Death rock

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Death rock
Origens estilísticas Pós-punk
Glam punk
Art punk
Acid punk
Psychobilly
Rock gótico
Rock industrial
Trilhas Sonoras de Horror
Neue Deutsche Härte
Contexto cultural Fim da década de 1970 na Califórnia, Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha
Instrumentos típicos VozGuitarraBaixoBateriaBateria eletrônicaSintetizador
Popularidade Baixa durante os anos 1980, estando geralmente fundido na cena gótica e punk californianas.
Houve uma 'explosão' do deathrock (geralmente chamada de "Deathrock Revival"), acompanhando o Revival Pós-Punk, em 1998.
Formas derivadas Horror punkDark cabaretDeathrock cabaretMutant punk
Gêneros de fusão
Gothabilly - Gothic metal
Formas regionais
Newgrave nos Estados Unidos.
Diversas cenas européias, chilena e brasileira com traços próprios.
Outros tópicos
Punk rockMúsica industrialMúsica independente
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Death rock ou death wave é um termo utilizado para distinguir o estilo musical que se confunde muitas vezes com a corrente mais lata do rock gótico, muitas vezes apresentando grandes influências do punk rock.

Teve origem na costa ocidental dos Estados Unidos no final da década de 1970,[1] mais precisamente em Los Angeles. O estilo tem sido alvo de um certo revivalismo em reação à influência cada vez maior de estilos como o techno na música gótica. Há também as influências de bandas como o The Misfits.

Bandas nessa linha costumam apresentar imagens relacionada com temas mórbidos, próprios de vários grupos musicais de Los Angeles.

Característica[editar | editar código-fonte]

Em geral a música death rock se caracteriza por uma atmosfera introspectiva dentro de uma estrutura musical punk. Músicas de death rock se utilizam na maioria das vezes de acordes simples, guitarras ecoantes que geralmente servem de pano de fundo musical junto com sintetizadores, e fio condutor musical predominantemente feito por baixo (exceções a essa regra são possíveis, por exemplo no caso de bandas como o The Mighty Sphincter). A bateria geralmente reproduz o estilo tribal dentro de uma assinatura de tempo 4/4 do pós-punk (estilo consagrado por bateristas do UK Decay, Bauhaus, Southern Death Cult, Ritual, Sex Gang Children, bandas estas que inclusive são extremamente significativas para o deat hrock). Em bandas mais recentes de death rock, é comum também o uso de baterias eletrônicas e texturas ambientais complexas feitas por sintetizadores e vocoders, influência vinda diretamente do darkwave.

As letras variam muito, geralmente trazendo um tom introspectivo, mais propriamente surreal e bipolar do que depressivo, como no caso de letras de música gótica. Temas recorrentes são isolamento, desilusão, perda, depressão, vida, morte, todos ligados a uma forma de percepção violentamente individualista, hedonista e incongruente com padrões de comportamento. Um bom exemplo do padrão que segue letras de death rock é "Lindsay's Trachea" do grupo californiano Cinema Strange, que trata do diálogo interno de um doutor esquizofrênico com sua segunda personalidade. O tema explorado é o da dor e morte física como correlato da degradação mental, um leitmotiv constante no estilo. Outra constante na temática das letras é a do humor negro, às vezes narrativas extravagantes e de gosto duvidoso sobre violência e psicopatia, o que leva algumas bandas a incorporarem elementos de psychobilly e surf rock.[1]

Contanto, a estrutura relativamente simples das letras é compensada por uma atmosfera densa, e o ritmo, que no rock é geralmente tecido pela interação dos instrumentos, fica a cargo da expressividade do vocalista. Vocalistas de death rock, assim como os de pós-punk, são tipicamente donos de vozes únicas e forte presença de palco, alguns partindo para a teatralidade que age em relação à própria temática bizarra das músicas.[2]

A Relação com Horror Punk e Psychobilly[editar | editar código-fonte]

Veja também; Horror punk e Psychobilly

Os subgêneros do punk mais próximos do deathrock são o horror punk e psychobilly. A Stylus Magazine diferencia os três estilos da seguinte forma: enquanto o death rock é uma fusão de punk, pós-punk e horror, horror punk é fusão de punk, doo-wop e horror, ao passo que psychobilly seria uma fusão de punk, rockabilly e horror.[1] O elemento comum nos três é a temática de horror, e é isso que ocasiona constante confusão entre os três estilos.

Em termos de cena, porém, se trata de três grupos distintos.

