Demografia da Alemanha

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Evolução da demografia da Alemanha.

A Alemanha é o segundo país da Europa em população, superado apenas pela Rússia. A afluência à zona ocidental de alemães de outros pontos do país e de imigrantes de diferentes nacionalidades, assim como a tendência ao estancamento do crescimento vegetativo, têm sido as principais características da evolução demográfica.

A maior parte da população descende de diversos grupos germânicos que se estabeleceram na região centro-europeia no primeiro milênio antes da era cristã. Esses grupos partilhavam a mesma língua, embora expressa em muitos dialetos, mas apresentavam características étnicas heterogêneas que se acentuaram ao longo da história em consequência da fusão com outros povos, como os celtas e os eslavos.

Na moderna Alemanha, as diferenças humanas e linguísticas das várias regiões se atenuaram, embora a prolongada divisão política tenha gerado certas peculiaridades culturais que distinguem os alemães do leste daqueles do oeste. A chegada de imigrantes à Alemanha ocidental na segunda metade do século XX compensou as perdas humanas ocasionadas pela Segunda Guerra Mundial, estimadas em cerca de três milhões de pessoas, na maioria jovens do sexo masculino.

Além da população de origem germânica, convivem na antiga Alemanha ocidental diversas minorias étnicas de nacionalidade alemã, como judeus, eslavos e dinamarqueses, assim como franceses descendentes dos huguenotes fugidos de seu país no fim do século XVII. Os trabalhadores imigrantes, chegados à Alemanha sobretudo nas décadas de 1960 e 1970, eram principalmente turcos, iugoslavos, italianos, gregos, espanhóis e portugueses.

Na Alemanha oriental, que constituiu um país autônomo de 1949 a 1990, as perdas humanas provocadas pela guerra foram compensadas com o ingresso de vários milhões de alemães expulsos da Polônia, da Tchecoslováquia e da Hungria. Contudo, as dificuldades econômicas derivadas do pagamento das indenizações de guerra e da política de coletivização estimularam o movimento migratório para a Alemanha ocidental, calculado em 1,7 milhão de pessoas.

A interrupção do crescimento da população e mesmo a redução desta se incluem entre as características mais notáveis da evolução do país nas últimas décadas do século XX, tanto na zona ocidental como na oriental. Isso se traduz num envelhecimento da população, isto é, no aumento dos grupos de idade mais alta em relação à população jovem, em consequência dos baixos níveis de natalidade e do prolongamento da expectativa de vida.

Alguns dados: Crescimento Demográfico: 0,208% por ano (estimativa 2011)
Taxa De Analfabetismo: cerca de 1% (estimativa 2011).
Renda Per Capita: US$ 35.900 (estimativa 2010).

Etnias[editar | editar código-fonte]

Atualmente a Alemanha conta com uma população de 83,4 milhões de habitantes. Sua composição étnica atual é a seguinte:

Etnia Porcentagem (%)
Alemães e outros europeus 96,3
Turcos 2,1
Asiáticos 1,0
Africanos 0,3
Americanos 0,2

Nota: Outros europeus são compostos na maioria de italianos, sérvios, gregos, polacos e croatas.

Religião[editar | editar código-fonte]

As maiores confissões religiosas na Alemanha são o luteranismo e o catolicismo, respetivamente, com 32,3% e 32,8% de fiéis.[1] Cerca de 24,9% de alemães se declararam não religiosos ou ateus. Seguem como minorias, o islamismo (4%), seguido pelo judaísmo e o budismo (ambos com 0,25%). O Hinduísmo tem apenas 90.000 seguidores (0,1%), enquanto outras religiões correspondem a 50 mil pessoas ou 0,05% da população alemã.[1]

Desde Martinho Lutero, e a Reforma Protestante, a Alemanha foi o palco de conflitos religiosos entre os seguidores de Lutero, posteriormente chamados de luteranos, geralmente mais numerosos no norte, e os católicos, regra geral mais fortes no sul. No entanto, a distribuição das religiões está longe de ser homogênea. Na Alemanha prevaleceu o princípio Cuius regio, eius religio. Uma região marcada pelo feudalismo, na Alemanha do tempo dos conflitos religiosos, os súbditos tinham de adotar a religião defendida pelos nobres da região em que viviam. Caso contrário, eram frequentemente obrigados ao exílio. O resultado desta evolução é uma manta de retalhos quanto às denominações religiosas e o atraso da unificação alemã, já aspirada antes da Reforma Protestante.

