Dialeto da costa norte

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O dialeto da costa norte, por vezes também chamado dialeto cearense, ou vulgarmente cearensês, por ser notoriamente descrito como o principal dialeto do estado do Ceará, é uma variante do português brasileiro falada no estado do Ceará e em partes do Piauí e do Maranhão. No Ceará, seu estado raiz, conta com aproximadamente 8,5 milhões de falantes.

Possui variações internas, principalmente na Região Metropolitana de Fortaleza, na Região Jaguaribana, na Grande Teresina e no Leste Maranhense.

Características[editar | editar código-fonte]

Fonéticas[editar | editar código-fonte]

Existem diversos traços fonológicos característicos do dialeto da costa norte. Entre eles, podemos citar:

Vogais[editar | editar código-fonte]

  • Abertura das vogais pré-tônicas [e] e [o]: A abertura das vogais médias pré-tônicas [e] e [o] (que passam para [ɛ] e [ɔ]) é típica dos dialetos do Norte-Nordeste do Brasil, distinguindo-os nitidamente dos dialetos do Centro-Sul. No dialeto da costa norte, porém, esse fenômeno é de caracterização peculiar, estando relacionado a uma regra de harmonia vocálica de traço em que a vogal da sílaba pré-tônica se assimila à vogal da sílaba tônica posterior, além da neutralização e redução vocálicas, diferentemente do que ocorre no dialeto baiano e outros.[1] [2] Assim, os cearenses pronunciam as vogais /e/ e /o/ abertas ou fechadas, nas sílabas pré-tônicas, conforme a vogal da sílaba tônica posterior induza sua abertura ou fechamento: por exemplo, tem-se "hotel" [ɔ'tɛw], mas "loteria" [lote'ɾiɐ], e "detesto" [dɛtɛʃtʊ], porém "pretexto" [pɾeteʃtʊ], o que não exclui as ocorrências de redução vocálica também presentes em outros dialetos do português, como em "desleixo" [d(ʒ)izlejʃʊ]. Ocorre também influência morfológica nos termos formados por derivação, o que faz com que vogais que, pela regra da harmonização vocálica, seriam abertas sejam realizadas de modo distinto em razão da influência do termo originário, a exemplo de "mesada" ([mezadɐ], não [mɛzadɐ]) e "cebolal" ([seboˈlaʊ], não [sebɔˈlaʊ]).[3]
  • Troca de [e] e [o] por [i]/[j] e [u]: Quando não ocorre a abertura da vogal pré-tônica [e] para [ɛ], acontecem trocas fonéticas de [e] para [i] (vogal) ou [j] (semivogal), fenômeno muito comum em palavras como "cearense" [sja'ɾẽsi] e "segunda" [si'gũdɐ], por exemplo. Menos comum é a substituição de [o] para [u], quando não se realiza a abertura dessa vogal pré-tônica para [ɔ], como em "botar" , podendo ser falada [bu'ta] ou [bɔ'ta].[carece de fontes?]
  • Ditongação e monotongação: O dialeto da costa norte, assim como outros do português brasileiro, destaca-se por apresentar simultaneamente tendências de ditongação de vogais e monotongação de ditongos. Na fala cearense, é mais significativa a ditongação nas vogais de sílabas tônicas precedidas por /s/ ou /z/, como em "pés" [pɛjs] e "feroz" [fɛˈɾɔjs]. Por outro lado, é mais frequente a monotongação nos ditongos precedidos de [ʃ], [ʒ] e [ɾ] (especialmente se o vocábulo for polissilábico), a exemplo de "caixa" [kaʃɐ], "feijão" [[feˈʒɐ̃ʊ̃] e "feira" [feɾɐ].[4]

Consoantes[editar | editar código-fonte]

  • Apagamento/ iotização de "lh" [ʎ] e "nh" [ɲ]: O "nh" e o "lh" são frequentemente iotizados em sílabas mediais e finais, juntamente com o apagamento da última vogal, geralmente [ʊ] ("tamanho" > [tɐ̃mɐ̃j̃] - "tamãe" - ou [tɐ̃mɐ̃j̃ʊ]; paninho > [pɐ̃'nĩ] ou [pɐ̃nĩʊ̃ ]; "filho" > [fij]; "velho" > ([vɛj]). Antes da vogal i, o "nh" é, em vez disso, apagado ("rainha" > [hɐ̃'ĩɐ]). Os casos em que esses fonemas não são apagados ou iotizados parecem ser influenciados pela presença de vogais abertas ([a] [ɛ] [ɔ]) posteriores a esses fonemas.[5]
  • Glotalização do "r": Assim como na maior parte do Nordeste, os cearenses tendem a usar a letra "r" de uma maneira bem forte ([ɦ]), o qual é dado o nome de "r" sonoro, em qualquer situação, até mesmo no dígrafo "rr", como em "carro" ['kaɦu], "verso" ['vɛɦsu] e "ramo" ['ɦɐmu], porém, iniciando sílabas e formando encontros consonantais se usa [ɾ], como em boa parte dos falantes da língua portuguesa: "grito" ['gɾitu] e "aranha" [a'ɾɐɲɐ]. Outra característica marcante de vários dialetos nordestinos, em particular o cearense, é o desuso do som da letra "r" em palavras que terminam com "r", ou seja, o "r" é sempre mudo no fim de palavras, como em "andar" [ɐ̃ 'da] e "caviar" [kavi'a].
  • Neutralização de [v], [ʒ] e [z]: Um fenômeno típico do falar cearense, muito usado em imitações humorísticas do dialeto, é a neutralização dos fonemas [v], [ʒ] e [z] como [ɦ], variante do fonema /r/ típico do Nordeste brasileiro, em várias situações, por exemplo: "estava" ([iʃ'tahɐ]); "mesmo" ([meɦmu] ou até ['meɦum]); e "gente" ([ɦẽt(ʃ)i]). De início, via-se esse fenômeno como típico da fala plebéia e rural, gerando estigmatização do falante. Mais tarde, segundo alguns autores, essa transformação passa a ser vista como ocorrendo principalmente na linguagem rápida e descontraída, para fins de facilitar a articulação, representando assim uma variante dialetal usada em situações de familiaridade e relaxamento. Outros, contudo, consideram que ela é causada principalmente por fatores lexicais e interacionais. Assim, as causas que influenciaram essa mudança seriam a natureza da consoante ou da vogal seguinte e a presença do morfema do pretérito imperfeito "ava".[6]
  • Palatalização das fricativas /s/ e /z/: Quanto a isso, o dialeto da costa norte nem se configura como o sulista, nem como o carioca, mas num meio termo. As fricativas nunca são palatalizadas em final de palavra nem, no geral, antes de consoantes, mas apenas quando se seguem a elas consoantes alveolares dentais (/t/ e /d/). Assim, diz-se sempre "aspa" [aspɐ] e "mesmas" [mezmɐs], mas "estrela" [iʃ'tɾelɐ] e "desdém" [dɛʒ'dẽj̃].[carece de fontes?]

