Darcy Ribeiro

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Darcy Ribeiro Academia Brasileira de Letras
Antropologia, política
Dados gerais
Nacionalidade  Brasileiro
Residência  Brasil
Nascimento 26 de outubro de 1922
Local Montes Claros, MG
Morte 17 de fevereiro de 1997 (74 anos)
Local Brasília, DF
Causa Câncer
Atividade
Campo(s) Antropologia, política
Alma mater FESPSP
Conhecido(a) por Sua atuação política e social

Darcy Ribeiro[1] (Montes Claros, 26 de outubro de 1922Brasília, 17 de fevereiro de 1997) foi um antropólogo, escritor e político brasileiro, conhecido por seu foco em relação aos índios e à educação no país.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Darcy Ribeiro nasceu em Montes Claros, Minas Gerais, em 26 de outubro de 1922. Filho de Reginaldo Ribeiro dos Santos e de Josefina Augusta da Silveira. Em Montes Claros fez os estudos fundamentais e secundário, no Grupo Escolar Gonçalves Chaves e no Ginásio Episcopal de Montes Claros.[1]

Em 1946, forma-se em antropologia pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo e dedica seus primeiros anos de vida profissional ao estudo dos índios do Pantanal, do Brasil Central e da Amazônia (1946-1956).

Notabilizou-se fundamentalmente por trabalhos desenvolvidos nas áreas de educação, sociologia e antropologia tendo sido, ao lado do amigo a quem admirava Anísio Teixeira, um dos responsáveis pela criação da Universidade de Brasília, elaborada no início da década de 1960, ficando também na história desta instituição por ter sido seu primeiro reitor. Redigiu o projeto, como funcionário do Serviço de Proteção ao Índio, do Parque Indígena do Xingu, criado em 1961. Também foi o idealizador da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF). Publicou vários livros, vários deles sobre os povos indígenas.

Darcy Ribeiro foi ministro da Educação durante Regime Parlamentarista do Governo do presidente João Goulart (18 de setembro de 1962 a 24 de janeiro de 1963) e chefe da Casa Civil entre 18 de junho de 1963 e 31 de março de 1964. Durante a ditadura militar brasileira, como muitos outros intelectuais brasileiros, teve seus direito políticos cassados e foi obrigado a se exilar, vivendo durante alguns anos no Uruguai.

Durante o primeiro governo de Leonel Brizola no Rio de Janeiro (1983-1987), Darcy Ribeiro, como vice-governador, criou, planejou e dirigiu a implantação dos Centros Integrados de Ensino Público (CIEP), um projeto pedagógico visionário e revolucionário no Brasil de assistência em tempo integral a crianças, incluindo atividades recreativas e culturais para além do ensino formal - dando concretude aos projetos idealizados décadas antes por Anísio.

Nas eleições de 1986, Darcy foi candidato ao governo fluminense pelo PDT concorrendo com Fernando Gabeira (então filiado ao PT), Agnaldo Timóteo (PDS) e Moreira Franco (PMDB), mas foi derrotado nas urnas, com a eleição de Moreira.

Foi responsável pela criação e pelo projeto cultural do Memorial da América Latina, centro cultural, político e de lazer, inaugurado em 18 de março de 1989, no bairro da Barra Funda, em São Paulo.

Darcy Ribeiro foi responsável pelo projeto de lei que deu origem a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (LDB), lei 9394/96 aprovado pelo senado brasileiro.

Exerceu o mandato de senador pelo Rio de Janeiro de 1991 até sua morte em 1997 - anunciada por um lento processo canceroso que comoveu o Brasil. Darcy, sempre polêmico e ardoroso defensor de suas ideias, teve, em sua longa agonia, o reconhecimento e admiração até dos adversários.

Publica O Povo Brasileiro em 1995, obra em que aborda a formação histórica, étnica e cultural do povo brasileiro, com impressões baseadas nas experiências de sua vida.

Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro[editar | editar código-fonte]

A implantação de uma universidade pública já era um sonho antigo da população de Campos dos Goytacazes (RJ) quando uma mobilização da sociedade organizada conseguiu incluir na Constituição Estadual de 1989 uma emenda popular prevendo a criação da Universidade Estadual do Norte Fluminense[2] . O movimento envolveu entidades, associações e lideranças políticas. Seriam necessárias pelo menos 3 mil assinaturas, mas os organizadores conseguiram 4.141, sem contar milhares de outras não qualificadas.

No início da década de 1990, o grande desafio do movimento popular pró-UENF foi cumprir o prazo legal para a criação da Universidade, sob pena de o artigo constitucional tornar-se letra morta. Este prazo se extinguiria em 1990. Após um intenso esforço coletivo de sensibilização das autoridades, finalmente foi aprovada pela Assembléia Legislativa a lei de criação da UENF, sancionada pelo então governador Moreira Franco em 08/11/90. A Lei 1.740 autorizava o Poder Executivo a criar a Universidade Estadual do Norte Fluminense - UENF, com sede em Campos dos Goytacazes. Em 27/02/91, o Decreto 16.357 criava a UENF e aprovava o seu Estatuto.

