Desenvolvimento desigual e combinado

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A lei do desenvolvimeno desigual e combinado é a teoria formulada pelo revolucionário marxista russo León Trotsky que compreende a ocorrência simultânea, em um processo de desenvolvimento econômico, de aspectos avançados e atrasados nos países, especialmente os periféricos do sistema mundial, nos quais um setor extremamente moderno da economia pode conviver de forma combinada o mais atrasado, resultando numa formação social particular, porém única, sem grandes contradições entre as classes dominantes. Esta elaboração é a base da teoria da revolução permanente do mesmo autor (BIanchi, 2013).

Histórico[editar | editar código-fonte]

A lei do desenvolvimento desigual e combinado é uma das faces mais conhecidas do pensamento de Trotsky. Como descreve Bianchi, para Nahuel Moreno (1981, p. 63), esta seria “a descoberta mais importante do marxismo e da ciência moderna", se constituindo como uma teoria que "unifica as leis genéticas e estruturais”. O teórico francês Ernest Mandel (1980, p. 37) a define como "a principal forma de aplicação da dialética à compreensão e transformação da realidade contemporânea". Já Michael Löwy aponta esta lei como "a contribuição mais importante do revolucionário russo à teoria marxista" (1998, p. 73 e 79).

Alvaro Bianchi descreve que, somente em 1957, 17 anos após a morte de Trotsky (1940), o filósofo e militante estadunidense George Novack publicará, na revista inglesa Labour Review, um ensaio no qual apresenta o conceito de “lei do desenvolvimento desigual e combinado” (cf. LEIDEN, 2007, p. 149). Novack foi, entretanto, muito além de Trotsky na apresentação desta lei, afirmando que ela seria uma das “leis fundamentais da história humana” (NOVACK, 1988, p. 9) e teria “raízes em acontecimentos comuns a todos os processos de crescimento, tanto na natureza como na sociedade” (idem, p. 15).

O desenvolvimento econômico nos países atrasados[editar | editar código-fonte]

Afirmava Trotsky que "quanto mais atrasado é um país, mais evoluída é a parte mais desenvolvida da sua economia" (Trótski considerava que esta seria a situação na Rússia pré-revolução de 1917). O raciocínio, aparentemente contraditório, analisava que, se um país começa a se industrializar tarde, adotará as indústrias mais modernas existentes no momento, logo, a incipiente indústria será altamente desenvolvida tecnológicamente, convivendo combinadamente com formas econômicas tradicionais.

Segundo Trotsky, quanto mais tarde um país se industrializasse, a burguesia local seria mais conservadora, já que o temor ao proletariado seria muito maior que a sua oposição à aristocracia e às demais classes dominantes antecedentes. Assim a burguesia optará por construir alianças com as classes dominantes para desenvolver o Estado burguês moderno e seu processo de industrialização, evitando romper com a estrutura de poder existente. Neste pensamento a única alternativa de projeto político para a classe trabalhadora não seria sua aliança com a burguesia, no apoio a uma Revolução burguesa, como teria acontecido na Revolução Francesa ao final do século XVIII, mas sim um projeto autônomo, o que empurraria às classes e grupos sociais oprimidos à luta contra o grande capital (o campesinato, as minorias nacionais, etc) e o consequente processo revolucionário social.

Esta lei fundamenta a chamada teoria da revolução permanente, onde se afirma que o proletariado não deve lutar por reformas sociais que auxiliem uma revolução burguesa mas diretamente pela revolução socialista, certamente esta proposição política tem a Revolução Russa de 1917 como seu modelo, pensamento desenvolvido por Trotsky na publicação "História da Revolução Russa".

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  • NOVAK, George. Desenvolvimento desigual e combinado da sociedade, Rabisco, 1988.
  • TRÓTSKI, Leon. A Revolução Permanente.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]