Zonas com uma população predominantemente católica são a Baviera e a zona da Renânia. O ex Papa Bento XVI é nascido na Baviera. Zonas com uma população predominantemente luterana são os estados do leste e do norte. No norte, ao longo da fronteira com os Países Baixos, há também a presença de calvinistas. Povos não religiosos, incluindo ateus e agnósticos, são crescentes em número e proporção, uma tendência constatada tanto na Alemanha quanto em outros países europeus. Na Alemanha eles se concentram principalmente na antiga Alemanha Oriental e nas áreas metropolitanas.[2]

Dos 3,3 milhões de muçulmanos, a maioria são de Sunitas e Alevitas provenientes da Turquia, mas tem um pequeno número de Xiitas.[3] 1.7% da população total do país declaram-se Cristão ortodoxos, Sérvios e Gregos são os mais numerosos.[4] A Alemanha tem a terceira maior população judaica da Europa Ocidental.[5] Em 2004, o dobro de judeus das repúblicas ex-soviéticas se estabeleceram na Alemanha do que em Israel, trazendo o total de judeus a 200.000, comparado aos 30.000 logo após à reunificação alemã. Grandes cidades com uma população judaica significante incluem Berlim, Frankfurt e Munique.[6] Aproximadamente 250.000 Budistas ativos vivem na Alemanha; 50% deles são de imigrantes asiáticos.[7]

De acordo com Pesquisa Eurobarômetro de 2005, 47% dos cidadãos alemães responderam "Eu acredito que exista um Deus", enquanto 25% concordou com "Eu acredito que exista algum tipo de força espiritual ou vital" e 25% disse "Eu não acredito que exista qualquer tipo de espírito, deus, ou força vital".[8]

Línguas[editar | editar código-fonte]

Conhecimento do alemão na União Europeia e outros países europeus. (Clique para mais detalhes)

O alemão é a língua oficial e a predominantemente falada na Alemanha.[9] É uma das 23 línguas oficiais da União Europeia, e uma das três línguas de trabalho da Comissão Europeia, junto com o inglês e o francês. Línguas minoritárias reconhecidas na Alemanha são o dinamarquês, sorábio, romani e o frísio. Elas são oficialmente protegidas pelo CELRM. As línguas imigrantes mais usadas são o turco, o polonês, as línguas dos Balcãs e o russo.

O alemão padrão é uma língua germânica ocidental e é próxima e classificada no mesmo grupo do inglês, holandês e do frísio. Com menos confluência, é também relacionada às línguas germânicas setentrionais e às orientais (extintas). A maioria do vocabulário alemão é derivado do braço germânico da família das línguas indo-europeias.[10] Uma minoria significativa de palavras deriva do latim, do grego, do francês e, mais recentemente, do inglês (conhecido como Denglisch). O alemão é escrito usando o alfabeto latino. Além das 26 letras padrões, o alemão tem três vogais com Umlaut, ä, ö e ü, assim com o Eszett ou scharfes S (s forte) que é escrito "ß" ou alternativamente "ss".

Os dialetos alemães são distinguidos por algumas variações do alemão padrão. Os dialetos alemães são as variações locais tradicionais e derivam das diferentes tribos germânicas que hoje compõe a Alemanha. Muitas delas não são facilmente compreensíveis para alguns que apenas conhecem o alemão padrão, porque elas apresentam diferenças do alemão padrão no léxico, fonologia e sintaxe.

Em todo o mundo o alemão é falado por aproximadamente 100 milhões de falantes nativos e mais 80 milhões de falantes não-nativos.[11] O alemão é a língua principal de aproximadamente 90 milhões de pessoas (18%) na UE. 67% dos cidadãos alemães dizem serem capazes de comunicar-se em pelo enos uma língua estrangeira, 27% em pelo menos duas línguas além da materna.[9]

Referências

  1. a b Religionen in Deutschland: Mitgliederzahlen (em alemão). Religiosenwissenschaftlicher Medien- und Informationsdienst (4 de novembro de 2006). Página visitada em 13 de maio de 2007.
  2. Religionen in Deutschland: Mitgliederzahlen Religiosenwissenschaftlicher Medien- und Informationsdienst. 4 de Novembro de 2006. . (em (em alemão)). Página visitada em 30/11/2006.
  3. Alemanha Euro-Islam.info. Página visitada em 30/11/2006.
  4. Christen in Deutschland 2006 (em Alemão).
  5. Blake, Mariah. No berço do nazismo, a Alemanha passa por um renascimento Judeu Monitor cristão científico. 10 de Novembro de 2006. Acessado em 30/11/2006.
  6. A comunidade judaica na Alemanha Congresso Judeu da Europa. .. Página visitada em 30/11/2006.
  7. Die Zeit 12/07, página 13
  8. Eurobarômetro dos Valores Sociais, Ciência e Tecnologia 2005 (página 11) (PDF). Página visitada em 05/05/2007.
  9. a b Comissão Europeia (2006). Eurobarômetro especial 243: Europeus e suas Línguas (Pesquisa) (PDF). Europa (web portal). Página visitada em 03/02/2007.
    Comissão Europeia (2006). Eurobarômetro especial 243: Europeus e suas Línguas (Pesquisa) (PDF). Europa (web portal). Página visitada em 03/02/2007.
  10. Comissão Europeia (2004). Muitas línguas, uma família. Línguas da União Europeia (PDF). Europa (web portal). Página visitada em 03/02/2007.
  11. National Geographic. National Geographic Collegiate Atlas of the World. Willard, Ohio: R.R Donnelley & Sons Company, April-2006. 257–270 pp. ISBN Regular:0-7922-3662-9, 978-0-7922-3662-7. Deluxe:0-7922-7976-X, 978-0-7922-7976-1

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