Anemia ferropriva

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Iron-deficiency anemia
Hemácias precisam de ferro para transportar oxigênio e gás carbônico.
Classificação e recursos externos
CID-10 D50 E61.0
CID-9 280
DiseasesDB 6947
MedlinePlus 000584
eMedicine med/1188
MeSH D018798
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Anemia ferropriva, ferropênica ou sideropênica é o tipo de anemia responde por cerca de 90% dos casos de anemia diagnosticados[1] e é causada pela deficiência de ferro[1] . O ferro é um dos principais constituintes da hemoglobina, responsável pelo transporte de oxigênio para os tecidos. Neste tipo de anemia a ingestão de ferro está menor que o mínimo necessário para as atividades do organismo que precisam de ferro. A forma de estoque é a ferritina ou hemossiderina. Nos indivíduos de sexo masculino normais existem de 600 a 1200 mg de estoque e nas mulheres 10 a 400 mg. Em valor total o ferro nos homens é de cerca de 4 g e nas mulheres 2,5 g.[2]

Formação da hemoglobina[editar | editar código-fonte]

O principal local de absorção do ferro é no duodeno e jejuno. Depois de absorvido, o ferro se liga à transferrina (proteína que transporta o ferro). Esse ferro é levado à medula óssea, onde precursores eritroides captam o ferro para formar a hemoglobina. Os precursores eritroides amadurecem, tornando-se hemácias jovens. Como uma hemácia dura em média 120 dias, após a destruição destas hemácias velhas, o ferro é reaproveitado para compor a hemoglobina de novas hemácias.

2/3 do ferro necessário para a produção de hemoglobina vem da degradação do eritrócito (hemácia) envelhecido, enquanto que apenas 1/3 deste vem de alimentos ricos em ferro. Ao ser ingerido, ele está no estado férrico (Fe(III)) mas para ser absorvido tem que estar no estado ferroso (Fe(II)). Contribuem para esta transformação redutores gástricos, pH gástrico e a vitamina C.

Causas[editar | editar código-fonte]

Existem muitas possíveis causas[3] :

  • Dieta pobre em ferro: pessoas que ingerem pouco alimentos ricos em ferro, podem desenvolver este tipo de anemia. Dentre os alimentos ricos em ferro estão a carne vermelha, lentilha, feijão, carne branca e a salada verde.
  • Parasitas: Como malária, ascaridíase, ancilostomíase e tricuríase.[4]
  • Má absorção: por exemplo, a anemia causada por esteatorreia, um transito intestinal excessivamente rápido.
  • Hemorragias: entre os casos de sangramento que podem gerar uma anemia ferropriva estão: sangramento gastrointestinal,acidentes traumáticos, cirurgia, parto, além de um sangramento menstrual intenso.
  • Hematúria: Perda de sangue na urina.
  • Outras doenças: úlceras, câncer, hemorroidas.

A causa mais comum de anemia ferropriva em adulto é sangramento gastrointestinal.

Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]

É caracterizada por[3] :

  • Fadiga extrema
  • Fraqueza
  • Falta de ar
  • Dor no peito
  • Infecções freqüentes
  • Dor de cabeça
  • Tonturas ou vertigens
  • Mãos e pés frios
  • Palidez
  • Inflamação ou dor na língua
  • Batimento cardíaco acelerado
  • Desejos incomuns para substâncias não-nutritivas, como gelo, terra ou grama
  • Falta de apetite

Em estado mais avançado podem-se verificar dores de cabeça latejantes semelhantes às de uma enxaqueca. Como é uma doença que se desenvolve lentamente, pode passar despercebida por muitos meses.

Afecta também o crescimento e o desenvolvimento físico e mental das crianças, acarretando sonolência, desatenção e diminuição da capacidade cognitiva, o que leva ao comprometimento do rendimento escolar.

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

Atinge principalmente grávidas e crianças menores de 5 anos.
  • Níveis de Hemoglobina e Hematócrito: O valor baixo da hemoglobina e do hematócrito de uma pessoa diz que ela tem anemia, mas não pode elucidar qual tipo de anemia.
  • Hemograma completo: dirá se a anemia é microcítica (possui VCM abaixo do normal).
  • Ferremia (dosar ferro no sangue): dosagens baixas de ferro podem indicar uma anemia ferropriva. O ferro também diminui em casos de doenças crônicas, neoplasias, entre outras.
  • Dosagem de transferrina: apresenta-se em quantidade aumentada na anemia ferropriva.
  • Ferritina: proteína achada principalmente no fígado, armazena íons de ferro. Quando não tem ferro armazenado, essa proteína é chamada apoferritina. Sua dosagem indica a quantidade de ferro armazenado.
  • TIBC: Capacidade de ligação de ferro total (TIBC) está aumentado para compensar a deficiência.
  • Aspirado de medula óssea: é muito invasivo para ser usado normalmente por isso não é muito utilizado. Quando usado, avalia-se a presença de ferro usando-se corante especial para ferro, o corante azul da Prússia. Ao observar-se os macrófagos na medula, observa-se a presença de ferro. Utilizado para diagnóstico diferencial de anemia sideroblástica.

