler, de 1887.

Curare é um nome comum a vários compostos orgânicos venenosos conhecidos como venenos de flecha, extraídos de plantas da América do Sul. Possuem intensa e letal ação paralisante[1] , embora sejam utilizados medicinalmente como relaxante muscular ou anestésico[2] . Seus principais representantes são plantas dos gêneros Chondrodendron e Strychnos, da qual um dos subprodutos é a estricnina. Este age como bloqueador nicotínico na placa motora que localiza-se na fenda sináptica imediatamente oposta ao axônio terminal pré-sináptico.

Tipos[editar | editar código-fonte]

As três principais famílias de curare são:

  • Tubocurare: também conhecida como "tubo" ou "curare bambu"[3] , devido ao seu formato de tubos de bambu oco. Sua principal toxina é a D-tubocurarina. É um alcalóide mono-quaternário e derivado da isoquinolina.
  • Calebas curare: também conhecida como "curare cabaça" (gourd curare em inglês) em classificações britânicas antigas, devido ao seu formato de cabaça oca. Suas principais toxinas são o alcurônio (alloferine) e a toxiferina.
  • Pot curare: tem esse nome por ser embalada em potes (tradução do termo inglês pot) de terracota. Suas principais toxinas são a protocurarina, protocurina e protocuridina.

Dessas três famílias, algumas fórmulas pertencentes à calebas curare são as mais tóxicas, apresentando valores LD50.

É importante lembrar que o Curare não é um anestésico. O uso do Curare como anestesico é letal. O curare é um bloqueador dos receptores da acetilcolina.

História[editar | editar código-fonte]

Frontispício de uma edição de 1892 do livro de d'Anghiera.

A primeira referência escrita que existe sobre o curare aparece nas cartas do historiador e médico italiano Pietro Martire d'Anghiera (1457 - 1526). Essas cartas foram impressas parcialmente em 1504, 1507 e 1508. A obra completa de d'Anghiera, publicada em 1516 com o nome De Orbe Novo, relata que um soldado havia sido mortalmente ferido por flechas envenenadas pelos índios durante uma expedição ao Novo Mundo.[4] Entre as tribos da amazônia brasileira que utilizam o curare, com algumas variações do modo de preparo encontram-se os Ticunas e Macus [5]

Mecanismo de ação[editar | editar código-fonte]

O curare é um potente inibidor, que relaxa o músculo estriado. Atuando como competidor da acetilcolina pela ligação aos receptores nicotínicos (um dos dois tipos de receptores pós-sinápticos para o neurotransmissor acetilcolina, o outro receptor é o muscarínico) da placa motora. Assim, ao bloquear os receptores de acetilcolina,os quais são ionotrópicos para cátions,esses não se abrem. Desse modo, não ocorre o influxo de Sódio desencadeado pela atividade normal da placa motora, que provocaria a despolarização da membrana pós-sináptica. O potencial gerado pela ligação, em condições fisiológicas, da acetilcolina ao seu receptor na placa motora é chamado de potencial de ação da placa motora, o qual é responsável por estimular a abertura de canais de Sódio dependentes de voltagem, os quais contribuirão para a amplificação do potencial despolarizante que se espalha pela fibra muscular, desencadeando a contração.[6]

Referências

  1. Curare. Página visitada em 9 de Agosto de 2006.
  2. Curare. Moderno Dicionário da Língua Portuguesa. Página visitada em 26 de Fevereiro de 2008.
  3. Jean Marie Pelt: Die Geheimnisse der Heilpflanzen, Verlag Knesebeck, München 2005, ISBN 3-89660-291-8, S. 100
  4. Sneader, Walter (2005), Drug Discovery: A History, 472, John Wiley and Sons. ISBN ISBN 0-471-89979-8. Página visitada em 5 de Março de 2008.
  5. Cannali, João; Vieira, João. Efeito de alguns curares naturais e da d-Tubocurarina retardando o tempo de coagulação e o tempo de protrombina do sangue humano. Mem. Inst. Oswaldo Cruz, 65(2), 167-173, 1967 Scielo Dez. 2011
  6. Kandel, Eric R. Fundamentos da Neurociência e do Comportamento...