Daminhão Experiença

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Daminhão Experiença
Informação geral
Nome completo Damião Ferreira da Cruz
Nascimento 1935 (79 anos)
Origem Lauro de Freitas, BA
País Brasil Brasil
Gênero(s) alternativo, experimental, vanguarda, MPB, grindcore, proto-punk, reggae, rock psicodélico
Instrumento(s) Violão, guitarra, chocalho, bongô, marimba, tampas de garrafa, baixo, bateria
Período em atividade 1974 a 2007
Gravadora(s) PLANETA LAMMA
Afiliação(ões) Luiz Melodia, Rogério Skylab, Zumbi do Mato, Supersimetria
Página oficial Daminhão Experiença

Damião Ferreira da Cruz, mais conhecido como Damião, Damminhão, Daminhão ou Daimeão Experiênça, Experyença ou Experyênça (Lauro de Freitas, 1935) é um cantor, músico e compositor brasileiro.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Tornou-se conhecido por seu inovador conceito de arte, que foge absolutamente dos padrões estabelecidos. Suas letras e sua abordagem dos instrumentos não têm paralelo na história da arte brasileira.

Daminhão executa vários instrumentos, ao mesmo tempo em que canta. Exemplos são a gaita, o chocalho, e seus violões de várias cordas (o primeiro álbum foi tocado com um violão de uma corda). As letras de suas canções não têm um sentido lógico à primeira vista. Radicado no Rio de Janeiro desde 1949.

Daminhão foi operador de radar da Marinha do Brasil, até que se aposentou por invalidez. Diz-se que bateu a cabeça ao cair. Isto, segundo alguns, provocou seu estado mental conturbado, e a obscuridade de suas canções. Outra abordagem para o fato foi que, segundo sua biografia (encartada em alguns discos no formato livro) ele teria ficado preso em uma solitária, por deserção. Diz-se também que foi morar com uma prostituta numa casa de palafita, tornando-se cafetão.

Damião afirma ambas versões nas poucas entrevistas concedidas, uma vez que se recusa a assinar contratos, papéis, e não gosta da mídia e jornalistas de uma forma geral.

Segundo outros conhecedores, Daminhão é dotado de visão de mundo profunda, sendo na verdade um sábio.

A discografia de Daminhão é vasta, possuindo 36 discos (segundo ele, 28 confirmados), muitos dos quais são no mesmo vinil. De fato, Daminhão só lançou discos em vinil, sendo na maior parte das vezes um disco do lado A, outro do lado B. Atendendo também pelos nomes Daimeão, Damião, Daminhão e consecutivamente Experyença e Experiência, sua obra abrange o período compreendido entre 1974 e 1992. Após um hiato de 15 anos sem gravações, retorna ao estúdio e grava dois discos acústicos em 2007.

A estética de sua obra, além de musical, incorpora também letras surrealistas, um dialeto próprio (o dialeto do planeta Lamma), um livro autobiográfico, colagens nas capas dos discos centrados em sua figura com visual ímpar, a saber, elementos colecionados das ruas e afixados nas roupas como banners, embalagens, luzes, pedaços de jornal, alfinetes e papéis.

Damião ainda afirma que após sua vida como marinheiro tornou-se cafetão e que produziu todos os discos de sua carreira com dinheiro de cafetinagem. Sua influência na música pode ser sentida e entendida em diversas áreas, que abrangem desde músicos alternativos que prestam reverência ou regravam seus sucessos, passando por coleções de fotos, vídeos em sites como YouTube e até mesmo coleção de roupas e tendências da moda, mais precisamente desenvolvidas nos últimos anos por jovens estilistas.

Daminhão tem admiradores no exterior e seus discos são objeto de colecionadores (hoje também no Brasil), dadas as características de suas obras e suas atitudes: gravava com dinheiro próprio, abriu o próprio selo, discografia vasta, linguagem inovadora, estética singular. Frequentemente é comparado com vários artistas internacionais devido a similaridade dos trabalhos e atitudes. É comum compararem Daminhão ao músico Jandek por causa dos discos autocentrados na própria imagem e com músicas repetitivas pela discografia enorme e pela ojeriza à mídia em geral. Algumas vezes é comparado com Frank Zappa pelo teor sexual de algumas letras, pelo volume dos discos e pelo desprezo ao mercado fonográfico; ainda há comparações com Sun Ra pela discografia extensa e pela temática de planetas e trajes usados em palco e em fotos, e também é comparado com o músico nigeriano Fela Kuti pelo teor das letras, pelas roupas e pela discografia. Também não podemos deixar de citar Moondog, que, como Daminhão, vivia nas ruas e tinha a temática extraplanetária.

A ideologia e os personagens que frequentam os discos são insondáveis, existindo citações ao marinheiro João Cândido da Revolta da Chibata, passando por Isabelita Perón, Bob Marley, Adolf Hitler, Fidel Castro, Getúlio Vargas misturados a comunismo, aborto, ditadura, drogas, música, semiótica, rastafári, e nomes dos planetas criados por ele em geral.

Damião viveu um hiato de quinze anos sem gravar nada de 1992 até 2007, apenas aparecendo em shows-relâmpago e esporádicos como no Ronca Ronca. Tem sido constantemente questionado acerca de documentários e relançamento de suas obras, o que ele nega com afinco que fará.

Disponibilizou todo seu material para acesso e uso gratuito através de um portal eletrônico criado por fãs, sem fins lucrativos, que também possui sua discografia, álbuns para download, bandas influenciadas por ele, a autobiografia onde várias das citações acima são reveladas e também uma área de contatos para as bandas, estilistas, fotógrafos, documentaristas e outros que admiram sua obra.

