Diálogo Meliano
O Diálogo Meliano é uma passagem da obra de Tucídides sobre a Guerra do Peloponeso (History of the Peloponnesian War, livro quinto, págs. 85 – 113).
Retrata um exemplo clássico do confronto do Liberalismo com o Realismo dentro do campo de Relações Internacionais e é usualmente parafraseado nas discussões que envolvam o pensamento realista. É uma peça peculiar, dada a sua escrita em forma de diálogo teatral, bastante diferente do estilo típico de Tucídides.
O contexto em que se baseia a obra é a invasão da ilha de Melos pelos atenienses em 416 a.C., durante a Guerra do Peloponeso. Os melianos sempre resistiram à influência da Liga de Delos (encabeçada por Atenas) e também resistiram à invasão ateniense subseqüente.
O autor cita um encontro entre representações de ambos os lados, em que um debate sobre os prós e os contras da invasão foi travado, tendo o lado de Atenas alegado, de início, que o interesse meliano representado no debate seria o da elite, que estava receosa de ver o apoio do povo meliano para Atenas. Essa passagem provavelmente reflete a opinião de Tucídides sobre a invasão de Melos e não possui base rigorosamente histórica.
Os argumentos lançados partem dos dois lados. Os atenienses propõem aos melianos que começassem a pagar tributos a Atenas e serem poupados, ou que lutassem até a própria destruição. Já os melianos alegam que sua neutralidade deveria ser respeitada (a ilha não se posicionava favoravelmente a nenhum dos dois lados da Guerra do Peloponeso, Atenas e Esparta); que a clemência de Atenas melhoraria as relações com Melos; que uma agressão ateniense faria com que Esparta interviesse em favor da ilha; e, finalmente, que os deuses protegeriam a ilha.
Frente a essas alegações, os atenienses adotam a postura mais rigorosa que se encontra no Realismo: os mais fortes fazem o que podem e os mais fracos sofrem na mesma medida. Afirmam que esse princípio é conhecido pelos espartanos e que estes não interviriam em favor de Melos, pois ajudar um Estado fraco e condenado não seria vantajoso para eles.
Com a recusa por parte dos atenienses, Melos é cercada e tomada em pouco tempo. A falta de apoio espartano, o reforço nos militares atenienses e as deserções melianas são determinantes para a queda da ilha. Segundo Tucídides, Atenas executa todo homem meliano em idade de recruta, vende todas as mulheres e crianças para escravidão e recoloniza a ilha já despovoada