Destino Manifesto

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Esta pintura (cerca de 1872) de John Gast chamada de Progresso Americano é uma representação alegórica do Destino Manifesto. Na cena, uma mulher angelical, algumas vezes identificada como Colúmbia, (uma personificação dos Estados Unidos do século XIX), segurando um livro escolar, leva a civilização para o oeste, com colonos americanos, prendendo cabos telegráficos, por outro lado, povos nativos e animais selvagens são afugentados.

O Destino Manifesto é o pensamento que expressa a crença de que o povo dos Estados Unidos é eleito por Deus para civilizar a América, e por isso o expansionismo americano é apenas o cumprimento da vontade Divina. Os defensores do Destino Manifesto acreditavam que os povos da América não poderiam ser colonizados por países europeus, mas deveriam governar a si próprios.

"Be strong while having slaves", frase de propaganda política do século XIX que usava sua cultura para que pessoas de outros países achassem que os Estados Unidos eram o melhor país do mundo, virando essas pessoas até contra seus países de origem.

O Destino Manifesto se tornou um termo histórico padrão, frequentemente usado como um sinônimo para a expansão territorial dos Estados Unidos pelo Norte da América e pelo Oceano Pacífico [1]

As doutrinas do Destino Manifesto foram usadas explicitamente pelo governo e pela mídia norte-americana durante a década de 1840, até a compra de Gadsden (sendo também inclusa a compra do Alasca por alguns historiadores), como justificativa do expansionismo norte-americano na América do Norte. O uso formal destas doutrinas deixou de ser utilizado oficialmente desde a década de 1850 até o final da década de 1880, quando foi então revivido, e passou a ser usado novamente por políticos norte-americanos como uma justificativa para o expansionismo norte-americano fora da América. Após isto, o uso da ideologia do Destino Manifesto deixou de ser empregado explicitamente pela mídia e por políticos em geral, embora alguns especialistas acreditem que certas doutrinas do Destino Manifesto tenham, desde então, influenciado muito as ideologias e as doutrinas imperialistas norte-americanas até os dias atuais [1] .

O presidente James Buchanan, no discurso de sua posse em 1857 deixou bem claro a determinação do domínio norte-americano:

Da mesma forma, o candidato à presidência daquele país, Mitt Romney, que afirma-se mais um homem de negócios do um estadista, no discurso de abertura de sua campanha, em 2012, disse: "Deus não criou este país para que fosse uma nação de seguidores. Os Estados Unidos não estão destinados a ser apenas um dos vários poderes globais em equilíbrio. Os Estados Unidos devem conduzir o mundo ou outros o farão."

Índice

Origem da frase[editar | editar código-fonte]

A frase foi criada pelo jornalista Nova Iorquino John L. O'Sullivan em sua revista Democratic Review. Em um ensaio intitulado "Annexation", no qual exigia dos EUA a admitir a República do Texas na União.

O'Sullivan escreveu:

"Nosso destino manifesto atribuído pela Providência Divina para cobrir o continente para o livre desenvolvimento de nossa raça que se multiplica aos milhões anualmente."

O Texas se tornou um estado estadunidense logo após, mas a frase de O'Sullivan utilizada pela primeira vez atraiu pouca atenção.

Na segunda vez em que utilizou a citação, numa coluna do New York Morning News de 27 de Fevereiro de 1845, O'Sullivan tratava sobre o avanço das disputas de fronteiras com a Grã-Bretanha, onde afirmou que os Estados Unidos tinham o direito de reivindicar "o Oregon inteiro":

And that claim is by the right of our manifest destiny to overspread and to possess the whole of the continent which Providence has given us for the development of the great experiment of liberty and federated self-government entrusted to us. [E esta reivindicação é parte de nosso "destino manifesto" de avançar e possuir todo o continente que a Providência nos concedeu pelo desenvolvimento da grande experiência a nós confiada da liberdade e do auto-governo federalista.]

Isto é, O'Sullivan acreditava que Deus ("a Divina Providência") tinha dado aos Estados Unidos a missão de expandir a democracia republicana ("the great experiment of liberty" - "O grande experimento de liberdade") por toda América do Norte.

