Dialeto barranquenho

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Barranquenho é um dialecto raiano do português muito influenciado pelo espanhol. O dialecto barranquenho é falado na vila de Barrancos, situada próxima da fronteira com a Espanha, entre a Estremadura e a Andaluzia.

Leite de Vasconcelos fez o primeiro estudo do dialecto barranquenho que publicou no livro Filologia Barranquenha, editado postumamente em 1955.[1]

Dialecto misto[editar | editar código-fonte]

A base portuguesa deste linguema fica fortemente maquilhada pelas características das falas espanholas meridionais que o penetram. O mais característico desta fala ao ouvido é a aspiração do 's' e do 'z' finais, como o estremenho e o andaluz: 'cruh' (cruz), 'buhcá' (procurar)… Às vezes pode faltar inclusive a aspiração: 'uma bê' (uma vez). O 'j' e 'ge', 'gi' portuguesas pronunciam-se [x] como as espanholas.

Não se pronunciam 'l' e 'r' finais: 'Manué' (Manuel), 'olivá' (olivar), que voltam, contudo, a aparecer nos plurais: 'olivareh' (olivares). Se o 'l' trava sílaba, muda para 'r': 'argo' (algo). Como o espanhol, não diferencia entre 'b' e 'v': vaca ['baka']. Tal como em estremenho, os '-e' finais pronunciam-se '-i': 'pobri' (pobre). O pronome português de primeira pessoa 'nós' é sustituído pelo castelhano 'nusotrus'. A colocação dos pronomes aproxima-se mais à castelhana que à norma portuguesa: 'se lavô' (português lavou-se, espanhol se lavó).

Contém ademais muitas formas verbais de conjugação claramente castelhana: 'andubi' (port. andei, esp. anduve); 'supimus' (port. soubemos, esp. supimos).

Reconhecimento[editar | editar código-fonte]

O estado português não reconhece nem protege o uso do barranquenho.

Referências

  1. Vasconcelos, Leite de. Filologia Barranquenha - apontamentos para o seu estudo (1940, ed. 1955)
Ícone de esboço Este artigo sobre linguística ou um linguista é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.