Traços arcaizantes[editar | editar código-fonte]

No dialeto da costa norte, também é muito comum, nas variantes mais isoladas e rurais, aspectos arcaicos da pronúncia do português, registrados em textos lusitanos de séculos atrás, como o ditongo /uj/ que se reduziu a /u/ modernamente ("fruito" e não "fruto"), e termos e formas alternativas como "magotes", "dezasseis" (dezesseis), "mior" (melhor), "tratos" (negócio), "pro 'mode" e "pr'amode" (derivado de "por amor de"), etc. [3] De acordo com a lista de Florival Seraine, essas palavras podem ser resumidas em:

  • Áferese: acostumado > costumado [kuʃtumadʊ]
  • Síncope: "xícara" > xicra [ʃikrɐ]
  • Epêntese: "cotovia" > "cutruvia" [kutɾu'viɐ]
  • Hipérteses: "ceroula" > cilora [si'loɾɐ]
  • Apócope: "ridículo" > ridico [hi'd(ʒ)ikʊ]
  • Prótese: "juntar" > "ajuntar" [aʒũ'ta]
  • Dissimilação: "manhã" > "menhã" [mẽɲɐ̃]

Morfossintáticas[editar | editar código-fonte]

Pronomes de segunda pessoa[editar | editar código-fonte]

Os cearenses usam preferencialmente o pronome de segunda pessoa "tu", ao lado do pronome "você", mas ambos sempre com conjugação na terceira pessoa do singular.[7] O uso de um ou outro pronome está relacionado, no Ceará, ao nível de intimidade entre os interlocutores conjuntamente com a simetria ou assimetria do papel social exercido por eles, determinando o claramente o uso dos três pronomes de largo uso no dialeto: "tu", geralmente pronome indicador de familiariedade; "você", ora usado com um traço formal, ora íntimo, a depender da situação; e "o senhor", reservado não só a pessoas de status superior, mas também àqueles com quem não se tem qualquer tipo de intimidade. Ao contrário do que ocorre no Rio de Janeiro, por exemplo, há sempre uma concordância entre "tu" e "você" e suas formas oblíquas e possessivas, mesmo entre as pessoas de mais baixa escolaridade.

Lexicais[editar | editar código-fonte]

O dialeto cearense possui grande quantidade de palavras e expressões populares usadas largamente pela população e que lhe são peculiares, dando ensejo até mesmo à publicação de vários dicionários de cearês catalogando essas expressões. Há termos no dialeto cearense com função expressiva e criados a partir de associações sensoriais ou imaginativas com o seu significado, como: bafafá, estrovenga, espilicute, mamimolência, escalafobético..[8] Ademais, há termos relacionados com a cultura e a economia locais, como alfinim ou alpercata, assim como derivações de corruptelas ou arcaísmos, como bribado e bêbo ("bêbado", decorrente de briba, corruptela de "víbora") ou canelal (derivado de "canela", significando um agrupamento de pessoas da ralé), ruma e arruma (que significa monte 'de objetos, pessoas'), assim como palavras formadas por derivação regressiva ou prefixação, como "eguar" (andar a ermo, vagar) ou, pelo contrário, "estrompa" (sujeito violento) e mucheada (corruptela de mancheia, punhado). Por fim, há diversas palavras usadas em sentido diverso do original, como branca em sentido de "cachaça" e amarelo como sinônimo de "pálido", e uma série de arcaísmos do português que persistiram no dialeto cearense, principalmente rural, como malino e assoprar.[9]

Algumas marcas do dialeto cearense, mas não necessariamente exclusivas dele, são as interjeições usadas frequentemente para dar expressividade às frases, tais como: eita!, arre égua!, ave! ou ave maria!, vixe!(que vem de virgem) ou ixe!, oxe! (mas raramente oxente), diab'é isso, pera hóstia (corruptela de pela hóstia). Há também formas regionais de termos para serem usados como vocativo, como macho e suas variantes (, mancho, manch, mach, macho véi), assim como cabra (ou mais comumente caba), marminino (típico do Cariri e Centro-Sul cearenses).