Devido a Grã-Bretanha não utilizar Oregon com propósitos de expansão da democracia, acreditava o jornalista, a reivindicação do território pelos britânicos poderia ser desconsiderada.

O'Sullivan acreditava que o Destino Manifesto era um ideal moral (uma "lei superior") que se sobrepunha a outras considerações, incluindo leis e acordos internacionais.

O extermínio dos povos indígenas na América do Norte[editar | editar código-fonte]

No início de sua história, os Estados Unidos eram formados pelas Treze Colônias. Ao se libertar da Inglaterra, houve a necessidade da expansão para o Sul e para o Oeste. O comércio e a indústria estavam crescendo rapidamente, havendo portanto a necessidade de aumentar os seus limites de atuação.

Ao passar do tempo, iniciou um sentido maior de patriotismo no povo das treze colônias. O avanço pelo continente gerou muitas batalhas contra os índios americanos. Nestas batalhas, foram exterminadas muitas nações indígenas que viviam há milhares de anos naquelas terras. Cada vez que havia uma vitória contra o inimigo, firmava-se um sentimento de superioridade sobre os outros povos. Realimentando o sentimento expansionista [1] .

Nesse contexto, pode-se citar Benjamin Franklin quando dizia: "Se faz parte dos desígnios da Providência extirpar esses selvagens para abrir espaço aos cultivadores da terra, parece-me oportuno que o rum seja o instrumento apropriado. Ele já aniquilou todas as tribos que antes habitavam a costa"[2]

O sentimento de superioridade racial[editar | editar código-fonte]

Esta superioridade acabou se transformando com o tempo na ideologia do Destino Manifesto, que se realimentou e gerando uma ideia fixa da pré-destinação dos norte americanos da época sobre os outros povos americanos descendentes de indígenas, hispânicos, e escravos negros. Capítulo à parte era o sentimento de superioridade racial dos norte americanos sobre os negros - estes, segundo muitos estudiosos da época, eram considerados um elo entre os animais e os seres humanos [1] .

A América para os americanos[editar | editar código-fonte]

Em 1821 o senador por Massachusetts, Edward Everett, demonstrando o pensamento estadunidense sobre os seus vizinhos da América Latina declarou: (sic)..."Nem com todos os tratados que possamos fazer, nem com todo o dinheiro que emprestarmos, poderemos transformar seus Bolívares em Washington".[editar | editar código-fonte]

Quando os norte americanos referem-se a si mesmos como americanos somente repetem a frase mais conhecida do presidente James Monroe, proferida no congresso estadunidense em 1823: "A América para os americanos". o contexto se referia à interferência européia nas então colônias em fase de independência nas Américas. No início do século XX, durante a política do Big Stick de Theodore Roosevelt, foi adotado sentido imperialista conhecido como "Corolário Roosevelt à Doutrina Monroe", consistia em considerar "América para os norte americanos".

A doutrina Monroe consistiu basicamente em três questões:

  • A não intervenção nos assuntos internos da América por países europeus.
  • A não criação de novas colônias por países europeus na América.
  • A não intervenção dos Estados Unidos em conflitos relacionados aos países europeus como guerras entre estes países e suas colônias [1] .

A invasão do Texas[editar | editar código-fonte]

Mapa mostrando a expansão dos Estados Unidos de 1803 a 1912

Entre 1820 e 1830, os norte americanos começaram a invadir lentamente o território do Texas que pertencia à República do México, era uma invasão benigna através da compra de terras, muito baratas. Ao entrar em território mexicano, grandes latifundiários levaram consigo as oligarquias e o trabalho escravo (O comportamento era muito parecido com o coronelismo). No México não havia escravatura, pois era proibida pela Constituição. Em 1835, o governo mexicano aprovou a Constituição Centralista Mexicana, reforçando a proibição da escravidão em território daquele país. Os grandes oligarcas norte americanos donos daquelas terras financiaram então uma revolução e proclamaram a independência do Texas em 1836. Formou-se então a República da Estrela Solitária, que passou a ser um protetorado dos Estados Unidos.

A República do Texas[editar | editar código-fonte]

Tão logo foi reconhecida a independência da República do Texas pelos norte americanos, fez-se um pedido formal de anexação à nação vizinha, sob a alegação de que os laços raciais do povo texano eram muito mais estreitos com os Estados Unidos do que com o México. Desta forma, em 1845, o Texas foi anexado ao território estadunidense.

