Dialeto caipira

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O dialeto caipira é um dialeto da língua portuguesa falado no interior do estado de São Paulo, leste do Mato Grosso do Sul, sul de Minas Gerais, sul de Goiás,1 no Brasil. Difere acentuadamente do idioma padrão brasileiro em sua estrutura fonológica, sendo algumas características o /r/ aproximante alveolar [ɹ], retroflexo [ɻ], ou como vogal colorida [◌˞],2 3 a ausência de consoantes laterais palatais (lh), que são permutadas pela semivogal "i", a permutação do "l" de fim de sílaba por r, a apócope ou síncope em palavras proparoxítonas e a aférese em muitas palavras. Possui numerosas expressões próprias, e, ao contrário do que acontece com a língua padrão do Brasil e de Portugal, o plural só é indicado em um substantivo ou adjetivo quando este não é determinado por um artigo, ex.: singular: casa; plural: casas; singular: a casa branca, plural: as casa branca.4

Índice

Influência da língua tupi [editar]

A língua tupi, que era a língua habitual dos bandeirantes que ocuparam as regiões onde se fala atualmente o dialeto caipira, não apresentava alguns sons habitais da língua portuguesa, como os representados pelas letras f, l e r (de "rato", por exemplo)5 . Isso influenciou o atual dialeto caipira brasileiro. Por exemplo: o dialeto caipira se caracteriza pelo r gutural (como em "porta", "carta") e pela substituição do dígrafo "lh" por "i", como em "palha", "milho", que se leem "paia", "mio". Nos dois casos, ocorreu uma adaptação da fonética portuguesa à fonética tupi.[carece de fontes?] Outro ponto em comum entre a língua tupi e o dialeto caipira é ausência de diferenciação entre singular e plural: abá, em tupi, pode significar tanto "homem" quanto "homens"6 e o dialeto caipira usa tanto "a casa" quanto "as casa".

Dialetos [editar]

Possui morfologia e sintaxes próprias. Pode ser dividido em cinco subdialetos:[carece de fontes?]

Morfologia [editar]

Artigos [editar]

  • Definido: o, a, os, as
  • Indefinido: um, uma, uns, umas

No dialeto caipira, é o artigo que determina o número, permanecendo o substantivo inalterado. A sonoridade da sibilante, assim como nos outros dialetos da língua, é assimilada com a do fonema seguinte.

Exemplos [editar]

Os exemplos a seguir utilizam o Alfabeto Fonético Internacional.

<as mulheres> [az muˈjɛ], <os homens> [u ˈzomi], <as coisas> [as ˈkojzɐ], <os primos> [us ˈpɾimu] etc.

Verbos [editar]

Conjugação [editar]

  • No dialeto caipira, o verbo não é flexionado como acontece na norma culta—onde se obedece à concordância numérica—mas conjuga-se no singular.

Infinitivo [editar]

  • No dialeto caipira, os verbos no infinitivo têm o 'r' elidido:

Exemplos: <Brincar> [bɾĩˈka]; <Olhar> [oˈja]; <Comer> [koˈme]; <Chorar>: [ʃoˈɾa]; etc.

Gerúndio [editar]

  • O gerundio tem o 'd' nasalizado, assimilando a nasalidade da vogal que o antecede, mas as outras terminações em ←ndo> não sofrem esse fenômeno.7

Exemplos: <Falando> [faˈlɐ̃nu]; <Quando> [ˈkwɐ̃du]; <Dormindo> [duɹˈmĩnu]; <Lindo> [ˈlĩdu]; <Correndo> [koˈhẽnu]; <Segundo> [siˈɡũdu]; <Pondo> [ˈpõnu]; <Mundo> [ˈmũdu].

LH [editar]

Exemplo: <Falhou> [faˈjo]; <Mulher> [muˈjɛ]; <Alho> [ˈaju]; <Velho> [vɛˈju]; <Olhei> [oˈjej]; etc.

Semelhanças entre: /ʎ/ /j/
Palatal + +
Aproximante + +
Sonora + +
Lateral + -
Central - +

Características comuns a todo os subdialetos [editar]

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  • Uso constante do "r" aproximante alveolar (/ɹ/), entre sílabas ou no fim de palavras, típica característica desse dialeto: "porta" ['pɔɹtɐ] e "pomar" [po'maɹ].
  • Fricativas /s/ e /z/ nunca palatalizadas (característica também encontrada nos dialetos paulistano, sertanejo, brasiliense, mineiro e sulista): "estou" [is'to] e "desde" ['desd(ʒ)i].

Ver também [editar]

Referências

  1. RIBEIRO, José H. Música Caipira: da roça ao rodeio . São Paulo: Editora 34 Ltda, 1999. ISBN 85-7326-157-9.
  2. Características Fonético-Acústicas do /r/ Retroflexo do Português Brasileiro: Dados de Informantes de Pato Branco (PR). Irineu da Silva Ferraz. Pág. 19-21
  3. O /r/ em posição de coda silábica na capital do interior paulista: uma abordagem sociolinguística. Cândida Mara Britto LEITE. Pág. 111 (pág. 2 do PDF em anexo)
  4. AMARAL, Amadeu. O dialeto caipira. São Paulo: HUCITEC, 1976.
  5. NAVARRO, E. A. Método moderno de tupi antigo: a língua do Brasil dos primeiros séculos. Terceira edição revista e aperfeiçoada. São Paulo. Global. 2005. p. 13-17.
  6. NAVARRO, E. A. Método moderno de tupi antigo: a língua do Brasil dos primeiros séculos. Terceira edição revista e aperfeiçoada. São Paulo. Global. 2005. p. 27.
  7. Ferreira, Jesuelem Salvani e Tenani, Luciani.A redução do gerúndio à luz da Fonologia Lexical. pag. 63-64 (pag. 5 e 6 do pdf em anexo).

Ligações externas [editar]