Daniel Dantas (empresário)

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Daniel Dantas
Foto:Wilson Dias/Abr
Nome completo Daniel Valente Dantas
Nascimento 1954 (59–60 anos)
Salvador
Nacionalidade  Brasil
Progenitores Mãe: Nicia Maria Valente Dantas
Pai: Luís Raimundo ("Mundico") Tourinho Dantas
Ocupação Empresário

Daniel Valente Dantas (Salvador, 1954)[1] é um empresário brasileiro.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Origem[editar | editar código-fonte]

Daniel Dantas é membro de uma das mais tradicionais famílias da Região Nordeste do Brasil, cujo patriarca foi o Barão de Jeremoabo, Cícero Dantas Martins, que é nome de município na Bahia. Cícero Dantas, filho do comendador João Dantas dos Reis, foi um poderoso latifundiário na região de Itapicuru, nordeste da Bahia, onde ficava a sede do latifúndio, que abrangia Jeremoabo, Tucano, Olindina, Antas, Canudos e Alagoinhas, dentre outros municípios. A sede da fazenda tem o nome de Camuciatá (palavra indígena que significa "pote d'água"), pois está às margens do rio Itapicuru, e lá se encontra o casarão da família, uma espécie de museu particular dos Dantas, aberto a visitas com hora marcada. Além de latifundiário, Cícero Dantas foi também advogado e político dos mais influentes, usando sua influência para fazer com que o arraial de Canudos, fundado em suas terras por Antonio Conselheiro, fosse atacado e totalmente destruído por tropas federais, durante a Guerra de Canudos.[2] Foi deputado por vários mandatos, e senador. Sua maior obra foi a construção do Engenho Bom Sucesso, na cidade de Santo Amaro, no Recôncavo baiano, juntamente com seu sogro, Antônio da Costa Pinto, e seu cunhado homônimo, Antônio da Costa Pinto. E foi com a boca adoçada que Dom Pedro II, concedeu os títulos de barão, ao fazendeiro Dantas; de conde, ao Visconde Costa Pinto e de Visconde, ao Barão Costa Pinto.

Filho da escritora e socialite Nicia Maria Valente Dantas e de Luís Raimundo ("Mundico") Tourinho Dantas,[3] um empresário do setor têxtil, amigo de infância do senador Antonio Carlos Magalhães que tinha boas relações na política baiana. Desde cedo quis ter seus próprios negócios, e abriu, aos 17 anos, uma fábrica de sacolas de papel, em sociedade com dois amigos. O empreendimento foi muito bem sucedido e, após dois anos, ele o vendeu com lucro, abrindo então, com os mesmos sócios, um negócio de distribuição de cerveja.

Formação[editar | editar código-fonte]

Formou-se em engenharia pela Universidade Federal da Bahia. Realizou estudos de pós-graduação em economia na Fundação Getúlio Vargas, onde foi aluno do ex-ministro da Fazenda Mário Henrique Simonsen. Completou o mestrado e o doutorado em apenas dois anos, na própria FGV, e obteve o seu doutorado em 1982.[4] Da academia foi diretamente para o Bradesco, onde em 1985 chegou ao cargo de vice-presidente de investimentos.

Fez pós-doutorado no Instituto Tecnológico de Massachusetts, indicado por Franco Modigliani, prêmio Nobel de Economia de 1985, o qual Dantas ciceroneou durante um congresso de economia da Fundação Getúlio Vargas.[1]

Negócios[editar | editar código-fonte]

Em 1986 Dantas associou-se aos irmãos Kati e Luis Antônio, filhos de Antônio Carlos Almeida Braga, o "Braguinha", controlador da seguradora Atlântica Boavista, que havia sido incorporada pelo Banco Bradesco. Nessa ocasião adquiriu a fama de mago das finanças'. Sua saída do Bradesco ocorreu junto com Braguinha, considerado o seu mestre no mundo das finanças.