Segundo informações coletadas da Biblioteca do Congresso estadunidense, que após da libertação do Texas, o povo mexicano da região de fronteira era muito violento, aumentando o índice de criminalidade. Foram necessárias portanto, medidas drásticas de contenção contra os criminosos e bandos de bandidos hispano-americanos.

A Guerra do México e a anexação dos territórios Califórnia, Novo México, Nevada, Arizona e Utah[editar | editar código-fonte]

Estas medidas de contenção do banditismo geraram muitos desentendimentos entre os dois países. Em 1846, houve um conflito de fronteira entre os Estados Unidos e o México. Os norte americanos acabaram declarando guerra ao país vizinho invadindo seu território e "libertando" a Califórnia, Novo México, Nevada, Arizona e Utah.

Metade do território mexicano foi perdida para os Estados Unidos, e grande parte do povo latino da região, ou foi morto, ou expulso para o que restou do México.

Abertura forçada do mercado do Japão[editar | editar código-fonte]

Em 1853 uma esquadra estadunidense força os japoneses à abertura das fronteiras e seus mercados aos Estados Unidos.

A invasão da Nicarágua[editar | editar código-fonte]

Em 1855 o mercenário William Walker desembarcou e atacou a Nicarágua dominando o país declarando-se presidente. Fazendeiros sulistas norte americanos imediatamente fundaram oligarquias na região. Walker porém foi derrotado e fuzilado em Honduras. Muitos dos fazendeiros tiveram que retornar aos Estados Unidos falidos e doentes.

John O'Sullivan e "O destino manifesto"[editar | editar código-fonte]

Em 1857, o jornalista estadunidense John O'Sullivan declarou que: (sic)...seria intolerável que prejudicassem nosso poder, limitando nossa grandeza e impedindo a realização do nosso "Destino Manifesto", que é estendermo-nos sobre o continente que a Providência fixou para o livre desenvolvimento de nossos milhões de habitantes, que anos após anos se multiplicam...

Influência sobre a Teoria do Espaço Vital (Lebensraum em alemão)[editar | editar código-fonte]

O Geógrafo alemão Friedrich Ratzel visitou a América do Norte no início de 1873[3] e se impressionou com a doutrina do Destino Manifesto nos EUA[4] . Ratzel simpatizava com os resultados do "Destino Manifesto", mas ele nunca usou o termo. Em vez disso, ele contou com a Tese da Fronteira de Frederick Jackson Turner[5] . Ratzel promoveu colônias ultramarinas para a Alemanha, na Ásia e África, mas não uma expansão em terras eslavas[6] . Depois alguns alemães reinterpretaram Ratzel para defender o direito do raça alemã de expandir na Europa, essa noção foi mais tarde incorporada na ideologia nazista[4] . Harriet Wanklyn argumenta que os políticos distorceram a teoria de Ratzel para objetivos políticos[7] .

A guerra contra a Espanha e a invasão dos territórios hispânicos[editar | editar código-fonte]

Em 1898, com a explosão de um navio estadunidense chamado Maine em Cuba, os EUA declaram a guerra contra a Espanha, os territórios espanhóis no Caribe e no Pacífico foram invadidos. Cuba permaneceu ocupada até 1902, sendo liberada pelos norte americanos depois da aprovação da emenda Platt. A emenda Platt era uma lei que dava direito aos norte americanos de invadir Cuba a qualquer momento em que interesses dos Estados Unidos fossem ameaçados. Esta lei permaneceu mantendo Cuba um protetorado estadunidense até 1933.

A anexação do Hawaii[editar | editar código-fonte]

Em 1898 o congresso estadunidense aprova a anexação das Ilhas do Havaí.

A Conferência Pan-americana[editar | editar código-fonte]

Em 1890, aconteceu a primeira Conferência Pan-americana. Esta propunha uma moeda comum no continente americano, o dólar, uma união aduaneira, um conselho de arbitragem de conflitos militares e econômicos em Washington, além de cobrança de tributos de proteção. O Brasil e a Argentina se opuseram, receberam retaliações econômicas do bloco liderado pelos norte americanos. Contra o Brasil, a principal retaliação foi o encerramento da importação do látex, contra a Argentina, a importação de gado e de trigo.