Algumas expressões e termos típicos do dialeto cearense são:[10]

  • Adjetivos: abestado (bobo, desatento, otário), abirobado (louco), amancebado (relativo a quem vive com alguém sem casar-se), amarelo queimado (cor laranja, termo alternativo a este), espilicute (referente a crianças fofas, graciosas além de desinibidas), gasguito (pessoa com voz estridente ou esganiçada), marmota (estranho, desajeitado), peba (ordinário, de baixa qualidade),biloto (botão), carão (bronca, sermão), tabefe (tapa), malamanhado (mal vestido), malaca (malandro), fulerage (sem futuro [+pessoas], qualidade baixa [+coisas]), buxuda (grávida), pitaco (palpite), etc.
  • Substantivos: galalau (homem alto), varapau (pessoa muito magra e alta), cambito (perna muito fina), batoré (pessoa muito baixa), curubau ou canelau (gente rude, ralé), cafuçu (homem feio), catiroba (mulher feia, desajeitada), catita (também mulher feia, desajeitada), etc.
  • Verbos e expressões verbais: segurar vela (acompanhar um casal), magote de gente (multidão), estar avexado (estar com pressa), arroxar (apertar), sentar a mãozada no peduvido (dar um tapa ao ouvido), tomar umas (beber drinks), riscar a faca ( brigar ou se preparar para a briga), amancebar-se (casar), tirar uma pestana (cochilar), meter o pé na carreira (correr), dar cabimento (dar liberdade), arrudiar (dar a volta), pedir pinico (desistir), ariado (desorientado), ser cagado (ser sortudo), emburacar em algum lugar (entrar sem avisar), estar de bode (estar menstruada), estar liso(estar sem dinheiro), alisar (alisar, perder todo o dinheiro), estar na bagaceira (estar solteiro, estar solteiro numa festa), rebolar no mato (jogar fora, jogar no lixo), dar fé (perceber), lascar-se (ficar na pior), pastorar (vigiar), botar pra moer (divertir-se), etc.

Dicionário[editar | editar código-fonte]

Índice: 0-9 A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z

A[editar | editar código-fonte]

  • Abirobado: desnorteado, estabanado
  • Abufelar: agarrar-se com alguém
  • Acunhar: correr, fugir
  • Acochar: apertar
  • Acoloiado:juntos,coesos,unidos em algo...
  • Afeminado: homem, gay ou hétero, com trejeitos delicados, femininos.
  • Afolosado: arrebentado, arregaçado
  • Agora torou dentro: termo usado quando tem alguma coisa errada
  • Água de lavar priquito: Comida sem gosto, sem tempero
  • Adonde: o mesmo que onde ou aonde
  • Alfenim: doce feito de mel de engenho
  • Algaroba: farsa, mentira (é de algaroba)
  • Alpendre: varanda
  • Aluá: suco feito da casca do abacaxi deixada em imersa em água por alguns dias
  • Aluir: despertar para alguma coisa, se alertar
  • Altiar: mesmo que alteia, levantar
  • Alumiar: iluminar
  • Amassar o bombril: transar, copular, ter relações com alguém, trepar
  • Amofinar: ficar magro, triste e moribundo
  • Amolegar: apertar com as mãos
  • Amundiçado: deseducado, pessoa que não tem boas maneiras
  • Ande: mesmo que "venha cá" ou chamado para ter relações sexuais
  • Ânus: mesmo que bóga, tóba, anel de couro, cagador, aro, furico, roscofe, caneco, fiofó, carretel, fogareiro, rosca, ruela, foquito, carlito, carlo antônio
  • Aperreio: sufoco
  • Apiar: prender as pernas de um bode, boi ou jumento com corda para limitar sua movimentação
  • Apocado: calado
  • Araca: putaria, confusão
  • Arapuá: tipo de abelha
  • Arapuca: armadilha para pegar pássaro
  • Arengar: brigar, perturbar
  • Ariar: polir panelas
  • Ariado: perdido, sem saber em que lugar está
  • Arigó: bobo, mané
  • Armador: gancho fixado na parede para sustentar rede de dormir
  • Arreador: tipo de chicote para fazer o boi andar também usado para dar um corretivo em crianças travessas
  • Arregaçado: virado pelo avesso, afolosado
  • Arremedar: imitar, repetir o que outra pessoa diz
  • Arriar (a massa): fazer cocô, defecar, excrementar, cagar, se esvair em merda
  • Arriégua: interjeição que indica insatisfação
  • Arribar: levantar, subir
  • Arrombado: arrombado, estuprado
  • Arroxar o nó: apressar-se, fazer mais depressa
  • Arrudiá: dar a volta, demorar
  • Assungar: correr em disparada
  • Atinhar: encher o saco, torrar o juízo, azucrinar
  • Atroiado: doido, tronxo
  • Avia : já!!! pra hoje!!! (ou melhor, pra ontem!!!)

