Death metal

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Death metal
Origens estilísticas NWOBHM, thrash metal
Contexto cultural Final da década de 1980 na Europa e nos Estados Unidos
Instrumentos típicos Vocal, guitarra, baixo, bateria
Popularidade Baixa
Subgêneros
Death metal melódico
Death metal técnico
Gêneros de fusão
Death 'n' roll
Blackened death metal
Formas regionais
Flórida, Estocolmo, Gotemburgo, Nova Iorque, Minas Gerais
Outros tópicos
Bandas, Grindcore

Death metal (inglês para "metal da morte") é um subgênero do heavy metal. Surgiu simultaneamente em várias partes do mundo, como nos Estados Unidos, Suécia e Reino Unido, com cenas regionais no Brasil, Países Baixos, Polónia e Japão na década de 1980. O estilo tem raízes no thrash metal, porém apresenta mais agressividade que seu antecessor, letras com temas niilistas, sobre violência, morte e sobre a fragilidade da vida humana.[1] [2]

Características do estilo[editar | editar código-fonte]

  • O vocal gutural é uma das características mais notáveis das bandas de death metal. Os vocais normalmente em geral são guturais graves (podendo ter algumas variações para guturais agudos, o vocal scream), porém algumas bandas usam vocal rasgados como o Possessed.
  • A bateria é mais cadenciada e faz uso intensivo da técnica de "Blast Beat" que emite um som semelhante ao de uma "metralhadora",ou então batida bate-estaca, similar a do Hardcore porém mais acelerada.
  • Guitarras bem distorcidas e baixos com andamentos bem acelerados
  • As letras das bandas do estilo possuem temas mórbidos relacionados com a morte, violência, filmes de terror, filosofia, batalhas épicas e outros.

Origem do termo[editar | editar código-fonte]

A origem do termo death metal é controversa, assim como qual seria a primeira banda do gênero. Consta que a primeira aparição do termo foi numa entrevista com o Venom. Quando perguntados sobre que tipo de música eles tocavam, os membros do grupo responderam: "Nós somos black metal, death metal, thrash metal...". Uma outra aparição pioneira do termo foi a coletânea Death Metal (1984), lançada pela gravadora alemã Noise. Ela incluía canções do Helloween, Hellhammer e Running Wild. Também em 1984 o Possessed lançou sua demo denominada Death metal, antecessor do álbum Seven Churches, álbum clássico de 1985. O nome da demo vinha da música homônima que participava da demo mas assim como as outras três músicas da demo ficaram conhecidas com o lançamento do Cd no ano seguinte. Apesar disso, a banda se auto-intitulava thrash metal na época.

Em relação às bandas, na Europa o Bathory, o Sodom e Celtic Frost tomaram o termo para si. Nos Estados Unidos surgiam o Mantas (futuro Death) e o Master. A última tinha gravado um disco para a gravadora Combat em 1985; porém nunca foi lançado. Apesar disso, as demonstrações do Master foram bastante influentes no underground americano, assim como o Deathstrike, projeto paralelo do líder da primeira banda.

História do death metal[editar | editar código-fonte]

Anos 80: A primeira geração[editar | editar código-fonte]

O death metal surgiu no início dos anos 80, quando as bandas primordiais estavam sendo montadas, por volta de 1982 bandas como Hellhammer, Sodom, Possessed, Death e a brasileira Vulcano estavam iniciando suas atividades, a princípio o death metal tinha como influencias básicas o thrash metal praticado por bandas como Venom, Warfare, Atomkraft, Slayer, Voivod, Living Death, e o hardcore punk de bandas como GBH, Agnostic Front, Dissension, D.R.I. e Discharge. Em 1984 o Sodom lança o In The Sign Of Evil, um disco bem cru com uma sonoridade oscilando entre death metal e black metal. Em 1985, o Possessed Lança o Seven Churches grande clássico do gênero, considerado por muitos o primeiro álbum de death metal, no mesmo ano sairiam Endless Pain (Kreator), Bestial Devastation (Sepultura) e Hell Awaits (Slayer).

O ano de 1986 certamente foi o ano definitivo do death metal, pois nesse ano começam a surgir álbuns cada vez mais rápidos e com sonoridades cada vez mais viscerais, o death metal mostrava sua força e que veio para ficar. Muitos consideram Reign in Blood do Slayer, como influencia principal para tudo o que se viria a chamar death metal depois desse lançamento, apesar de comumente considerarem Slayer uma banda de thrash metal, esse álbum mostrava características fortes de death metal em faixas como "Angel of Death", "Necrophobic" e "Jesus Saves", foi considerado na época um álbum de death metal. Outros álbuns marcantes daquele ano foram Pleasure to Kill (Kreator), Antes do Fim ( Dorsal Atlântica ), Morbid Visions (Sepultura), Obsessed by Cruelty (Sodom), Scream Bloody Gore (Death), Bloody Vengeance (Vulcano), Strappado (Slaughter).

