Degeneração macular relacionada à idade

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Secção tranversal do olho humano.

A degeneração macular relacionada à idade (DMRI) é uma doença degenerativa da retina que provoca uma perda progressiva da visão central e leva a cegueira. Atualmente é apontada como a causa mais comum de perda de visão nas pessoas acima de 55 anos. Segundo dados da Foundation Fighting Blindness, 10 milhões de pessoas nos EUA tem DMRI ou possuem risco considerável de desenvolver a doença. Estima-se que no ano de 2020, até 8 milhões de pessoas com 65 anos ou mais poderão apresentar DMRI[1] . A taxa de acometimento pela DMRI aumenta com a idade.

Sintomas[editar | editar código-fonte]

A DMRI atinge diretamente a mácula, região do centro da retina que permite que a pessoa enxergue detalhes. Células fotorreceptoras (sensíveis à luz) fazem a conversão da luz que entra pelos olhos em impulsos elétricos. O nervo óptico é o responsável por conduzir os impulsos para o cérebro. A perda da visão central pela DMRI ocorre quando as células fotorreceptoras na mácula são degeneradas. Inicialmente, os pacientes com DMRI percebem um “embaçamento” no centro da visão, mais especificamente durante tarefas que exigem a percepção de detalhes, como leitura ou escrita. Também a percepção de linhas retas podem ser afetadas. Na medida em que a doença avança, podem se formar pontos cegos no campo visual central. É muito frequente que se um olho tem DMRI, o outro olho também desenvolva a doença. A dimensão e velocidade da perda da visão central pode variar de acordo com a forma da DMRI que pode ser seca ou úmida.

DMRI seca[editar | editar código-fonte]

A DMRI seca é responsável por aproximadamente 90% de todos os casos da doença. Entre suas características está a acumulação drusas (formações de de proteína e gordura) em uma fina camada de células sob os fotorreceptores na retina chamada membrana de Bruch. A origem dessas drusas não é completamente conhecida mas pode ser a partir de resíduos de células e tecidos da retina. As drusas podem interferir na saúde da mácula, causando degeneração progressiva das células fotorreceptoras. O acúmulo de drusas pode também ser verificado sem perda de visão.

A redução na visão central ocorre gradualmente ao longo de muitos anos. A visão pode até mesmo permanecer estável entre exames oftalmológicos. As pessoas com DMRI seca não costumam perder totalmente a visão central, mas as tarefas que exigem visão perfeitamente focalizada podem tornar-se mais difíceis.

Pesquisas sugerem que drusas de médio e grande porte apresentam um maior risco para a progressão da DMRI seca para a úmida, que provoca perda de visão mais grave. Apesar de não existir atualmente terapias padrão para o tratamento de DMRI seca, vários estudos e pesquisa clínica estão avaliando métodos, incluindo tratamentos a laser, para reduzir seu tamanho.

DMRI úmida[editar | editar código-fonte]

A DMRI úmida representa cerca de 10% dos casos de degeneração macular. É também chamado de neovascularização de coróide (CNV), neovascularização sub-retiniana, ou degeneração exsudativa ou disciforme. Na DMRI úmida, vasos sanguíneos anormais crescem sob a mácula. Esses vasos vazam sangue e fluidos na mácula que causam danos nas células fotorreceptoras. A DMRI úmida pode progredir rapidamente e causar perda substancial da visão central.

Tratamentos da DMRI úmida[editar | editar código-fonte]

Nos últimos anos foram feitos avanços na compreensão, diagnóstico e tratamento da DMRI úmida. Pesquisadores descobriram novas causas da doença, incluindo fatores genéticos e ambientais além de possíveis indicadores de risco. Muitos laboratórios farmacêuticos estão desenvolvendo tratamentos para a DMRI úmida. Pesquisadores também estão estudando o transplante de células para preservar e/ ou restaurar a visão.

Em junho de 2006, o FDA, autoridade sanitária norte americana, aprovou uma droga chamada Lucentis para o tratamento da DMRI úmida. Os resultados de um grande estudo de dois anos mostraram que o Lucentis interrompeu a perda de visão em mais de 90% dos indivíduos com a forma úmida da doença. Além disso, o produto apresentou a restauração da visão de 33% dos participantes do estudo.

A Foundation Fighting Blindness, instituição norte americana que financia pesquisas nesta área, tem apoiado estudos para entender melhor os mecanismos que levam à perda de visão na DMRI úmida.

No Brasil, o Lucentis é comercializado pelo laboratório suíço Novartis e ainda não está disponível na rede pública de saúde.

Tela de Amsler[editar | editar código-fonte]

Paralelo aos exames feitos por um retinólogo, é possível avaliar a visão para possíveis sintomas da DMRI utilizando uma ferramenta muito simples chamada tela de Amsler. A tela de Amsler é um desenho com linhas paralelas e perpendiculares e se parece muito com uma folha de papel quadriculado. Focando os olhos num ponto no meio da grade, é fácil de perceber se a visão está turva ou distorcida. Vale lembrar que a tela de Amsler não é um substituto para o diagnóstico médico especialista pois ela não permite que as pessoas verifiquem outros possíveis sintomas da DMRI.

Uma tela de Amsler, vista por uma pessoa com visão normal.
Uma tela de Amsler, vista por uma pessoa com degeneração macular relacionada à idade.


Apoio ao paciente[editar | editar código-fonte]

No Brasil, os pacientes com DMRI ou outras doenças degenerativas da retina (DDR) como a síndrome de Usher, doença de Stargardt, Retinose Pigmentar, entre outras, pode contar com o suporte da Retina Brasil, uma associação de pacientes que atua na defesa e promoção dos direitos dos pacientes que sofrem com as DDR. Fundada em 2002, é formada por cinco grupos regionais espalhados pelo Brasil nos estados de SP, RJ, CE, MG e GO e conta atualmente com aproximadamente 4 mil afiliados.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

Foundation Fighting Blindness - What is macular degeneration? In http://www.blindness.org/index.php?option=com_content&view=article&id=45&Itemid=55

Retina Brasil. Doenças - DMRI. In http://retinabrasil.orgbr/doencas/degeneracao-macular-relacionada-a-idade/

SOBLEC - Sociedade Brasileira de Lentes de Contato, Córnea e Refratometria. In http://publico.soblec.com.br/?system=news&action=read&id=654&eid=185&index_interno=1.

Torres RJA et al. Fatores modificáveis da degeneração macular relacionada à idade. Arq. Bras. Oftalmol. 2009. Vol.72 (3).

Torres RJA et al. Conceitos atuais e perspectivas na prevenção da degeneração macular relacionada à idade. Rev. Bras. Oftalmol. 2008. Vol.67 (3).


  1. Pizzarello LD. The dimensions of the problem of eye disease among the elderly. Ophthalmology. 1987 Sep;94(9):1191-5.
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