Iémen

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Demografia do Iémen)
Ir para: navegação, pesquisa
الجمهورية اليمنية
(Al-Jumhuriyyah al-Yamaniyah)

República do Iémen
Bandeira do Iémen
Brasão de armas do Iémen
Bandeira Brasão de armas
Lema: nenhum
Hino nacional: "الجمهورية" ("República Unida")
Gentílico: iemenita

Localização  República do Iémen

Capital Sana
15° 24' N 44° 12' E
Cidade mais populosa Sana
Língua oficial Árabe
Governo Governo provisório
(em disputa)
 - Presidente Abd Rabbuh Mansur Hadi (Aden)
 - Líder do Comitê Revolucionário Mohammed Ali al-Houthi (Sana'a)
Independência  
 - Iémen do Norte 1 de novembro de 1918, do Império Otomano 
 - Iémen do Sul 30 de novembro de 1967, do Reino Unido 
 - Unificação 22 de maio de 1990 
Área  
 - Total 527.968 km² (48.º)
 - Água (%) <0,1
 Fronteira Arábia Saudita (N) e Omã (E)
População  
 - Estimativa de 2011 23 833 000[1] hab. (48.º)
 - Densidade 39 hab./km² (136.º)
PIB (base PPC) Estimativa de 2007
 - Total US$ : 52.050 bilhões (145.º)
 - Per capita US$ : 2.335 (132.º)
IDH (2013) 0,500 (154.º) – baixo[2]
Gini (1998) 33,4 [3]
Moeda Rial iemenita (YER)
Fuso horário (UTC+3)
 - Verão (DST) não observado (UTC+3)
Clima Árido e semiárido
Org. internacionais ONU, OCI, Liga Árabe
Cód. ISO YEM
Cód. Internet .ye
Cód. telef. +967
Website governamental http://www.yemen
parliament.com/

Mapa  República do Iémen

O Iémen (português europeu) ou Iêmen (português brasileiro)[nota 1] (em árabe اليَمَن, transl. al-Yaman) é um país árabe que ocupa a extremidade sudoeste da Península da Arábia. É limitado a norte pela Arábia Saudita, a leste por Omã, a sul pelo mar da Arábia e pelo golfo de Áden, do outro lado do qual se estende a costa da Somália e a oeste pelo estreito de Bab el Mandeb, que o separa de Djibouti, e pelo mar Vermelho, que providencia uma ligação à Eritreia. Além do território continental, o Iémen inclui também algumas ilhas situadas ao largo do Corno de África, das quais a maior é Socotorá. A capital é Sana.

O país abrigou os Sabeus e o Reino de Sabá,[7] [8] [9] um estado de negociação que floresceu por mais de mil anos e, provavelmente, também estendeu-se à Etiópia e a Eritreia. Em 275 d.C, a região caiu sob o domínio judeu, originando o Reino Himiarita.[10] O cristianismo chegou no século IV, enquanto o judaísmo e o paganismo já estavam estabelecidos. O islamismo espalhou-se rapidamente no século VII e as tropas iemenitas foram cruciais para a expansão das conquistas islâmicas iniciais.[11] A administração do Iémen tem sido notoriamente difícil.[12] Várias dinastias surgiram a partir do século XVI, sendo a Rasulid a mais forte e próspera. O país dividiu-se entre os impérios Otomano e Britânico, no início do século XX. O Reino Mutawakkilite do Iêmen foi estabelecido após a Primeira Guerra Mundial, sendo que o Iémen do Norte tornou-se na República Árabe do Iémen, em 1962, enquanto o Iémen do Sul continuou a ser um protetorado britânico até 1967. Os dois Estados uniram-se para formar a República Moderna do Iémen em 1990.

O Iémen é um país em desenvolvimento.[13] Sob o governo do presidente Ali Abdullah Saleh, o Iémen foi descrito como uma cleptocracia.[14] De acordo com o Índice de Perceção da Corrupção, divulgado pela Transparência Internacional, o Iémen está classificado na 164ª posição entre 182 países pesquisados​​.[15] A 15 de janeiro de 2011, uma série de protestos contra a pobreza, o desemprego e a corrupção foram iniciados no país, bem como contra o projeto de alteração da Constituição do Iémen e eliminação do limite de mandatos presidenciais.[16]

História[editar | editar código-fonte]

A 22 de Maio de 1990 foi criada a República do Iémen, resultando da unificação entre a República Árabe do Iémen (ou Iémen do Norte) e a República Democrática do Iémen (ou Iémen do Sul).

