Dalmácia

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Dalmácia (região)
Croatia-Dalmatia.png

A Dalmácia (croata Dalmacija, Latim Dalmatia, italiano Dalmazia, sérvio Далмација) é uma região que abrange territórios da Croácia, Bósnia e Herzegovina (Neum) e Montenegro (Bocas de Cattaro), na costa leste do Mar Adriático, estendendo-se entre a ilha de Pag a noroeste e a Baía de Kotor a sudeste. A Dalmácia interior (Dalmatinska Zagora) ocupa uma faixa até cerca de 50 km do mar, sendo muito estreita na região mais a sul. A Dalmácia está dividida em quatro sub-regiões, cujas capitais são Zadar, Šibenik, Split e Dubrovnik. Entre outras cidades na Dalmácia contam-se Kaštela, Sinj, Solin, Omiš, Knin, Metković, Makarska, Trogir, Ploče, Trilj e Imotski.

As maiores ilhas dálmatas são Dugi Otok, Ugljan, Pašman, Brač, Hvar, Korčula, Vis, Lastovo e Mljet.

Devido a correntes marítimas e ao modo como os ventos sopram no Adriático, a água do mar é mais limpa e quente na Dalmácia que no lado italiano. A costa inclui um largo número de reentrâncias e ilhas, estreitos, baías e praias, tornando-se atractiva para desportos náuticos e turismo.

História[editar | editar código-fonte]

Vista panorâmica de Hvar.

Proto-história[editar | editar código-fonte]

O nome Dalmácia é derivado da tribo ilíria chamada Dalmatae que viveu na área costeira do mar Adriático oriental no primeiro milênio antes de Cristo. Supõe-se que em algum momento da primeira invasão indo-europeia da Europa, a área adriática, a assim também a Dalmácia, foi ocupada por um grupo de povos afins entre si, os liburnos, os japidos ou japudes e os ístrios na área oriental; os picenos, os japigios na área ocidental, sobre a península Itálica. A área da Dalmácia atual provavelmente era ocupada por tribos de pastores, dedicados ocasionalmente à pesca e à pirataria, os dálmatas (dalmatae). Tal área se encontrava, na parte mais setentrional, nas proximidades do golfo de Quarnero, com a área ocupada com os povos que deram vida à "cultura dos casteleiros". O centro urbano principal dos dálmatas era Delmínio (em latim: Delminium), hoje provavelmente na Bósnia e Herzegovina (Duvno), e talvez porque originários dessa cidade, já em 170 a.C. preservarem o nome pelo qual são conhecidos até. Provavelmente Delmínio é um termo de origem albanesa que significa "pasto". Já em 153 a.C., os dálmatas eram unidos em uma liga e inimigos dos romanos. Públio Cornélio Cipião Násica os enfrentou pela primeira vez e destruiu Delmínio. Alguns historiadores recordam também as incursões celtas na costa dálmata, que alcançaram Salona(atual Solin).

Período romano e bizantino[editar | editar código-fonte]

Gravura das muralhas da cidade de Espalato (atual Split) por Robert Adam, 1764. As muralhas foram originalmente construídas para o Palácio de Diocleciano.

Baixa Idade Média[editar | editar código-fonte]

Depois que o Império Bizantino foi conquistado pelas forças da Quarta Cruzada em 1204, a República de Veneza acelerou sua ascensão na região, enquanto o Reino da Croácia, aliado dos bizantinos, tornava-se crescentemente influenciado pelo Reino da Hungria ao norte, sendo absorvido em 1102. Então estas duas facções tornaram-se dominantes na Dalmácia, intermitentemente controlando-a. Um consistente período de domínio húngaro na Dalmácia terminou com a invasão mongol da Hungria em 1241. Os mongóis atacaram severamente o estado feudal, de tal forma que no mesmo ano o rei Béla IV teve que refugiar-se na Dalmácia, na fortaleza de Klis, bem ao sul. Os mongóis atacaram as cidades da Dalmácia, mas depois retiram-se sem muito sucesso.