Roosevelt e o Big Stick[editar | editar código-fonte]

Em 1901 Theodore Roosevelt assumiu a presidência dos Estados Unidos, sua máxima era (sic)...Fale suave, mas tenha nas mãos um grande porrete que será bastante útil..., esta foi chamada da política do Big Stick. Seguindo esta orientação, sob os mais diversos pretextos os Estados Unidos ocuparam em nome da democracia Cuba entre 1906 a 1909, em 1912 e 1917 a 1922, o Haiti entre 1915 a 1934, a República Dominicana entre 1916 e 1924 e a Nicarágua entre 1909 a 1910 e 1912 a 1933.

O Canal do Panamá e a liberdade do povo panamenho[editar | editar código-fonte]

A região do Canal do Panamá pertencia à Colômbia, por uma questão de soberania os colombianos não aceitaram a proposta estadunidense da construção de um canal em seu território. Em 1903, o Senado da Colômbia negou-se a ratificar o Tratado de Hay-Herrán, que estabeleceria o arrendamento aos Estados Unidos de uma faixa de território do istmo do Panamá para construírem um canal e ter seu uso exclusivo por 100 anos. Como conseqüência os Estados Unidos insuflaram uma guerra separatista na região. Depois da intervenção de tropas estadunidense foi criado o Panamá, país que ficou sob o protetorado dos norte americanos. Em troca foi cedida a região para a construção do canal e o direito de explorá-la para sempre pelos norte americanos. Em meados de 1975, sob muita pressão internacional, e depois de muitos anos de negociações, os Estados Unidos aceitaram entregar o canal para o Panamá em 1999.

Os donos do Brasil[editar | editar código-fonte]

Todos os países da América sofreram em maior ou menor grau o efeito da doutrina do Destino Manifesto. Ora com intervenções militares, ora econômicas, políticas ou ideológicas. No Brasil também houve o domínio e compra de muitas terras gerando gigantescos oligopólios e a compra de companhias brasileiras por muitos empresários norte-americanos do início do século XX até a década de cinqüenta do mesmo século. Grande parte das atividades de extrativistas, construção de estradas de ferro, rodovias, mineração, geração de energia elétrica, águas e esgotos, transportes, indústrias de papel, metalúrgicas, mecânicas, navais entre outras, pertenciam àqueles grupos.

Percival Farquhar[editar | editar código-fonte]

De todos que vieram ao Brasil, o mais conhecido foi o norte-americano Percival Farquhar, o dono da Estrada de Ferro Madeira Mamoré, que ficou mais conhecida como a Ferrovia do Diabo, em cuja construção morreram muitos milhares de trabalhadores que viviam na selva amazônica sob as mais precárias condições de trabalho sub-humano e semi-escravidão. Em todo Brasil o senhor Farquar tinha suas indústrias voltadas quase que unicamente para o extrativismo vegetal e mineral. No Sul do Brasil no Estado Paraná, a empresa colonizadora pertencente ao empresário derrubou e enviou documentados mais de 250 milhões de pinheiros, estima-se que somada ao envio ilegal, a remessa chegou na ordem de 750 milhões de pinheiros, praticamente extinguindo toda a fauna e flora dependente das florestas de araucárias do Estado. No Estado de Santa Catarina a cifra ultrapassou à casa de 800 milhões de árvores retiradas com a conseqüente destruição da fauna e flora. Para remeter toda esta madeira para os Estados Unidos foram construídos milhares de quilômetros de estradas de ferro, no interior do Paraná e Santa Catarina. Quem pagou a construção destas ferrovias para uso particular do grupo norte-americano, foi o Governo Brasileiro. Uma das conseqüências das mazelas de uma de suas empresas, a Southern Brazil Lumber & Colonization Company foi a Guerra do Contestado, após a demissão de milhares de operários que haviam sido contratados para a construção da ferrovia.

