Der Eigene

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Adolf Brand em uma gravura de 1924.

Der Eigene (traduzido literalmente da Língua alemã: 'O próprio'), subtitulado com „ein Blatt für männliche Kultur“ (ou seja, 'uma revista para a cultura masculina') foi a primeira revista sobre e para homossexuais do mundo,[1] que durante 1896 até 1932 foi publicada por Adolf Brand (1874−1945). As primeiras dez edições foram publicadas quatro vezes ao ano, depois disto a revista saiu mensalmente, porém com certa irregularidade e com intervalos.[2]

O nome remete à obra de Max Stirner „Der Einzige und sein Eigentum“ (que traduzido ipsis verbis ficaria: "O próprio e sua propriedade/individualidade). Um dos subtítulos declarava ser uma revista mensal cultura e vida („Monatsschrift für Kunst und Leben“). Nas primeiras edições foram tratados a filosofia de Stirner e temas relacionados ao Anarquismo, deixando de fazê-lo no entanto nos anos seguintes. A partir de 1898 Der Eigene passou a conter principalmente poesia lírica, prosa, fotografia artística, e desenhos. Contribuições foram proporcionadas, entre outros, por Benedict Friedlaender, Klaus e Thomas Mann, Theodor Lessing, Erich Mühsam e Ernst Burchard.

A revista viu-se obrigada a defender-se da censura: Em 1903 foi registrado um processo legal contra ela especificamente devido a sua publicação da poesia „Die Freundschaft“ ('a amizade'), o qual foi desqualificado, uma vez descoberto que ele referenciava Friedrich Schiller. Em 1933 foram registradas várias buscas e confiscações na casa de Brand, o que impossibilitou a continuação de publicações de novas edições da revista.

Trecho de artigo[editar | editar código-fonte]

Kultur und Homosexualität por Otto Fischer: Der Eigene - Revista para amizade e liberdade, um caderno para a cultura masculina de Adolf Brand, editor.

Otto Fischer, escritor contribuinte à edição número nove da revista, no ano de 1920, postulou com seguridade sobre o assunto da homossexualidade em seu artigo Cultura e homossexualidade (Kultur und homosexualität):

Na batalha pela liberação dos homossexuais de antigos parágrafos pré-diluviais deve-se fazer referência com toda ênfase no surgimento biológico da atração sexual invertida e também referir-se à importância disto para a história da cultura da humanidade. Amplos círculos da população, dos mais simples obreiros, e adentrando-se aos níveis mais profundos dos círculos da sociedade, na companhia daqueles tidos como cultos, são empregados os conceitos mais absurdos e ridículos contra a homossexualidade. Uns pensam que a homossexualidade seja o resultado de atividades sexuais exercidas em exagero, que isto provocaria uma sobre-excitação dos nervos sexuais e que isto se manifestaria numa inversão dos desejos sexuais. Portanto, sobre-saturação seria a causa. Schopenhauer defendeu, por exemplo, em seu famoso trabalho “Die Welt als Wille und Vorstellung” (“O Mundo como Vontade e Representação) este ponto de vista. Outros por sua vez pensam que a índole homossexual seja uma doença e que, de acordo como tal, deva ser avaliada e curada por um médico. E o que mais poderia haver de idéias e confabulações ocupando espaço nas cabeças das pessoas! As mais recentes pesquisas e testes conduzidos pelos mais importantes homens da ciência têm informado que as acima citadas teorias estão fundamentadas em falsos pre-supostos, que elas são decrépitas, enquanto a inversão da atração sexual é vista como uma manifestação biológica da vida do ser humano. As pesquisas têm indicado que a homossexualidade existiu e ainda existe em todos os níveis culturais, em todos os tempos, e em todos os lugares. Até mesmo entre os povos nativos da África e Austrália, bem como entre os mais altos escalões culturais dos povos atuais da Europa e América. Não há país, nem civilização que jamais existiu, que não conheceu o amor do homem pelo homem. Até mesmo no reino animal são observados atos homossexuais. Frequentemente é feita a sugestão de que a homossexualidade surge em especial nas civilizações a caminho da decadência, como por exemplo, na Grécia e em Roma, mas isto de fato não confere, pois o amor entre homens ocorre até mesmo em povos saudáveis, fisicamente fortes, e em pleno florescimento, [...]

Tradução de Paul Beppler[3]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Joachim S. Hohmann (Editor): Der Eigene. Ein Blatt für männliche Kultur. Ein Querschnitt durch die erste Homosexuellenzeitschrift der Welt (trad. livre: Uma análise de perfil da primeira revista homossexual do mundo). Com uma contribuição de Friedrich Kröhnke. Foerster Verlag (casa editora), Frankfurt/M. e Berlim 1981.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Vgl. hierzu: Joachim S. Hohmann (Hrsg.), Reprint von Der Eigene
  2. Der Eigene. No banco de dados "Datenbank des deutschsprachigen Anarchismus" (DadA)
  3. O Próprio (Der Eigene), Número 9, Ano VIII (1920): Cultura e homossexualidadepor Otto Fischer - Trad. do alemão ao português por Paul Beppler, 27 de fevereiro de 2013. Riograndenser Hunsrückisch (Blog), Seattle, Washington - E.U.A., 27 de fevereiro de 2013.