Dialeto caipira
1 - Caipira
2 - Cearense
3 - Baiano
4 - Fluminense
5 - Gaúcho
6 - Mineiro
7 - Nordestino
8 - Nortista
9 - Paulistano
10 - Sertanejo
11 - Sulista
12 - Florianopolitano
13 - Carioca
14 - Brasiliense
15 - Serra amazônica
O dialeto caipira é um dialeto da língua portuguesa falado no interior do estado de São Paulo, leste do Mato Grosso do Sul, sul de Minas Gerais, sul de Goiás,1 no Brasil. Difere acentuadamente do idioma padrão brasileiro em sua estrutura fonológica, sendo algumas características o /r/ aproximante alveolar [ɹ], retroflexo [ɻ], ou como vogal colorida [◌˞],2 3 a ausência de consoantes laterais palatais (lh), que são permutadas pela semivogal "i", a permutação do "l" de fim de sílaba por r, a apócope ou síncope em palavras proparoxítonas e a aférese em muitas palavras. Possui numerosas expressões próprias, e, ao contrário do que acontece com a língua padrão do Brasil e de Portugal, o plural só é indicado em um substantivo ou adjetivo quando este não é determinado por um artigo, ex.: singular: casa; plural: casas; singular: a casa branca, plural: as casa branca.4
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Influência da língua tupi [editar]
A língua tupi, que era a língua habitual dos bandeirantes que ocuparam as regiões onde se fala atualmente o dialeto caipira, não apresentava alguns sons habitais da língua portuguesa, como os representados pelas letras f, l e r (de "rato", por exemplo)5 . Isso influenciou o atual dialeto caipira brasileiro. Por exemplo: o dialeto caipira se caracteriza pelo r gutural (como em "porta", "carta") e pela substituição do dígrafo "lh" por "i", como em "palha", "milho", que se leem "paia", "mio". Nos dois casos, ocorreu uma adaptação da fonética portuguesa à fonética tupi.[carece de fontes] Outro ponto em comum entre a língua tupi e o dialeto caipira é ausência de diferenciação entre singular e plural: abá, em tupi, pode significar tanto "homem" quanto "homens"6 e o dialeto caipira usa tanto "a casa" quanto "as casa".
Dialetos [editar]
Possui morfologia e sintaxes próprias. Pode ser dividido em cinco subdialetos:[carece de fontes]
- O primeiro, falado na região sul do estado de São Paulo (regiões do Vale do Ribeira, Sorocaba, Itapetininga e Itapeva), caracteriza-se pela marcação do "e" gráfico sempre pronunciado como fônico. Assim, palavras como "quente" e "dente" possuem o "e" átono pronunciado como /e/ e não como /i/, comum no português padrão do Brasil. Essa é também uma característica do português falado na região de Santa Catarina, Paraná e no Rio Grande do Sul.[carece de fontes]
- O segundo subdialeto é das regiões do Médio Tietê (Campinas, Piracicaba, Capivari, Porto Feliz, Itu, Santa Bárbara d'Oeste, Americana, Limeira, Rio Claro, São Carlos, Araraquara e Jaú). Caracteriza-se pelos erres retroflexos inclusive em início de sílaba (como em caro, parada) e em dígrafos (frente, crente). Caracteriza-se também pela não-palatalização dos grupos "di" e "ti" fônicos.[carece de fontes]
- O terceiro subdialeto compreende as regiões norte, nordeste e noroeste (Ribeirão Preto, Franca, São José do Rio Preto) e oeste (Araçatuba, Presidente Prudente, Bauru, Marília, Lins) do estado de São Paulo, região sudoeste de Minas Gerais (São Sebastião do Paraíso, Cássia (Minas Gerais), Passos (Minas Gerais)), além de parte do estado do Paraná e de Mato Grosso do Sul. Caracteriza-se pelos erres retroflexos só em corda vocálica (final de sílabas), tais como em "porta", "certo", "aberto" e palatização dos grupos "di" e "ti" fônicos.[carece de fontes]
- Um quarto subdialeto compreende a região Mesorregião do Vale do Paraíba Paulista (Taubaté, Guaratinguetá) e Litoral Norte (São Paulo). Caracterizando-se pelos erres retroflexos só em corda vocálica (final de sílabas), tais como em "porta", "certo", "aberto" e com ausência de palatização dos grupos "di" e "ti" fônicos.[carece de fontes]
- O quinto grupo corresponde ao Triângulo Mineiro e a maior parte do estado de Goiás. Compreende um subfalar com pronúncia tais como o grupo três e com ritmo típico do dialeto mineiro, com elevação do tom nas sílabas tônicas, e erres retroflexos só em corda vocálica (final de sílabas), tais como em "porta", "certo", "aberto" além da palatização dos grupos "di" e "ti" fônicos. O Sul de Minas Gerais e parte da Região Sul do estado do Rio de Janeiro possuem esta mesma variação de sotaque caipira.[carece de fontes]
Morfologia [editar]
Artigos [editar]
- Definido: o, a, os, as
- Indefinido: um, uma, uns, umas
No dialeto caipira, é o artigo que determina o número, permanecendo o substantivo inalterado. A sonoridade da sibilante, assim como nos outros dialetos da língua, é assimilada com a do fonema seguinte.