América do Sul[editar | editar código-fonte]

Em todos os outros países da América do Sul, também houve a invasão benigna de empresas norte-americanas. Da Argentina foram levadas as mudas da Cola, da Bolívia, Colômbia, etc mudas de Coca, ambas destinadas à fabricação do refrigerante mais bebido do mundo [8] . Da Amazônia foram retiradas as mudas da Seringueira, além de muitos outros vegetais e minerais.

A conquista dos corações americanos[editar | editar código-fonte]

No final da década de 1930, seguindo sua doutrina do Destino Manifesto os Estados Unidos iniciaram sua fase de conquista dos "corações e mentes" da América (toda a América, não só a do norte). Começou a campanha de penetração cultural norte-americana ostensiva no Brasil e nos outros países americanos. O “american way of life” foi sendo introduzido gradativamente na sociedade latino-americana. No caso do Brasil, o plano era uma estratégia dos Estados Unidos para incentivar a solidariedade hemisférica de forma a enfrentar a influência do Eixo e consolidar-se como grande potência. O início da campanha foi a propagação através da propaganda dos "valores pan-americanos" , isto ocorreu durante as conferências interamericanas. Em agosto de 1940, foi criado o “Office of the Coordinator of Inter-American Affairs (OCIAA)” [9] , era um escritório chefiado pelo empresário Nelson Rockefeller vinculado ao Conselho de Defesa Nacional dos Estados Unidos.

Office of the Coordinator of Inter-American Affairs - OCIAA[editar | editar código-fonte]

As divisões da agência continham setores de relações culturais, comunicações, saúde, relações comercial e financeira [9] . Havia ainda diversas fundações dirigidas por senhoras de empresários americanos com a finalidade de filantropia e ajuda humanitária. Portanto, todas as atividades eram isentas de impostos e ainda recebiam dinheiro do governo brasileiro para atuarem em todo o território nacional. O OCIAA [9] , se subdividia em seções: música, cinema, imprensa, literatura, rádio, arte, finanças, exportação, problemas sanitários, transporte e educação infantil. O OCIAA atuou de forma ostensiva com o DIP [10] , principalmente nas pesquisas e implementação de técnicas para a criação de cartilhas escolares [9] .

O OCIAA na Imprensa e meios de comunicações brasileiros[editar | editar código-fonte]

Quando atuava nas áreas de informações e comunicações, a agência norte-americana veiculava na imprensa brasileira factóides favoráveis aos Estados Unidos. Difundiu no Brasil as técnicas mais modernas de manipulação comportamental mediante imagens agradáveis ligadas a tudo que era norte-americano [10] [11]

Difundiu por anos a impressão de que os produtos importados dos Estados Unidos faziam parte da moda e que produtos nacionais eram somente aceitos pela classe baixa da população, fomentou a diferenciação de classes e a criação de serviços de primeira classe para quem podia pagar e de segunda classe para quem não podia pagar [10] .

Este tipo de propaganda fez a classe média iniciar a onda consumista já no início da década de 1950, acelerando o comércio e a importação de produtos norte-americanos, principalmente automóveis e eletrodomésticos [10] .

Foram implantadas técnicas de publicidade no jornalismo nacional. Para isso era necessária a importação de equipamentos daquele país para transmissão e recepção de radiofotos, de forma a demonstrar a modernidade da imprensa norte-americana [10] .

A publicidade a serviço do domínio[editar | editar código-fonte]

Sob a coordenação do OCIAA, se iniciou uma campanha publicitária direcionada à classe média brasileira. Eram incentivados o luxo e o consumismo através das roupas caras e apetrechos de luxo de grande apelo popular [10] .

Os programas radiofônicos e as produções cinematográficas davam ênfase aos produtos de consumo, principalmente eletrodomésticos. A propaganda massificava a população e era largamente utilizada como um dos mais importantes instrumentos de propaganda da guerra [10] .

Programas de rádio transmitidos do território americano tinham penetração em todo o Brasil. O OCIAA através da rádio A Voz da América com suas antenas voltadas para o Brasil apresentava a cobertura em tempo real da guerra com slogans incitando aos brasileiros o quanto era bom ser "americano", há que se lembrar que brasileiros não são bem vindos em território americano [12]

As transmissões divulgavam durante todo o tempo a cultura norte-americana, seus usos e costumes. Eram reforçadas as publicidades direcionadas principalmente à classe média e aos jovens de faixa etária entre vinte e cinco e trinta anos em programas radiofônicos.