A República Árabe do Iémen tinha-se tornado independente do Império Otomano em Novembro de 1918 e a República Democrática do Iémen alcançou a independência do Reino Unido a 30 de Novembro de 1967. A ilha de Socotorá, localizada estrategicamente na entrada do golfo de Áden, foi incorporada no território iemenita em 1967.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Paisagem de Haraaz
Montanhas do norte iemenita
Reservatório de água em Haraz

Com 527 970 km2 (203 850 sq mi), o Iêmen é o 49° maior território do mundo, com uma área comparável à da França ou à do Estado brasileiro da Bahia e 5,7 vezes maior que Portugal. Localiza-se na Ásia Ocidental, ao longo da metade meridional da Península Arábica, cercado pelo Mar da Arábia, pelo Golfo de Aden e pelo Mar Vermelho. Encontra-se a sul de Arábia Saudita e oeste de Omã, entre as latitudes 12° e 19° N e longitudes 42° e 55° E. O país pode ser dividido geograficamente em quatro regiões principais: as planícies costeiras do oeste, o planalto ocidental, os planaltos orientais, e o Rub' al-Khali no leste.

O Tihamah ("terra quente" ou "terras quentes") forma uma planície costeira muito árida e plana ao longo de toda costa do Mar Vermelho do Iêmen. Apesar da aridez, a presença de muitas lagoas torna esta região muito pantanosa e um terreno fértil adequado para mosquitos que transmitem a malária. Há extensas dunas de areia em forma de meia-lua. A evaporação no Tihamah é tão grande que os fluxos das terras altas nunca chegam ao mar, mas eles contribuem para extensas reservas de águas subterrâneas, que são intensamente exploradas para uso agrícola. Perto da aldeia de Madar, ao norte de Sanaa, foram encontradas pegadas de dinossauros, indicando que a área teve lama. O Tihamah termina abruptamente na escarpa das montanhas ocidentais. Esta área, agora fortemente baseada em terraceamento para atender a demanda por alimentos, recebe a maior precipitação da península Arábica, aumentando rapidamente de 100 mm (3 9 in) por ano para cerca de 760 mm (29 9 in) em Taiz e aproximadamente 1 000 mm (39 4 in) em Ibb. As temperaturas são quentes no dia, mas caem drasticamente durante a noite. Há rios perenes nas terras altas, mas estes nunca chegam ao mar por causa da alta taxa de evaporação no Tihamah.

As terras altas centrais são um extenso planalto sobre uma elevação de 2 000 metros (6 562 pé). Esta área é mais seca do que as montanhas ocidentais, mas ainda recebe chuva suficiente em anos chuvosos para extenso cultivo. O armazenamento de água permite a irrigação e o cultivo de trigo e cevada. Sanaa está nesta região. O ponto mais alto no Iêmen é Jabal um Nabi Shu'ayb, com 3 666 metros (12 028 pé).

Parcela do deserto Rub' al-Khali no leste é muito menor, geralmente abaixo de 1 000 metros (3 281 pé), e recebe quase nenhuma chuva, sendo preenchida apenas por pastores beduínos de camelos. A crescente escassez de água é uma fonte de crescente preocupação internacional.

Dentre as mais importantes ilhas do Iêmen, destacam-se Hanish, Kamaran e Perim (ambas no Mar Vermelho) e Socotra (no Mar da Arábia). Muitas são de origem vulcânica, por exemplo Jabal al-Tair, que teve registrada uma erupção vulcânica em 2007 e, antes disso, em 1883.[17]

Política[editar | editar código-fonte]

O chefe de Estado do Iémen é o presidente, que é eleito para um mandato de sete anos. O presidente é responsável pela nomeação do vice-presidente, do primeiro-ministro e dos membros do governo. O poder legislativo reside no parlamento de duas câmaras. A câmara alta do parlamento recebe o nome de Shura, sendo composta por 111 membros nomeados pelo Presidente. A câmara baixa é constituída 301 membros eleitos para mandatos de seis anos.

Símbolos nacionais[editar | editar código-fonte]

Bandeira[editar | editar código-fonte]

A bandeira nacional do Iémen foi adotada a 22 de maio de 1990, no mesmo dia que o Iémen do Norte e o Iémen do Sul se unificaram. O padrão de faixas vermelha, branca e preta também estava presente nas bandeiras destes países, simbolizando pan-arabismo, assim como as bandeiras do Egipto, Síria, Iraque, entre outras.

