Dígitro

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Dígitro Tecnologia
Tipo Ltda
Fundação 1º de setembro de 1977 em Florianópolis, Brasil
Sede Florianópolis,Brasil Brasil
Empregados 650 (2011)
Página oficial www.digitro.com

A Dígitro é uma empresa brasileira de tecnologia, que desenvolve aplicações em Inteligência, TI e telecomunicações. Seu portfólio inclui software e hardware de Inteligência Corporativa e Investigativa, Call Center e Contact Center, Convergência de Redes e PABX, além de serviços em TI e Telecom.

Tem escritórios em Brasília, Curitiba, Florianópolis, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Ribeirão Preto, Rio de Janeiro e São Paulo. Atua na Argentina, Colômbia, Costa Rica, Equador, México, Moçambique, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. Comercializa plataformas de CTI (Computer & Telephone Integrated), plataformas para redes corporativas e órgãos de segurança pública e serviços de terceirização de redes.

A empresa tem parcerias com instituições de ensino, para desenvolver pesquisas em conjunto. Algumas dessas instituições são a Universidade Federal de Santa Catarina, a Universidade Federal do Ceará e o SENAI (Serviço Nacional da Indústria).

Histórico[editar | editar código-fonte]

A Dígitro foi fundada em 1º de setembro de 1977, pelos engenheiros José Fernando Xavier Faraco (sócio até hoje), Marcos Regueira e Lúcio Prazeres, como uma empresa de tecnologia em Florianópolis. Um relógio para as corridas de rally foi o primeiro projeto, posteriormente um placar eletrônico para o Estádio Orlando Scarpelli. A entrada para o mercado de operadora iniciou-se quando a companhia fez para a antiga Telesc (telefonia de SC) um sistema de despertador automático via telefone que podia ser programado pela própria pessoa. Desde então, vários produtos para a área de operadoras de telefonia foram criados.

Depois de 1997, iniciaram as privatização na área de telecomunicações, a Dígitro enfrentou o período mais difícil de sua história, afinal, seus maiores clientes eram as estatais. A empresa então buscou novos mercados, principalmente no setor corporativo. Dessa maneira, passou a vender também para médias e grandes empresas dos mais diversos ramos de atividades.

[1]

Controvérsias[editar | editar código-fonte]

Acusações de favorecimento[editar | editar código-fonte]

Em setembro de 2009, Ricardo Boechat, em sua coluna semanal da revista IstoÉ,[2] informou que o Ministério Público Federal e o Tribunal de Contas da União abriram investigação sobre a compra sem concorrência, pelas polícias de vários Estados, do Sistema Guardião (sistema, desenvolvido desde 1998, que realiza o monitoramento de interceptações legais de voz e dados). Uma queixa por direito autoral sobre o equipamento afirma que a empresa Dígitro, que o fabrica, foi privilegiada no negócio pelo então secretário Nacional de Segurança Pública, Luiz Fernando Corrêa, hoje diretor-geral da Polícia Federal.

A notícia repercutiu nos principais jornais do Brasil, como a Folha de S.Paulo,[3] o portal Terra,[4] o Jornal do Brasil [5] e O Globo.[6]

Segundo a seção "O outro lado" da matéria publicada pela Folha de S. Paulo, referida acima, a empresa afirma que as vendas feitas para órgãos públicos "seguem rigorosamente os preceitos legais da transparência".[3] Segundo outros órgãos citados na matéria, como a SENASP, e entidades como o Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), a dispensa de licitação ocorreu porque, na época, era a tecnologia disponível e o Guardião já equipava dez Estados.

Investigação do Ministério Público Federal em Santa Catarina[editar | editar código-fonte]

Em dezembro de 2010 surge uma nova reportagem da mídia nacional sobre venda do guardião à Policia Federal. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo [7] "O Ministério Público Federal em Santa Catarina abriu investigação contra a empresa de segurança Dígitro e a Polícia Federal por suspeita de irregularidades na compra de aparelhos de escuta. A investigação recai sobre a compra de 36 plataformas Guardião, que registram áudios de ligações interceptadas, montam redes de relacionamento de investigados e transcrevem gravações."

Dígitro no wikileaks[editar | editar código-fonte]

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo,[8] documentos vazados pelo site Wikileaks demonstram que o governo federal estava preocupado com um possível ataque terrorista durante o PAN2007.

Ainda segundo a reportagem, "as centenas de páginas de documentos integram o processo de contratação do Consórcio Integração Pan, sem licitação, por R$ 161 milhões. O consórcio, liderado pela Motorola, incluía a Digitro Tecnologia, dona do Guardião, sistema de grampos telefônicos usados no país."