Bons exemplos de propaganda de guerra foram programas como "O Brasil na Guerra", "A Família Borges" e "Barão Eixo".

O uso do cinema[editar | editar código-fonte]

Os filmes de ficção e documentários norte-americanos tinham o papel de difundir a ideologia e cultura dos Estados Unidos, para tal, OCIAA usava as indústrias cinematográficas de Hollywood [9] .

O OCIAA evitava mostrar para a América Latina em seus filmes os costumes norte-americanos que poderiam a vir a ofender os brios e o modo de vida latino [9] .

Exemplo típico foram os famosos foras da lei mexicanos, tão comuns nos filmes de bang-bang. Estes foram eliminados das produções de Hollywood para evitar mal-estar entre os latinos.

Outro exemplo comum utilizado até a atualidade que procura disfarçar a discriminação racial contra os negros e latinos, bastante comum nos Estados Unidos eram, e ainda continuam sendo os filmes policiais dirigidos para a América Hispânica e Brasil. Nos filmes os policiais negros são companheiros inseparáveis de policiais brancos.

No caso de filmes dirigidos e exportados para a Argentina, e outros países hispânicos evitavam ofender os brios e o machismo dos latino-americanos, enaltecendo a masculinidade e a feminilidade latinas.

Disney[editar | editar código-fonte]

A criação de personagens para fomentar a política de boa vizinhança continental foi muito utilizada sob o comando do OCIAA [9]

Assim, os Estúdios Disney, criaram o papagaio Zé Carioca com a firme proposição de influenciar as crianças brasileiras em serem amigos das crianças norte-americanas, preparando as latinas para serem lideradas por aquelas no futuro [13] . O filme Alô Amigos demonstra bem a manipulação comportamental onde o "simpático e falador papagaio" enfatiza a amizade com o "nervoso e temperamental" Pato Donald, naturalmente a mensagem passada é que o papagaio aceita a liderança do pato em todas as ocasiões [14]

A preparação para a invasão[editar | editar código-fonte]

Devido à grande quantidade de trabalhadores estrangeiros que morreram durante as construções de ferrovias e rodovias por empreiteiros norte-americanos no Brasil desde o início do século XX, o OCIAA sabia que existiam doenças tropicais no território nacional que matavam indivíduos que não tinham imunidade àquelas enfermidades.

As principais doenças pesquisadas "humanitariamente" foram a malária e a Febre amarela. Visando "ajudar" a população enferma brasileira no controle das doenças, o OCIAA iniciou um ostensivo programa de educação médica e treinamento de enfermeiros brasileiros e estrangeiros nas selvas brasileiras.

Embora negado, sabe-se que o objetivo principal não era obter a aprovação da população à atuação da agência no Brasil. O povo sertanejo em grande parte pois grande parte era e é imune às várias endemias que assolam as florestas do Brasil, na realidade as pesquisas iam muito mais além.

As forças armadas norte americanas precisavam preparar o terreno para a provável chegada e manutenção de suas tropas e empresas mineradoras em território brasileiro com a finalidade de extrair materiais estratégicos a serem fornecidos às suas indústrias bélicas. Todas as jazidas conhecidas então na América do Norte estavam sendo exploradas e muitas estavam se exaurindo. Conforme acertado nas negociações em que ocorreu o alinhamento brasileiro à política norte americana, o Brasil passaria a ser um protetorado daquele país na época da Segunda Guerra Mundial por não ter poderio bélico suficiente para se defender de um inimigo externo [10] .

Foram construídas então bases aéreas, navais, fábricas de armas, metalúrgicas e siderúrgicas com financiamento oferecido por banqueiros norte-americanos sob o aval do Ministério da Defesa daquele país. A única condição era que as "empresas" fundadas deveriam ser orientadas por empresas de consultoria norte-americana e que a tecnologia e insumos deveriam ser comprados dos norte-americanos [10] .

Foi acertado também que certas ligas metálicas e certos artefatos não poderiam ser construídos em território brasileiro para salvaguardar as patentes de produtos daquela nação. Foi este o motivo em parte do atraso do Brasil em produzir certas ligas de aço resistentes e de não produzir ligas metálicas nacionais para solda elétrica até a década de 1950.

