Deficiência de cromo

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Deficiência de cromo é uma condição na qual não há reservas suficientes de cromo no corpo necessárias para as atividades metabólicas normais. O cromo é absorvido ao nível do jejuno (primeira porção do intestino delgado que segue ao duodeno). Menos de 1% do cromo ingerido é absorvido. Sua absorção é influenciada pela presença de agentes quelantes. Em particular, ela é diminuída na presença de fitatos. Existem interações com o zinco e o ferro. O aporte de ferro diminui a absorção do cromo. Parece existir um mecanismo comum de transporte. Após a absorção, o cromo o é transportado pela mesma proteína que transporta o ferro: a transferrina. Vários pesquisadores dosaram o cromo no sangue, nos tecidos e nos cabelos. Tendo-se material adequado, a análise dos oligoelementos no cabelo é interessante e relativamente simples. Esse método se justifica ainda mais no caso do cromo, apresentando diversas vantagens: maior concentração do cromo nos cabelos do que nos tecidos e, pois, melhor correlação. As concentrações nos cabelos não sofrem flutuações rápidas, refletindo, assim, melhor o estado nutricional ao longo do tempo.

O papel do cromo e sinais de deficiência[editar | editar código-fonte]

O cromo tem provavelmente um papel de ativador das enzimas e na estabilização das proteínas e ácidos nuclêicos (papel na espermatogênese, ou seja, fabricação do esperma). Mas sua principal atuação é de potencializar o papel da insulina,não unicamente no metabolismo dos açúcares, mas também no das proteínas e das gorduras. O cromo, sob forma de FTG (fator de tolerância à glucose) que contém, além do cromo, o ácido nicotínico e aminoácidos (glicina, ácido glutâmico e cisteína), aumenta a ação da insulina. O papel do cromo no metabolismo dos lipídeos foi demonstrado. Numerosos estudos estabelecem que o cromo tem um efeito favorável sobre às taxas de colesterol e de lipoproteinas. Por exemplo, em coelhos submetidos a uma alimentação hiperlipêmica (que produz placas de aterosclerose), injeções de cromo reduzem as taxas de colesterol , assim como, o número de placas de ateroma das artérias. Já em 1970, foi demonstrado (Schoeder) que indivíduos mortos por infarto do miocárdio, devido a uma doença das coronárias, tinham uma concentração de cromo nos tecidos inferior a dos mortos em acidentes, embora os outros tecidos tivessem taxas de cromo similares. Um estudo mais recente demonstrou que indivíduos com doença coronária tinham taxas séricas de cromo mais baixas que os indivíduos sãos. Outro estudo (Newton, 1978) mostrou uma correlação entre as taxas séricas de cromo diminuídas e o aparecimento de doenças coronárias, correlação mais significativa que para os outros fatores de risco (colesterol, pressão arterial e peso). A prescrição de cromo a pacientes sofrendo de distúrbios das gorduras (200 mcg por dia durante doze semanas) provoca uma diminuição significativa dos triglicérides do soro e aumenta o "bom" colesterol. O mecanismo suspeito é o da relação entre o cromo e a insulina. O cromo potencializa a ação da insulina e está implicado na regulação de suas taxas. Em caso de deficiência em cromo, há o aumento das concentrações de insulina; ora, as taxas elevadas de insulina circulante são características do aparecimento de lesões arteriais e do aparecimento da aterosclerose.(Stout, 1977). Animais nutridos com alimentação deficiente em cromo apresentam (Anderson, 1981):

  • má tolerância a glucose.
  • hiperglicemia e glicosuria.
  • taxas elevadas de insulina circulante.
  • distúrbios do crescimento.
  • diminuição da longevidade.
  • taxas elevadas de colesterol e de triglicérides.
  • aumento do aparecimento de placas ateroscleróticas.
  • neuropatia periférica.
  • distúrbios cerebrais.
  • diminuição do número de espermatozóides e diminuição da fertilidade.

Pacientes submetidos a alimentação parenteral prolongada (em reanimação e nutridos exclusivamente por perfusões intravenosas) e que apresentam sinais de insuficiência endócrina (neuropatia periférica, perda de peso, apesar de um aporte calórico suficiente, e uma intolerância a glucose refratária à insulina) tem visto estes sinais desaparecerem pelo aporte por perfusão de 150 a 250 mcg de cromo por dia (Jeejeeblay-Freund). Na população em geral, também não se observaram sinais aparentes de déficit de cromo, mas se encontraram mui freqüentemente sinais de deficiência em cromo subliminal com tolerância à glucose alterada e taxas elevadas de lipídeos, sinais que desapareceram após suplementação de cromo. A suplementação de cromo sob a forma trivalente ou por levedo de cerveja em pacientes submetidos anteriormente à alimentação insuficiente em cromo e que apresentavam aumento da intolerância à glucose, permitiu diminuir esta última, em particular, se eram idosos.

Cromo e stress[editar | editar código-fonte]

É preciso notar que a excreção urinária do cromo aumenta sob a ação de stress de toda natureza: regimes hipoproteicos, exercícios fatigantes, hemorragia aguda, infecções, etc. Aportes recomendados de cromo É de 50 a 200 mcg por dia para adultos (National Research Council). Estudos intensivos finlandeses mostraram que os alimentos mais ricos em cromo eram : levedo de cerveja, carnes, queijos, cereais integrais, cogumelos e nozes. Não há sempre correlação entre o cromo total contido na alimentação e o cromo biológicamente ativo. Aconselha-se a absorção do cromo biológicamente ativo, que é quatro vezes mais absorvível que o na forma inorgânica. Estudos efetuados em numerosos países ocidentais mostraram que absorvemos geralmente uma quantidade inferior à recomendada (dados obtidos pelos primeiros resultados exaustivos de análises no soro e nos cabelos). Mesmo na alimentação das coletividades, onde nutricionistas levam em conta quantidades suficientes de vitaminas e minerais, pode-se notar (Kampulainen, 1979) que cerca de um terço dos cardápios estudados continham menos que o mínimo requerido e aconselhado de 50 microgramas/dia de cromo. A quantidade de cromo contida nos alimentos diminui com o refinamento. Por exemplo, se encontram 0,26 mcg de cromo por grama no melaço, 0,16 mcg/g no açúcar não refinado e somente 0,02 mcg/g no açúcar refinado (Wolff, 1974). Da mesma forma, a farinha integral contém 1,75 mcg por grama, a farinha branca 0,60 mcg/g e o pão branco 0,14 mcg/g. A tendência largamente difundida de aumento no consumo de alimentos muito refinados nos países ocidentais, particularmente do açúcar branco que aumenta a excreção urinária do cromo, pode levar à absorção limite deste metal e à diminuição das quantidades nos órgãos de estocagem. Ao longo do tempo, esta absorção insuficiente do cromo conduz à diminuição, com a idade, do metal contido nos tecidos e ao aumento da incidência da diabete e da aterosclerose constatados nos países desenvolvidos.

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