Morbid Angel ao vivo em 2006.

Por volta de 1987 as cenas com mais adeptos do gênero eram na Alemanha com Sodom, Kreator, Minotaur, Poison (não confundir com o Poison americano, que é glam metal), no Brasil com Mutilator, Holocausto, Sepultura, Sarcófago, Dorsal Atlântica e Vulcano, e nos EUA com Possessed, Death e Sadus. Em 1987 o Napalm Death lança o Scum mostrando ao mundo um grindcore cheio blast beats, que viria a influenciar e muito as bandas surgidas a partir de então.

Em 1989 o Terrorizer lança o World Downfall, álbum que oscila entre death metal e grindcore, considerado por muitos um dos pioneiros do Brutal Death Metal. Nesse mesmo ano o Morbid Angel lançaria o Altars of Madness, considerado um dos maiores clássicos do death metal, esse disco reforça características que se tornaram marcantes no death metal com o passar dos anos como vocal gutural, timbragem grave e blast beats, também foi considerado um marco pelo acréscimo de técnica instrumental diferente das bandas mais antigas, que faziam um som mais cru e direto.

Anos 90: A segunda geração[editar | editar código-fonte]

Cannibal Corpse ao vivo em 2006.

A segunda geração foi de fato a responsável pela afirmação e notoriedade do death metal na cena underground atual. Com caracteríticas mais agressivas e viscerais, devido a influência herdada do grindcore já no fim dos anos 90, novas bandas surgiram já rotuladas como death metal, diferente da década de 80 onde as bandas que começaram a formação do death metal eram bandas de thrash que incorporavam certas características que não correspondiam ao thrash metal e que tornavam o som mais agressivo.

Dentre as características que equalizaram o death metal noventista, destacamos, guturais extremamente graves, baixa afinação das guitarras, uso intenso de blast beats (característica herdada do grindcore), melhora considerável nas técnicas musicais, dentre outras muitas características que são evidenciadas nas vertentes que surgiram a partir dessa evolução do death metal. Dentre as bandas pioneiras dessa nova geração, podemos destacar: Carcass, Morbid Angel, Cannibal Corpse, Calvary Death, Obituary, Bolt Thrower e Death. Essas bandas lançaram álbuns que se tornaram referência dentro da cena, como os álbuns Symphonies of Sickness e Necroticism - Descanting the Insalubrious da banda Carcass, com temática gore, guturais extremamente graves e um som revolucionador com muita técnica e velocidade aliadas.

Sub-gêneros[editar | editar código-fonte]

Blackened death metal[editar | editar código-fonte]

O blackened death metal possui uma temática preponderantemente "satânica", este sub-gênero mistura elementos da sonoridade death metal com o black metal. Isso pode incluir: alternância entre vocal gutural e "rasgado"; maior ênfase na técnica musical (diferente da crueza padrão do Black metal); e a inclusão ocasional de riffs mais "melódicos" que o black metal, e mais sombrio nos climas que o death metal. É intermediário entre os estilos, não propriamente uma sub-divisão do death metal simplesmente.

Algumas bandas: Angelcorpse, Behemoth, Dissection, Frost Like Ashes, Blasphemy, Zyklon, Belphegor, Crionics, Sarcófago.

Brutal death metal[editar | editar código-fonte]

O Brutal death metal é o estilo mais extremo do Death Metal, bandas como Krisiun, Nile, Suffocation, Cannibal Corpse, Immolation entre outros grandes nomes, são grandes precursores deste género. O estilo é caracterizado por um vocal extremamente gutural, com letras cantadas de forma lenta seguindo os riffs da guitarra e com bruscas mudanças de tempo. Entretanto, hoje o conceito do gênero mudou e as bandas consideradas de Brutal death metal soam mais extremas e tem vocais mais brutais do que as antigas, com temática quase obrigatoriamente gore.

Algumas bandas: Cannibal Corpse, Suffocation, Hate Eternal, Nile, Devourment, Disgorge, Mortician, Azarath, Lost Soul, Skinless, Krisiun.
Arch Enemy, uma das mais conhecidas bandas de death metal melódico.

Death metal melódico[editar | editar código-fonte]

O death metal melódico apresenta mais melodia e harmonias nas guitarras. Musicalmente, um resgate do NWOBHM ou uma incorporação dos riffs mais "melódicos" do Doom-death metal, acelerando-os. Este subgênero foi associado originalmente ao Carcass que, no disco Heartwork, influenciou as maiores bandas do estilo.