Em 1389, Tivartko I, o fundador do reino da Bósnia e Herzegovina, conseguiu controlar o litoral adriático entre Kotor e Šibenik e até mesmo a reivindicar controle sobre a costa norte até Fiume (atual Rijeka), e seu aliado independente, a República de Ragusa (atual Dubrovnik). Isto foi temporário, já que os húngaros e venezianos continuaram sua luta sobre a Dalmácia depois da morte da morte de Tivartko em 1391. Nessa época os reinos húngaro e croata enfrentavam dificuldades internas, como os vinte anos de guerra civil entre a Casa de Anjou do Reino de Nápoles e o rei Sigismundo da Casa de Luxemburgo. Durante a guerra, o perdedor Ladislau de Nápoles vendeu seu "direito" sobre a Dalmácia à República de Veneza por apenas 100.000 ducados. A república de Veneza, mais centralizada, assumiu em 1420 o controle da Dalmácia, que permaneceu sob domínio veneziano por 377 anos (1420-1797).[1]

Domínio veneziano[editar | editar código-fonte]

A Porta Terrafermana de Zara, com o leão veneziano.

A República de Veneza controlou a maior parte da Dalmácia de 1420 a 1797, sendo o enclave mais ao sul chamado de "Albânia Vêneta". A língua vêneta foi a língua franca no mar Mediterrâneo naquela época e influenciou fortemente a língua dálmata e, num menor grau, o croata e o albanês.

Em 1481, Veneza mudou sua aliança para o Império Otomano. Isto deu a seus mercadores vantagens tais como o acesso ao Mar Negro, e a República de Ragusa foi o mais feroz competidor dos mercadores venezianos nos séculos XV e XVI.

A República de Veneza foi também um dos poderes mais hostis à expansão do Império Otomano e participou de muitas guerras contra ele. À medida que os turcos assumiam o controle do interior, muitos cristãos buscaram refúgio nas cidades costeiras da Dalmácia.

Depois da Grande Guerra Turca, tempos mais pacíficos fizeram a Dalmácia experimentar um período de certo crescimento econômico e cultural no século XVIII. A cidade de Ragusa (atual Dubrovnik) tornou-se de fato independente em 1358 pelo Tratado de Zara, quando Veneza recuperou sua suserania de Luís I da Hungria.

Este período encerrou-se abruptamente com a queda da República de Veneza em 1797. As tropas de Napoleão Bonaparte invadiram a região e terminaram também a independência da República de Ragusa, mas evitaram sua ocupação pelo Império Russo e Montenegro.

Idade moderna e contemporânea[editar | editar código-fonte]

Em 1797, a República de Veneza, que havia dominado por quase quatro séculos a costa adriática oriental foi derrubada por Napoleão Bonaparte. Também a Dalmácia entrou nos planos de anexação de Napoleão. Depois de um breve período em que as cidades dálmatas venezianas foram cedidas à Áustria por Napoleão com o tratado de Campoformio, essas terminaram sob controle francês que primeiro decide pela anexação ao reino napoleônico da Itália e, depois, em 1809, instituiu o governo das províncias Ilíricas, com a Ístria, a Carniola, a Krajina (confim militar dos Habsburgo), os condados de Gradisca, Gorizia, Trieste e parte da Caríntia, das quais a capital foi Liubliana.