B[editar | editar código-fonte]

  • Babatando: lesando, patinando, sem sair do lugar
  • Babujo ou babuje: relva que nasce no solo sertanejo logo após as primeiras chuvas do inverno.
  • Bacurim: leitão, porco pequeno
  • Baitola: viado
  • Baitinga: ver baitola
  • Balacubaco: algo muito bom
  • Balaio: cesta feita com ramos
  • Baleca: pessoa muito abestada ou destrambelhada
  • Balde: viado
  • Baldiar: enlamear a água de poço ou cacimba, misturar ou confundir as coisas
  • Balseiro: indica excesso
  • Bandido: traidor, tratante
  • Baque: golpe (Ex.: ele sentiu o baque da perda da mulher)
  • Baquiado: cansado, de ressaca, exaurido
  • Barbatão: diz-se do boi criado solto, garrote selvagem
  • Barrão: porco não capado
  • Bascúi: um monte de lixo, cacarécos
  • Bater catolé: falhar
  • Batoré: mulher baixa,feia e homem deformado e baixo
  • Bêbo: bêbado, melado, cheio dos paus, chumbado, bunitin
  • Bebomóvel: carrinho de mão
  • Beijú: tipo de tapióca mais grossa, feita com farinha de mandioca
  • Beráda: borda
  • Berduégua: tipo de gramínea que nasce quando chove
  • Beruá: tolo, arigó
  • Bicicleta: bike, biscleta
  • Bicorada: gole de cachaça
  • Beiço:Labio
  • Bigu: carona na traseira de veículos como trem e caminhão
  • Bila: o mesmo que bola de gude
  • Bimbóco: lugar longínguo, afastado. (Ex.: Naquele bimbóco de serra)
  • Biriteiro: ver bêbo
  • Birósca: lugar depreciado, pobre
  • Boca: bebedor de lavagem
  • Boneco: bagunça, ribuliço, chafurdo
  • Boró: cigarro de palha
  • Bôrra: resíduo da fabricação de manteiga (pode ser também o pó de café depois de usado)
  • Borrachudo: pernilongo
  • Breádo: cagado
  • Brenha: lugar longe, afastado
  • Broa: tipo de panqueca feita com farinha de mandioca
  • Bróca: queimada para limpeza da terra
  • Brôco: pessoa ignorante, rude
  • Bruguelo: filhote de passarinho ainda no ninho
  • Bulir: Mexer, futricar
  • Bulinar: mexer, tirar do lugar, interferir onde não deve
  • Bufa de padre: cogumelo
  • Bunda: radiola, rabo,
  • Bunda canástica: cambalhota
  • Burrego: cordeiro recém-nascido

C[editar | editar código-fonte]

  • cagado: Pessoa com sorte
  • Cabaço: virgem
  • Cabaré: Prostíbulo, casa da luz vermelha
  • Cabaré de Tersíla: Empresa Multinacional sediada no interior cearense.
  • Cabelouro: nuca (de boi, carneiro, etc.)
  • Cabueta: escarrão,dedo duro.
  • Cachaça: cana, birita, água que passarim não bebe
  • Cachaço: cabelouro
  • Cafuçu : pessoa que tem maus habitos na hora de se vestir
  • Cafundó do Judas: fim de mundo, lugar onde o vento faz a curva, onde o cão perdeu as esporas
  • Caganeira: diarréia
  • Cagar: fazer côcô, obrar, defecar; cagar o pau: fazer tudo errado. (Ex.: Zé Dirceu cagou o pau)
  • Cagasso: esporro, carão(Fulano levou o maior cagasso)
  • Cagueta: ver Cabueta
  • Caibá: o mesmo que caibro (de madeira)
  • Calangada: Porrada,cassete(murro)
  • Caldo de bila: Substância sem gosto definido, sem tempero
  • Calibrado: bêbado
  • Cambito: perna fina
  • Cangalha: artefato usado nas mulas para carregar bagagem e outras cousas
  • Cangapé: golpe de capoeira
  • Cangati: tipo de peixe pequeno e feinho, mulher feinha
  • Cangote: pescoço
  • Caninana: tipo de cobra
  • Capar: cortar os testículos
  • Capar o gato: dar o fora, ir embora
  • Capenga: defeituoso, ruim
  • Capiongo: cabisbaixo, triste
  • Capoeira: tipo de relevo em ladeira ou o lado de uma elevação geográfica (monte)
  • Capote: galinha d´angola
  • Carlito: ânus
  • Carão: repreensão
  • Carniça: pessoa ou coisa que não agrada alguém
  • Carrapicho: tipo de espinhos existente em mata baixa
  • Carrasquento: áspero (exemplo: quando uma parede está apenas chapiscada - fica carrasquenta)
  • Cascudo: golpe de punho fechado que se leva na cabeça
  • Cassaco: tipo de roedor (muitos chamam de gambá do sertão)
  • Catabim: solavanco ocasionado pôr um buraco na estrada
  • Catembada: pancada, bofete, chute, pauzada, martelada, cadeirada, etc.
  • Catita: rato, camundongo
  • Catiroba: mulher feia
  • Catrévagem: mulher feia
  • Catota: meleca, catareca tirada do nariz
  • Catucar: mexer com o dedo ou vara (catutar onça com vara curta)
  • Caxingar: mancar, com dificuldade para andar
  • Cedém: o mesmo que virilha
  • Celular: garafinha de cachaça
  • Ceroto: muco que existe da região pubiana
  • Cezão: enxaqueca, depressão, estado febril
  • Chafurdar: bisbilhotar, mexer
  • Chamboque: pedaço (de reboco, de parede ou de carne)
  • Chalpiscar: fazer o pré-reboco da parede com argamassa de cimento e cascalho
  • Chapuleta: chapa grande ou algo parecido
  • Chibanca: ferramenta de uso agrícola parecida com a enxada
  • Chibata: pênis
  • Chibatado: diz-se de quem anda chutado, ou seja trafega em alta velocidade
  • Chibiu (ou Xibiu): tipo de amêndoa parecida com côco de catolé, usada em brincadeiras antigas de crianças. Virou denominação popular para Priquito. Já chupou xibiu?
  • Chokito: defunto
  • Chuncho: peça de metal usada para matar boi, enfiando-lhe na nuca
  • Chutado: lotado (em altíssima velocidade)
  • Cia: o mesmo que policia
  • Cibito: Tipo de pássaro encontrado no Sertão, cibito baleado (pessoa muito magra, raquítica)
  • Cóca: cócoras, agachado
  • Coivára: Tipo de tecnica de queimada que consiste em juntar as plantas cortadas do resultado de uma limpa em montes e tocar fogo. (Esse método e menos agressivo e menos perigoso que o tradicional)
  • Coloio: ajuntamento de pessoas
  • Combogós: peças de pré-moldados usados em paredes para melhorar a ventilação
  • Cordão cheroso: Biquine "fio dental" feminino
  • Corisco: raio
  • Corredor: mocotó de boi
  • Corró: tipo de peixe, priquito
  • Cortar prego: contração involuntária do ânus quando o indivíduo tem uma grande sugesta (susto); o mesmo que cair de cu trancado
  • Cotoco: pedaço pequeno, dar o dedo médio
  • Coxo: manco
  • Croque: cascudo
  • Cucurûto: diz-se do lombo do boi ou de qualquer animal
  • Cuia (ou coité): recipiente feito divindo uma cabaça em duas bandas, usado para carregar água, tomar banho etc; Banho de cuia: o mesmo que chapéu (no futebol); Cuia dos infernos: lugar ermo que nem Deus sabe onde fica
  • Cumaru de cheiro: casca de árvore do mesmo nome usada para espantar insetos
  • Cunhão: testículo, bolas, os zovos
  • Currulepo: pesqueiro, tapa na cabeça/pescoço
  • Curuba: infecção na pele
  • Cururú: sapo
  • Cuscuz: comida feita com milho, depois de o mesmo ser passado em moínho e penerado,brincadeira de surra
  • Cutucar: o mesmo que catucar
  • Cuviôco: morada pequena e apertada, casa de pombo, buraco