Ex-diretor da Polícia Federal[editar | editar código-fonte]

Matéria publicada em 2007 pelo portal CONJUR [9] diz que Luiz Fernando Corrêa, que em 2007 assumiu como diretor da PF, era o pai do guardião, famoso hardware de escuta telefônica comercializado pela empresa Dígitro. Segundo o podcast [10] de Diogo Mainardi, colunista da revista Veja, comenta-se na PF que Corrêa receberia royalties pelo desenvolvimento do sistema.

Já em matéria publicada pela Revista Rollingstone [11] a população pode ter uma noção do quão lucrativo é o mercado de escuta telefônica no Brasil, e os motivos que levam a Justiça a se preocupar com os contratos firmados entre a empresa Dígitro e orgãos de segurança nacional.

Segundo a reportagem, "um agente federal do Espírito Santo me deu outro relato. "O custo é R$ 10 mil mensais por grupo de dez canais, para dez telefones, fora o custo de implantação de R$ 500 mil a R$ 1 milhão. Uma fortuna incalculável!"

Pelo menos 24 pessoas, entre agentes da Polícia Federal e colaboradores eventuais, viajaram país afora para participar de treinamentos e cursos de atualização do Guardião. A Polícia Federal possui mais 28 aparelhos semelhantes ao Guardião. Já as polícias civis estaduais em todo o país têm outros 60.

Já virou moda entre repórteres que cobrem Polícia Federal a troca de exemplares de grampos feitos com o Guardião. Todos esses grampos vêm com o selo "Segredo de Justiça".

O Outro Lado[editar | editar código-fonte]

Na mesma reportagem, a Revista Rollingstone [11] procurou a Dígitro. De acordo com a matéria, a Dígitro, após uma semana de negociações com a reportagem, remeteu as únicas linhas oficiais sobre o misterioso Guardião. Sustentam que ele é "um moderno sistema de interceptação de sinais para apoio às atividades de investigação, análise e geração de provas. Sua inquestionável eficiência e superioridade vem sendo, dia-a-dia, comprovada pelo ganho consistente de qualidade da investigação policial no Brasil".

Explicam que "para que o sistema funcione é necessário inserir dados exatos e exclusivos de ordens judiciais autorizando as interceptações. Caso contrário, o Guardião acusa inconsistência de requisitos e se recusa a operar. Além disso, o Guardião só pode operar com o apoio oficial das operadoras, que são concessionárias oficiais do serviço público."

A autenticidade e o funcionamento do sistema de acordo com as leis foram comprovadas com a visita do jornalista Tulio Milman da Rádio Gaúcha à Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul. No áudio, o repórter e jornalista comenta o funcionamento do Sistema Guardião, onde a Polícia pede autorização para o Judiciário que por sua vez autoriza as Operadoras a passarem as informações para o Sistema Guardião. Ainda na mesma matéria, fica claro a segurança do sistema.[12]

Prêmios e certificações[editar | editar código-fonte]

Em 1996 a Dígitro recebeu a Certificação ISO 9001, após auditorias realizadas pela Fundação Carlos Alberto Vazolini (FCAV). Foi a primeira empresa de Florianópolis a obter a certificação.[13] Em 2006 a Dígitro tornou-se a primeira empresa brasileira e a segunda da América Latina a conquistar a TL 9000, certificação específica para a área de telecomunicações.[14]

Em 2009, a Dígitro recebeu, pela segunda vez consecutiva o Prêmio Destaque do Ano no Desenvolvimento de Aplicações, do Anúário Telecom.[15] Além disso, a empresa está entre as 200 Maiores Empresas de Tecnologia do Brasil, segundo a Revista Info Exame.[16]

Projetos sociais[editar | editar código-fonte]

Desde 2005, a Dígitro patrocina o projeto Educando com Música, que oferece aulas de música clássica às crianças da comunidade de Santa Filomena, no município de São Pedro de Alcântara, interior de Santa Catarina. O projeto é apoiado pela Camerata Florianópolis, a prefeitura de São Pedro de Alcântara e o governo do estado.

Em 2009, o projeto recebeu o Prêmio Cidadania, do Anuário Telecom.[15]

Sustentabilidade[editar | editar código-fonte]

Em março de 2009 a Dígitro inaugurou uma nova sede, construída seguindo conceitos de sustentabilidade, que utiliza as melhores práticas para o melhor aproveitamento de recursos naturais. O novo prédio conta com estação de tratamento de efluentes, células fotovoltaicas para a produção de energia elétrica a partir da energia solar, aquecimento solar de água, coleta e utilização da água das chuvas, telhados brancos, além de muitos outros diferenciais.[17]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]