No Banco Icatu, Dantas notabilizou-se por realizar investimentos que davam resultados extraordinários. Como, por exemplo, investir em mercadorias como café, laranja e cacau pouco antes da edição do Plano Collor, em março de 1990. Este plano viria a confiscar todos os ativos financeiros bancários. Dessa forma Dantas pôde exportar as mercadorias que adquirira, obtendo assim recursos para atravessar a crise de liquidez que afetava os demais empresários e banqueiros.

Esse seu sucesso gerou boatos que alegavam que o Banco Icatu só não fora afetado pelo confisco porque Dantas teria recebido informações privilegiadas sobre o Plano Collor e que, antes do congelamento, ele havia sacado uma grande importância em dinheiro vivo do banco. Entretanto Gustavo Loyola, então diretor do Banco Central, declarou que não houve movimentação anormal de recursos no Banco Icatu às vésperas da decretação do Plano Collor.

Em janeiro de 1990, Dantas participou, na companhia de Simonsen e André Lara Resende de uma reunião a convite do presidente Collor onde se discutiu o confisco do plano Collor. Alguns autores afirmam que "o bloqueio teria sido sugerido a Collor por Daniel Dantas",[5] enquanto o próprio ex-presidente confirma que ele participou da reunião na condição de representante do mercado financeiro.[6] No entanto, fontes do mercado e o próprio Collor, em entrevista ao jornal Gazeta Mercantil, em 7 de abril de 2008,[7] são unânimes em afirmar que Dantas, como Simonsen, consideravam loucura o confisco dos depósitos de correntistas. Collor ofereceria ainda a Daniel a pasta do Ministério da Fazenda, que ele recusaria.

Dantas antecipara que a onda de privatizações acabaria por chegar ao Brasil e seria uma das políticas a serem adotadas pelo governo do então recém-eleito presidente Fernando Henrique Cardoso: “Temos uma mentalidade colonizada, e sempre acabamos imitando o que se faz lá fora” (…)". Com base nessa previsão, Dantas determinou ao Banco Icatu que investisse em ações de empresas estatais em vias de serem privatizadas, especialmente Telebrás, o que viria a trazer lucros extraordinários àquele banco.

Apesar dos bons resultados que Dantas trazia para o Banco Icatu, sua relação com os sócios Kati e Luis Antônio se deteriorava rapidamente até que a sociedade fosse desfeita, de comum acordo.

O economista fundou o Opportunity, empresa de Gestão independente de recursos, em 1994, tendo sob sua gestão 70 milhões de dólares. Ele não fundou o Banco Opportunity, o Banco Opportunity existe desde que Daniel era garoto, porém se chamava Banco Lógica. É de propriedade de Dório Ferman, que conheceu Dantas na FGV-RJ. Depois que Dantas se juntou à Dório, o banqueiro mais velho mudou o nome do Banco Lógica para Opportunity. Na inauguração do Opportunity apenas seis pessoas, inclusive Dantas, trabalhavam no banco; em menos de um ano seu número elevou-se a noventa. Sua irmã, Verônica Dantas, ficou incumbida da parte administrativa do banco e é a pessoa em quem Dantas mais confia.

Atualmente, o Opportunity figura entre as principais empresas independentes de gestão de recursos no mercado da América Latina. Administra um patrimônio de cerca de R$ 18,46 bilhões, aplicados em fundos abertos, com liquidez diária. Em 1997, o Opportunity passa a dedicar-se à gestão de fundos de private equity.

O Opportunity participou do leilão da Telebras através de três fundos de investimentos. O primeiro continha recursos do Citigroup. O segundo abrigava os investimentos dos fundos de pensão estatais. O terceiro reunia outros investidores do Opportunity. Em conjunto com a Telecom Italia, os três fundos compraram a Brasil Telecom. Em parceria com a canadense TIW adquiriram a Telemig e a Amazônia celulares. Sob o modelo contratado, de gestão compartilhada, os fundos geridos pelo Opportunity indicavam a maioria dos administradores das teles.

