Diatomito
Diatomito ou diatomite é uma rocha sedimentar muito porosa e absortente, formada pela precipitação dos restos microscópicos das carapaças das diatomáceas.[1] Diatomito, terra de diatomáceas ou Kieselguhr apresenta-se puro, maciço e estratificado, pulverulento, muito leve e volumoso.
A composição das frústulas é, essencialmente, de sílica amorfa hidratada ou opalina (SiO2.H2O). Originado no transcorrer das épocas geológicas, pela deposição destas microalgas, no fundo de mares, lagoas e terrenos pantanosos, formando camadas pouco ou muito contaminadas de impurezas, tais como: matéria orgânica, argilas, areia, óxido de ferro, carbonato de cálcio e magnésio, cinzas vulcânicas, espículas de espongiárias e outros materiais em menores quantidades. Quando as espículas de esponjas predominam mais e as diatomáceas constituem pouca, ele passa a ser chamar espongilito.
As diatomáceas mais encontradas no diatomito são dos gêneros: Eunotia, Frustulia, Pinnularia, Navicula, Nitzschia, Anomoeneis, Melosira, Epithemia, Cymbella e Fragilaria.
Ele tem uma cor branca, creme, cinza, marrom – esverdeada, não possui uma forte dureza devido a sua porosidade, mas microscopicamente as partículas são mais duras. Ponto de fusão alto de 1400 °C a 1650 °C, de brilho opaco ou terroso, quebradiço, insolúvel em ácidos, exceto o ácido fluorídrico, mas solúvel em bases fortes, absorve 4 vezes seu peso em água, inodoro e insípido.
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[editar] Diatomito no Brasil e no mundo
O diatomito é um produto muito espalhado no mundo, quer nas regiões glaciais, nas temperadas ou na zona tórrida. Os maiores depósitos estão nas Américas do Norte e Central e na Europa. O primeiro depósito de diatomito descoberto se encontrava no norte da África e então, chamado de “Trípoli”.
Os Estados Unidos são os maiores produtores e consumidores mundiais de diatomito, uma das maiores jazidas do mundo fica nesse país e se localiza em Lompoc, Califórnia. Encontrando-se outra também próxima de Clearmont, Flórida. Seguido pela Rússia, Alemanha, Dinamarca, França, Itália, Inglaterra, Espanha e Argélia.
No Brasil, segundo Souza e Fróes Abreu, já em crônicas do Brasil colônia já se falava da ocorrência de diatomitos no estado do Ceará. Segundo Oliveira, o primeiro diatomito brasileiro identificado foi no ano de 1925, pelo professor Otaon Henry Leonardos, em amostras de Campos dos Goytacazes, no estado do Rio de Janeiro.
Por ser um mineral cosmopolita, encontra-se referência de diatomito em todos os estados brasileiros. Entretanto as reservas mais importantes são as do Ceará, Rio Grande do Norte, Bahia, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Amazonas, Maranhão, Piauí, Pernambuco e Paraná.
Os diatomitos encontrados no Nordeste brasileiro foram formados em lagos pleistocênicos onde se deu intensa deposição de carapaças silicosas de diatomáceas, geralmente associadas a espículas de esponjas de água doce, também silicosas.
O principal problema da indústria diatomitica brasileira é a pesquisa de novos depósitos, desenvolvimento de novos métodos para a exploração e equipamentos para melhorar a eficiência e o produto final.
Com o consumo aumentando cada vez mais, é muito importante que novos depósitos sejam descobertos no Brasil e no mundo.
[editar] Utilização do diatomito
- Propriedades filtrantes: depende do seu grau de pureza (sem substâncias solúveis e a base de ferro, deve ter pH neutro) para não contaminar os líquidos filtrados. Agente filtrante na clarificação e classificação de açúcar, suco de frutas, bebidas alcoólicas ou não, ácidos, compostos de petróleos, vernizes, ceras, graxas, resinas, tintas, óleos vegetais, minerais e animais, xaropes, etc. É resultado da sua alta permeabilidade e a capacidade de retenção do material sólido entre as partículas dele.
- Isolante: em caldeiras, fornos, condutores, som e temperatura em forma de tijolos ou pó. Isso é devido o diatomito possuir baixa condutividade térmica (transmissão de calor), pois tem células cheias de ar contidas em suas carapaças.
- Farmácia: para filtrar xaropes, na produção de pomadas dermatológicas (propriedade absorvente) e pastas de dentes, excipiente para pílulas.
- Aplicação como absorvente: inseticidas, fungicidas, pilhas elétricas, na dinamite como absorção da nitroglicerina,[2] líquidos catalisadores e explosivos etc.
- Material abrasivo: para líquidos, pastas para limpar e polir metais, azulejos, vidros etc.
- Matéria-prima silicosa: fabricação de silicato de cálcio sintético, silicato de sódio, azul ultramar, material anti-sonoro, lajes, cascos de navio etc.
- Materiais permanentes: fabricação de papel, plásticos, tintas, sabões, sabonetes, borracha, fósforos, na indústria fotográfica etc.
- Agricultura: é cada vez mais comum o uso de diatomito em pó no controle de insetos de produtos armazenados. As partículas de diatomito causam danos à cutícula dos insetos através da absorção da cera da epicutícula e abrasão da cutícula, tornando-se permeável a água e promovendo a morte.
- Pista para petróleo: usa fósseis moleculares, ou seja, moléculas orgânicas que conseguem sobreviver milhões de anos. Saber quando as diatomáceas mais antigas se tornaram rainhas dos mares, ajudará os geólogos na busca de campos de petróleos. Pois certas diatomáceas antigas desenvolveram um composto químico, o que faz delas um marcador preciso do tempo geológico da rocha. Saber a época de uma rocha torna áreas mais interessantes do que outras para procurar petróleo, ou seja, onde há deposição de diatomácea (diatomito), há petróleo.[3]
- Construção: os tijolos de diatomito são usados na construção de casas, igrejas, como a cúpula da Igreja de Santa Sofia, em Constantinopla e a Catedral de Fortaleza toda em tijolos de diatomito.
- Outros: serve também para a construção de dinamite
A presença de diatomito em regiões lacustres entre outras é um fator comum, embora sua simples ocorrência não constitua um fator de importância econômica. É necessário que os depósitos apresentem condições que permitam seu aproveitamento, exemplos: a presença de matéria orgânica influi e muito na qualidade do diatomito e a distância dos centros consumidores, já que o frete é pago de acordo com o volume.
Referências
- ↑ Glossário Geológico - UnB Acessado em 03/05/09
- ↑ Glossário - UERJ Acessado em 03/05/09
- ↑ Algas Unicelulares dão pistas para a busca de terrenos com petróleo. Folha On-line. São Paulo Acessado em 13/03/2006
[editar] Bibliografia
- SOUSA, José Ferreira de. Perfil analítico da diatomita. Boletim n° 11. Rio de Janeiro, DNPM, 1973.
- LEÇA, Professor Responsável: Enide Eskinazi. Apostila: Importância Econômica das Bacillariophyceae. 1982.
- ATUI, Márcia B., LAZZARI, Flávio A. E LAZZARI, Sônia M.N. Avaliação de metodologia para detecção de resíduos de terra diatomácea em grãos de trigo e farinha. Revista Instituto Adolfo Lutz. SP.
- BARROS, Carlos E PAULINO, Wilson Roberto. Os seres vivos. 64° ed., totalmente reformulada. São Paulo, Editora Ática, p 77, 2000.