D[editar | editar código-fonte]

  • Dar a peloura: dar escândalo, passar mal, descontrolar-se
  • De vera: de verdade, valendo
  • De voga: o mesmo que de vera
  • De bode: o mesmo que menstruada
  • Desabar: Ir, dar o fora (Ex.: Desaba daqui mulher!!!)
  • Desarnar: desenvolver, progredir
  • Desdobrar: fig. Envolver mulher com conversa
  • Desembestado: sem freios, em alta velocidade
  • Desentocar: mostrar, tirar do esconderijo
  • Desfazer: diz quando uma pessoa começa a humilhar ou desprezar a outra
  • Desinchavido: sem graça
  • Dezonerar: apodrecer (Ex.: a qualhada dezonerou)
  • Despinguelado: quando um carro desce uma ladeira em alta velocidade
  • Destocar: limpar um terreno com chibanca ou enxada
  • Di Rocha: legal, tranqüilo
  • Dindim: o mesmo que sacolé, ou picolé ensacado

E[editar | editar código-fonte]

  • Embiocar : entrar lá pra dentro da mata fechada, esconder-se
  • Empeleita: empleitada
  • Empereirar: parar o crescimento
  • Encangado: unido, junto, apregado
  • Encarcar: o mesmo que arroxar (mulher)
  • Encruado: duro, que não amolece
  • Enfezado: com muita raiva
  • Engembrado: entortado ou amassado
  • Engilhado: diz-se do tecido que está todo cheio de dobras, ou pele ressecada
  • Entojada: mau humorada, enjoada
  • Entramelado (ou Intramelado): diz-se de um dente que cresce em cima de outro
  • Entrevado: enferrujado
  • Enviezado: torto
  • Enxuí: tipo de colméia
  • Esbafarido: cansado
  • Escacavinhar: remexer, cavar remexendo
  • Escambichado: o mesmo que estrupiado
  • Escambal: e tudo mais o que tiver
  • Escangalhado: aberto
  • Escangotado: no limite do medidor (de velocidade, etc)
  • Escarrar: falar mau de alguém
  • Esculhambar: quebrar, pode ser o mesmo que escarrar
  • Esmurecido: doente, capiongo, moribundo
  • Espinho de cigano: tipo de erva daninha comum no sertão
  • Espojar: diz-se quando o animal (cachorro, jumento, etc) deita ou cisca no chão
  • Espritação: danação, mostrar muita atividade (Ex.: Essa menina agora se espritou)
  • Esquipar: fugir, esquivar-se
  • Estatelar: se esborrachar no chão
  • Estrebuchar: debater-se, tremelicar antes de morrer
  • Estrepar: se dar mau em alguma coisa
  • Estribado: Muito rico
  • Estrupiado: muito cansado, fatigado FUJA DESSE ARTIGO SEM NOÇÃO
  • Esturricado: seco, queimado
  • Esturro: grito do leão
  • Extruião: quem extrói muito
  • Extruir: desperdiçar, jogar comida fora,

F[editar | editar código-fonte]