Exemplos [editar]
Os exemplos a seguir utilizam o Alfabeto Fonético Internacional.
<as mulheres> [az muˈjɛ], <os homens> [u ˈzomi], <as coisas> [as ˈkojzɐ], <os primos> [us ˈpɾimu] etc.
Verbos [editar]
Conjugação [editar]
- No dialeto caipira, o verbo não é flexionado como acontece na norma culta—onde se obedece à concordância numérica—mas conjuga-se no singular.
Infinitivo [editar]
- No dialeto caipira, os verbos no infinitivo têm o 'r' elidido:
Exemplos: <Brincar> [bɾĩˈka]; <Olhar> [oˈja]; <Comer> [koˈme]; <Chorar>: [ʃoˈɾa]; etc.
Gerúndio [editar]
- O gerundio tem o 'd' nasalizado, assimilando a nasalidade da vogal que o antecede, mas as outras terminações em ←ndo> não sofrem esse fenômeno.7
Exemplos: <Falando> [faˈlɐ̃nu]; <Quando> [ˈkwɐ̃du]; <Dormindo> [duɹˈmĩnu]; <Lindo> [ˈlĩdu]; <Correndo> [koˈhẽnu]; <Segundo> [siˈɡũdu]; <Pondo> [ˈpõnu]; <Mundo> [ˈmũdu].
LH [editar]
- No dialeto caipira, o fonema <LH> /ʎ/ (aproximante lateral palatal), funde-se à semivogal anterior /j/ (aproximante palatal).
Exemplo: <Falhou> [faˈjo]; <Mulher> [muˈjɛ]; <Alho> [ˈaju]; <Velho> [vɛˈju]; <Olhei> [oˈjej]; etc.
| Semelhanças entre: | /ʎ/ | /j/ |
|---|---|---|
| Palatal | + | + |
| Aproximante | + | + |
| Sonora | + | + |
| Lateral | + | - |
| Central | - | + |
Características comuns a todo os subdialetos [editar]
- Uso constante do "r" aproximante alveolar (/ɹ/), entre sílabas ou no fim de palavras, típica característica desse dialeto: "porta" ['pɔɹtɐ] e "pomar" [po'maɹ].
- Fricativas /s/ e /z/ nunca palatalizadas (característica também encontrada nos dialetos paulistano, sertanejo, brasiliense, mineiro e sulista): "estou" [is'to] e "desde" ['desd(ʒ)i].
Ver também [editar]
- Dialeto florianopolitano (também chamado de manezês e mananezinho-da-ilha)
- Língua geral paulista
- Interior do estado de São Paulo
- Dialetos do português brasileiro
- Dialetos paulistas
- Idiomas minoritários
- Instituto de Investigação e Desenvolvimento em Política Linguística
Referências
- ↑ RIBEIRO, José H. Música Caipira: da roça ao rodeio . São Paulo: Editora 34 Ltda, 1999. ISBN 85-7326-157-9.
- ↑ Características Fonético-Acústicas do /r/ Retroflexo do Português Brasileiro: Dados de Informantes de Pato Branco (PR). Irineu da Silva Ferraz. Pág. 19-21
- ↑ O /r/ em posição de coda silábica na capital do interior paulista: uma abordagem sociolinguística. Cândida Mara Britto LEITE. Pág. 111 (pág. 2 do PDF em anexo)
- ↑ AMARAL, Amadeu. O dialeto caipira. São Paulo: HUCITEC, 1976.
- ↑ NAVARRO, E. A. Método moderno de tupi antigo: a língua do Brasil dos primeiros séculos. Terceira edição revista e aperfeiçoada. São Paulo. Global. 2005. p. 13-17.
- ↑ NAVARRO, E. A. Método moderno de tupi antigo: a língua do Brasil dos primeiros séculos. Terceira edição revista e aperfeiçoada. São Paulo. Global. 2005. p. 27.
- ↑ Ferreira, Jesuelem Salvani e Tenani, Luciani.A redução do gerúndio à luz da Fonologia Lexical. pag. 63-64 (pag. 5 e 6 do pdf em anexo).
Ligações externas [editar]
- Biografia de Amadeu Amaral e o estudo do linguajar caipira na área do Vale Paraíba Paulista - Academia Brasileira de Letras, página oficial
- Vandersí Sant'Ana Castro. A Resistência de Traços do Dialeto Caipira: Estudo com Base em Atlas Lingüísticos Regionais Brasileiros, Unicamp, 2006.