Vários grupos estavam interessados na privatização da Telesp, considerada a 'jóia da coroa' do sistema Telebrás, dentre eles a Telecom Italia, que formara uma parceria com as Organizações Globo, Bradesco, e grupo Vicunha com a finalidade de adquiri-la. Com a erupção da crise asiática, os italianos ficaram temerosos de que a Globo enfrentasse dificuldades financeiras e desistisse de seu compromisso. Por isso a representante da Telecom Italia no Brasil, Carla Cico, mencionou ao Opportunity que a Telecom Italia tinha interesse na compra de outra empresa de telefonia, caso seu consórcio com a Globo não viesse a prosperar. Dantas vendo no interesse da Telecom Italia a oportunidade de obter um apoio para o consórcio que criara para adquirir a Tele Norte-Leste, atual Telemar, interessou-se pela associação. A Telecom Italia embora sem se desligar do consórcio com a Globo, associou-se também ao do Opportunity.

Um ano depois da privatização, a Telecom Italia foi vendida à Olivetti. Em sua primeira viagem ao Brasil, Roberto Colannino, presidente da Olivetti, declarou que queria o controle da Brasil Telecom. Auxiliada pelos fundos de pensão, o novo vértice da companhia europeia passou a atacar o Opportunity e teve apoio político e midíatico. O objetivo era tomar o controle da Brasil Telecom à revelia dos contratos. Tais iniciativas causaram grandes prejuízos à operadora brasileira. Em 2000, por exemplo, os italianos usaram sua influência política e forçaram a Brasil Telecom a pagar um sobrepreço de mais de US$ 100 milhões na compra de outra operadora, a Companhia Riograndense de Telecomunicações – CRT. Também criaram impedimentos à participação da Brasil Telecom no primeiro leilão de licenças de celulares no Brasil.

Em 25 de abril de 2008, a Oi (antiga Telemar) adquire o controle da Brasil Telecom. Com a aquisição, saem do controle da Brasil Telecom o GP, o Opportunity e o Citigroup, encerrando-se os processos judiciais entre as partes envolvidas nessa longa disputa societária.

Fora do setor de telecomunicações, Daniel Dantas investe em mineração e agropecuária.Na mineração, os fundos geridos pelo Opportunity participam da Bemisa. Apesar do grande potencial de recursos minerais do país e da crescente demanda mundial por commodities minerais, apenas 14% do território nacional é pesquisado. Esse cenário fez com que o Opportunity enxergasse no setor uma grande oportunidade para investimento. Na agropecuária, seus investimentos são através da empresa Agropecuária Santa Bárbara.

Prisão e Acusações[editar | editar código-fonte]

O medo de que fossem reveladas as ilegalidades da Operação Chacal, por conta da divulgação do processo que corre no Tribunal de Milão, levou integrantes da Abin e da Polícia Federal a idealizarem uma outra operação contra o Opportunity. Batizada de Satiagraha, um desdobramento da Chacal, serviria também para interferir na venda da Brasil Telecom. Não deu certo. Em abril de 2008, mesmo sob desagrado dos fundos de pensão e da Angra Partners, substituta do Opportunity na gestão do fundo de investimentos, a Brasil Telecom foi vendida aos sócios privados da Oi/Telemar. Sem crimes para justificar a Satiagraha – a operação policial mais cara tocada pela Polícia Federal –, alguns policiais armaram um falso flagrante de corrupção contra um consultor do Opportunity. Apesar do arbítrio e da ilegalidade evidentes na condução da Satiagraha, os executivos do Opportunity e Daniel Dantas foram presos.

