Débito e crédito

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Segundo a escola italiana de contabilidade e a escola alemã de contabilidade, o débito representa algo que se tem ou se adquire, enquanto que o crédito é a fonte do débito. Ou seja: em uma transação onde uma dada quantia é transferida de um sujeito A para um sujeito B, diz-se que o sujeito A tem um crédito para com o sujeito B e este, por sua vez, tem um débito para com o sujeito A. "Débito" vem da raiz latina debere, "dever", enquanto que "crédito" vem da raiz credere, "crer".[1]

Portanto, no exemplo citado, A "crê" que reaverá a quantia transferida para B, e B "deve" essa quantia para A. Nos livros contábeis, os débitos se inscrevem no lado esquerdo das contas, e os créditos, no lado direito. Pelo método das partidas dobradas, a cada operação, correspondem um ou mais débitos e um ou mais créditos, sendo que a soma dos créditos será igual à soma dos débitos correspondentes. Se uma conta possuir mais débitos que créditos, terá saldo devedor, e se possuir mais créditos que débitos, terá saldo devedor.[2]

O fato de se identificarem as origens (credores) e destinos (devedores) dos recursos faz com que os conceitos de débito e crédito sejam difíceis de se compreender à primeira vista, já que eles são erroneamente associados a diminuições e aumentos de capital, respectivamente. Ou seja: crê-se, erroneamente, que débito é sempre ruim e que crédito é sempre bom.[3]

Visando a evitar essa confusão, a escola estadunidense de contabilidade simplificou a definição de débito e crédito: segundo essa escola, débito é, simplesmente, o lado esquerdo de uma conta, enquanto que crédito é o lado direito de uma conta.[4]

Débitos Créditos
   
   
   

Aplicação do débito e do crédito segundo os grupos de contas[editar | editar código-fonte]

Existem três grupos de contas:

  • Contas de Ativo (bens e direitos) - são debitadas quando aumentam o seu valor em virtude do fato contábil e diminuem quando creditadas;
  • Contas de Passivo (obrigações exigíveis) - ao contrário das do ativo, diminuem quando debitadas e aumentam quando creditadas;
  • Contas de Património Líquido (capital, reservas, receitas e despesas) - possui o mesmo comportamento das contas do passivo, exceto pela conta despesa, que, assim como o ativo, aumenta por débito.

É importante lembrar que, dado o fato de as contas do ativo representarem bens ou direitos, ou seja, dívidas de terceiros com relação à empresa de que trata o livro contábil, a noção de débito do ativo se torna intuitiva, pois o débito aumenta a dívida da terceira parte em relação à empresa, o que aumenta o valor da conta de ativo. O passivo funciona de forma contrária, pois, em virtude de sua característica de ser uma obrigação para com terceiros, o seu débito diminui o seu valor, pois a dívida da empresa em relação à terceira parte diminui.

Por exemplo: quando se compra um carro a prazo, o carro é um débito na conta de ativos, enquanto a dívida é um crédito nas contas do passivo. Em outras palavras: o carro comprado é um bem adquirido (um débito), que aumenta a conta de ativos. Por sua vez, o valor emprestado para a "troca" foi a origem financeira do bem (um crédito) e é uma obrigação nova (passivo).

Confusão em relação ao débito e crédito em contas-correntes bancárias[editar | editar código-fonte]

Confusão comum vem quando pensamos em crédito ou débito bancário em contas-correntes bancárias, onde o crédito aumenta o valor da conta e o débito o diminui. Isso advém do fato de a conta-corrente ser um passivo da instituição bancária com seu correntista: desta forma, a contabilização se dá seguindo as regras das contas do passivo contábil. Assim, quando deposita-se dinheiro em uma conta-corrente, o banco marca um débito (o dinheiro que entrou) em seu ativo, e um crédito em seu passivo (a dívida que o banco adquiriu). Quando o correntista solicita o saldo da conta, está visualizando, na verdade, uma das contas de passivo do banco.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. HENDRIKSEN, E. S. Tradução de Antonio Zoratto Sanvicente. São Paulo. Atlas. 1999. p. 41.
  2. Paula Luciana de Freitas; Roseli Parreiras da Glória Gatti, Heloisa Rabelo Fonseca, Vanessa de Almeida Thasmo Silveira, Daniela Aparecida Moreira Melo Santos. CONTABILIDADE: HISTORIA INTERAÇÕES E PERSPECTIVAS. Noções de débitos e créditos (PDF). Visitado em 30 de janeiro de 2012.
  3. MARION, J. C. Contabilidade empresarial. 5ª edição. São Paulo. Atlas. 1993. p. 185-186.
  4. MARION, J. C. Contabilidade empresarial. 5ª edição. São Paulo. Atlas. 1993. p. 185-186.
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