Dia da Pátria

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Dia da Pátria
187º desfile da Independência.jpg
Desfile pelo 187º aniversário da independência, Bahia
Nome oficial Dia da Pátria
Outro(s) nome(s) Sete de Setembro
Dia da Independência
Tipo Histórico/cultural
Seguido por Brasil
Data 7 de setembro

O Dia da Pátria (também chamado Dia da Independência do Brasil ou Sete de Setembro) é um feriado nacional da pátria brasileira celebrado no dia 7 de setembro de cada ano. A data comemora a Declaração de Independência do Brasil do Império Português no dia 7 de setembro de 1822.

Origem[editar | editar código-fonte]

Em 1808, tropas francesas comandadas pelo imperador Napoleão Bonaparte invadiram Portugal como forma de retaliação ao país ibérico por sua recusa em participar do embargo comercial contra o Reino Unido. Fugindo da perseguição, a família real portuguesa transferiu a corte portuguesa de Lisboa para o Rio de Janeiro, então capital do Brasil Colônia. Em 1815, o príncipe regente D. João VI criou o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, elevando o Brasil à condição de reino subordinado a Portugal, aumentando as independências administrativas da colônia.

Em 1820, uma revolução política irrompeu em Portugal, forçando o retorno da família real. O herdeiro de D. João VI, o príncipe D. Pedro de Alcântara, permaneceu no Brasil. Em 1821, a Assembléia Legislativa portuguesa determinou que o Brasil retornasse à sua condição anterior de subordinação, assim como o retorno imediato do príncipe herdeiro do trono português. D. Pedro, influenciado pelo Senado da Câmara do Rio de Janeiro se recusou a retornar em 9 de janeiro de 1822, na data que ficaria conhecida como Dia do Fico.

Príncipe Pedro declarando a Independência do Brasil em 7 de setembro de 1822, conforme retratado na tela "Independência ou Morte" (1888) de Pedro Américo.

Em 2 de junho de 1822, dom Pedro convocou a primeira Assembléia Constituinte brasileira.[1] Em 1º de agosto, declarou inimigas as tropas portuguesas que desembarcassem no Brasil e, dias depois, assinou o Manifesto às Nações Amigas, justificando o rompimento das relações com a corte de Lisboa e garantindo a independência do país, como reino irmão de Portugal.[1]

Em 3 de setembro de 1822, um novo decreto com as exigências portuguesas chegou ao Rio de Janeiro, enquanto D. Pedro estava em viagem a São Paulo. Sua esposa, a princesa Maria Leopoldina, atuando como princesa regente, se encontrou com o Conselho de Ministros e decidiu enviar ao marido uma carta aconselhando-o a declarar a independência do Brasil. A carta chegou a D. Pedro no dia 7 de setembro. No mesmo dia, em cena famosa às margens do Riacho Ipiranga, ele declarou a independência do Brasil, pondo fim aos 322 anos do domínio colonial exercido por Portugal. De acordo com o pesquisador Laurentino Gomes, autor de livro sobre o evento, D. Pedro "não conseguiu esperar a chegada a São Paulo, onde poderia anunciar a decisão".[2] Gomes acrescenta que ele "era um homem temerário em suas decisões mas tinha o perfil do líder que o Brasil precisava na época, pois não havia tempo para se pensar".[2]

Um mês depois, em 14 de outubro de 1822, dom Pedro foi aclamado imperador e, em 1º de dezembro, coroado pelo bispo do Rio de Janeiro, recebendo o título de Dom Pedro I.[1] As províncias da Bahia, do Maranhão e do Pará, que tinham juntas governantes de maioria portuguesa, só reconheceram a independência em 1823, depois de muitos conflitos entre a população local e os soldados portugueses.[1]

No início de 1823, houve eleições para a Assembléia Constituinte que elaboraria e aprovaria a Carta constitucional do Império do Brasil, mas, em virtude de divergências com dom Pedro, a Assembléia logo foi fechada.[1] A 1ª Constituição brasileira foi, então, elaborada pelo Conselho de Ministros e outorgada pelo imperador em 20 de março de 1824.[1] Com a Constituição em vigor, a separação entre a colônia e a metrópole foi finalmente concretizada.[1] Mesmo assim, a independência só é reconhecida por Portugal em 1825, com a assinatura do Tratado de Paz e Aliança entre Portugal e Brasil, por D. João VI.[1]

Legislação[editar | editar código-fonte]

  • A lei federal número 662, publicada em 7 de abril de 1949, tornou o Dia da Pátria um feriado nacional pago.[3] [4]
  • A lei federal número 5.5714, publicada em 26 de novembro de 1969, estabeleceu o protocolo para as comemorações do Dia da Pátria.[5]

Comemorações[editar | editar código-fonte]

Desfile em 2005 em Brasília.

No Brasil[editar | editar código-fonte]

O Dia da Pátria é marcado por desfiles patrióticos na maioria das cidades brasileiras. O mais famoso deles ocorre em Brasília, na Esplanada dos Ministérios, sob a presença do Presidente da República. Cerca de 303 mil pessoas assistem ao evento, que custa cerca de um milhão de reais.[6] [7] Desfiles similares ocorrem em todas as capitais estaduais, sob a presença dos respectivos governadores, e em várias cidades em todo o país.

No exterior[editar | editar código-fonte]

Desfile em 2007 no Sambódromo do Anhembi, em São Paulo.

Em Nova Iorque, o evento Brazilian Day ocorre todos os anos em 8 de setembro para celebrar o Dia da Pátria.[8] O ponto central do evento é um show que já contou com a participação de diversos artistas famosos, tais como Daniela Mercury, Ivete Sangalo, Chitãozinho & Xororó, Skank, Sandy & Junior, Cláudia Leitte e Banda Calypso. Em 2008, o evento reuniu cerca de um milhão e meio de espectadores, de acordo com estimativas da polícia local.[8] A Rede Globo patrocina o evento e o transmite ao vivo para o Brasil e mais de 115 países através da Globo Internacional. Em 2003, o Brazilian Day se expandiu para outras cidades, como Toronto, Tóquio, Londres[9] e Luanda.

Eventos similares ocorrem em Deerfield Beach, Flórida,[10] San Diego[11] e Los Angeles, Califórnia.[12]

Referências

  1. a b c d e f g h 7 de setembro - Datas comemorativas UOL Educação. Visitado em 6 de setembro de 2011.
  2. a b Brasil, Ubiratan. "O impetuoso que o país precisava". O Estado de S. Paulo. September 5, 2010.
  3. Lei No 662, de 6 de Abril de 1949. Presidência da República.
  4. Decreto Nº 27.048 de 12 de Agosto de 1949. Presidência da República.
  5. Lei Nº 5.571, de 28 de Novembro de 1969. Soleis.adv.br.
  6. Menezes, Leilane. "30 mil pessoas devem assistir ao desfile de 7 de setembro na Esplanada". Correio Braziliense. September 4, 2010.
  7. "Festa de 7 de setembro vai custar quase R$ 1 milhão". O Globo. September 2, 2010.
  8. a b History of the Brazilian Day in NY Brazilian Day in New York.
  9. Brazilian Day London Brazilian Day London. Retrieved on 2009-07-13.
  10. Brazilian Day Florida Brazilian Day Florida. Retrieved on 2009-07-13.
  11. Brazilian Day San Diego Brazilian Day San Diego. Retrieved on 2009-07-13.
  12. Brazilian Day in L.A. Consulate General of Brazil. Retrieved on 2009-07-13.