Dependência psicológica

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Dependência psicológica
Ilustração de campanha em combate ao alcoolismo do governo da Eslovénia. O consumo de álcool está associado a 3,2% de todas as mortes no mundo.[1]
Classificação e recursos externos
CID-10 No caso de drogas: (F1X.2)
Star of life caution.svg Aviso médico

Dependência psicológica é a necessidade de determinado comportamento para viver normalmente e sentir-se confortável.[2] Está fortemente associada às drogas, que podem causar dependência tanto psicológica quanto física. A dependência psicológica pode aparecer independentemente e é de tratamento lento e difícil, diferentemente da dependência física.[3]

Definição e funcionamento[editar | editar código-fonte]

A dependência psicológica se caracteriza pela relação entre a pessoa e o objeto de seu vício. Caso abstenha-se do uso daquela atividade, ela passará por stress e mal-estar, então sente que deve utilizar a substância. São frequentemente presentes nas drogas que causam dependência psicológica efeitos como o relaxamento, alegria, euforia e sensação de poder e percepção maiores.[4] A dependência trata-se da troca de prioridades de um indivíduo onde, devido aos bons estímulos conseguidos, comportamentos mais frequentes tornam-se obsoletos e o comportamento vicioso cresce em importância. A dependência define-se, então, como a relação de uma pessoa com uma atividade que traz danos biológicos ou sociais que está fora do controle deste indivíduo.[5]

O funcionamento biológico da dependência psicológica dá-se no sistema de recompensa do cérebro. As atitudes que nos causam a sensação de prazer estão sendo encorajadas com esta sensação pelo sistema. É pela ativação farmacológica do sistema de recompensa que funciona uma droga e é esta a principal razão pela qual são viciantes. Não só operam ativando este sistema, mas algumas drogas o aceleram consideravelmente. A heroína aumenta a frequência de liberação neural de dopamina. A cocaína, por sua vez, aumenta a disponibilidade de dopamina na atividade cerebral.[6] Caracteriza-se como um vício a descontrolada necessidade de usar algo para ativar uma recompensa cerebral, de forma que a busca por aquilo causa consequências sociais e comportamentais maléficas para o indivíduo.[7] É desta forma que, usando uma droga, uma pessoa obtém prazer. Pois o fármaco ative o sistema de recompensa do cérebro. Por este motivo, as drogas que lidam com o humor, sensações e as que afetam o sistema nervoso central são as mais propensas a causar dependência psicológica.[4] Pelo mesmo motivo, o LSD não causa dependência porque apenas produz alucinações, não dando prazer algum.[7] [8] É importante compreender que não simplesmente por ser capaz de ativar o sistema de recompensas uma substância está causando dependência psicológica, pois nesta visão o açúcar seria igualmente problemático. A inabilidade de controlar a frequência e a necessidade de satisfação para manter-se confortável com a própria consciência são de fato o que constituem a dependência psicológica.[9]

Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]

Existem muitas similaridades entre o vício em jogo, em sexo, comida ou em musculação e o vício em drogas. Muitos sintomas são os mesmos e o tratamento também é bastante voltado pro desenvolvimento de tolerância a frustrações e auto-controle.

Os sintomas mais comuns:

  • Muita ansiedade;
  • Dificuldade de concentração;
  • Desejo constante e persistente pela fonte do vício;
  • Problemas de sono (dormir muito mais, acordar várias vezes ou ter insônia);
  • Alteração bem significativa na alimentação (comer muito mais ou muito menos);
  • Inquietude;
  • Mal humor;
  • Irritabilidade e impaciência;
  • E agressividade (voltada a outros e/ou a si mesmo).

É difícil diferenciar quais são sintomas de dependência química e quais são de dependência psicológica pois frequentemente elas ocorrem juntas. Porém, mesmo em vícios a estímulos que não causam dependência química (como jogos), esse sinais e sintomas são comuns.

Comorbidades comuns[editar | editar código-fonte]

A dependência psicológica se relaciona bastante como comorbidade de algumas patologias como:

Recaídas[editar | editar código-fonte]

Sem a presença do estímulo, caso a pessoa não tenha estrutura psicológica para tolerar frustrações e lidar com sensações desagradáveis é altamente provável (mais de 80% dos casos) que ela entre em depressão e eventualmente retorne ao vício. Isso é ainda mais marcante no vício a drogas psicotrópicas (inclusive álcool e cigarro).[3]

Tratamento[editar | editar código-fonte]

Star of life caution.svg
Advertência: A Wikipédia não é consultório médico nem farmácia.
Se necessita de ajuda, consulte um profissional de saúde.
As informações aqui contidas não têm caráter de aconselhamento.

A terapia analítico-comportamental e terapia cognitivo-comportamental são as mais eficientes no tratamento de dependências, sendo mais eficazes quando associadas a tratamento farmacológico adequado para o transtorno primário (geralmente antidepressivo ou estabilizante de humor). Clínicas de reabilitação são recomendadas para os casos mais graves.

O principal foco do tratamento geralmente é:

  • Desenvolver maior tolerância a frustrações (resiliência);
  • Desenvolver comportamentos mais saudáveis para lidar com a ansiedade;
  • Aumentar o autocontrole diante do estímulo prazeroso;
  • Melhorar as habilidades sociais, para que o indivíduo não dependa do vício para se socializar;
  • Formar e manter uma rede de apoio e proteção.

É comum que instituições religiosas ofereçam apoio para tratamento de vícios, e algumas pessoas preferem e reagem melhor a esse apoio, porém o tratamento não depende de religiões para ser eficiente. Existem hospitais e clínicas especializadas que fornecem tratamento independente de filiação religiosa.

Referências

  1. Instituto Nacional de Câncer (2003). Inquérito Domiciliar sobre Comportamentos de Risco e Morbidade Referida de Doenças e Agravos não Transmissíveis inca.gov.br. Visitado em 5 de fevereiro de 2012.
  2. Centre for Addiction and Mental Health (Centro para a Dependência e Saúde Mental). What is addiction? Addiction: An information guide. Visitado em 5 de fevereiro de 2012.
  3. a b Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas. Dependência Universidade Federal de São Paulo. Visitado em 5 de fevereiro de 2011.
  4. a b Dependência e toxicomania - Secção 7 : Perturbações mentais - Manual Merck para a Família MSD. Merck & Co., Inc. (2002). Visitado em 5 de fevereiro de 2012.
  5. Howard J. Shaffer, Ph.D., C.A.S.. What is Addiction?: A Perspective Cambridge Health Alliance. Visitado em 5 de fevereiro de 2011.
  6. Addiction Science Network (28 de março de 1998). The Biological Basis of Addiction addictionscience.net. Visitado em 5 de fevereiro de 2011.
  7. a b Drauzio Varella. Dependência química drauziovarella.com.br. Visitado em 5 de fevereiro de 2012.
  8. Passie T, Halpern JH, Stichtenoth DO, Emrich HM, Hintzen A. (2008). "The Pharmacology of Lysergic Acid Diethylamide: a Review". CNS Neuroscience & Therapeutics 14 (4): 295–314. DOI:10.1111/j.1755-5949.2008.00059.x. PMID 19040555.
  9. Michael A. Bozarth (1994). Pleasure Systems in the Brain Universidade Estadual de Nova Iorque em Buffalo. Visitado em 5 de fevereiro de 2012.