De Monarchia

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De Monarchia é um tratado sobre o poder secular e religioso por Dante Alighieri (1265-1321). Com este texto em latim, o poeta interveio em um dos temas mais controversos do seu período: a relação entre a autoridade secular (representada pelo Imperador do Sacro Império Romano-Germânico) e a autoridade religiosa (representada pelo Papa). O ponto de vista de Dante é conhecido neste problema, uma vez que durante a sua atividade política ele lutou para defender a autonomia do governo da cidade de Florença da demanda temporal do papa Bonifácio VIII.

Data[editar | editar código-fonte]

De acordo com a cronologia mais aceita, De Monarchia foi composta nos anos 1312-13, ou seja, o tempo da viagem de Henrique VII de Luxemburgo a Itália; de acordo com outros, a data da composição deve ter sido por volta de 1308; e ainda outros, estimam ela ter ocorrido em 1318, pouco antes da morte do autor, em 1321.

Argumento[editar | editar código-fonte]

De Monarchia é composta de três livros, mas o mais significativo é o terceiro, em que Dante confronta mais explicitamente o tema das relações entre o papa e o imperador. Dante em primeiro lugar, condena a concepção teocrática do poder elaborada pela Igreja Católica e solenemente confirmada pelo Papa Bonifácio VIII na bula Unam sanctam de 1302.

Contra essa concepção teocrática, Dante expressou a necessidade de uma Germânia forte e propôs a idéia de que o homem exerce essencialmente dois extremos: a felicidade da vida terrena e a da vida eterna. Dante afirma que o Papa é atribuída a gestão da vida eterna dos homens (embora ele ainda reconheça este como o maior dos dois), mas o imperador é atribuído a tarefa de levar os homens à felicidade terrena. Assim ele defende a autonomia da esfera temporal, - o imperador, da esfera espiritual, - o Papa, a autoridade pontifícia não deve influenciar a do imperador em suas tarefas subsequentes e vice-versa.

Dante quis demonstrar que o Imperador e o Papa são ambos humanos, e que ambos derivam seu poder e autoridade diretamente de Deus. Dante argumenta que o homem é o único a ocupar uma posição intermediária entre a "corruptibilidade e incorruptibilidade". Considerando que o homem é composto de duas partes, isto é, a alma e o corpo, ele é corruptível em termos de corpo - só em termos da alma ele é incorruptível. O homem, então, tem a função de unir corruptibilidade com incorruptibilidade. O Papa e o Imperador eram ambos humanos, e nenhum possuí o poder sobre o outro. Somente um poder superior poderia julgar as duas "espadas igualmente", como cada uma foi condedido o poder por Deus para governar sobre seus domínios respectivos.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]