Segundo a descrição oficial, as cores significam:

  • Vermelho: representa o derramamento de sangue de mártires e unidade;
  • Branco: representa o futuro brilhante;
  • Preto: representa o passado escuro.

Brasão de armas[editar | editar código-fonte]

O brasão de armas do Iémen retrata uma águia dourada com um pergaminho entre as suas garras. Sobre a rolagem, está escrito o nome do país em árabe: الجمهورية اليمنية ou Al-Jumhuriyyah Al-Yamaniyah. O peito da águia contém um escudo que retrata plantas de café e os Marib Dam, sendo que abaixo se encontram quatro listras azuis e três listras brancas, em forma de ondulação. Os suportes, à direita e à esquerda da águia, seguram a Bandeira do Iémen.

Hino nacional[editar | editar código-fonte]

"República Unida" é o hino nacional do Iémen. Escrito por Abdallah "al-Fadhool" Abdulwahab Noman e composto por Ayob Tarish, foi o hino da República Popular Democrática do Iémen (Iémen do Sul) e tornou-se o hino de todo o Iémen, com a unificação dos dois em 1990.

Forças Armadas[editar | editar código-fonte]

Criadas em 1990, as Forças Armadas do Iémen são compostas pelo Exército, pela Marinha, e pela Força Aérea. Elas tem um papel importante na história do país, principalmente nos últimos conflitos em que o país esteve envolvido.[carece de fontes?]

Demografia[editar | editar código-fonte]

Eis alguns dados sobre a demografia do Iémen:

  • Composição étnica: os iemenitas são árabes; há uma reduzida minoria persa no litoral norte.
  • Religião: islamismo (oficial). Muçulmanos, 99,9%; outros, 0,1%.
  • Idiomas: árabe (oficial).


Subdivisões[editar | editar código-fonte]

Mapa de subdivisões do Iêmen

O Iémen está dividido em 19 muhafazat ("províncias", singular - muhafazah) e uma cidade (capital):

  1. Abyan
  2. 'Adan
  3. Ad Dali'
  4. Al Bayda'
  5. Al Hudaydah
  6. Al Jawf
  7. Al Mahrah
  8. Al Mahwit
  9. 'Amran
  10. Dhamar
  11. Hadramaute
  12. Hajjah
  13. Ibb
  14. Lahij
  15. Ma'rib
  16. Sa'dah
  17. Sanaá
  18. Shabwah
  19. Ta'izz

Economia[editar | editar código-fonte]

A economia do Iémen é predominantemente rural e agrícola. É favorecida, nesse aspecto, por ser a única região da península árabe com chuvas regulares.

Das rendas originadas pelas exportações, 95% são devidas ao petróleo. É, no entanto, o país mais pobre do Médio Oriente.

A expulsão de mais de um milhão de trabalhadores iemenitas da Arábia Saudita durante a Guerra do Golfo, em 1990, teve como consequência um acentuado declínio económico. A desigualdade social do país é considerada mediana e menor do que alguns países da OCDE.[18]

Eis alguns indicadores da economia do Iémen:

Cultura[editar | editar código-fonte]

O Iémen é um país culturalmente rico com influência de muitas civilizações, como a antiga civilização de Sheba.

Mídia[editar | editar código-fonte]

A transmissão de rádio no Iémen começou nos anos 40, quando o país ainda era dividido entre o Sul, do Império Britânico, e o Norte dos Imami. Após a unificação do Iémen, em 1990, o governo reformou as corporações e fundou mais alguns canais de rádio que fazem transmissões locais. Contudo, isso recuou após 1994, devido à destruição da infraestrutura provocada pela guerra civil.

A televisão é a plataforma mais significativa do Iémen. Dado o alto índice de analfabetismo no país, a televisão é e principal fonte de notícias dos iemenitas. Existem seis canais de TV aberta no país, dos quais quatro deles são estatais.[19]

A indústria de cinema iemenita encontra-se no seu estágio inicial; apenas dois filmes iemenitas haviam sido lançados até 2008.[carece de fontes?]

Desportos[editar | editar código-fonte]

O futebol é o desporto mais popular do Iémen. A seleção nacional do Iémen compete na FIFA e na Confederação Asiática de Futebol. O país também possui diversas equipas de futebol que disputam em ligas nacionais e internacionais.

