Deficiência de cromo

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Deficiência de cromo
Cromo
Classificação e recursos externos
CID-10 E61.4
DiseasesDB 2625
Star of life caution.svg Aviso médico

Deficiência de cromo é um déficit na qual não há reservas suficientes de cromo trivalente no corpo necessárias para um bom Metabolismo de lipídios e metabolismo de proteínas. Cromo é necessário em quantidades ínfimas, são suficientes por dia consumo de 30–35µg para um homem adulto e 20-25µg para mulher adulta.[1]

Causas[editar | editar código-fonte]

Assim como outras deficiências minerais, pode ser causada por problema na absorção ou excreção excessiva. O cromo é absorvido no jejuno (primeira porção do intestino delgado que segue ao duodeno), sendo que menos de 3% do cromo trivalente (biologicamente ativo) ingerido é absorvido. Sua absorção é influenciada pela presença de agentes quelantes. Em particular, ela é diminuída na presença de fitatos. Existem também interações com o zinco e o ferro. A absorção de ferro diminui a absorção do cromo. Parece existir um mecanismo comum de transporte. Após a absorção, o cromo o é transportado pela mesma proteína que transporta o ferro: a transferrina.

Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]

A falta de cromo resulta em problemas no metabolismo do açúcar, proteínas e colesterol no sangue produzindo[2] :

Seus sinais e sintomas podem ser confundidos com os da diabetes mellitus, pois também envolvem falta de insulina.

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

No sangue os níveis normais variam entre 0.05 e 0.50 μg/L (1.0 to 9.6 nmol/L).[3]

Tendo-se material adequado, a análise dos oligoelementos no cabelo é mais eficiente que a sanguínea e relativamente simples. Esse método se justifica ainda mais no caso do cromo, apresentando diversas vantagens: maior concentração do cromo nos cabelos do que nos tecidos e, pois, melhor correlação. As concentrações nos cabelos não sofrem flutuações rápidas, refletindo, assim, melhor o estado nutricional ao longo do tempo.

Fontes de cromo[editar | editar código-fonte]

As principais fontes de cromo (mais de 2mcg/100mg) são respectivamente[4] :

  • Brócolis;
  • Uva/suco de uva/vinho;
  • Batata;
  • Alho;
  • Trigo/massas integrais;
  • Manjericão;
  • Laranja;
  • Bife;
  • Peito de peru.

A quantidade de cromo contida nos alimentos diminui com o refinamento. Por exemplo, se encontram 0,26 mcg de cromo por grama no melaço, 0,16 mcg/g no açúcar não refinado e somente 0,02 mcg/g no açúcar refinado. Da mesma forma, a farinha integral contém 1,75 mcg por grama, a farinha branca 0,60 mcg/g e o pão branco 0,14 mcg/g.

O papel do cromo[editar | editar código-fonte]

O cromo tem provavelmente um papel de ativador das enzimas e na estabilização das proteínas e ácidos nucleicos, mas sua principal atuação é de potencializar da [[insulina], ajudando assim no metabolismo de gorduras.[5]

O cromo, sob forma de fator de tolerância à glucose (FTG) que contém, além do cromo, o ácido nicotínico e aminoácidos (glicina, ácido glutâmico e cisteína), aumenta a ação da insulina.

O papel do cromo no metabolismo dos lipídeos foi demonstrado. Numerosos estudos estabelecem que o cromo tem um efeito favorável sobre às taxas de colesterol e de lipoproteínas. Por exemplo, em coelhos submetidos a uma alimentação hiperlipêmica (que produz placas de aterosclerose), injeções de cromo reduzem as taxas de colesterol , assim como, o número de placas de ateroma das artérias. Já em 1970, foi demonstrado (Schoeder) que indivíduos mortos por infarto do miocárdio, devido a uma doença das coronárias, tinham uma concentração de cromo nos tecidos inferior a dos mortos em acidentes, embora os outros tecidos tivessem taxas de cromo similares. Um estudo mais recente demonstrou que indivíduos com doença coronária tinham taxas séricas de cromo mais baixas que os indivíduos sãos. Outro estudo (Newton, 1978) mostrou uma correlação entre as taxas séricas de cromo diminuídas e o aparecimento de doenças coronárias, correlação mais significativa que para os outros fatores de risco (colesterol, pressão arterial e peso). A prescrição de cromo a pacientes sofrendo de distúrbios das gorduras (200 mcg por dia durante doze semanas) provoca uma diminuição significativa dos triglicérides do soro e aumenta o "bom" colesterol.

