Dialeto paulistano
O dialeto paulistano é um dialeto do português brasileiro, pela primeira vez classificado pelo filólogo Antenor Nascentes. É falado na cidade de São Paulo e também na Região Metropolitana de São Paulo. Num estudo realizado no âmbito da graduação da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais em Belo Horizonte, o dialeto obteve mais de 93% de aprovação dos ouvintes (60 pessoas, em média, ouvidas em cinco estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraíba) como a pronúncia "mais correta" do idioma do Brasil[1], seguido de perto pelo dialeto Gaúcho (90%). O estudo explica a grande aprovação do dialeto por parte dos entrevistados pela sua presença hegemônica nos meios de comunicação [1].
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[editar] Influências externas
O dialeto paulistano é conhecido por englobar termos e palavras oriundas dos diversos idiomas falados por seus imigrantes, sendo tais termos inseridos gradualmente no portugues brasileiro e transferidos para outros dialetos deste idioma.
É fato conhecido que o dialeto paulistano adquiriu características dos idiomas de imigrantes europeus, que começaram a chegar à cidade nas últimas décadas do século XIX, especialmente os italianos. Dos dez milhões de habitantes da cidade de São Paulo, 60% (6,5 milhões de pessoas) possuem alguma ascendência italiana. São Paulo tem mais descendentes de italianos que qualquer cidade italiana (a maior cidade da Itália é Roma, com 2,7 milhões de habitantes).
Mais de 70% dos italianos que vieram para o Brasil, vieram para o estado de São Paulo, principalmente para a capital. No início do século XX, o italiano e seus dialetos eram tão falados quanto o português na cidade. A fala dos imigrantes fundiu-se à dos locais (dando origem a subdialetos no dialeto próprio da cidade de São Paulo. Bairros como os da Mooca e Bixiga, tradicionais por terem recebido muitos imigrantes no passado, preservam até hoje muito do sotaque típico de São Paulo.
Vale lembrar que imigrantes árabes (sírios e libaneses), espanhóis e portugueses, também tiveram grande importância no desenvolvimento do falar paulistano, agregando novos termos ao dialeto local, embora tendo pouco impacto sobre o soar do dialeto paulistano, assim como se deu com a integração do italiano ao dialeto local. O livro "Brás, Bexiga & Barra Funda", de Alcântara Machado, os sambas de Adoniram Barbosa e os poemas modernistas de Juó Bananere, retrataram historicamente a influencia italiana sobre o dialeto. Por esses e vários outros fatores, paulistas e paulistanos são conhecidos por "falar cantando" e/ou gesticular muito enquanto fala.
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Referências
- ↑ a b RAMOS, Jania M. "Avaliação de dialetos brasileiros: o sotaque." In: Revista de Estudos da Linguagem. Belo Horizonte: UFMG. jan.-jun. 1997 p 116, 118.
[editar] Bibliografia
- NASCENTES, Antenor - Bases para a elaboração do atlas lingüístico do Brasil - Rio de Janeiro: MEC, 1961.
- ___________________ - Idioma Nacional - Rio de Janeiro: Valverde, 1944.
- ___________________ - Tesouro da fraseologia brasileira - Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1945.
- ___________________ - A gíria brasileira - Rio de Janeiro: Livraria Acadêmica, 1953.
- Machado, Alcântara: "Brás, Bexiga & Barra Funda", 1928.