Com a eleição de Leonel Brizola para o governo do Estado do Rio de Janeiro e sua posse em 1991, o projeto da UENF ganhou novos rumos. Cumprindo compromisso de campanha assumido em Campos (RJ), Leonel Brizola pôs em execução a implantação da UENF, delegando ao professor Darcy Ribeiro a tarefa de conceber o modelo e coordenar a implantação. Darcy fora o criador e o primeiro reitor da Universidade de Brasília (UnB) e autor de projetos de instauração ou reforma de universidades na Costa Rica, Argélia, Uruguai, Venezuela e Peru.

Ao receber a missão de fundar a UENF, Darcy se impôs o desafio de fazer da nova universidade o seu melhor projeto. Concebeu um modelo inovador, onde os departamentos - que, na UnB, já tinham representado um avanço ao substituir as cátedras - dariam lugar a laboratórios temáticos e multidisciplinares como célula da vida acadêmica. Cercou-se de pensadores e pesquisadores renomados para elaborar o projeto da UENF e apresentou-a como a 'Universidade do Terceiro Milênio'. Previu a presença da UENF em Macaé (RJ), onde viriam a ser implantados os Laboratórios de Engenharia e Exploração do Petróleo (Lenep) e de Meteorologia (Lamet).

As marcas da originalidade e da ousadia que Darcy imprimiu a seu último grande projeto de universidade se tornaram visíveis. A UENF foi a primeira universidade brasileira onde todos os professores têm doutorado. A ênfase na pesquisa e na pós-graduação, sem paralelo na história da universidade brasileira, faz da UENF uma universidade para formar cientistas.

Em 23 de outubro de 2001, através da Lei complementar n.° 99, sancionada pelo governador Anthony Garotinho, a Universidade conquista sua autonomia administrativa, separando-se da antiga mantenedora. Ao conquistar a autonomia, a instituição incorpora na prática o nome do seu fundador, passando a se chamar Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, conforme já previsto pela Lei n.º 2.786, de 15 de setembro de 1997.

A conquista da autonomia, marco na história da jovem universidade, veio após uma luta sem tréguas de professores, estudantes e servidores técnico-administrativos, com apoio da comunidade campista e setores importantes da imprensa. A partir do reconhecimento de sua autonomia administrativa, a UENF inicia um vigoroso movimento de aproximação com a sociedade regional, incluindo as prefeituras, as agências de desenvolvimento, as instituições de ensino superior e as entidades da sociedade organizada.

Cumpriu-se, assim, mais uma etapa na história da obra-prima de Darcy Ribeiro no Norte Fluminense. Se a criação da UENF nascera de um movimento épico da sociedade campista, confluindo-se com os mais legítimos anseios da comunidade científica brasileira, a conquista de sua autonomia administrativa e patrimonial seria fruto de uma campanha heróica da própria comunidade acadêmica, de braços dados com a sociedade regional.

No IGC/2011, divulgado em 2012, a UENF foi considerada a melhor universidade do Rio de Janeiro e a 11ª melhor do país.

Lorbeerkranz.png Academia Brasileira de Letras[editar | editar código-fonte]

Darcy Ribeiro foi eleito em 8 de outubro de 1992 para a cadeira 11, que tem por patrono Fagundes Varela, sendo recebido em 15 de abril de 1993 por Cândido Mendes.

Em seu discurso de posse, deixou registrado:

Cquote1.svg Confesso que me dá certo tremor d'alma o pensamento inevitável de que, com uns meses, uns anos mais, algum sucessor meu, também vergando nossa veste talar, aqui estará, hirto, no cumprimento do mesmo rito para me recordar. Vendo projetivamente a fila infindável deles, que se sucederão, me louvando, até o fim do mundo, antecipo aqui meu agradecimento a todos. Muito obrigado.
Estou certo de que alguém, neste resto de século, falará de mim, lendo uma página, página e meia. Os seguintes menos e menos. Só espero que nenhum falte ao sacro dever de enunciar meu nome. Nisto consistirá minha imortalidade.
Cquote2.svg

Obras[editar | editar código-fonte]

Com obras traduzidas para diversos idiomas (inglês, o alemão, o espanhol, o francês, o italiano, o hebraico, o húngaro e o checo), Darcy Ribeiro figura entre os mais notórios intelectuais brasileiros. Divididas tematicamente, foram elas:

Etnologia
  • Culturas e línguas indígenas do Brasil – 1957
  • Arte plumária dos índios Kaapo – 1957
  • A política indigenista brasileira – 1962
  • Os índios e a civilização – 1970
  • Uira sai, à procura de Deus – 1974
  • Configurações histórico-culturais dos povos americanos – 1975
  • Suma etnológica brasileira – 1986 (colaboração; três volumes).
  • Diários índios – os urubus-kaapor – 1996, Companhia das Letras
Antropologia
  • O processo civilizatório – etapas da evolução sócio-cultural – 1968
  • As Américas e a civilização – processo de formação e causas do desenvolvimento cultural desigual dos povos americanos – 1970
  • O dilema da América Latina – estruturas do poder e forças insurgentes – 1978
  • Os brasileiros – teoria do Brasil – 1972
  • Os índios e a civilização – a integração das populações indígenas no Brasil moderno – 1970
  • The culture – historical configurations of the American peoples – 1970 (edição brasileira em 1975).
  • O povo brasileiro – a formação e o sentido do Brasil – 1995.
Romances
Ensaios
  • Kadiwéu – ensaios etnológicos sobre o saber, o azar e a beleza – 1950
  • Configurações histórico-culturais dos povos americanos – 1975
  • Sobre o óbvio - ensaios insólitos – 1979
  • Aos trancos e barrancos – como o Brasil deu no que deu – 1985
  • América Latina: a pátria grande – 1986
  • Testemunho – 1990
  • A fundação do Brasil – 1500/1700 – 1992 (colaboração)
  • O Brasil como problema – 1995
  • Noções de coisas – 1995
Educação
  • Plano orientador da Universidade de Brasília – 1962
  • A universidade necessária – 1969
  • Propuestas – acerca da la renovación – 1970
  • Université des Sciences Humaines d'Alger – 1972
  • La universidad peruana – 1974
  • UnB – invenção e descaminho – 1978
  • Nossa escola é uma calamidade – 1984
  • Universidade do terceiro milênio – plano orientador da Universidade Estadual do Norte Fluminense – 1993

Homenagens[editar | editar código-fonte]

  • O campus principal da Universidade Estadual de Montes Claros se chama Darcy Ribeiro.
  • Do mesmo modo, o campus principal da Universidade de Brasília se chama Darcy Ribeiro.
  • A Universidade Estadual do Norte Fluminense se chama oficialmente "Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro".
  • A Usina de Biodiesel da Petrobras Biocombustível, em Montes Claros, se chama "Usina de Biodiesel Darcy Ribeiro".
  • É o Patrono da Cadeira 28 do Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros.[3]
  • O famoso Sambódromo (passarela de samba) da Av. Marques de Sapucaí, tem como nome original passarela professor Darcy Ribeiro
  • Faculdade de Tecnologia Darcy Ribeiro (FTDR).Em Fortaleza
  • A Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) possui um programa de licenciatura nomeado "Programa Darcy Ribeiro".
  • O Edifício onde a Controladoria-Geral da União é sediada, em Brasília, se chama Ed. Darcy Ribeiro.
  • Em Goiânia, existe uma escola municipal em sua homenagem, se chama Escola Municipal Senador Darcy Ribeiro.
  • Câmara dos Deputados: Prêmio Darcy Ribeiro de Educação

A premiação consiste na concessão de diploma de menção honrosa e outorga de medalha com a efígie de Darcy Ribeiro a três (03) pessoas físicas ou jurídicas, escolhidas por este Colegiado entre aquelas indicadas por membros do Congresso Nacional, cujos trabalhos ou ações mereceram especial destaque na defesa e promoção da educação brasileira, a fim de concorrerem ao Prêmio Darcy Ribeiro de Educação.

Biografias[editar | editar código-fonte]

  • Toninho Vaz: Darcy Ribeiro – Nomes que honram o Senado. Ed. Senado, 2005

Nota[editar | editar código-fonte]

O prenome foi alterado para "Darci" durante algumas décadas, em conformidade com regras ortográficas então vigentes no Brasil (Formulário Ortográfico de 1943), que eliminavam a letra "y" do alfabeto. Com a volta do "y" no Acordo de 1990, a grafia "Darcy" pode ser aceita.

Referências

  1. Bomeny, Helena Maria Bousquet. Darcy Ribeiro: sociologia de um indisciplinado. Editora UFMG, 2001. pp. 39.
  2. História da UENF. Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro. Página acessada em 04 de abril de 2014.
  3. IHGMC. (2009). "Créditos e histórico". Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros IV: 232. Montes Claros: ed. Millenium.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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Precedido por
Roberto Lira
Ministro da Educação do Brasil
1962 — 1963
Sucedido por
Teotônio Monteiro de Barros
Precedido por
Evandro Lins e Silva
Ministro chefe do Gabinete Civil da Presidência da República do Brasil
1963 — 1964
Sucedido por
Getúlio Barbosa de Moura
Precedido por
Deolindo Couto
Lorbeerkranz.png ABL - sétimo acadêmico da cadeira 11
1993 — 1997
Sucedido por
Celso Furtado