Musicalmente, em geral, o horror punk é tocado mais rápido que o death rock e soa muito menos atmosférico.[3] As letras não possuem nada de introspectivo também. A presença de teclado é outro ponto que distoa o death rock dos dois outros estilos.[4] Psychobilly, contudo, é mais fácil de se diferenciar dos outros dois estilos pelo uso de baixo-pau e toda uma estrutura musical própria.[5]

Embora o nome seja similar, death rock (subgênero de pós-punk e rock gótico) não tem ligação alguma com death metal, que é um subgênero do heavy metal.

História[editar | editar código-fonte]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Origens[editar | editar código-fonte]

Surgimento nos Estados Unidos[editar | editar código-fonte]

Movimento Pós-Punk britânico e o Batcave Club[editar | editar código-fonte]

Renascimento do deathrock: 1998[editar | editar código-fonte]

Deathrock no Brasil[editar | editar código-fonte]

A influência de bandas do pós-punk britânico (sobretudo do Bauhaus, Skeletal Family e Alien Sex Fiend) e alemão (X-mal Deutschland) se fizeram visíveis em bandas, visuais e casas noturnas brasileiras desde os anos 1980. Assim como as influências do movimento deathrock inicial da califórnia, sendo 45 Grave e Christian Death as bandas mais conhecidas pelo Brasil nas décadas de 80 e 90. Entretanto as cenas alternativas brasileiras se diferenciaram fortemente das cenas estrangeiras onde os grandes movimentos surgiram; por um lado por falta de meios materiais para adquirir material musical e gráfico estrangeiro nos anos 1980 (período de crise financeira no país) e pelo nível cultural da população na época (em que, ao contrário do que acontece hoje em dia, pouquíssimos eram os que conheciam a língua inglesa para lerem grande revista do gótico e pós-punk da época, como a NME).

Em partes esta limitação do público se deu como conseqüência do fechamento do país em função da ditadura militar que se estendeu até metade da década de 1980. Assim, pode-se falar de um punk brasileiro totalmente diferente do britânico.[6] O mesmo vale para o gótico, que até os anos 1990 era dividido em um público dark (o que seria mais próximo do públicação deathrocker californiano dos anos 1980) e um público 'gótico' propriamente dito. A divisão se desvaneceu com o enfraquecimento maciço do movimento durante os anos 1990.

Foi em meados de 2003 que o chamado 'revival death rock' que acontecia na Califórnia desde o ano de 1998 foi atuar diretamente na cena gótica paulistana, de onde todos os deathrockers da cidade então saíram. Neste ano os deathrockers foram se consolidar como um grupo bem definido, iniciando atividades de divulgação diversas por casas noturnas como o RIP no distrito de Pinheiros e Deathrock Project na Zona Leste. No mesmo ano começa a veiculação do zine 'Batzone', seguido pelo zine Marcha Fúnebre e Acefalia, todos extintos atualmente. Em um ano o número de edições de todos estes zines juntos zines chegou a onze..[7]

No mesmo ano surge a primeira banda do estilo no Brasil, o Crippled Ballerinas, iniciando uma série de shows pelo estado, por vezes ao lado da banda de rock gótico Dead Roses Garden, que então começava a produzir material no estilo. Durante algum tempo a cena deathrock se encontrava dependente e totalmente mesclada à punk e gótica. Atualmente há cerca de três eventos na cidade de São Paulo (e um se desenvolvendo em Brasília) inteiramente dedicados ao estilo. Embora o foco da cena ainda seja São Paulo, há bandas e pequenos grupos em Brasília, Rio de Janeiro, Vitória, Salvador e Cuiabá.

Artistas[editar | editar código-fonte]

Grupos musicais brasileiros[editar | editar código-fonte]

Grupos com alguma influência do estilo e/ou envolvidos na cena deathrock:

  • Anorexic Juliet (Vitória, 2000-?)
  • Dead Roses Garden (São Paulo, 2003-?)
  • Plastique Noir (Fortaleza, 2005-atualmente)
  • Sleepless (São Paulo, 2001-extinta)
  • The Knutz (Rio de Janeiro,2005-atualmente)

Grupos musicais estrangeiros[editar | editar código-fonte]

Gêneros Relacionados[editar | editar código-fonte]

Subculturas relacionadas[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c [1]
  2. StarVox.net
  3. [2]
  4. [3]
  5. Epitaph.com
  6. Um bom documentário a respeito é o Botinada: a Origem do Punk no Brasil, lançado em 2006 com produção de Gastão Moreira
  7. Ver zine Unisex Hematoma #1 (junho/2004). Para uma lista completa de zines lançados entre 2003 e 2005 sobre o estilo na cidade de São Paulo, acesse este endereço