Epidemiologia[editar | editar código-fonte]

A anemia é especialmente problemática na África e sudeste asiático. Felizmente está diminuindo rapidamente na América do Sul.

Segundo o ministério da saúde brasileiro, em 2006 no Brasil a região Nordeste apresentava a maior prevalência de anemias, chegando a atingir uma em cada quatro crianças (25,5%), e a Norte tinha a menor prevalência, atingindo uma em cada dez crianças (10,4%). Em todo o país a prevalência de anemia em crianças era de 20,9% e de 29,4% em mulheres, sendo mais comum entre os menores de dois anos (24,1%).

Entre gestantes brasileiras, na década de 70 a anemia ferropriva chegava a 38%, diminuindo para 33,7% na década de 80, 29,2% na década de 90 e 21,4% nos anos 2000. Quase todos estudos mostraram ser mais frequente nos últimos meses de gravidez, quando chegava a 53% e impactava na saúde da criança.[5] Em 2004 o governo brasileiro, através da Resolução RDC nº 344 determinou a adição obrigatória de 4,2mg de ferro e de 150µg de ácido fólico em cada pacote de farinha de trigo e farinha de milho produzida no país. Dessa forma, a anemia entre grávidas diminuiu de 14,3% para 8,1%.[6] Essa estratégia foi reforçada e melhor monitorada em 2009 e também é implatada em outros países como Argentina e Peru.[7]

Atualmente, no mundo, a anemia ferropriva ainda afeta cerca de 8,8% da população, sendo mais comum em mulheres e crianças pobres e frequentemente associada a doenças parasitárias infecciosas.[8]

Tratamento[editar | editar código-fonte]

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O tratamento tem por base a eliminação da causa que provoca a anemia: gastrites, parasitas, hemorragias, etc. E uso de sais de ferro, pela via de administração oral. Basicamente, 200 a 300 mg de ferro, reduz a anemia em poucas semanas. São utilizados os sais ferrosos: sulfato, gluconato, fumarato ou succinato. Caso ocorram náuseas e outros desconfortos gastrintestinais a dose é reduzida de acordo com critério médico. O tratamento total dura de 4 a 6 meses e pode ser feita a dosagem de hemoglobina até normalização do hemograma.[2]

Em casos graves, pode ser utilizado como tratamento a injeção de ferro pela via muscular ou intravenosa, sendo utilizado as formas ferro-dextran ou sorbitol-citrato-ferro.[2]

Notas e referências

  1. a b Anemia, site bvsms.saude.gov.br, Biblioteca Virtual do Ministério da Saúde (Brasil)
  2. a b c LORENZI, Therezinha Ferreira. Manual de Hematologia: propedêutica e clínica. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006.
  3. a b Wintrobe, Hematologia Clínica, editora Manole ltda 1998
  4. Dreyfuss ML, Stoltzfus RJ, Shrestha JB et al. (2000). "Hookworms, malaria and vitamin A deficiency contribute to anemia and iron deficiency among pregnant women in the plains of Nepal". J. Nutr. 130 (10): 2527–36. PMID 11015485.
  5. http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-52732009000300011
  6. http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/6/6138/tde-28082009-173919/pt-br.php
  7. http://nutricao.saude.gov.br/fortificacao_alimentos.php
  8. Vos, T; Flaxman, AD; Naghavi, M; Lozano, R; Michaud, C; Ezzati, M; Shibuya, K; Salomon, JA et al. (Dec 15, 2012). "Years lived with disability (YLDs) for 1160 sequelae of 289 diseases and injuries 1990-2010: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2010.". Lancet 380 (9859): 2163–96. doi:10.1016/S0140-6736(12)61729-2. PMID 23245607.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

  • [1] Resumo de dissertação de mestrado sobre "Deficiência de ferro e anemia em crianças de Vitória, capital do Espírito Santo"