Demétrio de Faleros

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Estátua de Demétrio de Faleros na entrada da Nova Biblioteca de Alexandria.

Demétrio de Faleros[1] ou Faleron[2] [3] (em grego: Δημήτριος Φαληρεύς, transl. Dēmétrios Phalēreus; ca. 350 a.C.280 a.C.[4] [5] ) foi um orador da Grécia Antiga, discípulo de Teofrasto, responsável por organizar a primeira coleção de fábulas mencionada pelos antigos, chamada de "Coletânea de Discursos Esópicos".

Vida[editar | editar código-fonte]

Segundo Diógenes Laércio, Demétrio foi filho de Fanôstratos e discípulo de Teofrasto[6] . Entre 317 e 307 a.C. governou Atenas e, após uma reviravolta política, entre 298 e 296 a.C. foge para Tebas e, finalmente, imigra para Alexandria[7] . Demétrio não era nobre de nascimento e foi um dos serviçais da casa de Cônon, todavia conviveu com uma cidadã de família nobre chamada Lamia[8] .

Em um documento judaico chamado "carta de Arísteas" (passagem nr. 9)[9] , escrito entre 180 e 145 a.C.[10] , é atribuido a Demétrio a fundação da Biblioteca de Alexandria sob Ptolomeu I Sóter [11] . Na corte de Ptolomeu I Sóter permaneceu durante um longo período, e entre outras coisas aconselhou Ptolomeu a conferir o poder real aos filhos tidos de Euridice. Todavia, Ptolomeu não aceitou a sugestão e transmitiu o diadema ao filho tido de Berenice, que, após a morte de Ptolomeu, achou conveniente reter Demétrio como prisioneiro[8] . Lá permaneceu Demétrio e, segundo nos informa Diógenes Laércio, viveu dominado por um profundo desalento e não se sabe como recebeu a picada de uma serpente na mão enquanto dormia e perdeu a vida[8] .

Entre as frases atribuídas a Demétrio, uma afirma que "os jovens deviam respeitar em casa os pais, na rua todos que encontrassem, e quando sós deveriam respeitar-se a si mesmos" e outra "na prosperidade os amigos aparecem somente quando chamados, mas na adversidade acorrem espontaneamente"[8] .

Obras[editar | editar código-fonte]

Segundo Diógenes Laércio algumas de suas obras foram[8] :

  • Da Legislação Ateniense, em cinco livros
  • Da Constituição dos Atenienses, em dois livros
  • Da Demagogia, em dois livros
  • Da Política, em dois livros
  • Das Leis, em um livro
  • Da Retórica, em dois livros
  • Da Estratégia, em dois livros
  • Sobre a Ilíada, em dois livros
  • Sobre a Odisséia, em quatro livros
  • Ptolomaios, em um livro
  • Do Amor, em um livro
  • Faidondas, em um livro
  • Máidon, em um livro
  • Clêon, em um livro
  • Sócrates, em um livro
  • Artaxerxes, em um livro
  • Sobre Homero, em um livro
  • Aristeides, em um livro
  • Aristômacos, em um livro
  • Exortação à filosofia, em um livro
  • Da Constituição, em um livro
  • Do Decênio de Governo, em um livro
  • Dos Iônios, em um livro
  • Da crença, em um livro
  • Da Gratidão, em um livro

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Forma registrada pelo Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa, de José Pedro Machado (verbete "Faleros").
  2. Ribeiro, João. A língua nacional e outros estudos lingüísticos, p. 94. Hildon Rocha (ed.), Editora Vozes, 1979.
  3. O professor brasileiro Mário da Gama Kury utiliza a forma Demétrios Fáleron em sua tradução da obra de Diógenes Laércio (Diôgenes Laêrtios, Vidas e doutrinas dos filósofos ilustres. Brasília: UnB, 1987, p. 146)
  4. Tiziano Dorandi, Chapter 2: Chronology, in Algra et al. (1999) The Cambridge History of Hellenistic Philosophy, p. 49-50. Cambridge.
  5. Alfred Gudemann, Grundriss der Geschichte der klassischen Philologie. Leipzig: B.G. Teubner, 1909, p. 25.
  6. Diôgenes Laêrtios (ou Diógenes Laércio), Vidas e doutrinas dos filósofos ilustres (Trad. Mário da Gama Kury). Brasília: UnB, 1987, p. 146-148
  7. Benjamin Knör, Die Bibliothek von Alexandria. Norderstedt: Grin, 2008, p. 7
  8. a b c d e Diôgenes Laêrtios (ou Diógenes Laércio), Vidas e doutrinas dos filósofos ilustres (Trad. Mário da Gama Kury). Brasília: UnB, 1987, p. 147
  9. A carta de Arísteas], tradução online para o espanhol de Jaume Pòrtulas (Universidade de Barcelona)
  10. Ellen Brundige, The decline of Library and Museum of Alexandria, em inglês online
  11. Edward Alexander Parsons, The Alexandrian Library. Londres: Clever-Hume Press, 1952, pp. 94 e 96



Precedido por
Não existiu
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285 a.C. - 284 a.C.

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