Demanda efetiva

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Question book.svg
Esta página ou secção não cita nenhuma fonte ou referência, o que compromete sua credibilidade (desde Janeiro de 2013).
Por favor, melhore este artigo providenciando fontes fiáveis e independentes, inserindo-as no corpo do texto por meio de notas de rodapé. Encontre fontes: Googlenotícias, livros, acadêmicoYahoo!Bing. Veja como referenciar e citar as fontes.

Demanda efetiva é a parte da demanda agregada que de fato se realiza na aquisição de bens e serviços, e não a procura em potencial por esse bem ou serviço. Em Economia, Demanda ou Procura é a quantidade de um bem ou serviço que os consumidores desejam adquirir por um preço definido em um dado mercado, durante uma unidade de tempo. Há aqueles que entendem que, ao invés do patamar de equilíbrio situar-se entre a demanda e a oferta, e assim determinar os preços, na verdade, o determinante estaria no patamar de equilíbrio entre a oferta e a demanda efetiva. A distinção entre demanda e demanda efetiva será a base para constituição da Macroeconomia e do pensamento keynesiano.

Princípio da Demanda Efetiva[editar | editar código-fonte]

Assim, segundo Keynes e Kalecki, o nível de demanda efetiva da economia é o patamar que determina o nível de produto agregado e renda, no que se convencionou chamar de princípio da demanda efetiva.

Keynes, que resumia a Lei de Say como "a oferta cria sua própria demanda", e assim como o economista político clássico Thomas Malthus, não acreditava que a produção de mercadorias geraria, sempre e obrigatoriamente, demanda suficiente para outras mercadorias.

Poderiam ocorrer crises de superprodução, como ocorreu na década de 1930. Assim, o livre mercado pode, durante os períodos recessivos, não gerar demanda bastante para garantir o pleno emprego dos fatores de produção devido ao "entesouramento" das poupanças. Nessa ocasião seria aconselhável que o Estado criasse déficits fiscais para aumentar a demanda efetiva e instituir uma situação de pleno emprego.

Demanda efetiva e economia monetarizada[editar | editar código-fonte]

Deve ser destacado que, segundo Keynes, numa economia monetária quando se recebe dinheiro em pagamentos, sempre existe uma defasagem temporal até o dinheiro ser gasto. Argumenta que, se toda receita fosse gasta instantaneamente, a demanda por moeda se reduziria a zero, logo a moeda perderia todo seu valor e não existiria. E a moeda existe porque o mundo real é incerto, logo os agentes possuem demanda por encaixes para lidar com a incerteza do futuro. Se o futuro não fosse incerto, o que implica que todos agentes tivessem conhecimento perfeito, todas as transações seriam realizadas no tempo zero, e a demanda por moeda tenderia a zero.

Demanda efetiva e crise capitalista[editar | editar código-fonte]

Os economistas defensores do princípio da demanda efetiva a identificam como responsável em determinar as flutuações econômicas, relacionando portanto a crise com as oscilações no patamar da demanda efetiva da economia. Tanto Keynes como Kalecki no entendimento sobre flutuações econômicas no capitalismo, ambos as associam ao Princípio da Demanda Efetiva, enfatizando a importância da sobreacumulação e do subinvestimento sobre a determinação do nível garantido da demanda efetiva frente a demanda potencial, isto é, a variação do nível do estoque de capital e do investimento na determinação do nível de produto nacional da economia.

Por um lado, Keynes fala da determinação do nível de investimento pelas expectativas dos agentes econômicos, principalmente entre os empresários, aqueles que formam o estoque de capital. Essa expectativa é determinada, por sua vez, pela incerteza na tomada de decisões, resultante da aversão ao risco, (no que ficou conhecido como "espírito animal"). Cumpririam, então, papéis importantes, o mercado financeiro e o gasto público sobre o nível da demanda efetiva e na reversão das expectativas dos agentes.

Por outro lado, Kalecki relaciona de maneira mais forte que no capitalismo as flutuações econômicas seriam de maneira geral, cíclicas, o chamado ciclo econômico, referindo este às flutuações recorrentes e periódicas da atividade econômica a longo prazo, dadas pela variação do nível de lucros dos empresários e a necessidade de expansão ou reposição do estoque de capital. Estabelece-se uma relação entre o ciclo econômico e a tendência da economia, isto é, entre o nível do produto nacional com o nível de investimento, como por sua vez, do estoque de capital com o desenvolvimento das forças produtivas.

Interpretação marxista sobre Demanda Efetiva[editar | editar código-fonte]

O marxismo também tratou a respeito da Demanda Efetiva, entre eles, Rosa Luxemburgo e Ievguêni Preobrajenski, vinculando-a às crises capitalistas e ao caráter cíclico que estas assumem nesse sistema, procurando analisar as tendências recorrentes, cíclicas, crônicas e crescentes à crise inerentes ao capitalismo. Recorrem, em suas análises sobre o capitalismo, aos esquemas de reprodução, desenvolvidos como modelo por Marx para explicar o funcionamento da acumulação e circulação do capital entre setores da economia.

Vários autores marxistas, resgatando a pista dada por Rosa Luxemburgo ao estudar os esquemas de reprodução no livro O Capital - seguindo um caminho diferenciado em relação a Keynes (1936) que se utiliza das trabalhos Economia Política Clássica, especialmente Thomas Malthus - desenvolvem uma explicação sobre flutuações e ciclos econômicos em termos do princípio da demanda efetiva. Pela via domarxiana, dois autores são mais importantes, o primeiro, o mais famoso, o polonês Michael Kalecki, com sua obra de 1933, considerado o co-fundador da Macroeconomia, e o russo Ievguêni Preobrajenski, com suas obras da década de 1920.

Os autores marxistas, cada um a sua maneira, observam no modelo apresentado por Marx em O Capital , ora as possibilidades de desequilíbrio inter-setorial do sistema, ora as crises de realização, mas também ora a queda da taxa de lucro, ora a manifestação dessa tendência. Como também identificam a causa do caráter progressivamente mais crítico que ganha esse sistema, à medida que avança a configuração monopolística (monopólio) no capitalismo.

Porém, não há uma unanimidade entre os autores marxistas no emprego da teoria do princípio da demanda efetiva. Uma das críticas internas no marxismo é que os autores que trabalham com o "princípio da demanda efetiva" acabam por cair nos problemas da identificação da causa das crises no capitalismo em explicações em termo de subconsumismo (nível de Consumo Agregado estar abaixo do nível de realização do Produto) ou subinvestimento (nível de investimento estar abaixo do nível de realização do Produto), contrariando portanto vários elementos da teoria marxista, que apontaria esses dois como uma dificuldade do capitalismo em realizar a mais-valia produzida, o chamado problema de realização, que não seria a causa real das crises, apenas sua principal manifestação.


Ícone de esboço Este artigo sobre economia é um esboço relacionado ao Projeto Ciências Sociais. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.