Recentemente uma parte de seu trabalho começou ser relançado no Japão e na Europa em vinis piratas que não mantém o nome ou o formato, é comum encontrar discos que não tem relações entre si na mesma bolacha. Daminhão desconhece os potenciais fabricantes.

Anos 70[editar | editar código-fonte]

Os discos de Daminhão são divididos por períodos, sendo que os discos dos anos 70 possuem uma linguagem própria, utilizando violões de diferentes números de cordas, tampinhas, marimbas e músicas cantadas em um dialeto próprio. Também são elementos desta fase colagens de sons, sobreposições de músicas e letras cantadas como mantras repetitivamente. Por exemplo - "A mulher que faz aborto não tem pena do seu próprio corpo", ou - "Eu quero é comer feijão para não ir para debaixo do chão". Muitas das músicas são atempo. O uso expressivo do dialeto do "planeta lamma" torna alguns discos incompreensíveis, e palavras chaves gritadas como "Hamalai" indicam bem o rumo que a obra tomava. Quase todos os discos desta era recebem os nomes de planeta. Os rótulos dos discos possuem músicas de nomes gigantescos como
"Mamãe Sarafina e Papai Amorzinho, seu filho Damião Ferreira da Cruz gravou treze discos com dinheiro próprio porque sou filho de cubano com russo e não de americano ". Algumas vezes apresenta apenas o nome de uma única faixa e no LP vinil são 5 músicas distintas.

Anos 80 e 90[editar | editar código-fonte]

Os anos 80 e 90 apresentaram discos mais elaborados contando com a presença de uma banda que segue as vertentes do rock, do rock progressivo e também da black music. Damião canta com a banda (chamada de Planeta Lamma) e abandona o dialeto do planeta Lamma para cantar em um português rasgado de letras com forte conotação sexual ou política, quase sempre mesclando ideologias incompatíveis (ser pró ditadura brasileira e pró comunismo ao mesmo tempo. Reafirmar os valores em que ele acreditava, como Isabelita Perón, Fidel Castro, ou a vitória do comunismo russo, ao mesmo tempo em que cantava ser "fã dos americanos", é um dos aspectos mais interessantes das canções. Há os que dizem tratar-se de dialética, outros de que Daminhão não pode ser enquadrado sob aspectos racionais. Destes discos destacam-se frases notáveis, que soam a adágios, como "Quem tirou o selo que leia a carta", ou ainda "Eu gosto é de mulher lésbica".

2007[editar | editar código-fonte]

Daminhão lança neste ano dois novos discos acústicos, para download exclusivamente, sem prensagens, apenas disponíveis no site. Os discos são Sarafina 1937 e Amorzinho 1914, respectivamente os nomes de seu pai e mãe.

Também trocou seu nome para Damião Ferreira da Cruz Experiença. Os cineastas Ricardo Movits e Jimi Figueiredo fazem um documentário intitulado "Daminhão Experyença", 35mm, 18min, produzido pela AKY Filmes, lançado no 40 Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, com uma excelente repercussão. É a primeira vez que Daminhão é registrado em um filme só seu, antes apenas participara de trechos em documentários de terceiros, alguns estão sendo resgatados recentemente.

2009[editar | editar código-fonte]

Daminhão retorna aos palcos após longa ausência e num show memorável no SESC - Santo André - SP junto com Walter Franco e a banda Supersimetria mostra suas fórmulas antigas e novas criações.

2012[editar | editar código-fonte]

Ricardo Movits e Jimi Figueiredo estão finalizando o filme de longa metragem intitulado "Marinheiro Só", produzido pela AKY Filmes, com depoimentos de diversos artistas que conhecem o Daminhão e fizeram parte de sua história.

2013[editar | editar código-fonte]

Ricardo Movits começa a escrever o roteiro de um longa-metragem de ficção intitulado "O Mendigo do Planeta Lamma", baseado no livro do próprio Daminhão. O Filme será produzido pela AKY Filmes e, no papel principal, Lázaro Ramos está sendo cogitado pelos produtores para interpretar o Daminhão.

Discografia OFICIAL conhecida[editar | editar código-fonte]

  • Planeta Lamma - 1974
  • 69
  • 4c 1308 ou (4c 308)
  • Damião Experiença no Planeta Roça
  • Damião Experiença no Planeta Lavoura
  • Damião Experiença Chupando cana verde no planeta lamma
  • Damião Experiença Cheirando Alho no Planeta Lamma
  • Damião Experiença no Planeta Mendigo
  • Planeta Quentão
  • Planeta cachaça
  • Planeta Cabelo
  • DAIMIÃO
  • Daimião Experiença Quinteto Planeta Lamma / Alta Fidelidade
  • Planeta Galinha
  • Bocagi
  • Planeta Guerrilha
  • Planeta Guerra 1914 - SSRU - 097
  • ADEUSADOLFHITLER1945FIM - 098
  • EZABELITAPERONSIM - 099
  • A Morte é a dor, A dor é a morte, Eu amo a morte - RRUBLY 100
  • Boca fechada não entra mosquito, só felicidade - 101 RRUSIAN
  • Cemitério Nazismo - 102 CCCP
  • Praça Vermelha - 103 RELTIH
  • M19 Bomba Atômica - 104 EUQITEIVOSS
  • Comando Planeta Lamma - 105 WCGT0 (Possui duas versões distintas)
  • FFIM DO MUNDO - 106
  • Guerrilheiro Do Planeta Lamma – DFC 107 - 1992
  • Amorzinho 1914 - Ano de lançamento 2007
  • Sarafina 1937 - Ano de lançamento 2007

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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