Carmem Miranda, o Zé Carioca, Coca-cola, a obrigatoriedade do ensino do inglês nas escolas públicas e as fábricas de cigarros[editar | editar código-fonte]

A portuguesa Carmem Miranda naquela época se tornou o símbolo da cultura brasileira nos Estados Unidos. O papagaio Zé Carioca ajudou a construir o estereótipo do brasileiro simpático e malandro, não muito chegado ao trabalho [10] .

A poderosa Coca-Cola utilizando de propaganda maciça, principalmente no cinema, iniciou uma campanha lançando "modismos" como novas vestimentas, roupas de praia e banho para senhoras e senhoritas, dando ênfase às formas femininas e à sensualidade acabou por substituir o consumo pela classe média dos sucos naturais. A família brasileira deixou então de beber a limonada, a laranjada, o suco de melancia, o suco de abacaxi e demais sucos de frutas tropicais. Um detalhe importante era a ênfase dada pelo fabricante norte-americano de que sua bebida deveria ser consumida pelas "famílias de bem", dando margem subliminar de que os consumidores de sucos não eram "consumidores premium" [10] .

O ensino de línguas estrangeiras nas escolas brasileiras, a exemplo do latim, do francês e do espanhol, passou a ser desestimulados pelo governo brasileiro influenciado pela propaganda norte-americana [10] .

As escolas estaduais passaram a ser obrigadas pelas esferas federais a substituir o ensino de quaisquer idiomas pelo inglês. No Estado de Santa Catarina, de forte influência de colonização alemã, o uso da língua germânica pela população passou a ser proibido e punido com prisão. As escolas que ensinavam aquela língua passaram a ser fechadas caso não mudassem o ensino para o inglês [10] .

O idioma inglês passou já naquela época a ser considerado a língua de "pessoas cultas". Nas reuniões, era de bom tom se referir em diversas ocasiões em idioma inglês para as mais diversas situações. Eram consideradas "charmosas" as expressões: "Oh my God", "My baby", "My little bear", etc.

Nas escolas, principalmente nas "particulares", era moda o uso de roupas de corte norte-americano entre os adolescentes já no início da década de 1950 [10] .

  • O vício do fumoiniciou sua caminhada pela publicidade dirigida a crianças através de pequenos "cigarros de chocolate" distribuídos nas escolas públicas. Era comum ver crianças de 6, 7 anos de idade na década de 1950 e 1960 sorvendo pequenas barras de chocolate idênticas aos cigarros que os adultos fumavam. As caixas onde eram acondicionados "os cigarrinhos de mentirinha" eram idênticas às carteiras dos cigarros verdadeiros. As crianças andavam às mãos de seus pais segurando os "cigarrinhos" da mesma forma que os adultos.

Nos "filmes de guerra" norte-americanos não eram raras as cenas de oferecimento de "cigarros americanos", inclusive entre os "inimigos" transmitindo assim a mensagem de que os "companheiros de vício" não tinham fronteiras.

Embora a venda e consumo de cigarros no Brasil tenha tido sua primeira onda na década de 1920, foi na época da Segunda Guerra Mundial que as grandes multinacionais do fumo norte-americanas (as européias seguiram a onda em seguida) tiveram uma verdadeira explosão das exportações do cigarro industrializado para o Brasil.

A aceitação do vício entre crianças e os adolescentes (além dos adultos) foi tão grande que as empresas se apressaram em construir novas fábricas no Brasil no final da década de 1940. As marcas Camel, Chesterfield, Pall Mall, Marlboro, Hollywood entre outras européias e norte-americanas tiveram no início da década de 1950 uma grande explosão de vendas. A população estava viciada em produtos norte-americanos.

O intervencionismo norte-americano contra o comunismo[editar | editar código-fonte]

Com o fim da Segunda Guerra Mundial e a conseqüente derrota do eixo, os Estados Unidos fizeram ser aprovada a Declaração de Solidariedade para a Preservação da Integridade Política dos Estados Americanos Contra a Intervenção do Comunismo Internacional, esta era a nova maneira dos norte-americanos continuarem sua presença nas Américas.