O mecanismo suspeito é o da relação entre o cromo e a insulina. O cromo potencializa a ação da insulina e está implicado na regulação de suas taxas. Em caso de deficiência em cromo, há o aumento das concentrações de insulina; ora, as taxas elevadas de insulina circulante são características do aparecimento de lesões arteriais e do aparecimento da aterosclerose.(Stout, 1977).

Animais nutridos com alimentação deficiente em cromo apresentaram (Anderson, 1981):

  • má tolerância a glucose.
  • hiperglicemia e glicosuria.
  • taxas elevadas de insulina circulante.
  • distúrbios do crescimento.
  • diminuição da longevidade.
  • taxas elevadas de colesterol e de triglicérides.
  • aumento do aparecimento de placas ateroscleróticas.
  • neuropatia periférica.
  • distúrbios cerebrais.
  • diminuição do número de espermatozóides e diminuição da fertilidade.

Pacientes submetidos a alimentação parenteral prolongada (em reanimação e nutridos exclusivamente por perfusões intravenosas) e que apresentam sinais de insuficiência endócrina (neuropatia periférica, perda de peso, apesar de um aporte calórico suficiente, e uma intolerância a glucose refratária à insulina) tem visto estes sinais desaparecerem pelo aporte por perfusão de 150 a 250 mcg de cromo por dia (Jeejeeblay-Freund).

Na população em geral, também não se observaram sinais aparentes de déficit de cromo, mas se encontraram mui freqüentemente sinais de deficiência em cromo subliminal com tolerância à glucose alterada e taxas elevadas de lipídeos, sinais que desapareceram após suplementação de cromo.

A suplementação de cromo sob a forma trivalente ou por levedo de cerveja em pacientes submetidos anteriormente à alimentação insuficiente em cromo e que apresentavam aumento da intolerância à glucose, permitiu diminuir esta última, em particular, se eram idosos.

Cromo e estresse[editar | editar código-fonte]

A excreção urinária do cromo aumenta sob a ação de fatores estressantes como: regimes pobres em proteínas, exercícios fatigantes, hemorragia aguda, infecções, etc.

Não há sempre correlação entre o cromo total contido na alimentação e o cromo biologicamente ativo. Aconselha-se a absorção do cromo biologicamente ativo, que é quatro vezes mais absorvível que o na forma inorgânica.

Estudos efetuados em numerosos países ocidentais mostraram que absorvemos geralmente uma quantidade inferior à recomendada (dados obtidos pelos primeiros resultados exaustivos de análises no soro e nos cabelos). Mesmo na alimentação das coletividades, onde nutricionistas levam em conta quantidades suficientes de vitaminas e minerais, pode-se notar (Kampulainen, 1979) que cerca de um terço dos cardápios estudados continham menos que o mínimo requerido e aconselhado de 50 microgramas/dia de cromo.

A tendência largamente difundida de aumento no consumo de alimentos muito refinados nos países ocidentais, particularmente do açúcar branco que aumenta a excreção urinária do cromo, pode levar à absorção limite deste metal e à diminuição das quantidades nos órgãos de estocagem. Ao longo do tempo, esta absorção insuficiente do cromo conduz à diminuição, com a idade, do metal contido nos tecidos e ao aumento da incidência da diabetes e da aterosclerose constatados nos países desenvolvidos.

Referências

  1. Trumbo, Paula; Yates, Allison A.; Schlicker, Sandra; Poos, Mary (March 2001). "Dietary reference intakes: vitamin A, vitamin K, arsenic, boron, chromium, copper, iodine, iron, manganese, molybdenum, nickel, silicon, vanadium, and zinc". Journal of the American Dietetic Association 101 (3): 294–301. doi:10.1016/S0002-8223(01)00078-5. PMID 11269606.
  2. http://www.diagnose-me.com/symptoms-of/chromium-deficiency.html
  3. http://www.merckmanuals.com/professional/nutritional_disorders/mineral_deficiency_and_toxicity/chromium_deficiency_and_toxicity.html
  4. Anderson RA, Bryden NA, Polansky MM. Dietary chromium intake: freely chosen diets, institutional diets and individual foods. Biol Trace Elem Res 1992;32:117-21.
  5. Schwarz K, Mertz W. Chromium(III) and the glucose tolerance factor. Arch Biochem Biophys 1959;85:292-5.