  • Faceira: extrovertida, simpática
  • Facho: de lenha, tezão
  • Farnizim: perturbação no juízo
  • Fato: intestinos e estômago de animais como o boi, carneiro, etc.
  • Fel: vesícula biliar de gosto amargo
  • Felabalde: viado
  • Fera: cabra bom, cabra macho, amigo de todas as horas
  • Fí (ou mais raramente, meu fí): abreviação de "meu filho", pode tanto significar pessoa querida, quanto interjeição ou vocativo que serve pra chamar alguém de uma forma carinhosa, pra dar saudações ou pra algo mais
  • Filhóis: tipo de pão feito com farinha de mandioca, também chamado de péta
  • Fininha: caganeira, vazar pelo pito
  • Firvião ou frivião: quando o menino está muito irrequieto diz-se que ele tem um frivião na bunda
  • Frescar - Tirar onda ou viadagem
  • Fubica: peba, fraco
  • Fuleiro: fresco, que adora mangar e/ou fazer estripulia e contar piada
  • Fuleragem, fulerage ou fuleraji: irresponsável, sem noção, ou ainda fresco, fuleiro
  • Funaré (ou funaréu): confusão dos diabos, grande agitação
  • Furdunço: confusão
  • Fussa: cara, rosto
  • Fussar: procurar, mexer
  • Futricar: futucar, bulir, mexer
  • Fuzaca: fofoca, mentira

G[editar | editar código-fonte]

  • Gagá: caduco
  • Gaiato: brincalhão
  • Gaitada: gargalhada
  • Galalau: pessoa alta, vara de tirar coco
  • Gambiarra: algo mal feito provisoriamente
  • Garajal: proteção feita com grades para proteção de árvores em praças, jardins, etc.
  • Garrote: filhote de boi, corno
  • Garupa: parte de tras da bicicleta ou motocicleta feito para carregar objetos mas onde se carrega uma pessoa
  • Gasguito: pessoa que tem a voz muito desafinada
  • Gato: ligação clandestina de energia
  • Gato véi: mesmo que amante, rapariga
  • Gayzar: desmunhecar, dar uma de gay
  • Gazear: faltar à escola, matar aula
  • Gazo: albino
  • Gerimum: abóbora
  • Gia: rã
  • Goipeba: tipo de cobra
  • Gozó: cachorro
  • Goéla: garganta (pronuncia-se Güela)
  • Guaiuba: viado
  • Gurejar: diz-se do animal que está sentido o cheiro da comida e fica com água na boca
  • Gurgúi: tipo de piolho que da em feijão depois de feijão de colhido.

I[editar | editar código-fonte]

  • Imbirrar: fazer pirraça, fazer manha
  • Impalhá ou impaiá: atrasar
  • Impinjar: provocar, tirar a pagode, implicar com alguém
  • Impinjem: marcas vermelhas no corpo
  • Incandiar: ofuscar, iluminar
  • Incriquiado (ou incriquilhado): engilhado
  • Inferno da pedra: lugar mais longe que você possa imaginar
  • Ingí: interjeição de admiração
  • Ingúiar: provocar o vômito, náusea
  • Inhaca: cheiro de cigarro ou outro fedor que impregna o ambiente
  • Intrançar: ficar transitando no meio das pessoas
  • Invocado: brabo, muito "macho"
  • Ispilicute: tagarela

J[editar | editar código-fonte]

  • Jabobêu: coisa enorme, absurdamente grande ou pesada
  • Jurema: planta típica do semi-árido que proporciona boa lenha
  • Jumento!: interjeição usada para indicar pessoas ignorantes
  • Juriti: triste

L[editar | editar código-fonte]

  • Lábia: habilidade de convencer pela fala
  • Lachar: lascar, quebrar por cisalhamento
  • Lapa: Membro do corpo avantajado
  • Lascado: pobre
  • Lasca-peito: cigarro de fumo brabo
  • Lombra: drogado
  • Lundún: de mau humor
  • Lundúnzento: dado à confusão

M[editar | editar código-fonte]

  • Maçada (e suas variantes maçante, macento, etc): demora, demorado
  • Macambira: bromélia que tem folhas com espinhos até nos zói da goiaba
  • Macaúba: fruta da palmeira macaúba. Pode ser utilizada de diversas formas, como: alimentação animal e humana, artesanato, usos medicinais, dentre outros. Entretanto, o seu maior potencial está na produção de óleo vegetal
  • Macaxeira: mandioca
  • Macho: ver Mah
  • Mah: É praticamente um ponto final. Quase sempre é citado no final das frases.É uma forma mais curta de Macho.

Ex: Vamos ao jogo mah?