As montanhas do Iémen provêm muitas oportunidades para desportos ao ar livre, como ciclismo, escalada, hill climbing, salto em montanha, e alpinismo mais desafiador. Alpinismo e viagens de canoa para as Montanhas Sarawat e a Jabal an Nabi Shu'ab, incluindo os picos de 5000m na região, são organizadas sazonalmente por agências de alpinismo locais e internacionais.

A costa do Iémen e da ilha de Socotra também oferece oportunidades de desportos aquáticos, como surf, bodyboarding, vela, natação e mergulho. A ilha de Socotra é um dos melhores destinos do mundo para a prática do surf.

O salto sobre camelo é popular na tribo Zaraniq, da costa oeste do Iémen, na planície desértica do Mar Vermelho. Os camelos são reunidos e dispostos lado a lado. Os atletas saltam ao largarem em movimento para ganharem altura e distância no ar. Os saltadores treinam durante o ano todo para as competições. Os membros da tribo amarram suas vestes ao redor da cintura para não se atrapalharem ao correr e saltar.[20]

O maior evento desportivo do Iémen foi a Copa das Nações de 2010, em Áden e Abyan, no sul do país, a 22 de novembro de 2010. Esperava-se que o Iémen fosse o competidor mais forte, mas foi derrotado nos três primeiros jogos do torneio. [21]

Feriados[editar | editar código-fonte]

Data Feriado Observação
1 de Maio Dia do Trabalho
22 de Maio União Nacional Celebra a unificação da República do Iémen
26 de Setembro Dia da Revolução 1962 Celebra a revolução contra os Iémens do norte
14 de Outubro Dia da Revolução 1964 Celebra a revolução contra Britânicos no sul
30 de Novembro Dia da Evacuação Saída do último soldado Britânico do Iémen do Sul

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. Existem também as alternativas Iémene[4] [5] (português europeu) ou Iêmene[6] (português brasileiro).

Referências

  1. Statistical Yearbook 2011 (em inglês) Central Statistical Organisation (2011). Visitado em 5 de abril de 2015.
  2. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD): Human Development Report 2014 (em inglês) (24 de julho de 2014). Visitado em 3 de agosto de 2014.
  3. CIA World Factbook, Lista de Países por Coeficiente de Gini (em inglês)
  4. Iémene
  5. Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
  6. Verbete "iemênico" Dicionário Aulete Digital Lexicon Editora Digital. Visitado em 10 de abril de 2015.
  7. Robert D. Burrowes. Dicionário Histórico do Iémen. [S.l.: s.n.], 2010. ISBN 0810855283
  8. St. John Simpson. Queen of Sheba: treasures from ancient Yemen. [S.l.: s.n.], 2002. ISBN 0714111511
  9. Kenneth Anderson Kitchen. On the Reliability of the Old Testament. [S.l.: s.n.], 2003. ISBN 0802849601
  10. Yaakov Kleiman. DNA & Tradition: The Genetic Link to the Ancient Hebrews. [S.l.]: Devora Publishing, 2004. p. 70. ISBN 1930143893
  11. Marta Colburn. The Republic of Yemen: Development Challenges in the 21st Century. [S.l.]: CIIR, 2002. p. 13. ISBN 1852872497
  12. Karl R. DeRouen, Uk Heo. Civil Wars of the World: Major Conflicts Since World War II, Volume 1. [S.l.]: ABC-CLIO, 2007. p. 810. ISBN 1851099190
  13. Yemen: World Bank Projects To Promote Water Conservation, Enhance Access To Infrastructure And Services For Poor Banco Mundial. Visitado em 7 de agosto de 2014.
  14. Laura Etheredge. Saudi Arabia and Yemen. [S.l.]: The Rosen Publishing Group, 2011. p. 137. ISBN 1615303359
  15. Transparency International's 2009 corruption index: the full ranking of 180 countries Transparency international (17 de novembro de 2009). Visitado em 7 de agosto de 2014.
  16. James L. Gelvin. The Arab Uprisings: What Everyone Needs to Know. [S.l.]: Oxford University Press, 2012. p. 68. ISBN 019989177X
  17. James Orr (1 de outubro de 2007). Volcano erupts on Yemeni island, killing soldiers (em inglês) The Guardian. Visitado em 31 de março de 2015.
  18. Country Comparison :: Distribution of family income - Gini index
  19. Arab Media Outlook 2011-2015 (2012).
  20. The Sport of Camel Jumping Smithsonianmag.com. Visitado em 2013-02-22.
  21. Yemenis open up about the Gulf Cup Yemen Today. Visitado em 8 February 2011.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Iémen