Algumas bandas: Carcass, At the Gates, Dark Tranquillity, Hypocrisy, Arch Enemy, Darkest Hour, In Flames, Soilwork, Eucharist, Scar Symmetry, DevilDriver, Immortal Souls, Drowned, Sonic Syndicate, Wintersun , Children of Bodom e Amon Amarth.

Death metal progressivo[editar | editar código-fonte]

O death metal progressivo (ou Progressive Death/Prog Death) incorpora as características de mudança de tempos e ritmos do metal progressivo, porém alterna entre o vocal gutural com a instrumental mais distorcida e agressiva para vocais limpos, ritmo desacelerado, violões, entre outros.

Algumas bandas: Edge of Sanity, Opeth, Pantokrator, Extol, Pan-Thy-Monium, Hypocrisy e Gojira.

Death metal técnico[editar | editar código-fonte]

O death metal técnico é um estilo partilhado por poucas bandas porém muito influente. O foco é a complexidade musical e a técnica instrumental. Às vezes mostra forte influência do jazz.

Algumas bandas: Atheist, Dying Fetus, Cryptopsy, Indwelling, Cynic, Divine Heresy, Nocturnus, Death, Necrophagist, Nile, Capharnaum e Brain Drill.

Death/Doom[editar | editar código-fonte]

O death/doom é um sub-gênero que, em princípio, misturava o doom metal "tradicional" do Candlemass e Trouble com o metal extremo do Death e Morbid Angel. Essa mistura incorpora os andamentos lentos, o clima melancólico e os riffs inspirados em Black Sabbath, do Doom, juntando-os à velocidade, os vocais guturais e os riffs atonais do death metal. Várias das bandas que começaram fazendo Death/Doom metal mudaram de estilo posteriormente.

Algumas bandas: , Cathedral, Paradise Lost, Anathema, My Dying Bride, Draconian, Amorphis, The Gathering (banda), Novembers Doom, Acid Witch, Winter, Estatic Fear, Katatonia, Swallow the Sun, e Paramaecium.

Deathgrind[editar | editar código-fonte]

O deathgrind é um gênero de fusão do brutal death metal com o grindcore, com influências do deathcore. É uma nova tendência que tem ganhando boa notoriedade dentro da cena do death metal atual, com bandas como Waking the cadaver, The Partisan Turbine e Misericordiam. O estilo tem como principais características, andamentos extremamente rápidos da bateria, guitarras distorcidas e que emitem um som abafado, riffs variantes, que ora são rápidos e acelerados, ora são mais lentos e cadenciados, músicas de curta duração, em algumas bandas notamos a presença de breakdowns e vocal pig squeal oriundo do grindcore. As letras das músicas geralmente abordam temas relacionados à morte, mutilação, doenças patológicas e em algumas bandas pornografia e sexo explícito.

Algumas bandas: Carcass, Terrorizer, Napalm Death.

Deathcore[editar | editar código-fonte]

Com o aumento da popularidade do metalcore, traços modernos deste estilo têm sido usados no death metal. Bandas como Whitechapel, Carnifex, Chelsea Grin, Impending Doom (US), The Red Chord Betraying the Martyrs e Suicide Silence combinam metalcore com death metal. Características do death metal tais como o andamento rápido e dinâmico na bateria (incluindo a metranca), baixa-sintonia das guitarras, "distorções" e vocais guturais são combinados com riffs mais lentos, cadenciados e breakdowns. No caso de alguns grupos, como Despised Icon e Bring Me the Horizon, temas líricos são menos centrados em morte e violência, e mais em questões pessoais, como a solidão e a condição humana. Este híbrido de metalcore/death metal é frequentemente referido como deathcore.

Death Metal Sinfônico[editar | editar código-fonte]

Estilo que inclui à agressividade do Death Metal traços sinfônicos com a utilização de teclados e orquestrações, vocais rasgados ou guturais, blast beats com andamento rápido e sincronizado. A temática costuma basear-se em mitologia e ocultismo.

Algumas bandas: Fleshgod Apocalypse, Septic Flesh, The Monolith Deathcult.

Discos importantes para o estilo[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Choosing Death: The Improbable History of Death Metal and Grindcore, Feral House Books, Los Angeles ISBN 1-932595-04-X
  • Ekeroth, Daniel. Swedish Death Metal (em inglês). Estocolmo, Suécia: Tamara Press, 2006. ISBN 9789197433426

Referências

  1. Allmusic. Death Metal. Página visitada em 7/2/2012.
  2. musicradar.com. A history of death metal. Página visitada em 7/2/2012.