  • Mais alegre do que mosca na manga
  • Mais desmantelado que merda de baitola
  • Mais feliz do que pinto na merda
  • Mais perdido que cego em tiroteio
  • Malamanhado : desarrumado
  • Malino: buliçoso
  • Mancar: o mesmo que caxingar, andar arrastando uma perna
  • Manchão:remendo interno em pneus
  • Mangar: rir de, achar graça
  • Mãozada:Tapa com bastante força
  • Maria-chiquinha: peça do vestuário feminino usada para prender os cabelos
  • Mariola: tipo de doce de banana
  • Marminino: sinônimo de "Vixe Maria", expressa surpresa, animação ou espanto com alguma coisa. Mais falado no Sul do Ceará.
  • Marrã: ovelha
  • Massa: antônimo de paia ou peba, se trata de algo muito bom, que vale a pena
  • Meter o aço: ir com tudo, fazer com determinação
  • Miguelito: queixar, paquerar
  • Miserável: aquele que não tem no cu o que um mosquito faça um lanche (lascado)
  • Môco: surdo
  • Mócó: tipo de roedor (hamster), pessoa boba
  • Mói: inicialmente era molho (coletivo de chaves) depois virou coletivo de qualquer coisa: mói de coentro, mói de cebola, mói de mulher
  • Mojada: grávida
  • Moleira: nuca, parte da cabeça que vai do pescoço ao meio do chifre
  • Mondrongo: caroço grande de carne (cisto muscular) ou algo parecido com isso
  • Morgar (morgação): não fazer absolutamente nada
  • Morrer: bater a cachuleta, fazer viagem de pé junto,
  • Môxo: diz-se do boi que tem os chifes atrofiados
  • Muciço (a): macio(a), carne muciça (carne macia)
  • Mucumbú
  • Mugunzá, mucunzá ou macunzá: comida típica da região feita com feijão, milho e carne de porco
  • Mulinga: um negócio bem exagerado, muito grande, do tamanho da gôta serena
  • Mundiça: gente pobre e deseducada
  • Mungango: sestro, careta, cacuête
  • Muído: pop. confusão, lenga-lenga (Ex.: - Homi deixe de muído e arrume logo as cousas. Também usado pra expressar que está com o corpo dolorido
  • Muquifo: cabaré
  • Muriçoca: pernilongo, mosquito
  • Murraça: fedor de cachorro molhado ou pessoa imunda
  • Mutuca: tipo de muriçoca gigante
  • Muzenga: coisa imprestável(Ex.: Ô muzenga!!!)
  • Meter o pau: transar, fazer sexo. Também usa-se pra expressar quando alguém falou mal de outra. (Ex.: Fulano meteu o pau em ti!)

N[editar | editar código-fonte]

  • Na brinca
  • Nargadinha: dose (de leite, café, cachaça, etc)
  • Negada: pessoal
  • Novilha :animal bovino ainda em fase de crescimento.

O[editar | editar código-fonte]

  • Obrar: cagar
  • Oitão: parte anterior da casa, alpendre
  • Oiticica: árvore oleaginosa muito comum a beira de rios
  • Opercata, alpercata, alpragata: sandália de couro com tiras
  • Óva: caviar do sertão; Óva (2): interjeição de negação (Ex.: Ele ganhou? uma óva que ganhou!!)
  • Oxe: super usado quando alguém se espanta

P[editar | editar código-fonte]

  • Pacoso: Gay, viado, balde, caneco, queima-rosca, tchola,etc.
  • Páia: ruim, sem qualidade.
  • Pantim: movimento brusco ou suspeito
  • Papôco: estouro, explosão
  • Papudin:Bêbado
  • Parapeito: parede baixa
  • Pariceiro: camarada, parceiro
  • Pastorar: vigiar
 Pau-de-latra: pessoa que se mete na conversa dos outros sem ser chamado


  • Péba: tipo de tatu (tatu-péba), coisa que não presta ou é de má qualidade
  • Péa: pelanca da carne
  • Pêia: surra
  • Peitica: ave do nordeste, pode ser desejar o mal, fazer macumba
  • Peleja: o mesmo que lida, trabalho,
  • Piroca: pênis, pinta, pito,rola,pinto,tchola, cacete, mandioca.
  • Pereba: ferida na pele
  • Pezada: chute forte com o pé
  • Piau: tipo de peixe
  • Pindaíba: pobreza, falta de dinheiro
  • Pinguelo: clitóris
  • Pinóia: de forma alguma
  • Pinote: pulo
  • Piola: ponta de cigarro
  • Perambular ou pirambular: andar por aí, sem direção certa
  • Pirão: prato feito de farinha fervida no caldo de cozidos
  • Pirró: pirulito
  • Pirrototinha: pequena
  • Pitaco: palpite, conselho, opinião
  • Pitó: tipo de arrumação dos cabelos com prendedores de elástico ou maria-chiquinhas
  • Pitoco: cotoco
  • Pitomba: tipo de fruta
  • Pixilinga: o mesmo que piolho, espécie de pulga comum a vários tipos de aves
  • Pisa: surra, pêia, sova, corretivo
  • Policial: macaco, os "homi"
  • Potó: inseto muito comum que solta um odor desagrádavel
  • Prastada: monte de bosta
  • Preá: espécie de roedor muito comum na caatinga
  • Presepada: fazer coisa errada ser danado
  • Procotó:
  • Prostíbulo: pemba, brega,
  • Prostituta: sapirôca, quenga, quiba, rapariga, biskate, gato, esquemão
  • Priquito:Vagina, perseguida, xana, xavasca,rachada.
  • Puim: resíduo do beneficiamento do arroz ou do milho
  • Punheta: masturbação, siririca, torar uma, bronha, sola, sabiá, bater uma

Q[editar | editar código-fonte]

  • Queixar: Dá cantada

R[editar | editar código-fonte]

  • Rôta: frôxa, foló, folgada
  • Rebolar ou rebolar no mato: jogar fora

S[editar | editar código-fonte]

  • Saplicar: espalhar
  • Sarrabúi ou sarrabulho: comida típica a base de miúdos de porco
  • Se abrir: achar graça, gargalhar
  • Shiba: chibata
  • Soca-soca: tipo de espingarda
  • Sapecar: jogar longe, arremessar, ou queimar na brasa
  • Sugesta: medo repentino
  • Suspiro: doce feito com ovos e mel de engenho
  • Sustânça: é a substância que a comida tem

T[editar | editar código-fonte]