O Supremo Tribunal Federal (STF) – primeiro de forma liminar, depois em mérito – concluiu que as prisões foram ilegais. Em 6 de novembro de 2008, o STF julgou, por 9 votos a 1, legítima a decisão de seu presidente Gilmar Mendes, que o mandou soltar em julho por duas vezes em menos de 48 horas o empresário Daniel Dantas, do Opportunity.[8]

Em novembro de 2010, o delegado Protógenes Queiroz, por sua atuação na Satiagraha, foi condenado a três anos e quatro meses de prisão pelos crimes de violação de sigilo funcional e fraude processual. O Ministério Público Federal (MPF) entendeu também que ele deve responder pelos crimes de prevaricação e corrupção passiva.[9]

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) condenou Fausto de Sanctis por ter sido pedido a prisão de Daniel Dantas. O plenário do conselho considerou impor a pena de cesura ao magistrado, mas como essa pena é impossível a um desembargador preferiu arquivar.[10] [11]

O Superior Tribunal de Justiça (STJ), em 7 de junho de 2011, acatou o parecer favorável do MPF e anulou a ação penal originada pela Operação Satiagraha, em razão da ilegalidade da participação da ABIN na fase de investigação da operação. A Procuradoria Geral da República (PGR) recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a decisão do STJ. Em março de 2012 o STJ, em juízo preliminar, determinou o envio do recurso para análise do STF. Agora, caberá ao STF decidir.

Lista de Corrupção Internacional do Banco Mundial[editar | editar código-fonte]

No dia 15 de Junho de 2012, Daniel Dantas foi um dos quatro Brasileiros listados, juntamente com o banqueiro Edemar Cid Ferreira e o então Deputado Paulo Maluf, pelo Banco Mundial em uma lista de 150 casos internacionais de corrupção. O Projeto do Banco Mundial Chamado de "The Grand Corruption Cases Database Project" contém casos em que foram comprovadas movimentações bancárias de pelo menos 1 milhão de dólares.[12]

No mesmo dia o Opportunity encaminhou ao Banco Mundial notificação solicitando a retirada do nome de Daniel Dantas esclarecendo que a operação Satiagraha foi ancorada em provas fraudadas e crimes financeiros inexistentes e declarada nula pelo Supremo Tribunal Federal. O erro foi constatado e as informações foram retiradas em 18 de junho.[13]

Em 25 de junho, o Banco Mundial encaminhou carta ao Opportunity em que relata a retirada das informações erradas do site e pede desculpas por eventuais transtornos causados.[14]


Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Revista Época. epoca.globo.com. Página visitada em 30 de abril de 2012.
  2. NOVAIS SAMPAIO, Consuelo (org). Canudos, Cartas para o Barão. São Paulo: Edusp, 1999
  3. Sociedade Bahiana, Margarida Luz
  4. RACE - Rede Acadêmica de Ciência Econômica. www.race.nuca.ie.ufrj.br. Página visitada em 30 de abril de 2012.
  5. Professor Carlos Eduardo Carvalho, PUC-SP As origens e a gênese do Plano Collor (PDF). www.face.ufmg.br. Página visitada em 30 de abril de 2012.
  6. Fernando Collor de Melo A decisão do confisco (trecho do livro). www.terra.com.br. Página visitada em 30 de abril de 2012.[ligação inativa]
  7. TV Publica. clipping.radiobras.gov.br. Página visitada em 30 de abril de 2012.
  8. STF publica íntegra da decisão que confirmou HC a Dantas.Consultor Jurídico (20 de dezembro de 2008 BRT).
  9. Delegado quis se promover com a Satiagraha, diz juiz.Consultor Jurídico (10 de novembro de 2010 BRT).
  10. Pecado sem penitência - CNJ arquiva processos contra Fausto De Sanctis. Consultor Jurídico (7 de junho de 2011 BRT).
  11. Leia voto da relatora no processo contra De Sanctis.Consultor Jurídico (9 de junho de 2011 BRT).
  12. G1, com Agência Estado. Quatro brasileiros estão em lista de corrupção do Banco Mundial.
  13. Agência O Globo. Daniel Dantas protesta e tem nome retirado de lista de corruptos de Banco Mundial e ONU.
  14. Resposta do Banco Mundial ao Opportunity.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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