Com a restauração em 1815, as cidades de Gorizia, Trieste, Pola (atual Pula) e Fiume (atual Rijeka), da Veneza-Júlia, com as terras a oeste dos Alpes Julianos, reobtiveram, no âmbito do Império Habsburgo, a separação da Ilíria e o governo desta foi dado ao império Habsburgo, que, por um breve período, constituiu um reino da Ilíria e, depois, definitivamente, o reino da Dalmácia, com capital em Zara (atual Zadar). Em 1816, época da restauração, a comunidade italiana representava a quinta parte do total da região[2] , concentrando-se porém nas cidades e no litoral, enquanto a etnia servo-croata predominava no interior. Na primeira metade do século dezenove, começou a difundir-se na Dalmácia o movimento chamado Ilírico, apoiado pela maioria croata e liderado por um representante deste grupo étnico, Ljudevit Gaj. Este movimento tinha como objetivo a criação de uma única cultura e consciência dos eslavos do sul. A etnia majoritária da Dalmácia parecia assim ser naquele período a eslava, mas não são bem claros os dados sobre a população de etnia italiana. Depois da primeira guerra mundial, com base no tratado de Londres, a Itália obteve a Dalmácia setentrional, inclusive as cidades de Zara (atual Zadar), Sebenico (atual Šibenik) e Tenin (atual Knin). À anexação, opôs-se o recém-criado Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos, apoiado por Woodrow Wilson e a Dalmácia foi finalmente entregue ao estado eslavo do sul, com a exceção de Zara (de maioria italiana), da ilha de Lagosta (atual Lastovo) e Cazza (atual Sušac) e as carnerinas Cherso (atual Cres), Lussino (atual Lošinj), Unie (atual Unije), Sansego (atual Susak) e Asinello, que se tornaram italianas. No novo ordenamento regional do reino iugoslavo, a Dalmácia fazia parte da Banovina do litoral com parte da Herzegovina.

Em 1941, durante a segunda guerra mundial, a Iugoslávia foi invadida pelo Eixo e desmembrada. A Dalmácia foi repartida entre a Itália, que ficou com Zaravecchia, Sebenico (atual Šibenik), Traù (atual Trogir), Spalato (atual Split) e Bocche di Cattaro (atual Kotor); e o Estado Independente da Croácia, que anexou Ragusa (atual Dubrovnik) e Morlacchia, embora naquela região estivessem acantonadas as tropas italianas. Apesar da turbulência causada pela guerrilha contra o Eixo, a região anexada à Itália tornou-se refúgio para a população do interior [3] que fugia dos ustaše.

Com a derrota italiana (8 de setembro de 1943), o Estado Independente da Croácia atacou a região anexada pela Itália e fez as fronteiras recuarem aos limites de 1941, enquanto Boche di Cattaro passava à administração militar alemã, assim como a cidade de Zara, que desta forma consegue temporariamente evitar a anexação à Croácia. Porém Zara sofreu pesados bombardeios que a destruíram quase completamente. Em dezembro de 1944, toda a Dalmácia estava sob domínio dos partisans de Josip Broz Tito, inclusive o que restou de Zara.

No fim do conflito toda a costa adriática oriental, inclusive Zara e as ilhas anteriormente italianas, terminam sob o nova República Socialista Federativa da Iugoslávia que administrou estas áreas até a sua dissolução em 1991. Nesse ano, a Dalmácia tornou-se parte do território da Croácia e, em parte, da Sérvia e Montenegro (Kotor), enquanto a foz do rio Neretva ficou com a Bósnia e Herzegovina.

Culinária[editar | editar código-fonte]

Nas regiões banhadas pelo mar Adriático, os mariscos, os camarões, as amêijoas, além de queijos e presuntos defumados dominam o cardápio. Entre as especialidades estão o peixe grelhado, a sopa e salada de frutos do mar, o presunto defumado em vinho branco e o peixe guisado com arroz.

No interior é comum o consumo de galinha ou patos servidos com salsichas defumadas, pernas de porco, além das costeletas preparadas ao ar livre, acompanhadas de batatas assadas.

Outra iguaria do país é a sopa fresca de milho com feijão é o strukle (rolos de queijo caseiro). Vale a pena experimentar e fazer em casa o sarma, repolhos recheados com carne moída, bacon e presunto. Entre as sobremesas mais populares está o palacinke (crepe) e a maçã com strudel de queijo.

Curiosidade[editar | editar código-fonte]

A Dalmácia é o local de origem do cão dálmata, espalhado pelo mundo pelos romanos inicialmente como cão de guerra e mais tarde cão caseiro de companhia e proteção.

Imagens[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. http://www.zum.de/whkmla/region/balkans/croat13011526.html History: 1301 to 1526 AD
  2. Cfr. il Dizionario Enciclopedico Italiano (Vol. III, pag. 729), Roma, Ed. Istituto dell'Enciclopedia Italiana, fondata da Giovanni Treccani, 1970
  3. L'Italia in guerra e il Governatorato di Dalmazia;