  • Taba do queixo : região compreendida entre o maxilar inferior e o pé da orelha
  • Taióca: tipo de formiga
  • Talagada : dose de cachaça
  • Tamburete: cadeira de pau e couro
  • Tampa de Crush : é um cara filé, de quem todos gostam
  • Tanajura: mulher da bunda grande (em referência às formigas da mesma espécie)
  • Tapióca : comida típica a base de goma de mandioca
  • Tareco : bolacha
  • Tarimbado : renomado ou que se garante num serviço
  • Tarisca : filete de madeira
  • Teretêitêi: conversa vai, conversa vem, bláblábla´
  • Tertulha : festa
  • Testa : quengo
  • Testículo : cunhão, saco, os zóvos,
  • Tetéu : pessoa que fica acordada durante a noite (em ref. à ave de mesmo nome)
  • Tibungar: mergulhar, pular dentro d'água
  • Tirinete : rojão doido, ritmo forte
  • Titela: costelas da galinha (mas pode ser de gente)
  • Tiú: também conhecido por téjo é um tipo de lagarto
  • Toréco: boi pequeno
  • Toró: chuva forte
  • Torreão: nuvem de chuva do tipo cúmulus
  • Touceira: mato, arbusto
  • Traíra: tipo de peixe, mas também significa pessoa que trai, covarde
  • Trancilim: brincadeira de rua em que se usam elásticos esticados pelas pernas das meninas
  • Trapiá: árvore nativa do semi-árido
  • Triscar: tocar de leve
  • Tronxo: torto
  • Tutano: medula óssea do boi ou da galinha

U[editar | editar código-fonte]

  • Unha-de-gato:tipo de vegetação rasteira nativa do nordeste do brasil.

V[editar | editar código-fonte]

  • Vagina : priquito, boca de capim, rêgo, patuá, pacote, corró, traíra, cofrinho de cabelo, enxuí, carne mijada, bicho da cara preta, chibiu, xereca, xana
  • Vaqueta: tipo de fita feita de couro de boi para ser usado entre o pneu e o aro da bicicleta para não furar com espinho
  • Varijeira: mosca grande
  • Venta: nariz
  • Viçar (e suas variantes viçando, viçage): diz-se do comportamento da fêmea quando está no cio, ou de alguém que tá frescando com sua cara ou te importunando
  • Vixe (ou mais raramente Vixe Maria): cearense fala "VIXE" e não "VISSE" que nem pernambucano, corruptela da palavra "Virgem", de "Virgem Maria", significa interjeição de admiração ou espanto com alguma coisa, à semelhança de "oxe".

X[editar | editar código-fonte]

  • Xêro do queijo: lugar distante e esquisito.
  • Xinim : vagina
  • Xilito: salgadinhos de milho(tipo fandangos...)
  • Xiringar: espirrar, derramar algum líquido

Z[editar | editar código-fonte]

  • Zabeleu: perturbado
  • Zé Ruela:Panaca,tolo,viadim
  • Zinebra-gato
  • Zuruó : bêbado demais
  • Zurucucu : doido


Variações internas[editar | editar código-fonte]

O dialeto do Ceará possui consideráveis variações internas de acordo com a região ou mesmo o nível social do falante, havendo notáveis diferenças entre os falares do Norte e do Sul do estado (que fala o dialeto nordestino central), assim como entre a língua culta urbana e a língua coloquial do interior rural. Essas diferenças se revelam principalmente em expressões e termos usados localmente, assim como palavras preferencialmente usadas numa área ou em outra (por exemplo, usa-se preferivelmente "ata" em Fortaleza e na Região Norte do estado, enquanto "pinha" no Cariri, ou ainda "fruta-do-conde"). O "n" não sofre palatalização como ocorre, por exemplo, em Fortaleza, tornando sutilmente diferente a pronúncia de "menino"; e, na fala popular rural, há vários exemplos de vocalização dos fonemas /r/ e /l/ ("salgado" > "saigado"; "porco" > "poico").

Referências

  1. Lee, Seung Hwa. (2006). "Sobre as vogais pré-tônicas no Português Brasileiro". Estudos Linguísticos XXXV: 166-175. Visitado em 23 de abril de 2012.
  2. Lee, Seung Hwa; Oliveira, Marco A. de. . "Variação inter-e intra-dialetal no português brasileiro: um problema para a teoria fonológica". Visitado em 23 de abril de 2012.
  3. a b Monteiro, José Lemos. . "As descrições fonológicas do português do Ceará: de Aguiar a Macambira". Visitado em 23 de abril de 2012.
  4. Aragão, Maria do Socorro Silva de. (2009). "Os estudos fonético-fonológicos nos estados da Paraíba e do Ceará". Revista da ABRALIN 8 (1): 163-184.
  5. "A despalatalização e consequente iotização no falar de Fortaleza". Visitado em 23 de abril de 2012.
  6. Aragão, Maria do Socorro Silva de. . "A neutralização dos fonemas / v – z - Z / no falar de Fortaleza". Visitado em 23 de abril de 2012.
  7. Freire, Gilson Costa. (2005). "A realização do acusativo e do dativo anafóricos de terceira pessoa na escrita brasileira e lusitana".
  8. Monteiro, José Lemos. (1995). "Fontes bibliográficas para o estudo do dialeto cearense". Revista da Academia Cearense da Língua Portuguesa 9: 68-94.
  9. Avexado Dicionário Cearês web.archive.org. Visitado em 23 de abril de 2012. Cópia arquivada em 18 de janeiro de 2009.
  10. Dicionário Cearês Girias Ceará ABC Cearense web.archive.org. Visitado em 23 de abril de 2012. Cópia arquivada em 1º de dezembro de 2008.