Decreto de Canopo

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O Decreto de Canopus é um documento bilingue de Ptolomeu III Evérgetea, datado de março de 237 a.C., gravado numa lousa de pedra calcária, nas grafias grega, hieroglífica e demótica. Está exposto no Museu do Cairo (n° 22186).

Uma expedição científica alemã de 1866, da qual fazia parte Karl Richard Lepsius, descobriu nas proximidades de Tânis a lousa de pedra que contém o Decreto de Canopo.

A parte superior da estela tinha 37 linhas de hieróglifos gravadas, na metade inferior 76 linhas de escrita grega uncial, e no lado direito ficava a versão demótica.

O Decreto trata de impor a reforma do calendário egípcio, introduzindo os anos bissextos; revelava que a Sirius, ou seja Ísis, a deusa cujo dia se celebrava no princípio do ano civil, mudava de posição na proporção de um dia a cada quatro anos, pelo que se considerava pertinente intercalar um dia a cada quatro anos no calendário; mas os preconceitos dos sacerdotes de várias regiões egípcias fizeram fracassar a reforma. Este calendário foi imitado por Júlio César dois séculos depois, e fez-se com ajuda de Sosígenes, que era de Alexandria.

Com a descoberta do Decreto de Canopo, Lepsius pôde confirmar e defender que o sistema utilizado por Champollion e o seu método para traduzir a linguagem hieroglífica se ajustavam à realidade.

Gaston Maspero achou, quinze anos depois, outra lousa inscrita com uma cópia desta tripla versão.

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