O comunismo[editar | editar código-fonte]

Agora era a vez do Comunismo; documento datado de março de 1954 afirmava que "(sic)...que o domínio ou controle das instituições políticas de qualquer Estado americano por parte do movimento internacional comunista, que tenha por resultado a extensão até o continente americano do sistema político de uma potência extracontinental, constituiria uma ameaça à soberania a à independência política dos Estados americanos, o que poria em perigo a paz da América".

Domínio político versus domínio econômico-financeiro[editar | editar código-fonte]

Porém tomando-se o intenso interesse de grandes grupos empresariais dos Estados Unidos em expandir suas empresas, por exemplo, na China, um país de governo comunista, pode-se concluir que, na verdade a pretensão de domínio mundial dos EUA não se dá na área política mas sim na esfera econômica. Ou de outra forma, o domínio do Estado através de subjugá-lo ao poder financeiro.

Dessa forma conseguiríamos entender o porquê de seu sistema eleitoral não tomar o voto como, ao mesmo tempo, um direito e um dever, como ocorre no Brasil, por exemplo. O voto, nos EUA, é facultativo às pessoas comuns. Se tomarmos o voto como expressão legítima de cidadania (não há como fugir do fato de que nós, as pessoas comuns, somos obrigatoriamente cidadãos de algum lugar e, ao mesmo tempo, temos o direito pleno a essa cidadania, conforme a Declaração dos Direitos Humanos), corromper essa natureza da cidadania, a saber, seu caráter a um tempo, de dever e de direito teria, como consequência, o estabelecimento da possibilidade da pessoa vir a ter o status de "quase-cidadão". Esse enfraquecimento da noção de cidadania aponta para o fato de que a noção de Estado, de Governo, nos EUA não é tão importante quanto a noção de poder econômico. O que legitimaria uma pessoa em sua cidadania estaria mais relacionado, dessa forma, a seu poder econômico e não à noção de existência nacional.

A eclosão de golpes por toda a América[editar | editar código-fonte]

Golpes militares começaram a derrubar presidentes dos vários países das Américas.[15] Foi derrubado Jacobo Arbens na Guatemala, Vargas no Brasil, entre outros [16] .

Em 1962, Cuba foi excluída da OEA. Em 1964 com o apoio da Operação Brother Sam houve o Golpe Militar de 1964 no Brasil. Em seguida, diversos países da América Latina tiveram seus governos derrubados por golpes e contra-golpes [17]

Devido a estes movimentos revolucionários e contra-revolucionários, os países da região perderam completamente o controle econômico, a região se transformou num caos, e as populações começaram a ser massacradas pelas mais diversas ditaduras militares [16] .

As economias implodidas[editar | editar código-fonte]

Na América do Sul, o empobrecimento real transformou economias de países em meras dívidas externas impagáveis

[18] .

À cada revolução, golpe e contra-golpe, sempre havia "alguém" pronto para emprestar o dinheiro necessário à conquista da "liberdade democrática" .

Atrás disso vieram os empréstimos para o "desenvolvimento" dos países do bloco americano, estes se endividaram novamente e tiveram que contrair mais empréstimos para pagar as dívidas geradas pelos golpes. Necessitavam de novos e novos empréstimos para pagar os juros que explodiram com as "crises" internacionais, do petróleo, etc.

Com a queda da União Soviética, os norte-americanos continuaram acreditando na sua doutrina do destino manifesto. Agora como maior potência militar e econômica do Planeta iniciaram a aculturação de outras nações sob o pretexto de combater o "terrorismo internacional".

O século XXI[editar | editar código-fonte]

Iniciando o século XXI, aconteceu a tragédia dos ataques terroristas às torres gêmeas.

Os Estados Unidos se viram frágeis, pois jamais haviam recebido um ataque tão violento em seu território no próprio continente.

Sua resposta foi a invasão do Afeganistão e do Iraque. O custo financeiro, político e moral do povo norte-americano está sendo gigantesco, e está colocando em xeque a sua doutrina do destino manifesto [19]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e Manifest Destiny: A Study of Nationalist Expansionism in American History. WEINBERG,Albert Katz. Ams Pr Inc; 1st AMS ed edition (June 1976), ISBN 9780404147068
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